Hippeastrum
Hippeastrum Herb. é um género de plantas perenes e bolbosas da família Amaryllidaceae que integra cerca de 75 a 90 espécies, nativas das regiões subtropicais e tropicais da América, com distribuição natural desde a Argentina até ao México e às Caraíbas. Algumas espécies são cultivadas em todo o mundo pelas suas flores vistosas, sendo frequentemente comercializada sob o nome comum, erróneo, de amarílis.
Morfologia
São herbáceas, perenes e bulbosas, erectas, com folhagem ornamental, bastante difíceis de ser cultivadas. As flores, embora durem pouco, destacam-se pela sua beleza extravagante e grande dimensão. O bolbo da maioria das espécies tem de 5 a 12 cm de diâmetro, é um bolbo tunicado, cujas escamas concêntricas são formadas pelas bases foliares imbricadas. Produz de 2 a 7 folhas de 3 a 9 dm de comprido por 2,5 a 5 cm de largo. Apresentam flores mais ou menos zigomorfas, hermafroditas, grandes (13 a 20 cm) e muito vistosas. O perigónio é formado por 6 tépalas unidas na base, formando um curto tubo, quase sempre com um paraperigónio rudimentar escamoso. Os segmentos do perigónio são subiguais ou desiguais.
Fragrância
A ausência de fragrância é a regra na grande maioria dos cultivares modernos de Hippeastrum. A presença de fragrância aparentemente está geneticamente associada com a coloração de flor branca ou de tons pastel. A fragrância em Hippeastrum é um carácter que, do ponto de vista genético, se comporta como recessivo. Assim, nos cruzamentos entre plantas com fragrância e plantas que não apresentam aroma, todos os descendentes serão iguais a este último progenitor. A descendência do cruzamento entre duas plantas com fragrância, por outro lado, será uniformemente fragante.
Distribuição geográfica e habitats
A distribuição natural das espécies do género está concentrada em dois centros de diversidade principais, um dos quais corresponde ao leste do Brasil e o outro, à Andes no Peru, Bolívia e Argentina e áreas adjacentes. A distribuição natural de umas poucas espécies estende-se até ao México. O género é essencialmente tropical e subtropical, apesar de algumas espécies ocorrerem suficientemente ao sul do equador e a altitudes tais que podem ser consideradas temperadas. As numerosas espécies de Hippeastrum ocorrem em condições ambientais extremamente variadas. Muitas espécies estão adaptadas às condições de ensombramento do sub-bosque, enquanto outras ocorrem em pleno sol. Algumas espécies crescem em zonas inundáveis (Hippeastrum angustifolium) e outras em zonas secas. Finalmente, existem espécies que são epífitas, tais como Hippeastrum aulicum e Hippeastrum calyptratum.
O nome genérico Hippeastrum tem uma etimologia algo rebuscada, derivando do grego, significando literalmente "estrela do cavaleiro". O nome foi escolhido pelo botânico William Herbert em 1821 para descrever a primeira espécie atribuída ao género, a espécie Hippeastrum reginae. A etimologia não parece, neste caso, ser de muita ajuda na descrição de qualquer característica particular da espécie em questão. A conexão equina (a referência a "cavalo") no nome deste género foi publicada pela primeira vez pelo botânico sueco Carolus Linnaeus, que criou o binome Amaryllis equestris para designar uma espécie hoje incluída no género Hippeastrum, mas que, dadas as grandes semelhanças morfológicas com as espécies africanas do género Amaryllis, foi inicialmente nele incluída. As motivações de Linnaeus quando apelidou a espécie de "amarílis equestre" poder nunca ser conhecido, no entanto, uma anotação na descrição incluída numa revista de botânica de 1795 pode lançar alguma luz sobre o assunto: nessa revista o botânico William Curtis, ao descrever as duas partes da espata que cobre os botões florais antes da ântese, comentou que estas «se levantam num certo período da floração da planta, como se fossem orelhas, dando a toda a flor uma grande parecença com a cabeça de um cavalo». Aparentemente Linnaeus concordou totalmente com a observação de Curtis quando decidiu designar a espécie.
Confusão de nomes comuns
Apesar do esforço de Herbert em distinguir os dois géneros, a maioria dos aficionados por plantas ornamentais continua a designar indistintamente por amarílis as plantas do Velho e do Novo Mundo. Em consequência, estas plantas são popularmente conhecidas por amarílis, o que é erróneo pois faz com que sejam confundidas com as do género Amaryllis (da mesma família que as Hippeastrum).
Espécies
O género Hippeastrum agrupa aproximadamente 80 espécies, entre as quais: Hippeastrum aglaiae Hippeastrum andreanum Hippeastrum argentinum Hippeastrum aulicum Hippeastrum blossfeldiae Hippeastrum blumenavium Hippeastrum breviflorum Hippeastrum bukasovii Hippeastrum calyptratum Hippeastrum candidum Hippeastrum correiense Hippeastrum × hybridum Hippeastrum cybister Hippeastrum doraniae Hippeastrum elegans Hippeastrum evansiae Hippeastrum forgetii Hippeastrum gayanum Hippeastrum goianum Hippeastrum lapacense Hippeastrum leopoldii Hippeastrum machupijchense Hippeastrum maracasum Hippeastrum miniatum Hippeastrum oconequense Hippeastrum papilio Hippeastrum pardinum Hippeastrum petiolatum Hippeastrum psittacinum Hippeastrum puniceum Hippeastrum reginae Hippeastrum reticulatum Hippeastrum striatum Hippeastrum stylosum Hippeastrum traubii Hippeastrum vittatum
Híbridos intergenéricos
Apesar de ter sido obtida uma infinidade de híbridos interespecíficos em Hippeastrum, os exemplos de híbridos com espécies de outros géneros de amarilidáceas, não obstante, são pouco frequentes. A excepção mais conspícua são os híbridos obtidos através de cruzamentos com Sprekelia formosissima Herb., outro membro da tribo Hippeastreae. O híbrido × Hippeastrelia é o nome do notogénero obtido a partir do cruzamento entre uma espécie de Hippeastrum com uma espécie de Sprekelia.
As espécies e cultivares comerciais do género Hippeastrum são plantas ornamentais muito apreciadas que se caracterizam por apresentar flores grandes de coloração apelativa (vermelho, rosa, salmão, alaranjado e branco), razões pelas quais ocupam um lugar importante dentro da floricultura comercial, especialmente para a produção de flores de corte e para a venda como flores de vaso. Para além do valor ornamental, o alto conteúdo de alcaloides presente em algumas espécies deste género permite que seja usadas na indústria farmacêutica. Um alcaloide isolado de Hippeastrum vittatum, a montanina, demonstrou ter efeitos antidepressivos, anticonvulsivos e ansiolíticos. A espécie Hippeastrum puniceum parece ter propriedades terapêutica, sendo utilizada em medicina popular para o tratamento de edema e e feridas. Algumas espécies de Hippeastrum são estéreis pelo que não podem produzir sementes. Um exemplo é Hippeastrum petiolatum originária do Uruguai. Esta espécie é um triploide sexualmente estéril que produz uma abundante quantidade de bolbilhos em redor do bolbo principal. Os bolbilhos são capazes de flutuar na água, pelo que na estação pluviosa são arrastados pelas correntes superficiais de água e viajam até sítios afastados do bolbo original, l que assegura não apenas a propagação mas também a distribuição desta espécie.
Cultivo
Os diferentes cultivares de Hippeastrum são, entre as diferentes espécies de plantas bolbosas, os que melhor se adaptam ao cultivo em vaso no interior de habitações, podendo florescer ano após ano, sempre que se respeite um período de repouso de aproximadamente 2 meses sem rega nem adubação com o vaso em lugar fresco e escuro.


