Alquerque
Alquerque é um jogo de tabuleiro de estratégia, que conhece 3 variedades clássicas: o alquerque dos três, o alquerque dos nove e o alquerque dos doze. As duas primeiras variantes são as mais antigas e serão oriundas do Oriente Médio, sendo que os seus precursores históricos provirão do Antigo Egipto. O alquerque dos doze já era jogado na Europa do século XIII. Foi este jogo, que serviu de base ao jogo das Damas e do Fanorona, jogo nacional de Madagáscar.
O substantivo alquerque, provém do árabe القرقات Al-Qirkat, lit. «O tabuleiro».
Precursores antigos
Presuntivamente, o jogo precursor das variedades do alquerque dos tres e dos nove terá nascido no Antigo Egipto, pelo que se se encontraram tabuleiros gravados na pedra no telhado do templo de Kurna na cidade de Luxor, datados de 1500 a.C. que se destinariam a esse fim. O jogo terá chegado aos gregos antigos, se bem que não se saiba a data exacta, sabe-se que já no séc. V a.C se jogava uma versão, que era designada de "jogo das cinco linhas" («Pente Grammai», daqui originará o vocábulo "pentagrama"), porque na época o jogo ainda seria composto apenas de um só quadrado (quatro linhas), intersectado por uma diagonal (a quinta linha). Esta quinta linha dava pelo nome de "linha sagrada", pela sua importância no jogo, num poema de Alceu de Mitilene, do séc. V a.C., alude a essa importância. Esse verso, ulteriormente teve relevo aforístico "retirar a peça da linha sagrada" era um aforismo usado por generais gregos para se referirem à perda de uma posição estratégica, conforme resulta da passagem 97 do capítulo VII do Onomasticon de Polux.
Alquerque
Tal como consta da obra «Board and Table Games from Many Civilizations» de R. C. Bell, aquele escreve que «quando os mouros invadiram a Península Ibérica, no séc. VIII, trouxeram El-qirkat consigo».. Portanto, sabe-se que o jogo já existiria, pelo menos, desde o século VIII, na sua forma perfectivada, fosse como alquerque dos seis, dos nove ou dos doze. O Jogo não aparece na literatura até o final do século X, quando o autor Abu al-Faraj al-Isfahani faz menção ao al-qirkat no «Kitab al-Aghani» (lit. Livro das Canções), obra de vinte e quatro volumes, onde, todavia, não consta qualquer menção das regras do jogo. As regras mais antigas conhecidas do jogo do alquerque dos doze são as que aparecem, no século XIII, na obra «Livro de xadrez, dados e tabuleiros» de Afonso X de Castella. Em 1283, no reinado de Afonso X de Castela já há registos a respeito do alquerque do 3, do 9 e do 12.
O alquerque deu lugar a uma infinidade de variantes, como o fetch marroquino ou o terhüchü do nordeste indiano, ambos jogos de tabuleiro quadrado, como o alquerque. Deu, também, origem ao awithlaknannai (lit. «luta de serpentes»), jogado pelos ameríndios zuni, do Novo México que é jogado com um tabuleiro rectangular. Deu, ainda, origem ao peralikatuma, que se joga no Sri Lanka. Há outras variantes mais complexas, como o «zamma», também chamado srand, dahmet e damma, da Mauritânia e o dablot prejjesne da Lapónia, que se jogam com três tipos de peças diferentes.
O tabuleiro é quadrado e divide-se em dezasseis quadrados. Todos os dezasseis quadrados são atravessados por linhas paralelas e diagonais, que foram vinte e cinco intersecções (a que se chamam pontos ou casas) onde de se põem as 24 peças. Há 12 peças de uma cor e outras 12 de outra, normalmente branco e preto. Há, portanto, uma intersecção que fica vazia, sem nenhuma peça lá posta. É por aí que se começa o jogo, o primeiro jogador, tem necessariamente, na sua primeira jogada, que pôr uma peça para nessa casa vazia. O segundo jogador, então, passa por cima da peça que foi jogada pelo adversário, servindo-se, para isso, de qualquer uma das suas peças que esteja adjacente e pousando-a no ponto vazio no tabuleiro, que se abriu, quando o primeiro jogador jogou. Ao fazer isto, o segundo jogador captura ou retira do jogo a peça adversária por cima da qual jogou (coloquialmente, a isto chama-se "comer a peça", nomenclatura que se usa, também, comummente no jogo das damas, quando se passa por cima de uma peça adversária).
Imagem: Merkel · BY-SA · Openverse
R.C. Bell desenvolveu regras adicionais, afirmando que aquelas dadas por Afonso X "não eram suficientes para se poder jogar". Estas regras extras são: Bell também inclui um sistema de pontuação para avaliar as partidas.


