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Almoctafi

Abu Maomé Ali ibne Amade, melhor lembrado pelo nome real Almoctafi Bilá, foi califa do Califado Abássida de 902 a 908. Era filho da escrava turca Chicheque e de Almutadide (r. 892–902). Nasceu num período de crescente enfraquecimento do poder do Califado Abássida após anos de guerra civil e presenciou as tentativas de seu avô Almutâmide (r. 870–892) e seu pai para restaurarem a autoridade califal. Ao assumir, adotou uma postura mais liberal e sedentária em relação ao militarístico Almutadide e essencialmente continuou as políticas dele, embora boa parte da condução do governo foi deixada com seus vizires e oficiais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Vida

Primeiros anos

Abu Maomé Ali nasceu em 877/878, filho de Amade ibne Tala, o futuro califa Almutadide (r. 892–902), com a escrava turca chamada Chicheque ("flor"; Jijaque em árabe). À época de seu nascimento, o Califado Abássida ainda estava se recuperando da guerra civil decenal conhecida como "Anarquia em Samarra", que iniciou com o assassínio de Almotauaquil (r. 847–861) por soldados insatisfeitos e acabou com a ascensão de Almutâmide (r. 870–892), mas o poder ficou com seu irmão, Almuafaque, o avô paterno de Ali. Almuafaque desfrutava da lealdade dos militares e em 877 havia se estabelecido como o governante de fato do Estado. A autoridade califal nas províncias entrou em colapso durante a "Anarquia em Samarra", com o resultado de que, na década de 870, o governo central havia perdido o controle efetivo sobre a maioria dos o califado fora da região metropolitana do Iraque. No oeste, o Egito caiu sob o controle de Amade ibne Tulune, que também disputou o controle da Síria com Almuafaque, enquanto o Coração e a maior parte do leste islâmico foram dominados pelo Império Safárida, que substituiu o Estado cliente leal, o Império Taírida. A maior parte da Arábia também foi perdida aos potentados locais, enquanto o Tabaristão para uma dinastia radical xiita zaidita. No Iraque, a rebelião dos escravos zanjes ameaçou Bagdá e obrigou Almuafaque e Almutadide a dedicarem anos de árdua campanha antes de finalmente os subjugarem em 893.

Califado

Almutadide teve o cuidado de preparar Ali, seu filho mais velho e herdeiro aparente, à sucessão, nomeando-o como governador de províncias: primeiro em Rei, Caspim, Como e Hamadã, quando foram confiscadas do semiautônomo Reino Duláfida em c. 894/5, e em 899 sobre áreas da Mesopotâmia Superior e da fronteira, quando Almutadide depôs o último governador autônomo local, Maomé ibne Amade Axaibani. O futuro Almoctafi passou a residir em Raca. Quando Almutadide morreu em 5 de abril de 892, Almoctafi o sucedeu sem oposição. O vizir de seu pai, Alcácime ibne Ubaide Alá, ordenou o juramento de lealdade em seu nome e se precaveu ao prender todos os príncipes abássidas até que ele chegasse de Raca em Bagdá (20 de abril).

Morte e legado

Almoctafi foi um governante de sucesso, "homem sensível, gourmet e apreciador dos versos de poetas como ibne Arrumi". Como escreve o historiador Harold Bowen, "o califado parecia em seus dias quase ter recuperado a antiga glória", superando o desafio cármata e recuperado o Egito e a Síria. Suas políticas fiscais, baseadas nas de seu pai, também garantiram prosperidade e um tesouro completo, apesar da drenagem e devastação da guerra contínua. Ele, no entanto, tinha saúde frágil desde a infância; estava gravemente doente há algum tempo antes de sua morte e pode ter ficado doente por grande parte de seu reinado. Como resultado, a questão da sucessão foi deixada sem solução. O vizir Alabás ibne Haçane de Jarjaraia falou aos principais funcionários da burocracia sobre o assunto - um ato sem precedentes que demonstrava o monopólio do poder agora exercido pelos burocratas civis. Maomé ibne Daúde Aljarrá favoreceu o experiente e capaz príncipe abássida Abedalá ibne Almutaz, mas o vizir acabou seguindo o conselho de Ali ibne Alfurate, que sugeriu Jafar, o irmão de 13 anos de Almoctafi, com o argumento de que seria fraco, flexível e fácil de ser manipulado pelos altos funcionários. A escolha de Jafar, que se tornou o califa Almoctadir (r. 908–932), foi, nas palavras do historiador Hugh N. Kennedy, "um desenvolvimento sinistro" e inaugurou um "dos reinados mais desastrosos de todo a história abássida [...] um quarto de século em que todo o trabalho dos antecessores de [Almoctadir] seria desfeito".

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Fontes consultadas

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