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Rock gótico

Rock gótico é um estilo de rock que emergiu do pós-punk e glam rock no final da década de 1970.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Contexto

O termo "gótico", que originalmente significa apenas relativo a godos ou proveniente deles, foi usado a partir do início da renascença, para designar de forma depreciativa a produção cultural ocorrida entre os séculos XII e XV e posteriormente de toda Idade Média, a qual foi associado o conceito de "idade das trevas", em oposição à nova idade da razão ou da Luz: o iluminismo (XVII e XVIII). Mas nos séculos XVIII e XIX, por exemplo, gótico foi associado ao período medieval e aplicado à literatura. Além disso, o termo goticismo tem origem inglesa, gothicism, e relaciona-se apenas à literatura. Gótico denota à arquitetura gótica, com grandes catedrais góticas.

Literatura gótica

A literatura gótica inicia-se no século XVIII, com uma de suas obras representativas, O Castelo de Otranto de 1764, de Horace Walpole. Características comuns incluem o medieval, o drama, a melancolia, o obscuro e o sombrio, que sempre esteve relacionado aos medos imaginários antigos da humanidade, fazendo surgir criaturas sobrenaturais, místicas e grotescas como fantasmas, bruxas, monstros e vampiros, localidades dramáticas, decadentes e remetentes a morte como castelos, ruínas, florestas e cemitérios, contos e simbolismos sombrios como o romance gótico, a névoa e a noite — autores como Edgar Allan Poe, Mary Shelley e Bram Stoker foram expoentes neste estilo. Obras como Frankenstein de Mary Shelley e Drácula de Bram Stoker são considerados entre os mais representativos do gótico na literatura.

Expressionismo alemão

Durante o século XX do período entreguerras, elementos da literatura gótica ressurgem na era do expressionismo alemão da década de 1920, uma nova forma de cinema com temas sombrios de suspense policial e mistério em um ambiente urbano surgiu, personagens bizarros e assustadores, a imagem de artistas pálidos com cabelos negros, uma distorção da imagem devido a uma excessiva dramaticidade, tanto na atuação quanto na maquiagem, na cenografia fantástica de recriação do imaginário humano. Filmes de terror do cinema mudo como The Sorrows of Satan (1926), Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens (1922) e Das Cabinet des Dr. Caligari (1920) de Robert Wiene, filme cujas imagens trouxeram novos sentidos para uma nova geração de espectadores. O imaginário gótico aliava-se a uma identidade visual, herdando ecos de uma literatura nascida no período romântico. O gótico então ganhava forma sob uma entusiasmante paleta de referências.

Influências do gótico no rock

Desde a década de 1960, novas formas de música com teor artístico e experimental dentro do rock estavam em ascensão. Parte das raízes do rock gótico estavam no glam rock de David Bowie e Roxy Music e no rock experimental, krautrock e rock psicodélico do final da década de 1960 de Kraftwerk, Velvet Underground, Nico e The Doors. Na década de 1970, o glam rock foi marcado por roupas extravagantes, pela ambiguidade sexual e performances teatrais. Eram os tempos de androginia, suas músicas agitadas de rock n' roll esbanjavam energia sexual e preservava um certo lado noir. David Bowie foi considerado um marco no gênero. A ênfase lírica abordava a "revolução adolescente", assim como uma ampla notoriedade na direção de temas heterosexuais, sobre a decadência e fama. Por outro lado, parte dos jovens já não via o mundo de uma forma colorida e otimista, as subsociedades precisavam expressar essas novas percepções do mundo de diferentes maneiras e uma subcultura com predileção por temas românticos e sombrios surgiu.

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Características

As principais características do rock gótico podem ter surgido de vários experimentos musicais dentro do rock no final da década de 1960 até meados da década de 1970, incluindo rock psicodélico, folk rock, art rock, krautrock, jangle pop, proto-punk e etc. As primeiras bandas góticas com essas influências vinham mais especificamente do Norte da Inglaterra. Elas induziram uma situação de tédio cultural e decadência social, no niilismo, e uma predileção por temas poéticos que misturam o gosto pelo simbolismo da morte, da decadência, da obscuridade e do romantismo. O rock gótico, de acordo com o AllMusic, "pegou as baterias tribais e as guitarras processadas do pós-punk, bem como a teatralidade do glam rock, e usou para construir paisagens sonoras agourentas, tristes e de mal presságio". O estilo tinha letras introspectivas ou pessoais, mas de acordo com AllMusic, "sua sensibilidade poética logo levou a um gosto pelo romantismo literário, morbidez, simbolismo religioso ou misticismo sobrenatural". Muitos grupos de rock gótico caracteriza uma ênfase na atmosfera melancólica, sombria ou fúnebre – paisagens obscuras construídas através de teclados ou melodias mínimas e atmosféricas de guitarra (muitas vezes carregadas de efeitos como eco, delay, reverb ou jangly) e efeitos de baixo excessivamente destacados, produzindo uma sonoridade "cavernosa" e grave. Vocalistas do gênero podem cantar em tons dramáticos, barítonos e ecoantes, ou vozes femininas poderosas e distintas como as de Siouxsie Sioux (Siouxsie and the Banshees) e Elizabeth Fraser (Cocteau Twins), todos servindo a temas sombrios, atmosféricos e poéticos, com influências de Leonard Cohen e Jim Morrison.

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História

Raízes e influências

O termo gothic rock foi cunhado pelo crítico de música John Stickney em 1967 para descrever um encontro que ele teve com Jim Morrison em uma adega mal iluminada, que ele chamou de "o quarto perfeito para honrar o rock gótico dos Doors". Nesse mesmo ano, a música do Velvet Underground "All Tomorrow's Parties" criou uma espécie de "obra-prima hipnotizante do rock gótico" de acordo com o historiador da música Kurt Loder. Incentivada por Jim Morrison, Nico gravou em 1969 o disco vanguardista The Marble Index de atmosfera sombria e radical que lançou as bases do gótico, vindo a influenciar diversas bandas surgidas na década seguinte. No final dos anos 1970, o adjetivo gótico foi usado para descrever a atmosfera sombria que as vezes pairava no pós-punk exercido por bandas como Siouxsie and the Banshees, Magazine e Joy Division, por vezes sendo cunhado o termo "dark post-punk" para descrever sua sonoridade. Em março de 1979, em sua resenha do segundo álbum do Magazine Secondhand Daylight, Nick Kent observou que havia "um novo senso de autoridade austero", com um "som neo-gótico úmido". Mais tarde naquele ano, o termo também foi usado pelo gerente do Joy Division em 15 de setembro em uma entrevista para o programa de TV da BBC Something Else. Wilson descreveu o Joy Division como "gótico" em comparação com o pop mainstream, logo antes de uma apresentação ao vivo da banda. O termo foi posteriormente aplicado a "bandas mais novas" como Bauhaus, que havia chegado na esteira do Joy Division e Siouxsie and the Banshees. O primeiro single do Bauhaus lançado em agosto de 1979, "Bela Lugosi's Dead", é geralmente creditado como o ponto de partida do gênero.

A cena pós-punk inglesa

As primeiras bandas góticas da cena pós-punk inglesa eram mais pessoais e introvertidas, com elementos de movimentos literários como ficção gótica, romantismo e niilismo. As primeiras bandas consideradas góticas foram: Siouxsie & the Banshees, Joy Division, The Cure e Bauhaus. Embora, como já foi dito, nem todas aceitem de bom grado o termo. Bauhaus é considerada uma das bandas pioneiras do gênero. Surgiram em meados de 1978. “Bela Lugosi's Dead” é um épico com nove minutos de duração, seu single foi lançado pelo selo independente Small Wonder. Bela Lugosi foi um ator que ficou marcado pela interpretação do clássico Drácula, de Bram Stoker. Apesar de não ter sido exatamente um sucesso de vendas, a música definiu tudo aquilo que seria o rock gótico (guitarras fálicas distantes do resto dos instrumentos e um vocal que se mistura a todo o resto como que solto no espaço), e se manteve nas paradas independentes da Inglaterra por anos e anos. Como já foi dito, a ausência de cores e o inconformismo vinham da desconfiança no futuro, graças ao período nuclear da guerra fria, da cortina de ferro, e de crise econômica. A voz e os trejeitos de Peter Murphy, onde se via um comportamento meio glam (influências diretas dos primeiros álbuns solo de Iggy Pop, produzidos por seu amigo David Bowie) é uma presença forte e contribuiu para o culto da banda. O primeiro álbum do Bauhaus foi In the Flat Field, mas o segundo, de 81, Mask, revelou uma maior ambição musical dos “pais do rock gótico”. Os elementos eletrônicos misturados à já conhecida fórmula dark gerou um álbum considerado por alguns como ainda melhor que seu predecessor, e que teria dado origem ao que alguns chamam de darkwave. Entre as bandas mais conhecidas, até pelos não aprofundados no cerne gótico, além de Bauhaus, estejam ainda Siouxsie and the Banshees, The Cure e Joy Division.

Ramificações

Embora originalmente considerado um termo para um número pequeno de bandas sombrias do pós-punk britânico, o rock gótico possui hoje um espectro bem maior, se afastando de suas origens e ao longo dos anos abrangendo outras cenas, estilos e gêneros musicais – desde o hard rock mais pesado (a exemplo de The Cult e The 69 Eyes), a música eletrônica e industrial (a exemplo de Blutengel e Alien Sex Fiend). Com a evolução do gênero, outros estilos musicais derivados do rock gótico foram se integrando a subcultura gótica e se fundindo mais a ela, que embora possam às vezes ser abordados de maneira distinta, podem ser vistas como coisas inseparáveis uma das outras.

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Impacto cultural

A década de 1990 viu um ressurgimento da subcultura gótica, alimentada em grande parte pelo cruzamento das cenas industrial, eletrônica e metal; e a cultura e a estética góticas novamente penetraram na consciência dominante, inspirando cenas musicais góticas prósperas na maioria das cidades e notoriedade na cultura popular. Começando no início da década de 1990, o metal gótico fundiu "a atmosfera sombria e melancólica do rock gótico com as guitarras barulhentas e a agressividade do heavy metal". Na década de 1990, vários artistas, incluindo PJ Harvey, Marilyn Manson, Manic Street Preachers, e Nine Inch Nails incluiram características góticas em suas músicas sem ser necessariamente associado ao gênero. De acordo com Rolling Stone, a música de PJ Harvey em 1993 "vai do blues ao gótico ao grunge, muitas vezes no espaço de uma única música", enquanto artistas americanos como Marilyn Manson combinou "atmosfera de gótico e disco" com o som industrial. Em 1997, a Spin qualificou o segundo álbum de Portishead como "gótico", "mortal" e "trippy". O crítico Barry Walters observou que o grupo ficou "mais sombrio, profundo e perturbador" em comparação com seu álbum de estreia Dummy. Nos anos 2000, os críticos musicais notavam regularmente a influência do gótico nas bandas daquela época.

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Fontes consultadas

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