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Alfredo Chaves

Alfredo Chaves é um município brasileiro localizado no sul do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Situa-se às margens do Rio Benevente, a aproximadamente 86 km de Vitória, capital estadual. Ocupa uma área de 615,7 km², com população de 13 836 habitantes pelo Censo de 2022 e estimativa de 14 376 habitantes para 2025, distribuída majoritariamente na zona rural.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Etimologia

O nome do município homenageia Alfredo Rodrigues Fernandes Chaves, engenheiro e político brasileiro que exerceu os cargos de ministro da Marinha entre agosto de 1885 e junho de 1886, e de ministro da Guerra entre 1886 e 1887. Em 1878, na condição de ministro responsável pela colonização, foi enviado por Dom Pedro II ao Espírito Santo para mediar conflitos entre colonos italianos e indígenas que habitavam as fazendas da região. Em reconhecimento à sua atuação, o povoado que daria origem ao município recebeu seu nome.

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História

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Colonização portuguesa e as sesmarias

A ocupação territorial do atual município teve início no século XIX, com a colonização de origem portuguesa. Dom Pedro II doou ao guarda de honra da corte imperial, o português Augusto José Álvares e Silva, uma extensão de quinhentos alqueires de terra na região. Essa propriedade foi dividida em cinco partes denominadas sesmarias: do Norte, do Sul, do Leste, do Oeste e Quatinga. Após a morte de Augusto, sua esposa Macrina Rachel da Conceição herdou as terras e doou parte da sesmaria aos escravos que não dispunham de moradia. A área doada, conhecida como morro do cemitério, passou a ser chamada "Povoado de Nossa Senhora da Assumpção". Com a chegada posterior dos jesuítas de Benevente e a construção de uma igreja, o local passou a ser denominado "Povoação de Nossa Senhora da Conceição".

Imigração italiana

Em 1877, os primeiros imigrantes italianos chegaram à região, desembarcando em Benevente (atual Anchieta) e subindo o Rio Benevente de canoa até a sesmaria Quatinga, onde fundaram o povoado de Alto Benevente. Parte desses colonos, receosos das enchentes e dos conflitos com grupos indígenas, prosseguiu rio acima em direção a áreas mais elevadas, estabelecendo-se num local que batizaram de Vila de Todos os Santos. O período inicial foi marcado por condições adversas: matas fechadas, presença de animais silvestres e surtos de malária, que vitimaram membros de diversas famílias. Em 1878, Dom Pedro II enviou Alfredo Rodrigues Fernandes Chaves à região para resolver os conflitos entre colonos e indígenas instalados nas fazendas Togneri e Gururu. Novas levas de imigrantes italianos chegaram em 1888 e 1895, colonizando localidades que incluíam as atuais comunidades de Araguaia, Santo André, São Marcos, Matilde, Carolina, Deserto, Urânia, Maravilha e Ibitiruí. Parte desses imigrantes foi desembarcada no Espírito Santo de modo não planejado: comandantes de navios com destino aos portos do sul do Brasil forçavam os passageiros a desembarcar em Benevente ou Itapemirim para reduzir o percurso e evitar quarentenas nos portos de destino, acumulando a diferença como ganho próprio.

Emancipação e primeiros desenvolvimentos

O distrito de Alfredo Chaves foi emancipado em 24 de janeiro de 1891, separando-se do município de Benevente, atual Anchieta. O desenvolvimento inicial foi impulsionado pelos imigrantes italianos, que estruturaram o comércio local e expandiram a cafeicultura. Em 1922, foram implantados os serviços de abastecimento de água potável, esgoto e iluminação elétrica. A construção da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo (EFSES) representou um marco para a integração econômica do município, facilitando o escoamento do café produzido na região em direção ao Porto de Vitória e estimulando o desenvolvimento dos distritos ao longo do traçado ferroviário.

Crise do café e diversificação agrícola

A partir da década de 1960, a crise da cafeicultura impulsionou a migração dos produtores rurais para a bananicultura, atividade que demonstrou boa adaptação ao solo e ao clima da região. O crescimento da produção de banana e da pecuária leiteira consolidou uma nova base econômica para o município e deu origem à Festa da Banana e do Leite, evento que integra o calendário cultural alfredense.

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Geografia

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Localização e limites

Alfredo Chaves está inserido na encosta da Serra do Capixaba, na porção serrana da Serra do Castelo, no sul do estado. De acordo com a divisão regional do IBGE vigente desde 2017, o município integra as Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Vitória. Até a adoção dessa classificação, integrava a microrregião de Guarapari, pertencente à mesorregião Central Espírito-Santense. O acesso principal à sede municipal se dá pela Rodovia ES-146 (Rodovia Lauro Ferreira da Silva Pinto), que conecta o município à BR-101, a aproximadamente 83 km de Vitória.

Hidrografia

O principal curso d'água do município é o Rio Benevente, que percorre o território de norte a sul e desempenhou papel central tanto na ocupação histórica quanto na formação da paisagem atual. A bacia do Benevente é responsável pela alimentação das diversas cachoeiras e piscinas naturais distribuídas pelos distritos municipais.

Clima

O clima é classificado como tropical subquente superúmido, com código Aw segundo a classificação de Köppen. Segundo registros do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) a partir de janeiro de 1979, a menor temperatura registrada no município foi de 6 °C, em 12 de junho de 1999, e a maior atingiu 42 °C, em 9 de janeiro de 1995. O maior acumulado de precipitação em 24 horas chegou a 210,2 mm, registrado em 18 de janeiro de 2020, seguido por 205 mm em 14 de maio de 2012 e 201,6 mm em 2 de março de 2020.

Vegetação

O município está inserido no bioma Mata Atlântica. A cobertura vegetal é composta predominantemente por floresta estacional semidecidual e floresta ombrófila densa nas encostas serranas. A vegetação nativa é importante para a manutenção dos recursos hídricos que alimentam os rios e cachoeiras do território.

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Distritos

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Alfredo Chaves é composto por sete distritos, conforme registro do IBGE:

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Economia

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A base econômica do município é rural, estruturada em torno da bananicultura, da cafeicultura e da pecuária leiteira, com tendência de crescimento do agroturismo como atividade complementar.

Bananicultura

A banana é a principal cultura agrícola do município. Alfredo Chaves figura entre os maiores produtores de banana do Espírito Santo, ao lado de Itaguaçu, Linhares, Iconha e Laranja da Terra. No estado, a bananicultura está presente em 76 municípios e em 14 256 estabelecimentos agropecuários, dos quais 79% são de base familiar. Em 2024, a área colhida no Espírito Santo atingiu 29,1 mil hectares e a produção chegou a 426,4 mil toneladas, crescimento de 45% em relação a 2014. Em março de 2026, o Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) realizou em Alfredo Chaves o lançamento oficial da cultivar Banana Ambrosia, resultado de mais de vinte anos de pesquisas. A nova variedade, do subtipo nanica, apresenta maior tolerância a doenças como sigatoka-amarela, sigatoka-negra e mal do Panamá (Raça 1). O evento reuniu mais de quinhentos produtores, técnicos e representantes do setor agropecuário, e incluiu a distribuição de aproximadamente 1 200 mudas a agricultores do estado. Alfredo Chaves foi escolhido como sede do lançamento por ser um dos principais polos produtores da fruta no Espírito Santo.

Cafeicultura

A cafeicultura foi a principal atividade econômica do município durante a primeira metade do século XX, período em que a Estrada de Ferro Leopoldina viabilizava o escoamento da produção. Após a crise da cultura nos anos 1960, perdeu participação relativa na economia local, mas ainda é cultivada em propriedades familiares, especialmente nas áreas de maior altitude.

Pecuária leiteira

A produção de leite é uma atividade tradicional nas propriedades rurais alfredenses, complementando a renda dos agricultores familiares e abastecendo laticínios da região.

Agroturismo e infraestrutura

O agroturismo tem crescido como atividade econômica complementar, com produtores comercializando diretamente ao visitante produtos como cachaça artesanal, vinho colonial, biscoitos, massas e doces de tradição ítalo-capixaba ao longo das estradas rurais. Em 2023, o governo do Espírito Santo investiu R$ 7,3 milhões na pavimentação e drenagem da Rodovia ES-383, no trecho de 3,7 km entre os distritos de Matilde e Carolina, no âmbito do Programa Caminhos do Campo. A obra, segundo o governo estadual, teve como objetivo melhorar o escoamento da produção agrícola e o acesso turístico à região.

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Turismo

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A Secretaria Municipal de Turismo e Cultura denomina o município "Capital Estadual do Turismo de Aventura", designação que remete à oferta de atividades como voo livre, rapel, ciclismo de montanha, trilhas e passeios de quadriciclo. Os três principais roteiros turísticos organizados pela prefeitura são o Caminho das Águas, o Vale da Aventura e as Sete Maravilhas de Alfredo Chaves. Na sede do município há um Parque Natural Municipal, próximo ao parque de exposições, com área para caminhadas, lago artificial, casa de apoio e contato com vegetação e fauna local.

Cachoeira de Matilde

A Cachoeira de Matilde, localizada no Parque Ecológico Municipal, no distrito de Matilde, a 18 km da sede, tem queda de aproximadamente 70 m. A área conta com Centro de Apoio ao Turista, escadarias e rampas de acesso. Devido à intensidade da correnteza, o local não é indicado para banho, sendo utilizado para a prática de rapel. A queda integra o roteiro denominado "Sete Maravilhas de Alfredo Chaves", definido por votação pública promovida pela prefeitura em 2013 com o apoio da Secretaria de Estado do Turismo (SETUR).

Estação Ferroviária de Matilde

A Estação Ferroviária de Matilde foi construída no âmbito das obras da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo (EFSES) e inaugurada em 1910, sendo a última estação edificada pela EFSES no trecho Vitória–Cachoeiro antes de a linha ser adquirida pela Leopoldina Railway. O projeto é atribuído ao engenheiro inglês Carlos Bloomer Reeve, responsável pelas obras da ferrovia. Segundo registros históricos, o nome do distrito e da estação foi escolhido pelo próprio Reeve em homenagem a sua esposa, razão pela qual a estação foi inicialmente denominada "Engenheiro Reeve". A importância histórica do equipamento está associada ao transporte do café produzido na região até o Porto de Vitória. A ferrovia encontra-se atualmente concedida à Ferrovia Centro-Atlântica, que opera o trecho apenas para transporte de cargas, com as estações desativadas para passageiros.

Rampa de voo livre de Cachoeira Alta

A rampa de voo livre da comunidade de Cachoeira Alta, a 5 km da sede municipal, é utilizada para a prática de asa delta e parapente e recebe campeonatos de nível estadual e nacional. Segundo o portal de turismo municipal, a rampa atrai pilotos de diferentes estados brasileiros e do exterior, e a região integra rotas internacionais de voo livre. A infraestrutura disponível no local inclui área de pouso, serviços de resgate e estabelecimentos de apoio ao visitante.

Pedra do Gururu

A Pedra do Gururu é uma elevação de aproximadamente 500 m de altitude, a 3 km do centro da sede. O acesso ao cume se dá por trilha com duração estimada de duas horas, onde se localiza um cruzeiro utilizado para celebrações religiosas. O local também é frequentado por praticantes de voo livre de asa delta e parapente.

Outras atrações naturais

Entre as demais cachoeiras do município com estrutura de visitação, destacam-se a Cachoeira do Quintino, no distrito de Crubixá, a 23 km da sede, com vegetação preservada ao redor; e a Cachoeira Engenheiro Reeve, também em Matilde, utilizada para a prática de rapel em descidas de até 45 m.

Turismo religioso

O Conventinho é uma capela erguida por moradores locais há mais de 150 anos no alto de um morro, acessível por trilha de aproximadamente 30 minutos a 860 m de altitude. A Igreja da Sagrada Família, no distrito homônimo, é uma construção centenária que preserva a arquitetura original e abriga imagem da padroeira proveniente da França. Ambas integram o roteiro "Sete Maravilhas de Alfredo Chaves".

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Cultura

Imagem: Bart vanDorp · BY · Openverse

A cultura local é fortemente influenciada pela herança da imigração italiana, refletida na gastronomia, na arquitetura religiosa, nas festas tradicionais e na produção artesanal. Os principais eventos do calendário municipal, conforme registrado pela Secretaria de Estado do Turismo, são:

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Infraestrutura

Imagem: Martin Thurnherr · BY-SA · Openverse

Transporte

O município é acessado pela Rodovia ES-146 (Rodovia Lauro Ferreira da Silva Pinto), que o conecta à BR-101. O transporte intermunicipal é operado pelas empresas Viação Alvorada e Viação Águia Branca; o transporte municipal, pela Viação Cavalini. A Ferrovia Centro-Atlântica, concessionária da Linha do Litoral da antiga Estrada de Ferro Leopoldina, opera exclusivamente o transporte de cargas no trecho que corta o município, com as estações desativadas para o embarque de passageiros.

Comunicações

O município dispõe de agência dos Correios, emissora de rádio FM (Sociedade Alfredense de Rádio Difusão Ltda., 91,7 MHz) e estação retransmissora de sinais televisivos das principais redes nacionais.

Serviços financeiros

Alfredo Chaves conta com agências do Banco do Brasil S/A e do Banestes (Banco do Estado do Espírito Santo S/A), além de serviço de banco postal. O município é também sede do Sicoob Sul-Litorâneo (Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Sul-Litorânea do Espírito Santo), fundada em 28 de outubro de 1989 e constituída formalmente em janeiro de 1990. Integrada ao Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), a cooperativa tem sua sede administrativa na Rua Guilherme Paterlini, no centro de Alfredo Chaves, e atua nos estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, com 15 agências. Em 2022, a cooperativa inaugurou nova sede com área de 485 m² e quatro pavimentos, concentrando a agência e a administração em um único edifício. Segundo declaração de seu presidente por ocasião da inauguração, mais de um terço da população de Alfredo Chaves mantinha relação financeira com a cooperativa naquele período.

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Fontes consultadas

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