Ditadura militar no Panamá
O Panamá viveu um período de 21 anos sob uma ditadura militar, iniciado com o golpe de Estado de 11 de outubro de 1968. Este golpe, liderado pelos coronéis Boris Martínez, José H. Ramos Bustamante e o general Omar Torrijos Herrera, derrubou o presidente Arnulfo Arias Madrid. Diferente de outras ditaduras latino-americanas, o regime panamenho não foi anticomunista, mas se apresentou como um "processo revolucionário" para combater a burocracia e a má gestão. Houve controle da mídia, mas também a criação de novas leis e uma Constituição sob a administração de Torrijos. Mais tarde, sob Manuel Antonio Noriega, a corrupção se intensificou, gerando oposição política e tensões com os Estados Unidos, culminando em uma invasão que pôs fim ao governo militar. Apesar do regime autoritário, o período viu avanços tecnológicos e políticos, como a introdução da televisão em cores e computadores, maior participação panamenha no cenário mundial, os Tratados Torrijos-Carter que resultaram na reversão do Canal do Panamá, e melhorias nos sistemas de saúde, economia, educação e social.
Pontos-chave
- A ditadura militar panamenha durou 21 anos, iniciada em 1968 após um golpe de Estado.
- O regime, liderado inicialmente por Omar Torrijos, focou em "processos revolucionários" e combate à corrupção.
- Houve controle da mídia, mas também avanços tecnológicos e políticos, como os Tratados Torrijos-Carter.
- A corrupção sob Noriega e as tensões com os EUA levaram a uma invasão americana em 1989, encerrando a ditadura.
A jovem república panamenha enfrentou instabilidade desde o golpe de 1931 contra Florencio Harmodio Arosemena. Governos como os de José Antonio Remón e Marco Aurelio Robles evidenciaram a fragilidade do país. Arnulfo Arias Madrid, presidente em diferentes momentos, foi deposto duas vezes antes de 1968. Nas eleições daquele ano, Arias Madrid venceu com 41.545 votos, em meio a acusações de corrupção e compra de votos, numa disputa com David Samudio Ávila e Dr. Antonio González Revilla.
Na noite de 11 de outubro de 1968, militares prenderam apoiadores de Arnulfo Arias e tomaram as rádios, anunciando o golpe. Em 12 de outubro, Boris Martínez formou uma Junta Militar. Arias buscou refúgio na Zona do Canal e depois exilou-se em Miami. Martínez e Torrijos disputaram o poder, com Torrijos saindo vitorioso e exilando Martínez em 1969, consolidando-se como Líder Máximo. A oposição inicial, incluindo líderes comunitários, estudantes e apoiadores de Arias, foi reprimida com fechamento da Universidade do Panamá e do Instituto Nacional, além de prisões e mortes.
O poder se concentrava nas Forças Armadas, com o chefe da Guarda Nacional detendo o controle real, enquanto o Presidente era uma figura simbólica. O governo militar exercia poder total, com a Assembleia Nacional dos Representantes dos Corregimentos e o Conselho Nacional de Legislação como órgãos legislativos. A Constituição foi reformada em 1978 após os Tratados Torrijos-Carter, permitindo o multipartidarismo, mas o PRD tornou-se dominante. Em 1983, a Assembleia Legislativa foi restabelecida. O sistema judicial era subordinado ao governo militar, comprometendo a imparcialidade dos julgamentos.
A morte do general Omar Torrijos em um acidente aéreo em 31 de julho de 1981 desestabilizou o governo. Rubén Darío Paredes assumiu como chefe de governo e Arístides Royo como presidente. Com a ascensão de Manuel Antonio Noriega, o governo adotou posturas antiamericanas, levando a um período de pobreza, corrupção e repressão, como o Massacre de Albrook.
A Invasão Americana
Um incidente com um soldado americano morto em um posto de controle serviu de estopim para a invasão dos EUA em 20 de dezembro de 1989. O ataque começou com bombardeios em instalações militares e políticas para neutralizar a resposta panamenha. A ação, condenada pela ONU e OEA, durou poucos dias devido à superioridade militar americana e à fraca resistência. Noriega buscou asilo na Nunciatura Apostólica e se rendeu em 31 de janeiro de 1990, sendo preso após a Operação Nifty Package.


