Ambros
Omar ibne Abedalá ibne Maruane ou Anre ibne Ubaide Alá ibne Maruane, apelidado Alacta e conhecido como Amer ou Ambros em fontes bizantinas, foi o emir árabe semi-independente de Melitene (Malátia) dos anos 830 até sua morte na Batalha de Lalacão em 3 de setembro de 863. Durante este tempo, foi um dos maiores inimigos do Império Bizantino em sua fronteira oriental, e tornou-se uma figura proeminente na posterior literatura épica árabe e turca, nomeadamente no Delhemma e no Battalname.
Ambros pertencia à tribo dos soleimitas, que estava estabelecida na Jazira (Alta Mesopotâmia) ocidental na época das conquistas muçulmanas e desempenhou um importante papel nos assuntos de Melitene e na fronteira jazirana (tugur) com o Império Bizantino bem como a fronteira caucasiana com os cazares. Seu pai, Abedalá ou Ubaide Alá é pouco conhecido, exceto que foi também emir de Melitene e que c. 810 entregou para os bizantinos a fortaleza de Camaca para obter a libertação de seu filho, que foi mantido cativo. Ambros provavelmente se tornou emir nos anos 830, e aparece pela primeira vez em 838, na campanha de Amório do califa Almotácime (r. 833–842). A campanha foi travada em retaliação a um raide em larga escala no ano anterior pelo imperador bizantino Teófilo (r. 829–842) contra os emirados da fronteira árabe, incluindo o de Melitene, cujo território foi devastado e despovoado. Durante a campanha de Amório, Ambros tomou parte com seus homens na grande vitória árabe sobre Teófilo na batalha de Dazimo, em julho de 838.
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Como muitos outros protagonistas das guerras bizantino-árabes, Ambros figura nas lendas árabes e bizantinas. No romance épico árabe "Conto de Delhemma e Albatal" (Sīrat Ḏāt al-Himma wa-l-Baṭṭāl), é uma figura importante, embora seu papel tenha sido diminuído e ele apareça frequentemente quase como um vilão devido ao viés do conto em favor dos rivais dos soleimitas, os quilabitas, que forneceram a maioria dos personagens heroicos. Tradições sobre Ambros parecem também ter influenciado o ciclo de histórias em torno de Omar ibne Numane e seus filhos e que foram incluídos em As Mil e uma Noites, enquanto o próprio Ambros aparece mais tarde na literatura épica turca centrada na figura heroica de Battal Gazi (inspirado no general omíada Abedalá Albatal), que é também um dos principais heróis do Delhemma e do épico turco Battalname. Na literatura bizantina, Ambros é considerado o provável protótipo para o emir Ambro, o avô do herói epônimo no poema épico Digenis Acritas, enquanto o estudioso G. Veloudis sugeriu que ele estaria na origem do herói epônimo da Canção de Armuris. O estudioso alemão Hans-Georg Beck vê como improvável esta identificação, mas aponta para a referência de um líder árabe "de braço pequeno" no mesmo conto, que pode refletir a tradição popular baseada em Ambros. Finalmente, o estudioso do século X Almaçudi relata na sua obra Os Prados de Ouro (VIII, 74-75) que Ambros estava entre os "muçulmanos ilustres" cujos retratos eram exibidos nas igrejas bizantinas em reconhecimento do seu valor.


