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Pedro Francisco Massano de Amorim

Pedro Francisco Massano de Amorim GOTE • GCA • GCIC • MCC • MV foi um oficial do Exército Português, no qual atingiu o posto de general, e administrador colonial. Formado na Escola do Exército para a arma de artilharia, teve uma carreira quase exclusivamente dedicada às colónias portuguesas, destacando-se como oficial africanista em funções militares e governativas. Foi governador-geral de Angola (1916-1917), de Moçambique e do Estado da Índia (1927-1929), tendo falecido no exercício deste último cargo. No contexto das Campanhas de Conquista e Pacificação conduzidas nas colónias portuguesas de África foi considerado um conquistador metódico.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Biografia

Nascido em Fronteira, Distrito de Portalegre, filho de Henrique Teles da Silva de Amorim e de sua mulher Ana Emília Massano, em 5 de Março de 1878, com 16 anos de idade assentou praça como voluntário no Regimento de Infantaria n.º 16. Ingressou seguidamente na Escola do Exército, tendo sido promovido a segundo tenente em 10 de Janeiro de 1883. Pretendendo uma carreira na arma de Artilharia, foi transferido para o Regimento de Artilharia n.º 3 e, após a conclusão do curso da arma de Artilharia da Escola do Exército, em 26 de Novembro de 1884 passou ao Regimento de Artilharia n.º 2, no qual ascendeu a tenente em 28 de Janeiro de 1885. Entre 1 de Março e 25 de Setembro de 1888 foi instrutor na Escola Regimental de Sargentos, assumido de seguida as funções de director da Escola Regimental de Cabos, cargo que exerceu até 25 de Janeiro de 1892. Foi promovido ao posto de capitão a 18 de Outubro de 1894. Depois de uma passagem pelo Estado-Maior de Artilharia, voltou ao Regimento de Artilharia n.º 2, onde permaneceu até Outubro de 1896. Foi então transferido para o Regimento de Artilharia n.º 4, mas logo no mês imediato foi requisitado pelo Ministério da Marinha e do Ultramar para a comissão de serviço em Moçambique.

A primeira comissão de serviço em Moçambique (1896-1898)

Nesse ano integrou, como oficial subalterno, a força comandada por Mouzinho de Albuquerque enviada à África Oriental Portuguesa, no âmbito das campanhas de conquista e pacificação, para subjugar a resistência à presença portuguesa no Império de Gaza, de cujo território foi em Abril 1897 nomeado governador. Estas funções de governador de Gaza coincidiram com o período mais aceso da revolta liderada naquele território por Gungunhana. Tendo acompanhado Mouzinho de Albuquerque na campanha que culminou na captura de Gungunhana, saudada como um sucesso heróico da acção colonial portuguesa, destaca-se a sua perene ligação àquele oficial, que no seu relatório lhe atribuiu características de «intrépido, leal, usando no convívio rude franqueza que, longe de ofender captava simpatias», para além de se lhe apontar coragem, energia, decisão e tenacidade.

Comissão de serviço em Angola (1900-1903)

Em 1900 foi enviado para Angola, desembarcando em Luanda em Março desse ano. Foi pouco depois destacado para o norte daquela colónia como «residente» de Santo António do Zaire, região onde empreendeu a exploração dos territórios habitada pelos povos então designados por mussorongos. Em 1901 foi encarregado de inspeccionar o material de guerra atribuído às forças estacionadas na província de Angola e em Novembro desse ano foi nomeado em comissão especial de serviço para a Colónia Penal Militar e Agrícola, onde permaneceu até finais de Maio de 1902. Após uma curta passagem por Lisboa, onde permaneceu cerca de um mês, regressou a Luanda, sendo então transferido para Benguela, no sul de Angola, onde procedeu à exploração do território em torno daquela localidade, tendo desse período resultado um relatório com sugestões sobre a melhor forma de administração para aquela região. Em agosto de 1902 foi enviado ao comando da coluna militar, designada por Coluna Militar do Norte, que saiu de Benguela com o objectivo de reprimir a revolta dos ovimbundos, principalmente na figura do Reino Bailundo, durante a Segunda Guerra Luso-Ovimbundo. Após vários combates, conseguiu a vitória sobre as tropas ovimbundas de Mutu-ya-Kevela, sendo por isso condecorado com o grau de oficial da Ordem da Torre e Espada por proposta de Cabral Moncada, ao tempo governador-geral de Angola.

O norte de Moçambique e a campanha de Angoche (1906-1910)

Chegado a Lourenço Marques foi enviado pelo governador-geral Azevedo Coutinho para o Distrito de Moçambique, recebendo como missão submeter os povos daquela região ao domínio colonial português. Entre 1908 e 1910, em colaboração com Neutel de Abreu, conseguiu ocupar aquele território, na operação que ficou conhecida como a campanha de pacificação do Angoche, recebendo por isso a Medalha de Valor Militar (grau ouro) e a distinção de ser elevado a comendador da Ordem da Torre e Espada. Em 1908 esteve em Lisboa, onde casou com Estela Henriqueta Maria Godinho Gomes da Costa. Entre 7 de Maio e 13 de Outubro de 1910 foi governador do distrito de Moçambique, tendo em Dezembro de 1910, já em Lisboa, sido promovido a major.

O comando do Destacamento Expedicionário a Moçambique (1914-1915)

Foi escolhido em 22 de Agosto de 1914, dado o seu conhecimento de Moçambique, para comandar a expedição militar (o Destacamento Expedicionário a Moçambique) enviada naquele ano para a África Oriental Portuguesa com o objectivo de defender a fronteira norte daquela colónia de uma possível incursão alemã, já que ao tempo fazia fronteira com a África Oriental Alemã (a actual Tanzânia). A força expedicionária comandada por Massano de Amorim, oficialmente designada por Destacamento Expedicionário a Moçambique, fora preparada em Lisboa num período muito curto após a publicação do decreto de 18 de Agosto de 1914, onde se estabeleciam as regras de mobilização a utilizar. Aquela força integrava destacamentos de várias unidades de Infantaria, de Cavalaria, de Artilharia e dos Serviços de Saúde e de Administração Militar com sede em dispersas cidades do Centro e Norte de Portugal. A força combatente, com cerca de 1533 homens, era composta por um Quartel-General e um Batalhão de Infantaria (com 1039 oficiais e praças), para além de uma Bateria de Artilharia de Montanha, composta por 221 homens, 22 equinos e 82 muares, e de um Esquadrão de Cavalaria, com 189 homens e 169 equinos. A força combatente era acompanhados por por 2 médicos e 2 enfermeiros, 15 homens da área de Engenharia, alguns condutores e viaturas, bem como pessoal civil com funções que incluíam as especialidades de telegrafista e de sapador-mineiro.

Governador-Geral de Angola (1916-1918)

Chegou a Luanda em abril de 1916, quando o Sudoeste Africano Alemão (alemão: Deutsch-Südwestafrika ou DSWA), a actual Namíbia, já tinha sido ocupada por forças sul-africanas, pelos que as refregas na fronteira sul de Angola, que tinham culminada com o combate de Naulila, já tinham cessado. Eliminada a ameaça alemão, o novo governador-geral continuou as políticas de subjugação da resistência das populações locais à penetração europeia na região, continuando o processo de abertura do território à colonização europeia que fora iniciado por Paiva Couceiro e continuada por Eduardo Costa e pelos generais Norton de Matos e Pereira de Eça, seus imediatos predecessores no governo-geral de Angola.

Governador-Geral de Moçambique (1918-1919)

A demissão parece ter sido resultado da necessidade do governo português dispor de um militar «africanista» e conhecedor de Moçambique para ocupar o cargo de governador-geral da África Oriental Portuguesa, já que aquela colónia vivia um período de grande conturbação, resultado da entrada em Novembro de 1917 de tropas alemãs no seu território. A presença das tropas alemãs em Moçambique, em acções comandadas pelo general Paul von Lettow-Vorbeck e pelo major Georg Kraut, militares experientes ao comando de forças bem equipadas e disciplinadas, representava um enorme perigo para os interesses de Portugal em Moçambique. Assim, em Fevereiro de 1918 Massano de Amorim foi nomeado governador-geral da África Oriental Portuguesa, o actual Moçambique, numa altura em que as forças alemães provenientes da África Oriental Alemã tinham penetrado profundamente no território da colónia portuguesa pela fronteira ao longo do rio Rovuma e estava acesa a rebelião dos povos locais contra a presença portuguesa. Entre os levantamentos dos povos locais merece destaque a sublevação dos povos ajauas ocorrida entre finais de Abril e meados de Maio de 1917, que fomentada por estes se aliaram aos alemães contra a presença portuguesa.

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Obras

Pedro Francisco Massano de Amorim deixou vários textos publicados, entre os quais:

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