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Almodôvar

Almodôvar é uma vila portuguesa pertencente ao distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, com cerca de 3 000 habitantes (2021).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Caracterização

Geografia

O município de Almodôvar está situado entre a Serra do Caldeirão e a planície alentejana. Dista 64 quilómetros da capital de distrito, 74 quilómetros de Faro, e 214 quilómetros de Lisboa. Com aproximadamente 778 km² de superfície, um terço do seu território, situado mais a norte e a que correspondem as freguesias de Aldeia dos Fernandes, Rosário e parte da União de Freguesias de Almodôvar e Graça de Padrões, é plano e pouco arborizado. Os restantes dois terços situam-se mais a sul e são constituídos pela serra revestida de uma vegetação abundante, onde se destaca a esteva, o medronheiro, o sobreiro e a azinheira, e a que correspondem 4 das 6 freguesias: Almodôvar, União de Freguesias de Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires, Santa Cruz e São Barnabé (onde se situa o Pico do Mú, um dos locais mais altos de toda a Serra do Caldeirão). As suas principais riquezas são a cortiça, a aguardente de medronho, o queijo de cabra e o mel. A população aqui é dispersa e vive destas atividades, que desenvolve em paralelo com a pequena agricultura.

Economia

As atividades com maior expressão económica são o cultivo de cereais de sequeiro, a criação de gado bovino, ovino e suíno, a produção de leite e queijo de ovelha e a apicultura. Nos concelhos de Almodôvar e de Castro Verde situa-se um importante jazigo de cobre e estanho, integrado da Faixa Piritosa Ibérica, e que é explorado pelo complexo mineiro de Neves-Corvo, situado no concelho de Castro Verde, embora apenas a cerca de meio quilómetro da aldeia de Nossa Senhora da Graça de Padrões, já em Almodôvar.

Clima

O clima apresenta características mediterrânicas, com verões quentes e secos e invernos frios e pouco chuvosos. As amplitudes térmicas são acentuadas, a denotar um carácter continental que se acentua à medida que caminhamos para leste, afastando‐nos do efeito regulador do Atlântico. A temperatura média é 15.9 °C. O mês mais quente do ano é agosto, com uma temperatura média de 23.1 °C. A temperatura média em janeiro é de 10.0 °C, sendo a temperatura média mais baixa de todo o ano. A pluviosidade é pouco significativa, aumentando gradualmente de norte para sul. À escassez de pluviosidade, há que acrescentar a forte sazonalidade da precipitação e uma grande variabilidade interanual. A pluviosidade média anual é de 576 mm.

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História

Pré-história e período romano

De acordo com os vestígios arqueológicos, o território correspondente ao concelho de Almodôvar tem ocupação humana desde há cerca de 3 mil anos a.C.. Entre os principais vestígios pré-históricos, incluem-se várias antas nas freguesias de Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires, a Estela de Monte Gordo, no Rosário, e diversos tholos em São Barnabé, estes últimos do Calcolítico. A ocupação humana atingiu uma especial expressividade durante as Idades do Bronze e do Ferro, como se pode constatar pela presença de várias estelas funerárias, algumas delas ostentando a Escrita do sudoeste, que é considerada como a escrita mais antiga na Península Ibérica, datando dos séculos VIII a V a.C. Várias destas peças foram preservadas no Museu da Escrita do Sudoeste, na sede do concelho. Um dos monumentos deste período é a Necrópole do Monte Branco, provavelmente construída há cerca de três mil anos atrás, durante a fase de transição entre as idades do Bronze e Ferro. Terá sido também na Idade do Ferro que nasceu a povoação que viria depois a ser conhecida como Almodôvar.

Períodos visigótico e islâmico

A ocupação humana continuou após o final do domínio romano, tendo sido encontrados apenas alguns testemunhos deste período, identificados como paleocristãos ou visigóticos, estando então integrada nas dioceses de Ossónoba e Paca. Segundo a obra Album Alentejano, alguns autores referem que a povoação já existia no século VIII. O território entrou numa nova fase de impulso durante a época islâmica, com o estabelecimento de vários povoados, conhecidos como alcarias ou cortes, que permaneceram em vários topónimos da região. Por exemplo, na área dos Alcariais dos Guerreiros de Cima, na freguesia de Gomes Aires, foram encontrados materiais correspondentes a uma comunidade que perdurou entre os séculos IX e XIII, principalmente nos séculos X e XI. Foi também nesta cronologia que o povoado de Almodôvar se começou a desenvolver, com a instalação de uma fortaleza, conhecida no idioma islâmico como almudaûár, que significa casa ou castelo redondo. Uma teoria semelhante foi avançada por José Garcia de Lima, que mencionou que a vila «foi fundada pelos mouros no tempo da dominação, os quaes lhe deram nome concordante com a figura que a povoação descrevia, que por ser circular mais ou menos regularmente e cercada de muralhas, foi chamada «Al-mudanar», do verbo «danara» (arrendondar ou cercada em redondo), e d'ahi por aportuguezamento do termo se estabeleceu aquelle pelo qual é conhecida». Refere igualmente que já durante a era islâmica se praticava a apicultura, principalmente para a produção de cera.

Reconquista

Segundo Garcia de Lima, parte dos combates da mítica Batalha de Ourique, em que o rei D. Afonso Henriques terá derrotado cinco comandantes mouros, ter-se-ão dado no território de Almodôvar. Segundo a lenda, após a vitória, o monarca dividiu o controlo da região pelos guerreiros que mais se distinguiram na batalha, como era prática na época, tendo a antiga freguesia de São Sebastião sido entregue a Gomes Aires, que a povou em 1170, passando a ter o seu nome. A povoação de Almodôvar foi tomada pelas forças cristãs entre 1238, quando foi conquistada Mértola, e 1245, com a a reconquista de Marachique. Garcia de Lima refere que não existiam quaisquer registos da conquista do castelo em si, pelo que avançou a teoria de as tropas islâmicas teriam abandonado o castelo, quando este se viu cercado por outros já controlados pelos cristãos. O primeiro foral de Almodôvar foi concedido em 17 de Abril de 1285 pelo rei D. Dinis, elevando assim a Póvoa de Almodôvar a sede de concelho. Segundo Garcia de Lima, este documento previa certos privilégios pouco comuns, como a total isenção de portagem para os moradores e o seu gado, e de pagamento de montados. Em 1297 o território passou a ser administrado pela Ordem de Santiago, cuja comenda foi concedida por D. Dinis. Aquela ordem religiosa também entregou um foral a Santa Bárbara de Padrões, que então constituía um concelho próprio. Com estas medidas, tentou-se recuperar a região, tanto do ponto de vista da economia como da população residente, que tinham sido duramente atingidos pela instabilidade durante o período da reconquista. Garcia de Lima refere que a povoação, então conhecida como Povoa de Almodovar, continuou a ter alguma importância nos primeiros anos após a reconquista, por contar com uma «praça forte, com bom castello e cercada de muralhas, solidas como os mouros sabiam construir». No entanto, o foral deu pouco resultado, e as fortificações, devido à falta de manutenção, foram-se degradando, restando delas apenas algumas ruínas nos finais do século XIX. Indica igualmente que Almodôvar «mais tarde teve como donatarios os marquezes de Valença».

Séculos XIV a XVIII

O concelho voltou a entrar em declínio no século XIV, devido a pestes, instabilidade política e ao sismo de 1536. Este quadro é bem visível nos relatórios das Inquirições Fernandinas de 1376 às vilas de Almodôvar e de Padrões, onde se afirma que a agricultura era quase totalmente dominada pela produção de subsistência, embora já se denotasse um grande desenvolvimento na pastorícia e noutras funções económicas, como a tecelagem, os curtumes e a apicultura. De forma a combater esta situação, na segunda metade do século foram introduzidas várias medidas para fomentar o desenvolvimento de Almodôvar. Em 1 de Junho de 1512 a vila recebeu um novo foral, por parte do rei D. Manuel, que confirmou alguns dos privilégios já concedidos em 1285. A entrega deste documento inseriu-se num programa de reforma dos forais, que ao mesmo tempo procurou reforçar o controlo da coroa sobre os territórios locais. Conhece então um forte período de crescimento, sendo dessa centúria o pórtico da Igreja Matriz, o edifício dos Paços do Concelho, a janela manuelina na casa na praça da República, a Igreja da Santa Casa da Misericórdia. e provavelmente também a capela-mor da Ermida de Santo Amaro. Em 8 e 9 de Janeiro de 1573, o rei D. Sebastião passou por Almodôvar, durante uma viagem pelo Alentejo e Algarve.

Séculos XIX e XX

Almodôvar decaiu de forma considerável na primeira metade do século XIX, devido primeiro às invasões francesas e depois à Guerra Civil, entre 1832 e 1834, tendo o concelho sido um foco de resistência das forças absolutistas. Após o final da guerra, o convento de Almodôvar foi encerrado como parte do processo de Extinção das ordens religiosas, tendo sido para ali transferidos os Paços do Concelho, o tribunal e a conservatóra em 1859, enquanto que a antiga sede da Câmara Municipal passou a funcionar uma cadeia. José Garcia de Lima, na sua obra Arquivo Histórico de Portugal, publicada em Dezembro de 1889, descreve Almodôvar como sendo de «pequena importancia». Sobre a economia, refere que a apicultura continuava a ter uma certa importância no concelho, que existia muita caça e gado suíno, e que os terrenos eram muito férteis, sendo regados por duas ribeiras, uma conhecida como da Vila e outra de Oeiras. Menciona igualmente a presença de várias minas, tanto na freguesia de Almodôvar como nas limítrofes, que eram exploradas pela Companhia de Mineração, sendo produzido quase exclusivamente o manganês. Descreve o concelho como sendo composto pelas freguesias de «Almodovar (villa), Gomes Ayres, Rosario, Santa Clara a Nova, Santa Cruz, S. Bernabé e Nossa Senhora da Graça de Padrões», das quais duas, Gomes Aires e Santa Cruz, pertenciam ao concelho de Ourique, enquanto que Padrões chegou a ser concelho próprio. Quanto a equipamentos de saúde, menciona que «ha misericordia e um pequeno hospital, tudo muito pobre, servindo apenas para algum curativo ou operação que seja necessario fazer repentinamente», e que na freguesia de Santa Clara existia uma fonte termal cujas «aguas são efficazmente empregadas no tratamento das enfermidades cutaneas».

Século XXI

Em 19 de Outubro de 2007 foi inaugurado o Museu da Escrita do Sudoeste, e em 8 de Agosto de 2015 o Museu arqueológico e etnográfico Manuel Vicente Guerreiro.

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Evolução da População do Município

De 1900 a 1950, os dados referem-se à população presente no município à data em que eles se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.

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Artesanato

O município de Almodôvar é bastante rico no que diz respeito às artes tradicionais pouco conhecidas do público, onde nascem peças únicas das mãos dos artesãos, inspiradas no imaginário popular e nos costumes desta região. Algumas destas artes já desapareceram e outras encontram-se em vias de extinção, facto que deriva do aparecimento de novas tecnologias e da produção industrial em massa, a qual prima pela quantidade em prejuízo da autenticidade. Tudo se fazia no município de Almodôvar há pouco mais de 25 anos: calçado, cadeiras, queijos, meias de linha, mantas de lã, albardas e malhins, aguardente de medronho, bonecas, miniaturas, mantas de retalhos, mel e seus derivados, trabalhos em tear, ferraria, fabrico de linho, fabrico da cal, latoaria, cestos, colchas de linho, carroças, telhas de canudo, entre outros. Existia uma variedade imensa de artes e ofícios, de entre os quais se destacavam os sapateiros, as tecedeiras, os ferreiros, os latoeiros, os padeiros, os moleiros, os albardeiros, os alfaiates, os apicultores, os cesteiros, os tosquiadores e os abegões. A indústria do calçado artesanal teve grande impacto no município almodovarense e, há cerca de 50 anos, eram mais de 60 os sapateiros na região. De referir que existiu, em Almodôvar, o primeiro Sindicato Nacional de Sapateiros, fundado em 1942, o qual chegou a ter 200 associados, facto bem demonstrativo da importância que este ofício assumiu. Hoje, ainda se encontram alguns sapateiros artesanais no ativo.

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Gastronomia

É sabido que no Alentejo se come e bebe muito bem, e Almodôvar não é uma exceção. Contudo, sendo um município dividido entre a serra e a planície, apresenta produtos de particularidades, saberes e sabores distintos. Por aqui, dezenas de produtores apresentam diariamente os melhores sabores, que resultam de uma profunda relação ancestral do homem com a terra, da necessidade de sustento da família, e do árduo trabalho diário na transformação dos produtos de excelência que por aqui brotam. Sendo assim, estes são alguns dos produtos típicos do município de Almodôvar:

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Geminações

A vila de Almodôvar é geminado com a seguinte cidade:

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Fontes consultadas

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