Dente
Dente é uma estrutura localizada na boca que é dura, saliente e esbranquiçada composta por polpa, dentina e esmalte que é originada no maxilar e na mandíbula de muitos vertebrados. É usado para cortar, prender e triturar alimentos, preparando-os para serem deglutidos.
Os dentes desenvolvem-se a partir de dois tipos de células: As células do epitélio bucal formam o órgão do esmalte, e as células mesenquimáticas formam a papila dentária. A interação das células epiteliais e mesenquimais é vital para o processo de iniciação e formação dos dentes. Juntamente com essas células, as crista neural|células da crista neural contribuem para o desenvolvimento do dente. As células da crista neural originam-se dos tecidos nervosos em um estágio inicial do desenvolvimento e migram para as maxilas, misturando-se com as células mesenquimáticas. Elas funcionam pela integração com as células da papila dentária e com as células epiteliais do órgão de esmalte inicial, o que auxilia no desenvolvimento dos dentes. Essas células também participam da formação das glândula salivar|glândulas salivares, osso, cartilagem, nervos e músculos da face. O primeiro sinal da formação dentária é o desenvolvimento da lâmina dentária, surgindo a partir do epitélio bucal. A lâmina dentária desenvolve-se em um folheto de células epiteliais que invadem o mesênquima subjacente, nas cercanias do primeiro da maxila e mandíbula. Na borda anterior da lâmina, 20 áreas de espessamento aparecem, as quais formam os botões dentários para os 20 dente decíduo|dentes decíduos. Nesse estágio inicial, os botões já determinaram a morfologia de sua coroa, seja de incisivo ou de um molar. Isso se deve à expressão genética. Depois que os dentes decíduos desenvolveram-se a partir dos botões, a borda anterior da lâmina continua a crescer para desenvolver os dentes permanentes que sucedem os 20 dentes decíduos. Essa parte da lâmina é então denominada lâmina de substituição. A lâmina continua posteriormente dentro da maxila em crescimento e desta surgem os dentes posteriores, os quais se formam atrás dos dentes decíduos. Desta maneira, 20 dos dentes permanentes substituem os 20 dentes decíduos, e os 12 dentes posteriores molares permanentes desenvolveram atrás da dentição decídua. Os últimos dentes que se formam são os terceiros molares, os quais se desenvolvem cerca de 15 anos após o nascimento. Uma vez que os molares não substituem os dentes decíduos, eles não se originam da lâmina de substituição, mas diretamente da lâmina dentária. A lâmina dentária inicial, que se origina tanto a lâmina dentária como a de substituição, inicia sua função na sexta semana pré natal e continua até os 15 anos.
Um humano adulto tem normalmente 32 dentes, dezesseis na mandíbula e dezesseis na maxilar. Os quatro incisivos, localizados à frente, cortam pedaços de comida não muito duros. Junto deles, estão os dois caninos, um de cada lado (sendo quatro no total). Por serem pontiagudos, servem para dilacerar e perfurar. Os incisivos e os caninos preparam uma quantidade de alimento para serem deglutidos. Os quatro pré-molares e os seis molares cumprem as funções de o cortar, esmagar e triturar. Os dentes se unem ao osso alveolar (alvéolo de sustentação), por meio do ligamento periodontal, em uma articulação denominada Gonfose. As articulações fibrosas, como as gonfoses, caracterizam-se por unir os ossos através de tecido conjuntivo fibroso, permitindo pouco ou nenhum movimento. Nos humanos pode-se dizer que os dentes além da função mastigatória, possuem as funções de estética (muito importante na autoestima) e de auxílio na fonação visto que a pronúncia correta de alguns fonemas depende deles, juntamente com a língua.
Os dentes devem ser escovados após qualquer refeição, ao acordar e antes de dormir. O uso regular de fio dental também é necessário uma vez que a escova não alcança as ameias interdentais. Usado criteriosamente uma vez ao dia é o suficiente para a maioria das pessoas. O horário mais recomendado é antes de dormir, mas pode ser usado no horário que se achar mais adequado. A água, o sal, ou o leite das cidades podem ser tratados com flúor e isso é dever do Estado, e deve ser discutido com a população quanto aos efeitos colaterais, a fluorose, que pode acometer até 60% das crianças de 0 a 12 anos, bem como com relação a questões éticas, que costumam gerar certa controvérsia. A saúde dental depende também da ingestão correta do flúor, porém nem sempre, pois alguns povos, como orientais e indígenas, consomem menos açúcar refinado e têm menos cáries que a média geral da população de países industrializados.
Imagem: Thomas Hawk · BY-NC · Openverse
Anomalias dentárias incluem variações da normalidade em número, tamanho, erupção e morfologia dos dentes, e estas podem ser divididas em alterações de desenvolvimento ou adquiridas. O termo desenvolvimento indica que uma determinada alteração ocorre durante a formação de 1 ou mais dentes. Levando-se em consideração as complexidades e interações que envolvem o dente em seu desenvolvimento, desde o início de sua formação, por volta de 6 semanas de vida intrauterina até sua completa erupção, o número pequeno de anomalias é surpreendente. A maioria dos defeitos abordados é de etiologia hereditária. Em contrapartida, alterações adquiridas resultam de mudanças nos dentes após a formação normal. Por exemplo, dentes que formam raízes muito pequenas representam anomalias de desenvolvimento, enquanto o encurtamento de raízes normais por reabsorção externa representa alterações adquiridas.
Alterações de Desenvolvimento
Segundo Neville (2009), alterações dentárias do desenvolvimento são: A dentição decídua é composta por 20 dentes, enquanto a dentição permanente é composta por 32 dentes (contando com os terceiros molares, que podem não existir em alguns indivíduos). Dentes supranumerários são aqueles que se desenvolvem além do número normal de dentes. A morfologia do dente pode ser normal ou anormal. Quando esse dente tem forma normal, o termo supranumerário é, algumas vezes, usado. Apesar da causa ser desconhecida, existe uma tendência familiar. As expressões referentes ao não desenvolvimento dentário podem variar desde a falta de um ou alguns dentes (hipodontia), à falta de vários elementos (oligodontia) e até mesmo na falha do desenvolvimento e, consequentemente, ausência de todos os dentes (anodontia).
Erupção dos dentes
A transposição é a condição na qual dois dentes trocaram de posição entre si.
Morfologia alterada dos dentes
A fusão de dentes é consequência da união de 2 germes dentários adjacentes, resultando no desenvolvimento conjunto dos dentes. Alguns autores acreditam que a fusão acontece quando 2 germes dentários se formam tão próximos entre si que, conforme se desenvolvem, entram em contato e se fundem antes que ocorra a calcificação. Já outros autores alegam que uma força física ou pressão gerada nos germes durante o processo de desenvolvimento levam ao contato de germes dentários adjacentes. A base genética para a anomalia provavelmente é autossômica dominante com baixa penetrância. Homens e mulheres apresentam fusão na mesma proporção e a incidência é maior em asiáticos e índios americanos.
Distúrbios decorrentes de fendas palatinas
Ao final da dentição decídua costumam surgir alguns desequilíbrios esqueléticos com isso algumas alterações oclusais que se intensificam na dentição mista e permanente isso se dá aos crescimentos dos dentes herdados geneticamente e de possíveis traumas nas matrizes funcionais dos dentes. Os pacientes que sofrem de fissuras labiopalatinas tendem a ter uma predisposição maior a sofrer com a má oclusão onde modificam o desenvolvimento normal surgindo assim anomalias dentarias, a maioria das más oclusões desses pacientes são fruto do tipo de tratamento que eles recebem. Pois os pacientes que fazem a cirurgia de fechamento de lábio comumente realizada após os três meses de idade e os que fazem a cirurgia de fechamento do palato que geralmente é realizada a partir dos dezoito meses de idade tendem a apresentar uma largura menor do maxilar por conta da capacidade construtora da cirurgia onde causa uma redução significativa das dimensões da maxila no sentido anteroposterior e transversal. Essa é uma condição extremamente relevante para o paciente no ponto de vista estético e psicológico, mas uma condição desfavorável no ponto de vista ortodôntico.


