Alphonse de Lamartine
Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine foi um renomado poeta, escritor e estadista francês. Sua trajetória política o levou de um monarquista moderado a um dos mais fervorosos críticos da Monarquia de Julho, alinhando-se progressivamente com a Esquerda Republicana e o Catolicismo Social. Sua obra literária e sua atuação política moldaram significativamente o cenário francês de sua época.
Pontos-chave
- Lamartine foi um poeta e político francês que transitou entre a nobreza e a crítica ao regime monárquico.
- Seu poema "O Lago" ("Le Lac") trouxe fama instantânea e é um marco de sua obra lírica.
- Na política, foi um crítico da Monarquia de Julho e um dos fundadores da Segunda República Francesa.
- Viajou ao Líbano e Oriente Médio, influenciando sua obra e deixando um legado cultural na região.
- Terminou seus dias na pobreza, sustentando-se com seu trabalho literário.
A vida de Lamartine, desde sua juventude na nobreza provincial até o reconhecimento literário e a fama.
Primeiros anos e poesia
Nascido em Mâcon, Borgonha, em 21 de outubro de 1790, Alphonse de Lamartine cresceu em uma família da nobreza provincial francesa. Sua juventude foi marcada pela leitura de grandes autores como Fénelon, Voltaire, Racine, Dante e Shakespeare. Em 1820, publicou "Les Méditations Poétiques", sua primeira coleção de poemas, que o catapultou para a fama. Destaque para "O Lago" ("Le Lac"), um poema parcialmente autobiográfico dedicado a Julie Charles, onde ele evoca um amor intenso e a dor da perda sob a perspectiva do amante enlutado.
A evolução de suas convicções políticas, desde o monarquismo até o papel fundamental na fundação da Segunda República.
Monarquia de Julho
Inicialmente monarquista, Lamartine gradualmente adotou ideais democráticos, opondo-se ao nacionalismo militarista e abraçando o liberalismo por volta de 1830. Sua primeira tentativa de ingressar no Parlamento em 1831, como "monarquista amplo e moderado", foi malsucedida. Eleito em 1833, sentou-se na oposição durante todo o seu mandato na Câmara dos Deputados. Fundou seu "Partido Social", influenciado pelas ideias sansimonianas, e tornou-se um crítico proeminente da Monarquia de Julho. Apesar de inicialmente crítico tanto da Monarquia Burguesa quanto dos republicanos, sua inclinação para o republicanismo cresceu nos anos finais da monarquia.
Segunda República
Lamartine teve um papel de liderança breve, mas crucial, durante a turbulência de 1848, assumindo o Ministério das Relações Exteriores. Devido à idade avançada do Presidente do Governo Provisório, Jacques-Charles Dupont de l'Eure, muitas de suas funções foram delegadas a Lamartine. Ele integrou a Comissão Executiva, que atuou como Chefe de Estado conjunto da França. Lamartine foi essencial na proclamação da Segunda República Francesa, após reuniões com deputados e jornalistas republicanos. Ele tradicionalmente declarou a República da sacada do Hôtel de Ville e garantiu a manutenção da bandeira Tricolor.
Anos finais e legado
Durante o Segundo Império, Lamartine retirou-se para a vida privada, assolado por dívidas, e dedicou-se a um intenso trabalho literário para se sustentar. Publicou diversos volumes sobre história, crítica literária e reflexões pessoais. Para pagar suas dívidas, lançou o "Cours familier de littérature", uma publicação mensal. Morreu em Paris em 1869, em relativa pobreza. Seu legado inclui o reconhecimento a Frédéric Mistral, ganhador do Prêmio Nobel, a quem Lamartine dedicou elogios em seu periódico, impulsionando a fama do poema "Mirèio" e da literatura occitana.
O orientalismo de Lamartine e sua profunda conexão com o Líbano e o Oriente Médio.
Reflexões de Lamartine sobre a sociedade, o espírito de seu tempo e o papel dos sacerdotes católicos.
O espírito dos tempos
Lamartine observou que o avanço da razão, da filosofia, do Cristianismo e das ideias de justiça, caridade e fraternidade estavam derrubando barreiras sociais. Ele via a sociedade, especialmente na França pós-Revolução, composta por diversas profissões e condições, onde as distinções de casta eram abolidas. Descreveu a nação como um conjunto de proprietários, trabalhadores, ricos, pobres e necessitados, onde até os mais humildes, sem posses herdadas, buscavam seu sustento através do trabalho, seja manual ou intelectual. Estes últimos, ele notou, eram impropriamente chamados de 'o Povo'.
Sobre os sacerdotes católicos
Em uma citação notável, Lamartine descreveu o sacerdote católico como uma figura central em cada paróquia, sem família própria, mas pertencente a uma família mundial. Sua missão abrange todos os momentos cruciais da vida humana: desde o batismo até o funeral, abençoando o berço, o casamento e o leito de morte. Ele é um conselheiro, um guia espiritual para crianças e adultos, a quem se confiam os pensamentos mais íntimos e as lágrimas mais sagradas. Sua vocação é consolar os aflitos, aliviar dores físicas e espirituais, e sua porta está aberta para ricos e pobres. O sacerdote não pertence a nenhuma classe social, pois serve a todas, sabendo tudo e tendo o direito de falar com a autoridade de um enviado divino, com uma fé inabalável.


