Alice Liddell
Alice Pleasance Liddell foi a inspiração por trás do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, lançado em 1865.
Infância
Alice era filha do deão Henry Liddell da Christ Church, em Oxford, e de sua esposa, Lorina Hanna Liddell. Alice tinha dois irmãos mais velhos, Harry e Artur, que morreu de escarlatina, além de uma irmã mais velha chamada Lorina. Tinha também seis irmãos mais novos, entre eles Edith e Frederick Francis, um advogado. Quando Alice nasceu, seu pai era o diretor da Westminster School, porém em fevereiro de 1856, Henry Liddell assumiu o cargo de deão da Christ Church e a família mudou-se para Oxford. Os pais de Alice tornaram-se em "estrelas" da alta sociedade de Oxford e organizavam vários encontros sociais na sua casa espaçosa, encorajando os seus filhos a participar nos mesmos desde tenra idade para que desenvolvessem as suas competências sociais e de conversa.
Anos posteriores
Quando Alice Liddell era jovem, viajou pela Europa com as suas irmãs Lorina e Edith. Os esforços da sua mãe para desenvolver as suas competências sociais e cultura surtiram efeito e as irmãs tornaram-se bastante populares entre os estudantes da Universidade de Oxford. Entre eles, encontrava-se o príncipe Leopoldo, o filho mais novo da rainha Vitória, com quem se diz que Alice teve um romance. No entanto, existem muito poucas provas de que tal tenha acontecido. É verdade que anos mais tarde Leopoldo deu o nome de Alice à sua filha mais velha e que ele foi padrinho do segundo filho de Alice, que recebeu o nome de Leopold. Porém, é possível que a filha de Leopoldo tenha recebido o seu nome em honra da irmã mais velha do príncipe, a grã-duquesa de Hesse. Uma biografia recente de Leopoldo sugere que é muito mais provável que tenha sido a irmã mais velha de Alice, Edith, a receber a atenção de Leopoldo. Edith morreu a 26 de junho de 1876, talvez de sarampo ou de peritonite (há versões diferentes), pouco antes da data do seu casamento com Aubrey Harcourt, um jogador de cricket. Leopoldo foi um dos carregadores do seu caixão no funeral, a 30 de junho de 1876.
Morte
Após a sua morte, em 1934, o seu corpo foi cremado no Crematório de Golders Green e as suas cinzas foram enterradas no cemitério da igreja de St. Michael and All Angels em Lyndhurst. A placa da sua campa identifica-a como "Sra. Reginald Hargreaves" e como a "Alice de Alice no país das maravilhas de Lewis Carroll". O seu espelho pode ser visto no New Forest Heritage Centre em Lyndhurst, um museu gratuito que partilha a história de New Forest.
A 4 de julho de 1862, numa viagem de barco no rio Tamisa entre Folly Bridge e Godstow para fazerem um piquenique, Alice, na altura com 10 anos, pediu a Charles Dodgson (que escrevia sob o pseudónimo Lewis Carroll) para a entreter a ela e às irmãs, Edith (de 8 anos) e Lorina (13 anos) com uma história. Enquanto o reverendo Robinson Duckworth remava, Dodgson entreteve as crianças com histórias fantásticas sobre uma menina chamada Alice e as suas aventuras depois de cair numa toca de coelho. A história não era muito diferente das outras que Dodgson tinha contado às irmãs, mas desta vez Alice pediu-lhe para a escrever para ela. Ele prometeu que o fariam, mas demorou meses a completar a tarefa. Dodgson acabou por oferecer o manuscrito chamado Alice's Adventures Under Ground a Alice em novembro de 1864. Entretanto, Charles Dodgson tinha decidido reescrever a história para a vender. Ele enviou o manuscrito a um amigo, o escritor George MacDonald, na primavera de 1863. Os filhos de MacDonald leram a história e adoraram-na e esta reação convenceu Charles a procurar uma editora. As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, com ilustrações de John Tenniel, foi publicado em 1865, sob o pseudónimo de Lewis Carroll. Um segundo livro com a mesma protagonista, Alice do Outro Lado do Espelho seguiu-se em 1871 e, em 1886, foi publicada uma cópia do manuscrito original de Alice's Adventures Under Ground que Charles tinha oferecido a Alice.
A relação entre Alice Liddell e Charles Dodgson é bastante controversa. Charles conheceu a família Liddell em 1855 e ficou amigo de Harry, o irmão mais velho. Mais tarde, levou Harry e Ina em várias viagens de barco e piqueniques em Oxford. Mais tarde, quando Harry foi para a escola, Alice e a sua irmã mais nova, Edith, juntaram-se ao grupo. Charles entretinha as crianças com histórias fantásticas para passar o tempo. Ele usava as crianças como modelos no seu passatempo da fotografia. Diz-se várias vezes que Alice era a sua modelo preferida durante estes anos, mas há muito poucas provas de que isso seja verdade. Os diários de Charles Dodgson entre 18 de abril de 1858 e 8 de maio de 1862 desapareceram.
Páginas arrancadas do diário
A relação entre os Liddell e Charles Dodgson terminou subitamente em junho de 1863. Não há registo do motivo da zanga, uma vez que os Liddell nunca falaram abertamente sobre isso e uma página do diário de Charles que registava os dias 27 a 29 de junho de 1863 foi arrancada (parece ser este o período em que a zanga ocorreu). Biógrafos como Morton N. Cohen especulam que Charles pode ter expressado vontade de casar com Alice Liddell, na altura com 11 anos, e que pode ter sido esse o motivo para o fim do seu envolvimento com a família em junho de 1863. A biógrafa de Alice Liddell, Anne Clark escreveu que os descendentes de Alice tinham a impressão de que Dodgson queria casar com ela, mas que "os pais de Alice queriam um casamento muito melhor para ela". Clark defende que na Inglaterra da Era Vitoriana estes casamentos não eram muito improváveis: John Ruskin, por exemplo, apaixonou-se por uma menina de 12 anos e o irmão mais novo de Dodgson quis casar com uma menina de 14 anos, mas esperou seis anos.


