All About Eve
All About Eve é um filme estadunidense de 1950, do gênero drama, escrito e dirigido por Joseph L. Mankiewicz, e estrelado por Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders e Celeste Holm. O roteiro foi baseado no conto "The Wisdom of Eve" (1946), de Mary Orr, embora não tenha sido creditado no filme.
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Na noite de entrega do prêmio Sarah Siddons, todas as atenções se voltam para a nova estrela em ascensão, Eve Harrington (Anne Baxter). Então, flashbacks revelam como a carreira de Eve começou, desde quando conheceu e foi contratada como secretária de Margo Channing (Bette Davis), uma grande estrela da Broadway que ela começa a perseguir.
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Desenvolvimento
A história de "All About Eve" se originou em uma história real contada a Mary Orr pela atriz Elisabeth Bergner. Enquanto atuava na peça "The Two Mrs. Carrolls" durante 1943 e 1944, Bergner permitiu que uma jovem fã se tornasse parte de sua equipe e empregou-a como assistente, mas mais tarde se arrependeu de sua generosidade quando a mulher tentou tomar seu lugar. Referindo-se a ela apenas como "a garota terrível", Bergner relatou os acontecimentos para Orr, que os usou como base para sua historieta "The Wisdom of Eve" (1946). Na história, Orr dá à garota um caráter mais cruel e faz com que ela consiga roubar a carreira da atriz mais velha. Bergner confirmou mais tarde a base da história em sua autobiografia "Bewundert viel, und viel gescholten".
Escolha do elenco
Entre as atrizes originalmente consideradas para interpretar Margo Channing, estava a inspiração original de Mankiewicz, Susan Hayward, que foi rejeitada por Zanuck por ser "muito jovem"; Marlene Dietrich, descartada por ser "muito alemã"; e Gertrude Lawrence, que foi descartada quando seu advogado insistiu que ela não deveria beber ou fumar no filme, e que o roteiro deveria ser reescrito para permitir que ela cantasse uma canção de amor. Zanuck estava de olho em Barbara Stanwyck, mas ela não estava disponível. Tallulah Bankhead foi considerada, assim como Joan Crawford, que estava trabalhando no filme "The Damned Don't Cry". O papel foi dado para Claudette Colbert, mas ela retirou-se da produção após lesionar gravemente as costas pouco antes do início das filmagens. Mankiewicz considerou brevemente Ingrid Bergman antes de oferecer o papel para Bette Davis. Davis, que tinha terminado recentemente um contrato de dezoito anos com a Warner Bros. depois de inúmeros filmes seus fracassarem na bilheteria, aceitou o papel ao perceber que o roteiro era um dos melhores que ela já havia lido. Margo havia sido originalmente concebida como gentil e bem-humorada, mas com a contratação de Davis, Mankiewicz modificou a personagem e adicionou qualidades mais abrasivas. Mankiewicz elogiou Davis por seu profissionalismo e pelo calibre de sua atuação.
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"All About Eve" recebeu críticas extremamente positivas dos críticos após seu lançamento em 13 de outubro de 1950, em uma estreia na cidade de Nova Iorque. O filme concorrente, "Sunset Boulevard", lançado no mesmo ano, recebeu elogios semelhantes e os dois foram frequentemente comparados favoravelmente. O crítico de cinema Bosley Crowther, do The New York Times, amou o filme, afirmando que ele era "uma bela produção de Darryl Zanuck, a excelente música e extraclasse na tela completam essa sátira superior". A revista Variety chamou-o de "um filme adulto letrado" com "atuações extremamente bem elencadas", enquanto Harrison's Reports chamou-o de "uma história fascinante e continuamente absorvente sobre o pessoal do teatro da Broadway, com um tratamento maduro e permeado por diálogos realistas e flashes de humor sarcástico e astuto". John McCarten, do The New Yorker, chamou-o de "um filme completamente divertido".
Bilheteria
De acordo com os registros da Warner Bros., o filme arrecadou US$ 3.1 milhões nacionalmente e US$ 5.3 milhões no exterior, totalizando US$ 8.4 milhões mundialmente. "All About Eve" foi o segundo filme de maior bilheteria do ano de 1950, ficando atrás somente de "King Solomon's Mines", que arrecadou cerca de US$ 9.9 milhões mundialmente.[carece de fontes?]
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Os críticos e acadêmicos delinearam vários temas no filme. Rebecca Flint Marx, em sua crítica para o site Allmovie, observa o antagonismo que existia entre a Broadway e Hollywood na época, afirmando que o "roteiro trouxe à tona a existência de toda uma gama de tipos teatrais dolorosamente reconhecíveis, da envelhecida, egomaníaca grande dama à exteriormente dócil, interiormente traiçoeira e ingênua, ao poderoso crítico que cheira a encanto maligno". Abel Green, escrevendo para a Variety, disse: "As referências sarcásticas ao retratar pessoas e afins são propositais e manifestam um reflexo inteligente de um grupo de pessoas hipertalentosas em relação ao negócio do cinema". Roger Ebert, em sua crítica no The Great Movies, diz que Eve Harrington é um "tipo universal", e centra-se na linha de enredo da atriz envelhecida, comparando o filme a "Sunset Boulevard". Da mesma forma, a crítica do filme feita em 2006 por Marc Lee para o jornal britânico The Daily Telegraph descreve um subtexto que nos leva "para os cantos mais obscuros do show business, expondo o seu inerente preconceito de idade, especialmente quando se trata de estrelas femininas". O livro de Kathleen Woodward lançado em 1999, "Figuring Age: Women, Bodies, Generations (Theories of Contemporary Culture)", também discute temas que apareceram em muitos dos filmes sobre "atrizes envelhecidas" da década de 1950 e 1960, incluindo "All About Eve". Ela argumenta que Margo tem três opções: "Para continuar a trabalhar, ela pode desempenhar o papel de uma jovem mulher, uma pela qual ela já não parece tão interessada. Ela pode tomar a posição da vadia raivosa, a rainha do drama que manda no tribunal (o deliberado camp que Sontag encontra neste filme). Ou ela pode aceitar o discurso sexista sobre o envelhecimento existente em sua cultura, o qual figura ela como estando em seu momento de declínio. Margo, em última instância, escolhe a última opção, aceitando sua posição como sendo uma de perda".
Prêmio Sarah Siddons
O filme começa com um troféu fictício, descrito por DeWitt como a "maior honra que o nosso teatro conhece: o prêmio Sarah Siddons para feitos distintos". A estatueta é moldada com base na famosa pintura de Siddons costumizada como a trágica musa de Joshua Reynolds. Uma cópia da mesma está na entrada do apartamento de Margo e pode ser vista diversas vezes durante a cena da festa. Em 1952, um pequeno grupo de ilustres frequentadores de teatro de Chicago começou a dar um prêmio com esse nome, o qual foi esculpido para parecer com o usado no filme. Ele tem sido concedido anualmente, com Bette Davis e Celeste Holm já sendo homenageados anteriormente.
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Em 1990, "All About Eve" foi selecionado para preservação no National Film Registry, seleção filmográfica da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, como sendo "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo". O Writers Guild of America classificou o roteiro do filme como o quinto maior já escrito. O Instituto Americano de Cinema nomeou Bette Davis como a segunda maior estrela do cinema estadunidense, e reconheceu o filme nas seguintes listas:
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Uma versão para a rádio de "All About Eve" estrelada por Tallulah Bankhead como Margo Channing foi apresentada no programa "The Big Show", da NBC, pelo grupo Theatre Guild of the Air, em 16 de novembro de 1952.[a] A produção é notável pois Mary Orr, a escritora do conto original que serviu de base para o filme original, interpretou o papel de Karen Richards. O elenco também contou com Alan Hewitt como Addison DeWitt (que narrou), Beatrice Pearson como Eve Harrington, Don Briggs como Lloyd Richards, Kevin McCarthy como Bill Samson, Florence Robinson como Birdie Coonan, e Stefan Schnabel como Max Fabian. Em 1970, "All About Eve" foi a inspiração para o musical "Applause", com roteiro de Betty Comden e Adolph Green, letras de Lee Adams, e música de Charles Strouse. A produção original estrelava Lauren Bacall como Margo Channing, e ganhou o Prêmio Tony de melhor musical naquele ano. O musical teve quatro pré-estreias e 896 apresentações no Palace Theatre, na Broadway. Após Bacall deixar a produção, ela foi substituída por Anne Baxter no papel de Margo Channing.


