Alta cultura
"Alta cultura" é um termo utilizado de diversas maneiras, sobretudo no discurso acadêmico, cujo significado mais comum é o conjunto de produtos culturais, principalmente artísticos, realizados por meio de grande apuro técnico, levando em conta a tradição e a beleza.
Na tradição mediterrânea, a alta cultura tem origens históricas nos ideais estéticos e intelectuais do Mediterrâneo. Dentro desse ideal clássico, certos autores serviram como referência ideal de estilo e forma, como a literatura realizada no dialeto ático que englobava peças dos dramaturgos Ésquilo, Sófocles, Eurípides e Aristófanes, no século V a.C. além do filósofo ateniense Platão. Mais tarde, especialmente durante o Renascimento, esses valores foram absorvidos pela aristocracia, e (como evidenciado em obras como o cortesão de Baldassare Castiglione) o conhecimento clássico tornou-se parte do ideal aristocrático. Ao longo do tempo, o refinado classicismo da Renascença foi ampliado para abraçar uma gama mais ampla de autores que produziam em diferentes línguas. Dentre esses autores estavam figuras como Shakespeare, Goethe, Cervantes, e Victor Hugo. Tanto no ocidente quanto na Ásia Oriental, a obra que demonstra a imaginação do artista foi considerada como o tipo de arte mais refinada. No Ocidente, essa tradição remontou aos antigos gregos, e foi reforçada pelo Renascimento e pelo Romantismo, responsável pelo fim da hierarquia dos gêneros dentro das artes plásticas.Na China, havia uma distinção entre os sumi-ês feitos pelos artistas civis do imperador e os trabalhos produzidos por artistas comuns, trabalhando em grande parte diferentes estilos, ou as artes decorativas como a porcelana chinesa. Na cultura ocidental, bem como na oriental, a distinção foi especialmente clara na pintura de paisagem, a qual durante séculos foi considerada como um tipo de obra superior, sendo Pietro Perugino, mestre de Rafael, um dos mais destacados criadores de vastos espaços onde se situavam os personagens, com uma forte acentuação de paisagem.


