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A Noite Escura da Alma

A noite escura da alma representa uma fase de purificação passiva no desenvolvimento místico do espírito do indivíduo, de acordo com São João da Cruz, poeta, místico, sacerdote e frade carmelita espanhol do século XVI.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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O poema

Imagem: Universo Produção · BY-NC-ND · Openverse

Data e tema

O poema de São João da Cruz, em oito estrofes compostas por cinco linhas cada, narra a jornada da alma até sua união mística com Deus. O período e o local exatos de sua composição são incertos, mas é provável que o poema tenha sido escrito entre 1577 e 1579. Sugeriu-se que o poema tenha sido composto enquanto João estava preso em Toledo, embora as poucas afirmações explícitas a este respeito não sejam convincentes, e tenham sido obtidas indiretamente. A jornada é denominada "noite escura" em parte porque a escuridão representa o fato de que o destino "Deus" é irreconhecível, tal como no clássico místico do século XIV, A Nuvem do Não Saber; ambas as obras sendo derivadas dos trabalhos de Pseudo-Dionísio, o Areopagita no século VI.[carece de fontes?] Ademais, o caminho em si mesmo também é irreconhecível. A "noite escura" não se refere às dificuldades da vida em geral, embora a frase tenha sido interpretada desta maneira.

Texto

La noche oscura del alma En una noche oscura Con ansias en amores inflamada, ¡Oh dichosa ventura! Sali sin ser notada, Estando ya mi casa sosegada. A oscuras, y segura Por la secreta escala disfrazada, ¡Oh dichosa ventura! A oscuras y encelada Estando ya mi casa sosegada. En la noche dichosa En secreto, que nadie me veia, Ni yo miraba cosa, Sin otra luz, y guia, Sino la que en el corazón ardia. Aquesta me guiaba Más cierto que la luz del mediodia, A donde me esperaba, Quien yo bien me sabia, En parte, donde nadie parecia. ¡Oh noche que guiaste, Oh noche amable más que el alborada; Oh noche que juntaste Amado con amada, Amada en el Amado transformada! En mi pecho florido, Que entero para él sólo se guardaba, Allí quedó dormido, Y yo le regalaba, Y el ventalle de cedros aire daba. El aire de la almena, Cuando yo sus cabellos esparcia, Con su mano serena En mi cuello heria, Y todos mis sentidos suspendia. Quedéme, y olvidéme, El rostro recliné sobre el Amado, Cesó todo, y dejéme, Dejando mi cuidado Entre las azucenas olvidado.

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Poema e Tratado de São João da Cruz

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O poema de São João da Cruz narra a jornada da alma desde a sua morada carnal até a união com Deus. A jornada é referida como “Noite Escura”, pois a escuridão representa as dificuldades da alma em desapegar-se do mundo e atingir a luz da união com o Criador. Há vários níveis nesta escuridão atados em sucessivos estágios. A ideia principal do poema pode ser vista como sendo a dolorosa experiência que as pessoas têm de suportar ao buscar crescimento espiritual e a união com Deus. A obra é dividida em dois livros que se referem a dois estágios da escuridão da noite. O primeiro é a purificação dos sentidos. O Segundo e o mais intenso de ambos é o da purificação do espírito, que é também o mais difícil de ser atingido. A “Noite Escura da Alma” ainda descreve os dez níveis na progressão em direção ao amor místico, tal como fora descrito por São Tomás de Aquino e, em parte, por Aristóteles. O poema foi escrito no período em que João da Cruz esteve preso devido a seus irmãos carmelitas não aceitarem suas reformas na Ordem do Carmo. O tratado foi escrito posteriormente e consiste em um comentário teológico sobre o poema, explicando cada um dos níveis mencionados em seus versos.

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Termo espiritual na tradição cristã

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O termo “Noite Escura (da alma)” é usado no cristianismo para referir-se à crise espiritual na jornada rumo à união com Deus, como a que é descrita por São João da Cruz. Grosso modo, a crise consiste na ausência de Deus na vida daquele que crê. Tipicamente para um crente que se encontra na noite escura da alma, disciplinas espirituais como a prece e forte devoção a Deus, subitamente parecem perder todo o valor empírico; a prece tradicional passa a ser extremamente difícil e não gratificante por um longo período durante a noite escura. O indivíduo sente como se de repente Deus o tivesse abandonado ou como se sua vida de prece tivesse entrado em colapso. É importante notar, contudo, que a presença de dúvida não é o mesmo que o abandono de Deus. Há uma forte tradição bíblica de autênticas crises diante de Deus. Os Salmos 13, 22 e 44, por exemplo, mostram o rei Davi passando por uma séria crise e angustiado diante de Deus, ainda assim, isso não é condenado nem mencionado como falta de fé, mas sim como a única medida de fé que David poderia ter em face ao aparente fulminante abandono. O Salmo 88 é um dos poucos escritos inteiramente neste reino de escuridão.

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Na cultura popular

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A Noite Escura da Alma (em inglês Dark Night of the Soul) é o nome dado a um álbum gravado pela banda de rock alternativo Sparklehorse com produção de Danger Mouse e em parceria com David Lynch. A cantora canadense Loreena McKennitt transformou o poema Dark Night of the Soul em música no álbum The Mask and Mirror A banda americana de metal Fear Factory usou o termo dark night of my soul na última faixa ("Timelessness") do álbum intitulado Obsolete.

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Fontes consultadas

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