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Aldeia Global

Aldeia global é um termo que foi criado pelo filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan. Ele tinha o objetivo de indicar que as novas tecnologias electrónicas tendem a encurtar distâncias e o progresso tecnológico tende a reduzir todo o planeta à mesma situação que ocorre em uma aldeia: um mundo em que todos estariam, de certa forma, interligados. A expressão foi popularizada em sua obras “A Galáxia de Gutenberg” (1962) e, posteriormente, em “Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem” (1964). McLuhan foi o primeiro filósofo a tratar das transformações sociais provocadas pela revolução tecnológica do computador e das telecomunicações.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
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Origem do termo

Imagem: iigc · BY-NC-SA · Openverse

Há controvérsias e debates sobre a origem do termo. Alguns dizem que McLuhan foi influenciado pelo conceito de noosfera proposto pelo teólogo francês Teilhard de Chardin, onde ele diz que “convivemos com um mundo ou esfera constituída pela cultura e pelos conhecimentos”. Outros assumem que o termo foi influenciado por algumas partes de Finnegans Wake, obra do escritor James Joyce. Mcluhan era fã de Joyce e havia lido o livro diversas vezes. Nele há duas frases, ambas fazendo alusão à benção anual de páscoa do papa: Urbi et Orbi. Joyce transformou isso em "urban and orbal" em uma parte e "the urb, it orbs" em outra. Porém, outras teorias afirmam que o filósofo tenha se baseado em um certo parágrafo de America and Cosmic Man, do escritor e pintor Wyndham Lewis, que era seu grande amigo durante as décadas de 1940 e 1950. No parágrafo, lia-se cuidadosamente:

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Globalização e aldeia global

A ideia de globalização está diretamente ligada a formação de uma aldeia global: foi ocasionada pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte, que possibilitaram um fluxo maior de informações e pessoas. Esse processo gerou uma enorme rede ou teia de dependências mútuas entre todas as regiões, globalmente; possibilitando que as pessoas se intercomuniquem diretamente umas com as outras, independentemente da distância, como em uma aldeia. McLuhan se apropriou da televisão, um meio de comunicação de massa com integração via satélite, para definir o modelo de aldeia global. Porém, desconsiderou que as formas de comunicação aldeãs são bidirecionais (em forma de diálogos, entre dois ou mais indivíduos) e as da televisão unidirecionais, onde as informações são transmitidas em um único fluxo, sem que seus receptores possam interagir com as fontes de origem. Desta forma podemos perceber um modelo comunicacional caracterizado, principalmente, por uma quase-interação mediada proporcionada pela ausência de feedback e pela disponibilidade de diversos tipos de informações ao um número indeterminado de potenciais receptores.

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Importância dos meios de comunicação

Imagem: Rodrigo_Soldon · BY-ND · Openverse

Diferentemente da proposta de outros teóricos de que o meio é apenas um canal imparcial por onde passa a mensagem, para McLuhan o meio é fator determinante para a construção completa da mensagem. “Cada meio, independentemente do conteúdo, tem efeitos intrínsecos próprios da mensagem original”. McLuhan expôs tal em sua famosa tese “O Meio é a Mensagem”. Segundo McLuhan, o meio de comunicação mais capaz de chamar a atuar o maior número de sentidos humanos (visão, audição, tato e outros) - ou seja, aquele que possui um alto grau de reprodução integral da "matiz sensório da experiência original" - é a palavra falada. Quando tentamos explicar o sentido do que dizemos, apelamos para gestos de mão, socos na mesa, expressões faciais, além de mudar o tom de voz para enfatizar expressões ou palavras. Por esse motivo, a palavra falada ativa "todo o aparelho sensório humano". Por outro lado, McLuhan afirma que o canal da audição é todo mais rico, ou seja,“mais quente“, do que a visão, assim, aquele que ouve recebe mensagem mais rica do que a que lhe chegaria somente pelos olhos - isto é, pela visão, que assume o caráter de um meio frio). A invenção da escrita extinguiu toda a multiplicidade da "extensão e largura" das gamas sensitivas pelas quais o indivíduo, ou melhor, o "homem primitivo", recebia a mensagem, ainda que a oralidade não tenha desaparecido com o surgimento dessa nova mídia. Apesar de McLuhan considerar a escrita como uma mídia que gerou consequências negativas, ele é otimista quanto aos meios de comunicação capazes de gerar “efeito mental imediato“ nos espectadores e telespectadores, como o rádio e a televisão. Para ele, o homem eletrônico voltou a encontrar-se numa “aldeia tribal“ de escala planetária através desses meios comumente chamados de “meios de comunicação de massa“. Porém, ele foi muitas vezes criticado por deixar de levar em conta a própria mensagem veiculada na transmissão ao enfatizar seus estudos nos mecanismos pelos quais a mensagem é transmitida (confira a expressão O meio é a mensagem), em detrimento do conteúdo da mensagem.

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Uma Visão Crítica ao Conceito de Aldeia Global

Imagem: Rodrigo_Soldon · BY-ND · Openverse

Dentre as diversas contradições e divergências do conceito de Aldeia Global como as supracitadas nos tópicos anteriores; referentes o estudo do meio, em detrimento do conteúdo da mensagem e a comunicação aldeã ser bidirecional, diferindo do exemplo unidirecional televisivo usado por McLuhan para explicitar o termo. Pode-se destacar a perspectiva crítica ideológica, desenvolvida pelo geógrafo brasileiro Milton Santos em relação a esse conceito. No livro Por uma outra globalização – do pensamento único a consciência universal, Milton Santos pensa em três perspectivas para o fenômeno da globalização: a primeira seria a globalização como fábula, a segunda seria sobre este fenômeno como perversidade e a última sobre ele como poderia ser. Destas três perspectivas, a primeira se desenvolve como uma grande crítica ao conceito, considerado por ele ilusório, de Aldeia Global que difunde a globalização como algo que cria "um único modo" de vivência sem fronteiras, mas na verdade seria um globaritarismo em que o indivíduo apenas é um "cidadão global" se possuir os meios tecnológicos que possibilitam que isto aconteça. A crítica ao termo de Mcluhan é algo, frequentemente, presente nas reflexões do geógrafo e pode ser vista em outros artigos e livros como O País Distorcido.

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