Amadeu Lopes Sabino
Amadeu António Pereira Lopes Sabino é um escritor português.
Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa (1967), foi advogado, jornalista, docente universitário e funcionário europeu. Redator da Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura (1966-1967). Redactor do Diário de Lisboa, entre 1968 e 1971, e redator (depois, chefe de Redacção) da revista O Tempo e o Modo, entre 1967 e 1971, obteve reconhecimento público durante a fase final do Estado Novo através de artigos, ensaios e crónicas que tornaram visíveis, dentro dos limites da censura à imprensa, as teses maoístas e pró-chinesas, sobretudo no quadro da política internacional. Ao longo do mesmo período, desenvolveu intensa atividade política, legal e clandestina. Foi também no Diário de Lisboa e n'O Tempo e o Modo que publicou os primeiros textos de ficção. Dirigente associativo dos estudantes universitários, presidiu à direcção da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa (1966/1967) e foi membro do secretariado geral da RIA (Reunião Inter-Associações, 1967/68). Fundador da EDE (Esquerda Democrática Estudantil, 1968), esteve na origem da fundação do MRPP (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado,1970). Preso pela PIDE em 1971, na sequência da publicação da brochura Inquérito operário e luta política, foi condenado pelo Tribunal Plenário a 22 meses de prisão e incorporado em regime disciplinar militar na Companhia Disciplinar de Penamacor. Exilou-se na Suécia entre 1973 e 1975, tendo seguido uma pós-graduação em Sociologia Política na Universidade de Lund. De regresso a Portugal, participou em movimentos de extrema-esquerda durante o período revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril de 1974. Fez parte da direcção do GDUP´s, partido patrocinado e criado por Otelo Saraiva de Carvalho. Foi candidato autárquico em Oeiras, em Dezembro de 1976.
Novelista, romancista e ensaista caracterizado “pela agilidade da narração e por um requintado hedonismo”, é autor de uma obra literária em que Álvaro Manuel Machado releva “uma irónica interrogação sobre o passado dito glorioso de Portugal e, simultaneamente, um pendor auto-reflexivo, cosmopolita e quase autobiográfico”. Escritor da expatriação e dos exílios, exteriores e interiores, evoca, de acordo com Eduardo Lourenço, a vivência no estrangeiro, “amarga como muitas, mas, como poucas, libertadora”. Traduziu várias obras literárias e ensaísticas. Recorreu a diversos pseudónimos, na publicação de livros, traduções e artigos de imprensa, nomeadamente durante a ditadura, entre eles: José-Pedro Gonçalves, Fernando Guerreiro e Marta Castro Alves. A sua obra de ficção tem sido objecto de estudos académicos.


