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Jacques Cartier

Jacques Cartier foi um navegador e explorador francês natural da Bretanha. A serviço do rei Francisco I de França, comandou três expedições ao nordeste da América do Norte entre 1534 e 1542, cartografou partes do golfo de São Lourenço e se tornou o primeiro europeu de que há registro a explorar o rio São Lourenço. Suas viagens forneceram à Coroa francesa conhecimento geográfico e uma base para reivindicar terras que mais tarde fariam parte da Nova França.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/10/2026
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Primeiros anos

Imagem: Archives de la Ville de Montréal · BY-NC-SA · Openverse

Cartier[nota 1] nasceu em Saint-Malo, provavelmente entre 7 de junho e 23 de dezembro de 1491. Nenhum registro de batismo foi encontrado, e a estimativa parte das idades que declarou em documentos posteriores. O Dictionary of Canadian Biography data seu casamento com Catherine Des Granches, filha do condestável da cidade,[nota 2] em 1519. A Parks Canada o situa em 1520. Não se conhecem filhos do casal. Seu nome aparece em mais de vinte registros de batismo de Saint-Malo como padrinho ou testemunha.

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Primeira viagem, 1534

Imagem: ankakay · BY · Openverse

Em 1534, dois anos depois da união formal do Ducado da Bretanha à Coroa francesa pelo Édito de União, Jean Le Veneur, bispo de Saint-Malo e abade do Monte Saint-Michel, recomendou Cartier ao rei Francisco I de França. Uma tradição local situa a apresentação no Manoir de Brion, mas as fontes biográficas usadas aqui não documentam o lugar do encontro. O rei já havia convidado o florentino Giovanni da Verrazzano, embora sem lhe dar uma comissão formal,[nota 3] a explorar em nome da França a costa leste da América do Norte em 1524. Le Veneur citou viagens anteriores a Terra Nova e ao Brasil como prova da experiência náutica de Cartier. Quando Cartier recebeu a comissão real, a colonização espanhola já havia começado no Caribe. Em 1521, forças espanholas e aliadas indígenas sob Hernán Cortés tomaram Tenochtitlán. Nos Andes, Francisco Pizarro capturou o governante inca Atahualpa em 1532 e ocupou Cuzco em 1533.

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Segunda viagem, 1535-1536

Imagem: douaireg · BY-SA · Openverse

Cartier iniciou a segunda viagem em 19 de maio de 1535, com três navios, 110 homens e os dois iroqueses levados a bordo no ano anterior. Ao alcançar o São Lourenço, subiu o rio pela primeira vez e chegou a Stadacona, governada por Donnacona. A reivindicação francesa de 1534 não levou a um povoado permanente. Depois do abandono de Charlesbourg-Royal e France-Roy em 1543, novas tentativas começaram no fim do século XVI. O marquês de La Roche deixou colonos na Ilha de Sable em 1598, e Pierre de Chauvin ergueu um posto de comércio em Tadoussac em 1600.[nota 8] Nenhum dos dois se manteve. Pierre Dugua de Mons e Samuel de Champlain passaram o inverno de 1604-1605 na Ilha Saint Croix e construíram Port-Royal em 1605. Sob o patrocínio de Dugua, Champlain fundou Quebec em 1608, que se tornou a base duradoura da presença francesa no São Lourenço. Cartier deixou os navios maiores em um porto perto de Stadacona e seguiu no Émérillon até o Lago Saint-Pierre. Dali, avançou em embarcações menores até Hochelaga, onde chegou em 2 de outubro de 1535. No relato, Hochelaga é uma aldeia maior e mais bem cuidada que Stadacona, e mais de mil pessoas teriam ido à margem do rio receber os franceses. O Museu Canadense de História estima que quase 2 mil pessoas viviam no lugar, número aproximado e não resultado de uma contagem da população. As corredeiras impediram o avanço da expedição. Cartier deu à elevação próxima o nome de mont Royal,[nota 9] do qual deriva o topônimo Montreal.

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Terceira viagem, 1541-1542

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Francisco I ordenou em 17 de outubro de 1540 que Cartier voltasse ao Canadá e desse corpo a um projeto de colonização do qual seria "capitão-geral".[nota 12] Em 15 de janeiro de 1541, o rei o colocou sob a autoridade de Jean-François de La Rocque de Roberval, cortesão huguenote e amigo do monarca, nomeado primeiro tenente-general do Canadá francês.[nota 13] Roberval comandaria a expedição e Cartier seria seu navegador-chefe. Enquanto esperava artilharia e suprimentos, Roberval permitiu que Cartier partisse à frente com seus navios. Cartier deixou Saint-Malo em 23 de maio de 1541, com cinco navios. A busca de uma passagem para o Oriente já havia sido abandonada. A expedição procuraria o Reino de Saguenay e suas riquezas e fundaria uma colônia permanente no São Lourenço. Ao ancorar em Stadacona, encontrou novamente os iroqueses. A narrativa da viagem diz que eles o receberam com demonstrações de alegria. Cartier comunicou a morte de Donnacona, mas afirmou falsamente que os demais levados à França viviam como senhores e não quiseram regressar. As relações logo voltaram a se deteriorar, e a colônia foi instalada mais acima no rio.

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Últimos anos

Imagem: Archives de la Ville de Montréal · BY-NC-SA · Openverse

Cartier viveu o restante de seus dias em Saint-Malo e em sua propriedade próxima. Seu conhecimento do português foi usado pelo menos duas vezes em processos judiciais da cidade. Morreu aos 65 ou 66 anos em 1 de setembro de 1557. A causa não foi estabelecida. A Parks Canada afirma apenas que ele teria morrido durante uma epidemia de peste, enquanto o Dictionary of Canadian Biography não atribui causa à morte. Foi sepultado na Catedral de Saint-Malo. As tentativas europeias anteriores no território que forma o Canadá desapareceram ou foram abandonadas. Pierre Dugua de Mons e Samuel de Champlain estabeleceram Port-Royal, na Acádia, em 1605. O povoado passou por uma interrupção entre 1607 e 1610 e foi destruído em 1613. Quebec, fundada em 1608, manteve a ocupação francesa de maneira contínua.

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Relatos das viagens

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Nenhuma das narrativas das viagens chegou em manuscrito autógrafo de Cartier,[nota 16] e os autores permanecem desconhecidos. Michel Bideaux considera que não há prova para atribuir a primeira narrativa a Cartier. A segunda é frequentemente atribuída a Jehan Poullet, integrante da viagem de 1535-1536, mas essa identificação também permanece conjectural. O segundo relato, Bref récit et succincte narration de la navigation faite en MDXXXV et MDXXXVI,[nota 17] saiu anonimamente em Paris em 1545, ainda durante a vida de Cartier. O relato da primeira viagem foi publicado primeiro em tradução italiana por Ramusio, em Veneza, em 1556, e voltou a sair na edição de 1565. A versão inglesa de John Florio saiu em 1580, e o primeiro texto francês impresso apareceu em Ruão, em 1598. Três cópias manuscritas do relato da segunda viagem estão guardadas na Biblioteca Nacional da França, sob os números 5589, 5644 e 5653.

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Repercussão das viagens

Imagem: DubyDub2009 · BY · Openverse

Ao localizar a entrada do São Lourenço na primeira viagem e subir o rio na segunda, Cartier deixou aos navegadores europeus uma rota documentada para o interior da América do Norte. Seus relatos reuniam informações sobre recursos naturais, aldeias e povos da região. As pedras recolhidas como ouro e diamantes em 1541 eram pirita e quartzo. Os contatos com os iroqueses do São Lourenço passaram pelo comércio, por visitas e pela tomada de reféns. Para o inverno em Charlesbourg-Royal, testemunhos posteriores mencionam um cerco e mortes, mas a narrativa sobrevivente não permite confirmar o número de vítimas nem reconstituir todo o conflito. A palavra Canadá provavelmente vem do iroquês do São Lourenço kanata, "aldeia" ou "povoado". Em 1535, Domagaya e Taignoagny usaram o termo ao indicar a rota para Stadacona. Cartier passou a aplicá-lo à aldeia, ao território governado por Donnacona e ao próprio rio, e chamou os habitantes iroqueses de Canadiens.[nota 18] A aplicação do nome mudou com o tempo. Segundo o curador Jean-François Lozier, do Museu Canadense de História, no século XVII Canadien passou a designar colonos franceses nascidos na colônia ou residentes antigos. Colonos de língua inglesa adotaram gradualmente o termo em meados do século XIX.

Redescoberta da primeira colônia

Um inventário arqueológico feito em 2005, antes da construção de um mirante, encontrou objetos do século XVI no promontório de Cap-Rouge. O achado levou o governo do Quebec a iniciar um programa de escavações para localizar a colônia de Cartier e Roberval. Escavações realizadas em 2007, 2008 e 2010 confirmaram que ao menos parte do povoado ficava no lado sul do promontório, na confluência do rio Cap Rouge com o São Lourenço. A identificação se apoiou em madeira queimada de meados do século XVI e em um fragmento de faiança italiana decorada no estilo istoriato.[nota 20] A análise situou a fabricação da peça na primeira metade do século XVI. A Commission de la capitale nationale du Québec interpreta o recipiente de luxo como indício de ocupantes abastados. O fragmento não identifica seu proprietário. Roberval substituiu Cartier no comando do assentamento.

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Navios

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Na segunda e na terceira viagens, Cartier usou os seguintes navios.

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Na cultura popular

Imagem: Michael Vesia · BY-NC-SA · Openverse

O Banque Jacques-Cartier,[nota 23] funcionou de 1861 a 1899 e emitiu cédulas. Foi fundado em Montreal, então no Canadá Leste, uma divisão da Província do Canadá, e operou no Quebec depois da Confederação de 1867. A instituição foi reorganizada em 1900 como Banque provinciale du Canada. Em 1979, esse banco se uniu ao Banque canadienne nationale para formar o Banco Nacional do Canadá. A Ordre de Jacques-Cartier, sociedade secreta franco-canadense criada em Ottawa em 1926, adotou seu nome. A organização atuou até 1965 na defesa dos interesses dos francófonos no Canadá. Criada para o 450.º aniversário da primeira viagem, a Transat Québec-Saint-Malo saiu de Quebec pela primeira vez em 19 de agosto de 1984, com destino à cidade natal de Cartier. A regata transatlântica[nota 24] foi planejada para ocorrer a cada quatro anos. Em 2005, o livro de Cartier Bref récit et succincte narration de la navigation faite en MDXXXV et MDXXXVI entrou em uma seleção dos cem livros da história canadense feita pela revista Literary Review of Canada.

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