Olavo de Carvalho
Olavo Luiz Pimentel de Carvalho GCRB foi um jornalista, escritor, astrólogo, ensaísta, polemista, influenciador digital, ideólogo e autoproclamado filósofo brasileiro, reconhecido como um notório teórico da conspiração e um representante intelectual do conservadorismo no Brasil, com expressiva influência na extrema-direita, sendo apontado como um responsável pelo surgimento da Nova Direita brasileira. Foi considerado um "guru" do ex-presidente da República Jair Bolsonaro e do bolsonarismo, qualificação que rejeitava.
Olavo de Carvalho foi simpatizante das ideias e filiado ao Partido Comunista Brasileiro, tendo militado em sua juventude ventilando ideias opositoras à ditadura militar brasileira entre 1966 e 1968, mas tornou-se anticomunista a partir da década seguinte, posição que manteve até o fim da vida. O PCB nunca confirmou ou negou sua filiação ao partido, tendo o mesmo se dissolvido em 1992. Como astrólogo, colaborou no primeiro curso de extensão universitária em astrologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em 1979, oferecido a formandos em psicologia. Como escritor, lançou sua primeira publicação em 1980, A Imagem do Homem na Astrologia. Em 2013, lançou O Mínimo que Você Precisa Saber para não Ser um Idiota, coleção de textos curtos publicados na imprensa.
Carreira
Em fevereiro de 1977, começou a colaborar para o caderno literário "Folhetim", publicado na Folha de S.Paulo. Nos anos seguintes, atuou como colunista nos jornais O Globo, Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo, Zero Hora, dentre outros. Em 1979, fundou a Escola Júpiter de Astrologia (na época situada na região dos Jardins, zona oeste de São Paulo), juntamente com Antônio Carlos Harres e Mary Lou Simonsen (filha do empresário Mário Wallace Simonsen). A escola organizou eventos, palestras e dois seminários; o primeiro, "Pequeno Seminário de Astrologia", em fevereiro de 1979, e o segundo em setembro de 1979. Uma das ex-alunas da escola foi a astróloga e cientista social Barbara Abramo, cuja família fundou o Partido dos Trabalhadores. Olavo de Carvalho ministrava cursos de astrologia e outros temas; em um desses cursos, com duração de oito meses aulas semanais, Olavo ofereceu "Orientação Profissional Segundo a Astrologia". Em 1979, colaborou no primeiro curso de extensão universitária em astrologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), oferecido a formandos em psicologia.
Política
Olavo afirmava que suas ideias não se enquadravam em uma categoria ideológica, condenando quem adota posições por automatismo sustentado por ideologias. Ele aponta que o coeficiente de esquerda ou de direita está nos olhos do observador e varia conforme as épocas e os lugares. Olavo dizia que preferia se manter afastado dos enquadramentos ideológicos no Brasil, muito embora se visse alinhado à direita americana. Para Carvalho, a esquerda política brasileira conseguiu dominar a universidade, a mídia, a cultura e a política do país, empregando os métodos da revolução passiva (a "revolução sem revolução") de Antonio Gramsci. Entre indivíduos já criticados por Olavo estão Lula, Fidel Castro, Barack Obama, entre outros. Poder-se-ia citar ainda entidades como o Foro de São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o eurasianismo, o Partido dos Trabalhadores, as FARC e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil. Criticava bastante o desarmamento civil, e alegava que as organizações desarmamentistas estavam ligadas aos interesses de grupos milionários nacionais e estrangeiros.
Ciência
Embora não tivesse formação acadêmica e seus escritos científicos sejam vistos por pesquisadores como pseudociência, Olavo criticou fortemente diversas figuras que ocupam lugar destacado na história das ciências, como por exemplo Isaac Newton, a quem acusa de ter disseminado "o vírus da burrice na Terra." A crítica estende-se ainda a Giordano Bruno, que segundo ele "não fez nenhuma descoberta (…). Nem sequer estudou as ciências modernas, física, astronomia, biologia ou matemática. Ele não foi condenado por defender teorias científicas, mas por prática de feitiçaria, que na época era crime", e a Galileu: Também era crítico do trabalho de Georg Cantor a respeito de números transfinitos, acusando-o de confundir "números com seus meros signos", vendo seu trabalho como um "jogo de palavras" e uma "falsa lógica".
Embora o pensamento de Olavo tenha grande audiência entre o público geral, especialmente pelo uso que faz das mídias sociais, não obteve repercussão na academia, e diversos pesquisadores e especialistas em filosofia e política têm criticado suas opiniões. Para José Arthur Giannotti, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, a obra de Carvalho nunca foi uma referência no ambiente acadêmico e "é absolutamente irrelevante do ponto de vista filosófico". Na visão de Alvaro Bianchi, diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, há pouca verdade na sua narrativa filosófica, considera bizarra e equivocada sua interpretação da história da filosofia, e diz não entender como "essa montanha de erros parece consistente para seu público". Ao mesmo tempo, o acadêmico diz que sua fala "se mostra persuasiva e eficaz por abordar os medos e as inseguranças do homem comum perante as transformações do mundo contemporâneo", apresentando uma explicação simples mas equivocada para os problemas atuais: "Marxistas, feministas e gays teriam provocado a crise da civilização cristã e empurrado a sociedade para o abismo. É obviamente uma teoria conspiratória à qual pessoas comuns podem se agarrar quando não conseguem uma explicação razoável para seus medos".
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Críticas contra ex-guerrilheiro
Em março de 2001, o aposentado professor de filosofia e ex-guerrilheiro João Carlos Kfouri Quartim de Moraes, associado ao grupo extremista de esquerda conhecido como "Vanguarda Popular Revolucionária", foi entrevistado pelo jornal da Unicamp. Eventualmente, os estudantes perguntaram se o mesmo chegara a participar de ações armadas contra a ditadura, ao que ele respondeu que havia participado "de uma ou outra", e que era "solidário aos companheiros que pegaram em armas" para combater a violência de golpistas, torturadores e "agentes do imperialismo"; o professor então mencionou o assassinato de Charles Rodney Chandler, oficial dos EUA, afirmando sem provas que o mesmo "nos bastidores, treinava torturadores".[nota 2]
Reinaldo Azevedo
Olavo acionou judicialmente em 2016 a Editora Abril devido a comentários feitos pelo jornalista Reinaldo Azevedo em blog mantido na página da Revista Veja, mas em primeira instância teve seu pedido de direito de resposta negado em duas ações. Uma terceira ação tramita na Vara Criminal de Barueri, por injúria, contra o próprio jornalista.
Acusações contra Caetano Veloso
Em 2017, Caetano Veloso entrou com uma ação contra Olavo de Carvalho por tê-lo acusado no Twitter de pedofilia por causa de seu relacionamento com Paula Lavigne. Caetano e Paula começaram a se relacionar em 1982, quando tinham 40 e 14 anos respectivamente. O casal tem dois filhos, se separaram em 2009 e reataram em 2016. Apesar de controversa, a união não se enquadrava como crime na época. Essa não é a primeira vez que os dois brigam. Olavo chegou a registar uma queixa-crime após Caetano Veloso criticá-lo em artigo para a Folha de S.Paulo. Olavo foi apenas uma entre várias pessoas processadas pelo casal na ocasião, como o pastor Marco Feliciano e membros do MBL. Olavo foi condenado a pagar R$ 2,9 milhões e a apagar as postagens ofensivas do Twitter. Olavo pagou R$ 65 966,78 em 2020, mas se negou a apagar as postagens. Por isso, foi condenado a pagar uma multa diária de R$ 10 mil até que as ordens judiciais fossem cumpridas. A multa acumulou em R$ 2,9 milhões e Olavo entrou com um recurso, que foi negado em 2021. Com a morte de Olavo em 2022, Caetano terá que esperar a partilha de seus bens se quiser continuar com o processo.Em 2019 foi condenado na justiça a pagar uma dívida milionária a Caetano Veloso, após dizer em rede social que ele seria pedófilo.
O Mídia Sem Máscara (MSM) foi um website fundado por Olavo em 2002 com o objetivo de combater o "viés esquerdista da grande mídia brasileira". O site se estrutura ao redor de um grupo de redatores e editores, majoritariamente brasileiros. Em janeiro de 2018, o conselho editorial era formado por Olavo de Carvalho, Edson Camargo, Graça Salgueiro, Heitor de Paola, Percival Puggina, Nivaldo Cordeiro, Ipojuca Pontes e Carlos I. S. Azambuja, o editor executivo era Edson Camargo.
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O cineasta pernambucano Josias Teófilo dirigiu um filme que aborda a vida doméstica, biografia e visão de mundo de Olavo de Carvalho, rodado na residência deste em Colonial Heights, EUA. O longa-metragem O Jardim das Aflições, título retirado de um de seus livros, contou com a produção de Matheus Bazzo e direção de fotografia de Daniel Aragão. O filme foi inteiramente realizado com recursos captados através de financiamento coletivo e foi lançado em 2017. Ao todo foram quase três mil doadores e arrecadação de 320 mil reais. No festival Cine PE, realizado de 27 de junho a 3 de julho de 2017, O Jardim das Aflições foi premiado em três categorias: melhor montagem, júri popular e melhor filme.
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Olavo de Carvalho foi amplamente considerado um autodidata. Segundo o próprio, ele abandonou a escola na "quarta série do ginásio", o equivalente ao 9º ano do ensino fundamental. Em 2005, passou a residir na área rural do Condado de Dinwiddie, ao sul de Richmond, capital do estado norte-americano de Virgínia. Segundo ele, um dos motivos para sua mudança do Brasil aos Estados Unidos foi a chegada do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência da República no Brasil e a hospitalidade oferecida pelos moradores locais. De acordo com Gilberto Dimenstein, fundador do site de notícias alinhado à esquerda "Catraca Livre", Carvalho teria declarado em seu programa True Outspeak que em dezembro de 2009 recebera do governo dos Estados Unidos um visto de residência após aproximadamente três anos, ao final do qual passou a residir naquele país. A publicação alega que Olavo afirmou ter sido agraciado com um visto de "habilidades extraordinárias" (extraordinary abilities, no original), concedido pelo governo americano a pessoas com talentos especiais. Na publicação, que indexou documentos pessoais vazados de Olavo e capturas de tela do seu Facebook, o jornalista acrescentou que ele não preenchia os requisitos para esse tipo de visto, e que a informação teria sido checada por "vários advogados". Tais advogados, no entanto, não foram citados ou tiveram falas incluídas na notícia.
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A família de Carvalho divulgou uma nota em redes sociais sobre sua morte, ocorrida em 24 de janeiro de 2022, oito dias após ser diagnosticado com COVID-19. Olavo estava internado num hospital em Richmond, na Virgínia, Estados Unidos. Embora a causa da morte não tenha sido divulgada junto da nota, sua filha Heloísa afirmou que ela se deveu à COVID-19. Por outro lado, Ahmed Youssif El Tassa, médico dele, disse que o motivo do falecimento teria sido uma "insuficiência respiratória aguda" associada a pneumonia bacteriana. Olavo de Carvalho negava a existência da pandemia, chegando a afirmar, em 2020, que o coronavírus era "a mais vasta manipulação de opinião pública que já aconteceu na história humana". O escritor também era crítico da vacinação, da proteção pessoal com a utilização de máscara e do confinamento. Após a sua morte, políticos do mesmo espectro político, como o ex-presidente da República Jair Bolsonaro e seus filhos, lamentaram o ocorrido. Ministros, ex-ministros e parlamentares do mesmo espectro político também se manifestaram.
Homenagens póstumas
Em 10 de março de 2022, a Câmara Municipal de Sorocaba aprovou, com quatro votos contrários, a nomeação de Olavo de Carvalho para a rua 6 do Metropolitano Condomínio Empresarial, na região do Éden. O projeto foi proposto pelo vereador Dylan Dantas (PSC). Em 5 de setembro do mesmo ano, a Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, por 18 votos a 9, a proposta da vereadora Comandante Nádia (PL) para nomear a rua 4006, localizada na Vila Orfanotrófio II, no bairro Santa Tereza, como "Rua Filósofo Olavo de Carvalho".


