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Marcel Proust

Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust foi um escritor francês, mais conhecido pela sua obra À la recherche du temps perdu, que foi publicada em sete partes entre 1913 e 1927.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
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Família e infância

Proust nasceu em 10 de julho de 1871, na casa de seu tio-avô, no bairro parisiense de Auteuil (o setor sudoeste do então rústico 16.º arrondissement), dois meses após o Tratado de Frankfurt encerrar formalmente a Guerra Franco-Prussiana. Seu nascimento ocorreu no início da Terceira República Francesa, durante a violência que cercou a repressão da Comuna de Paris, e sua infância correspondeu à consolidação da República. Grande parte de Em busca do tempo perdido diz respeito a essas grandes mudanças, principalmente o do declínio da aristocracia e a ascensão da classe média, que ocorreram na França durante o fin de siècle. Sua mãe, nascida Jeanne Clémence Weil (Paris, 1849 – id., 1905), era filha de Nathé Weil (Paris, 1814 – id., 1896), que era um corretor da bolsa e de Adèle Berncastel (Paris, 1824 – id., 1890), pertencia a uma família da classe média alta judaica, cujos membros tiveram um papel importante na história do judaísmo francês (notadamente um tio chamado Godchaux Weil, conhecido como Ben Lévi, que foi um escritor famoso na comunidade judaica; e Adolphe Crémieux , presidente da Alliance Israélite Universelle e ex-ministro, que era o tio-avô e testemunha do casamento de Madame Proust). Vinda de uma formação muito culta, ela conduziu o filho a uma ampla cultura. Seu domínio da língua inglesa foi primordial nas traduções de John Ruskin feitas por seu filho.

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Juventude

Quando jovem, Proust foi aluno de um pequeno curso primário intitulado Pape-Carpantier, no qual teve como colega Jacques Bizet, filho do compositor Georges Bizet (falecido em 1875) e de sua esposa Geneviève Halévy. Ela tinha um salão na casa de seu tio, onde os artistas se encontravam, quando ela se casou novamente, em 1886, com o advogado Émile Straus, abriu seu próprio salão, do qual Proust seria um frequentador assíduo. A partir de 1882, Proust estudou no Lycée Condorcet,[c] no qual repetiu a quinta série, sendo colocado no quadro de honra pela primeira vez em dezembro de 1884. Muitas vezes faltava por causa de sua saúde frágil, mas já conhecia Victor Hugo e Musset de cor, como a personagem de Jean Santeuil. Nessa época, se tornou aluno de filosofia de Alphonse Darlu, e manteve amizades com Fernand Gregh, Jacques Baignères e Daniel Halévy (primo de Jacques Bizet), com quem escreve em revistas literárias do ensino médio.

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Escrevendo Jean Santeuil

A fortuna da família garantiu-lhe uma vida fácil e permitiu-lhe frequentar os salões das classes médias e altas, bem como os da aristocracia do Faubourg Saint-Germain e do Faubourg Saint-Honoré, dos quais recolheu material para as suas obras literárias. Ele tinha 18 anos quando entrou no salão de Madame Straus graças à amizade de seu filho Jacques Bizet, que o frequentava há anos. Nas cartas que escreveu para ela, ele declarou um “amor platônico” pela mesma, e implorou para que ela o considerasse gentilmente. Nos cinco anos seguintes, se tornou frequentador assíduo desse salão, que funcionava aos domingos.[j] Lá ele conheceu homens mundanos e conhecedores do mundo, como Charles Haas, o futuro modelo de Swann, bem como músicos, pintores e escritores, notadamente Guy de Maupassantj e Georges de Porto-Richek.[k] Já em 1891, Proust vê os limites desse salão, durante o baile oferecido em maio de 1891, pela princesa de Léon, para o qual Madame Straus não foi convidada. Acima de tudo, o episódio dos "sapatos vermelhos" em março de 1892,[l] revelou-lhe a duplicidade e a superficialidade das relações sociais. Ele então transferiu sua aspiração de se misturar com a grande aristocracia para Laure de Chevigné, a quem dedicou um retrato extremamente lisonjeiro em maio de 1892. No entanto, levaria vários anos até que a extravagante descendente do Marquês de Sade se dignasse a aceitá-lo em seu salão.

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Estética de Ruskin

Por volta de 1900, ele abandonou a escrita de Jean Santeuil e conheceu o esteta inglês John Ruskin, a quem seu amigo Robert de Billy, que foi diplomata em Londres entre 1896 a 1899, o apresentou. Tendo Ruskin proibido a tradução de sua obra durante a vida, Proust a descobre por meio de artigos e livros a ele dedicados, como o de Robert de La Sizeranne, intitulado Ruskin et la religion de la beauté. Quando Ruskin morreu em 1900, Proust decidiu traduzi-lo. Para isso, empreendeu várias "peregrinações ruskinianas" ao norte da França, a Amiens e, sobretudo, a Veneza, onde se hospedou com sua mãe em maio de 1900 no Hotel Danieli, local onde Alfred de Musset e George Sand viveram. Ele encontra Reynaldo Hahn e sua prima Marie Nordlinger, que moram perto, e eles visitam Pádua, onde Proust descobre os afrescos de Giotto di Bondone, Les Virtues et les Vices, que ele apresenta no Em Busca do Tempo Perdido. Durante este tempo, seus primeiros artigos sobre Ruskin apareceram no Mercure de France e no La Gazette des Beaux Arts.

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Em Busca do Tempo Perdido

Após a morte de sua mãe, entre dezembro de 1905 e janeiro de 1906, Proust permaneceu em Billancourt, no sanatório para neuróticos dos doutores Alice e Paul Sollier que, em 1924, passou a ser chamado de Hospital Ambroise-Paré. Durante quinze anos, Proust viveu a maior parte do tempo recluso, em seu quarto forrado de cortiça, no segundo andar do 102, no Boulevard Haussmann, para onde se mudou em 27 de dezembro de 1906, após a morte de seu pais (o pai em 1903; a mãe em 1905). A primeira frase de Em Busca do Tempo Perdido foi escrita em 1907. O ano de 1908, foi um marco em sua carreira literária. Publicou pastiches no Le Figaro, no Carnet de 1908 recolheu notas que resultariam em obras futuras, e empreendeu um ensaio de crítica literária denominado "Une conversation avec Maman", que ficaria inacabado e só seria publicado em 1954 com o título "Contre Sainte-Beuve". No mesmo ano, manteve um caso de amor com Alfred Agostinelli, que logo se desfez, levando-o ao desespero. Em 1910, mudou seus interesses para a produção narrativa, enquanto gostava de assistir dança, teatro e ópera, como Pelléas et Mélisande, de Debussy.

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Relacionamentos e convicções

É bem sabido que Proust era homossexual, e sua sexualidade e relacionamentos com homens foram frequentemente estudados por seus biógrafos. Embora sua governanta, Céleste Albaret, negasse esse aspecto da sexualidade de Proust em suas memórias, sua negação contradiz as afirmações de muitos amigos e contemporâneos do autor, como seu colega e escritor André Gide e seu valete, Ernest A. Forssgren. Proust nunca admitiu abertamente sua homossexualidade, embora sua família e amigos íntimos soubessem ou suspeitassem disso. Em 1897, ele até travou um duelo contra o escritor Jean Lorrain, que questionou publicamente a natureza de seu relacionamento com seu amante Lucien Daudet (ambos os duelistas sobreviveram). Apesar da própria negação pública de Proust, seu caso com o compositor Reynaldo Hahn, e sua atração caprichosa por seu motorista e secretário, Alfred Agostinelli, estão bem documentados. Na noite de 11 de janeiro de 1918, Proust foi um dos homens identificados pela polícia em uma busca em um bordel masculino administrado por Albert Le Cuziat. Um amigo de Proust, o poeta Paul Morand, falou abertamente dele e de suas visitas a prostitutos. Em seu diário, Morand se refere a Proust e a Gide como "caçando constantemente, nunca satisfeitos com suas aventuras… eternos saqueadores, incansáveis ​​aventureiros sexuais".

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Morte e funeral

Uma das últimas aparições públicas de Proust foi em um soirée do tradutor Sydney Schiff, no Hotel Majestic, onde festejou ao lado de Pablo Picasso e James Joyce, a estreia do ballet Renard de Ígor Stravinski e Bronislava Nijinska. Nessa época, o autor ainda se dedicava, graças a doses de morfina, à interminável revisão dos dois últimos volumes de Em Busca do Tempo Perdido, que foram finalizados, mas lançados postumamente. Após semanas sofrendo de uma bronquite incurável e sem forças para deixar o leito sobre o qual escrevia, Proust morreu, exausto, no sábado de 18 de novembro de 1922, em seu apartamento na rue de l'Amiral-Hamelin, 44, em Paris. A morte foi anunciada por seu amante, o compositor Reynaldo Hahn. Seu irmão Robert chama imediatamente o amigo pintor Paul César Helleu, para vir fazer uma ponta-seca em cobre, da máscara mortuária do falecido, de acordo com sua vontade expressa um mês antes. Helleu inspirou Proust para seu personagem Elstir de Em Busca do Tempo Perdido.

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Posteridade

Com o tempo, Proust se consolidou como um dos maiores autores do século XX e é considerado, no mundo, como um dos escritores mais representativos da literatura francesa, da mesma forma que Shakespeare, Cervantes, Dante, Faulkner e Goethe em seus respectivos países, e se identifica com a essência do que é "literatura". Mais livros foram escritos sobre ele do que sobre qualquer outro escritor francês. Um dos primeiros é Proust, ensaio de Samuel Beckett, Londres, de 1931.

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Questionário Proust

O escritor também é conhecido pelo chamado Questionário Proust. Trata-se de um questionário de personalidade, o qual ele não é o criador, que esteve em voga no final do século XIX. Proust o respondeu — de forma bem diferente — por volta de 1886 e depois por volta de 1890, em um álbum de confissões — uma espécie de jogo de salão popular entre os vitorianos. O álbum importado pertencia a sua amiga Antoinette, filha do futuro presidente francês Félix Faure, intitulado "An Album to Record Thoughts, Feelings, etc." (Um álbum para registrar pensamentos, sentimentos, etc.). Tendo sido preservadas as respostas de Proust, sua notoriedade levou a esse tipo de questionamento lúdico e supostamente revelador. O conjunto de perguntas respondidas pelo escritor é frequentemente usado na atualidade por entrevistadores.

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