Alimentação pelo solo
O sistema APS é um sistema de alimentação de eletricidade para eléctricos que evita o estendido de fio aéreo. Desenvolvido pela Innorail, por agora o sistema se utiliza em vários trechos do elétrico de Bordéus, para o que foi desenvolvido, mas é também apto para outras linhas.
Desde finais do século XIX os engenheiros interessaram-se pela alimentação de eléctricos diretamente pelo solo. Já nesta época, as prefeituras eram reticentes à utilização de tendidos aéreos em bairros históricos. A primeira experiência desenvolveu-se em Lyon em 1894 (na linha Pont Lafayette - Parc da Tête d'Or) com balizas de carga eléctrica situadas no eixo da via. Em 1896 equipa-se a linha Paris - Romainville. Este sistema, que permitia prescindir do estendido aéreo ou do transporte de baterias a bordo dos veículos, tinha os seus limites. Aliás, por razões de segurança evidentes, as balizas não deviam entrar em tensão mais que durante o passo dos eléctricos. Isto requeria soluções técnicas difíceis que, naquela época, era quase impossível atingir. Por então utilizaram-se diferentes sistemas de contacto superficial por balizas eléctricas, como por exemplo os sistemas Claret-Vuilleumier, Vedovelli, Diatto e Dolter. Todos os sistemas tinham os mesmos problemas recorrentes: a impossibilidade de obter a entrada em tensão ao passo do eléctrico e sobretudo o corte da alimentação depois do passo do eléctrico. Estes sistemas acabaram sendo um grande risco para peões e cantenárias.
O primeiro lugar onde o sistema tem sido utilizado comercialmente é o eléctrico de Bordéos: a cidade tem podido assim conservar seu centro histórico sem estragar a paisagem urbana, prescindindo do cantenário eléctrico aéreo. A mudança o custo do sistema APS é bastante superior à alimentação aérea clássica. O APS é um sistema de alimentação eléctrica por uma terceira guia cuja cara superior está enraizada com a calçada e que está centrado entre os outros dois. A guia está formada por segmentos condutores de uma longitude de 8 metros, separados por trechos isolados de 3 metros. Um segmento da guia está baixa tensão, com corrente contínua de fase (750 V) somente quando o eléctrico o cobre completamente: a alimentação de corrente está controlada por caixas enterradas a cada 22 metros. Conforme avança, o eléctrico activa automaticamente a alimentação eléctrica da terceira guia, enviando um sinal às caixas de controle por médio de uma antena indutiva. O carro toma a corrente por médio de dois patines situados baixo os módulos intermediários da composição e separados mais de três metros, de maneira que sempre há ao menos um patin em contacto com a guia condutora. Nas mudanças de via a alimentação interrompe-se para evitar os curto-circuitos entre os patines (com potencial de fase) e as guias (com potencial neutro). Um disjuntor de posta a terra (interruptor diferencial) assegura a segurança das pessoas se, por falha, um segmento de guia segue alimentado sem estar coberto por um eléctrico. A caixa de alimentação de um segmento pode desactivar-se em caso de anomaiía. Por outra parte, os disjuntores dispostos na cada saída de subestação pode cortar a alimentação de secções em caso de falha. Se algum ou vários trechos se encontram fora de serviço, os eléctricos podem percorrer 150 metros a 3 km/h graças à energia acumulada numas baterias auxiliares.


