Amálgama de prata
Amálgama é toda liga metálica em que um dos metais envolvidos está em estado líquido, sendo geralmente o mercúrio.
Os chineses foram os primeiros povos a utilizar a "pasta de prata" em meados do século VII para preencher dentes deteriorados[carece de fontes?]. No século XIX esta pasta já era largamente empregada na Inglaterra e na França, como material obturador, porém, ela expandia em demasia, causando fraturas nos dentes e o mercúrio contaminava os pacientes. A pasta de prata perde então credibilidade frente a outros materiais como o ouro. Em 1816 o dentista francês Auguste Taveau usou moedas de prata e cobre para criar a limalha, que era amalgamada com mercúrio. Esse amálgama continha uma quantidade muito pequena de mercúrio e precisava ser aquecido para que a prata se dissolvesse a uma taxa apreciável. A fórmula de Taveau oferecia menor custo e maior facilidade de uso em comparação com materiais existentes, como o ouro, mas apresentava muitos problemas práticos, incluindo uma tendência a se expandir significativamente após a cura. Devido a esses problemas, essa fórmula foi abandonada na França. No entanto, em 1833 os "irmãos" franceses Crawcour (Edward Crawcour e seu sobrinho Moses Crawcour) imigraram para os Estados Unidos, introduzindo o amálgama de Taveau aos americanos. Eles anunciaram o amálgama com o nome “Royal Mineral Succedaneum” e ofereciam à população restaurações rápidas e baratas. Por volta de 1895, a mistura dos metais do amálgama dental tinha sido modificada mais uma vez para controlar melhor a expansão e a contração, desde então a fórmula básica permaneceu essencialmente a mesma.
O amálgama é um material restaurador bastante utilizado pelos dentistas na atualidade em razão de seu baixo custo, facilidade técnica, resistência ao desgaste e selamento marginal; entretanto, pela presença do mercúrio e outros metais pesados - potencialmente tóxicos para o profissional e o paciente, existe uma crescente resistência ao seu uso. Aliado a isso, sendo uma liga metálica, ela é antiestética e está sujeita a corrosão, implicando em pigmentação indesejável da estrutura dentária. Outro fator de restrição é a necessidade de confecção de cavidades retentivas para a pasta, pois não existe adesão do amálgama ao dente, causando assim desgastes excessivos em estruturas que poderiam ser poupadas. Atualmente em alguns países o amálgama está proibido, e onde ainda o usam têm-se buscado substituir o mercúrio pelo gálio.
Como anteriormente descrito, o amálgama é um material simples e barato, sua manipulação e técnica operatória é, dentre todas, a menos sensível aos fluidos operatórios e a higiene do paciente. Com o advento de novas técnicas, especialmente com a "era adesiva da odontologia", alguns dos problemas inerentes às características do amalgama estão sendo superados; Os preparos estão mais conservadores, os índices de infiltração marginais diminuindo e a resistência à corrosão aumentando. Recentes estudos mostram que um pequeno filme de resíduos da oxidação interfere na dissolução dos metais pesados inclusive o mercúrio diminuindo muito a sua absorção pelo organismo do indivíduo. O amálgama por ser uma liga metálica, tem como vantagem também a alta resistência mastigatória e resistência ao desgaste; normalmente ele é utilizado como referência de dureza entre os materiais restauradores.
As limitações do amalgama são químicas, físicas e estéticas. As limitações químicas estão na presença de metais pesados e tóxicos (o mercúrio, a prata, o estanho, o zinco etc) que podem contaminar os seres humanos e a natureza. As concentrações sempre variam de acordo com o fabricante da liga, por isso é difícil também uma normalização ou padronização de suas concentrações. O mercúrio presente no amálgama funciona como agente de ligação de outros metais, estando portanto na forma inativa. Estudos mostram que pequenas quantidades de vapor de mercúrio podem ser liberadas durante a mastigação ou remoção de restaurações. A maioria das evidências científicas indica que a exposição ao mercúrio proveniente do amálgama dentário em indivíduos saudáveis está abaixo dos limites considerados seguros e não está associada a efeitos adversos sistêmicos significativos. Revisões sistemáticas e estudos clínicos de longo prazo não encontraram associação consistente entre o uso de amálgama e doenças neurológicas, renais ou sistêmicas na população geral.


