Alto Sertão Baiano
Alto Sertão Baiano ou Alto Sertão da Bahia é uma região histórica e geográfica localizada no interior do estado brasileiro da Bahia, no sudoeste dessa unidade federativa.
Durante o Período Colonial, a região do Alto Sertão Baiano era conhecida como "Sertão de Cima". A nomenclatura Alto Sertão Baiano não é adotada por órgãos de estatística e planejamento estaduais e federais, mas é bastante utilizada. Com base nos aspectos geográficos e a definição de documentos acadêmicos, a região alto-sertaneja da Bahia engloba os seguintes municípios pertencentes aos seguintes territórios de identidade (TI) baianos:
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A região do Alto Sertão Baiano teve como habitantes originários os indígenas jês, genericamente apelidados pelos colonizadores de tapuias, como os cariris e maracás. Os primeiros não-indígenas a explorarem a região foram provavelmente Gabriel Soares de Sousa e Belchior Dias Moreia, na última década do século XVI e primeira década do século XVII. A região alto-sertaneja da Bahia começou a ser colonizada por vaqueiros rendeiros da Casa da Ponte, latifúndio de Antônio Guedes de Brito, na segunda metade do século XVII. Nas primeiras décadas do século XVIII, a descoberta de jazidas de ouro nos atuais municípios de Rio de Contas, Livramento de Nossa Senhora, Paramirim e Érico Cardoso e de salitre em Palmas de Monte Alto mais tardiamente permitiram a colonização do Alto Sertão Baiano, até então esparsamente povoado, com a chegada de muitos colonos, entre portugueses (maiormente oriundos do Norte de Portugal e incluindo também cristãos-novos), paulistas, mineiros, baianos e pernambucanos. A agricultura e a pecuária, para abastecer essas minas e também as de Minas Gerais, também foram um motor de povoamento da região, com os colonizadores adquirindo ou arrendando fazendas da Casa da Ponte. A mão-de-obra do africano escravizado foi bastante utilizada nessas atividades.
Geograficamente falando, o Alto Sertão Baiano, com uma área de 53 mil km², está encaixado entre o Médio São Francisco, o Planalto de Conquista, a Chapada Diamantina e o Norte de Minas e é considerado uma extensão da Serra do Espinhaço na Bahia, localizada ao sul da Chapada Diamantina. O relevo do Alto Sertão Baiano é alto e acidentado, se comparado com outras partes da Bahia, exceto a Chapada Diamantina. As altitudes excedem os 400 m em quase todo o Alto Sertão, com exceção de algumas porções dos municípios de Ituaçu e Tanhaçu localizados no vale do Rio de Contas, e o relevo é irregular, sendo possível encontrar regiões relativamente planas e áreas de serras, a grande maioria das quais excedem os 800 m de altitude, com as mais altas – acima dos 1.500 m acima do nível do mar – sendo encontradas em municípios que fazem divisa com a Chapada Diamantina, como Érico Cardoso, Livramento de Nossa Senhora e Rio do Pires.
Segundo o censo demográfico realizado em 2022, a população do Alto Sertão Baiano, considerando os municípios citados na parte da Definição, é de 828.519 habitantes. No censo de 2022, os municípios alto-sertanejos mais populosos eram Guanambi (87.817), Brumado (70.512) e Caetité (52.012). Etnicamente, a população do Alto Sertão Baiano é fruto da miscigenação entre portugueses, indígenas e africanos.
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As principais atividades econômicas da região do Alto Sertão Baiano são a agricultura, a pecuária e a mineração. A construção da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol), com uma extensão de 1,5 mil quilômetros conectando Figueirópolis (TO) ao porto de Ilhéus (BA), por meio da qual serão transportados grãos e minérios, traz perspectivas econômicas para o Alto Sertão Baiano, já que essa estrada de ferro cruzará municípios da região. No entanto, dentre os problemas ocasionados pelas obras, estão danos às casas e lavouras de moradores da zona rural, incluindo de comunidades tradicionais, e os impactos ao meio ambiente. O município de Livramento de Nossa Senhora se destaca pelo cultivo de manga, sendo um dos maiores produtores da fruta no Brasil. No Alto Sertão Baiano está um dos maiores complexos eólicos da América do Sul - o do Alto Sertão -, localizado entre os municípios de Guanambi, Caetité, Igaporã e Pindaí.
As principais manifestações culturais dessa parte da Bahia são a Festa Junina e o Reisado. Rio de Contas é o principal polo turístico alto-sertanejo, destacando-se pelo seu casario histórico e ecoturismo. Há outras áreas com potencial turístico, ainda pouco explorado, como Caetité, que conta com patrimônio histórico, e o Parque Estadual da Serra dos Montes Altos, com seu ecoturismo.


