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Alto Carabaque

Alto Carabaque ou Carabaque Montanhoso, é uma região na Transcaucásia, situada entre o Carabaque e a província de Siunique (Zanguezur), ao longo de todas as montanhas do chamado Pequeno Cáucaso. A região é, em sua maior parte, montanhosa e coberta por florestas, e tem uma área de 8 223 quilômetros quadrados.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Etimologia

Нагорный (Nagornii) é uma palavra russa que significa "montanhoso". A palavra não é usada nem no armênio nem no azeri, porém foi utilizada como nome oficial da região durante o domínio da União Soviética, motivo pelo qual também passou a ser utilizado por estes idiomas. Os nomes mais comuns, no entanto, costumam traduzir o significado literal do russo Нагорный Карабах (transl. Nagorniy Karabah): Diversos outros idiomas também optam por traduzir o significado da expressão; em português, por exemplo, o território também é chamado de Carabaque Montanhoso ou Alto Carabaque, a exemplo do francês Haut-Karabakh. A palavra Carabaque é tida em geral como turcomana e persa, e significa literalmente "jardim" negro". O nome aparece pela primeira vez em fontes georgianas e persas dos séculos XIII e XIV. Karabal é uma grafia alternativa do nome, que também se refere a um tipo de tapete produzido originalmente na região. Em português também se usam as grafias Karabaque e Carabaque, entre outras.

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História

História antiga

O Alto Carabaque se situa em terras ocupadas inicialmente por povos conhecidos pelos arqueólogos modernos como a cultura do Cura-Araxes, que viviam entre os rios Cura e Araxes. A população original da região consistia de diversas tribos, autóctones e migratórias. De acordo com o estudioso americano Robert H. Hewsen, estas tribos primitivas "certamente não tinham origem armênia", e "embora certos povos iranianos possam ter se estabelecido ali durante o longo período do domínio persa e medo, a maior parte dos nativos não era indo-europeu. Estes povos, segundo Hewsen, foram conquistados pelo Reino da Armênia no século II a.C.. No entanto, com base nas informações fornecidas pelo historiador armênio Moisés de Corene, do século V, outros autores ocidentais afirmaram - e, posteriormente, o próprio Hewsen - que estes povos podem ter sido conquistados pelo Reino da Armênia até mesmo antes, no século IV a.C..

Era soviética

O atual conflito pelo Alto Carabaque tem suas raízes nas decisões tomadas por Josef Stalin e o Bureau do Cáucaso (Kavburo) durante a sovietização da Transcaucásia; o órgão estava sob o controle do próprio Stalin, Comissário de Nacionalidades (Narkomnats) em exercício na União Soviética do início da década de 1920. Após a Revolução Russa de 1917, o Carabaque se tornou parte da República Democrática Federativa Transcaucásica, porém logo foi desmembrada em Estados separados armênios, azeris e georgianos. Nos próximos dois anos (1918-1920) uma série de pequenas guerras entre a Armênia o Azerbaijão foram travadas, envolvendo diferentes regiões, incluindo o Carabaque. Em julho de 1918 a Primeira Assembleia Armênia do Alto Carabaque declarou a autonomia da região, e criou um Conselho Nacional e estabeleceu um governo local. Como consequência, tropas otomanas entraram no Carabaque e enfrentaram a resistência armada dos armênios.

Guerra e independência

Em 22 de fevereiro de 1988 ocorreu o primeiro confronto direto do conflito, quando um grande grupo de azeris marchou de Agdam contra a população armênia de Askeran, "espalhando a destruição no caminho". O confronto entre os azeris e a polícia nos arredores de Askeran acabou se transformando nos enfrentamentos de Askeran, que deixaram dois azeris mortos, um deles supostamente morto por um policial azeri, bem como um saldo de 50 armênios e um número desconhecido de azeris feridos. Grandes quantidades de refugiados abandonaram a Armênia e o Azerbaijão à medida que se iniciou a violência contra as populações minoritárias em cada um dos dois países. No outono de 1989 o conflito entre as etnias se intensificou dentro e ao redor do Alto Carabaque, levando a União Soviética a conceder as autoridades azeris maior poder para controlar a região. Em 29 de novembro do mesmo ano o governo direto soviético no Alto Carabaque foi encerrado, e a região retornou oficialmente à administração azeri. A política soviética, no entanto, teve o efeito contrário ao esperado quando, depois de uma sessão conjunta do Soviete Supremo Armênio e do Conselho Nacional, o órgão legislativo do Alto Carabaque proclamou a unificação da região com a Armênia.

Continuação da violência (1994 - atualidade)

Apesar do cessar-fogo, as baixas provocadas por conflitos armados entre soldados armênios e azeris continuaram. Em agosto de 2008 os Estados Unidos, França e Rússia (membros do Grupo de Minsk) começaram a tentar negociar um fim ao conflito, propondo um referendo sobre o status da região, que culminou com a viagem do presidente azeri, Ilham Aliyev, e do seu equivalente armênio, Serj Sarkisian, até Moscou, para negociações de paz mediadas pelo presidente russo Dmitri Medvedev em 2 de novembro de 2008. A rodada de negociações terminou com um acordo, assinado pelos três presidentes, que estabeleceu novas discussões para um acordo político do problema do Alto Carabaque.

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Geografia

O Alto Carabaque tem uma área total de 4 400 quilômetros quadrados, e é um enclave totalmente cercado pelo Azerbaijão; seu ponto mais próximo à Armênia situa-se ao longo do chamado corredor de Lachin, com aproximadamente quatro quilômetros de largura. Em 1989, o território tinha uma população de 192 000 habitantes; era formada, então, por 76% de armênios e 23% azeris, com minorias de russos e curdos. A capital do Alto Carabaque é Estepanaquerte, conhecida no Azerbaijão como Canquendi. Sua outra principal cidade, que hoje em dia se encontra parcialmente em ruínas, é Shushi (conhecida no Azerbaijão como as Shusha). O território do Alto Carabaque lembra o formato de um grão de feijão; apresenta altas cadeias montanhosas ao longo de suas fronteiras a norte, oeste e sul, enquanto a "curva" do feijão em si é um vale relativamente plano, com as duas pontas do feijão, as províncias de Martaquerta e Martuni, também situadas em planícies. Outros vales também podem ser encontrados em torno do reservatório de Sarsang, Hadrut, e ao sul. A maior parte do Alto Carabaque é coberta por florestas, especialmente suas montanhas.

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Demografia

Números concretos sobre a situação demográfica do Alto Carabaque aparecem desde o século XVIII. O arquimandrita Minas Tigranian, depois de ter completado sua missão secreta à Armênia persa sob ordens do czar russo Pedro, o Grande, declarou, num relatório datado de 14 de março de 1717, que o patriarca do mosteiro de Ganzasar tinha, sob sua autoridade, 900 aldeias armênias do Alto Carabaque. Ao discutir Carabaque e Shusha, no mesmo século, o diplomata e historiador russo S. M. Bronevskiy (em russo: С. М. Броневский) indicou, em suas Notas Históricas, que o Carabaque - que, segundo ele, "localiza-se na Grande Armênia" - tinha de 30 a 40 mil armênios portando armas em 1796. Um estudo preparado pelas autoridades imperiais russas em 1823, muitos anos antes da migração de 1828 de armênios da Pérsia para a recém-fundada Província da Armênia, mostra que todos os armênios do Carabaque viviam aglomerados nas partes mais altas da região, ou seja, no território dos cinco principados tradicionais armênios do Alto Carabaque, e formavam uma maioria demográfica absoluta naquelas terras. O estudo, com mais de 260 páginas, registrou que o distrito de Khachen tinha doze vilas armênias e nenhuma "tártara" (muçulmana); Jalaperte (Jraberd) tinha oito vilas armênias e nenhuma tártara; Dizaque tinha catorze armênias e apenas uma vila tártara; o Gulistão tinha doze vilas armênias e cinco tártaras; e Varanda tinha 23 vilas armênias e apenas uma tártara.

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Cidade-irmã

Desde 18 de junho de 2018, o município de Mairiporã foi declarado, através da Lei №3767, cidade-irmã de Estepanaquerte, capital da autodeclarada República de Artsaque. apesar do alerta dado pelo Itamaraty sobre o problema de que o Brasil, nem qualquer país integrante da ONU, reconhece a República de Nagorno-Karabakh como independente.

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Fontes consultadas

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