Alexandre, o Grande
Alexandre III da Macedônia (português brasileiro) ou Macedónia (português europeu), comumente conhecido como Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno, foi rei (basileu) do reino grego antigo da Macedônia e um membro da dinastia argéada. Nascido em Pela em 356 a.C., o jovem príncipe sucedeu a seu pai, o rei Filipe II, no trono com vinte anos de idade. Ele passou a maior parte de seus anos no poder em uma série de campanhas militares sem precedentes através da Ásia e nordeste da África. Até os trinta anos havia criado um dos maiores impérios do mundo antigo, que se estendia da Grécia para o Egito e ao noroeste da Índia. Morreu invicto em batalhas e é considerado um dos comandantes militares mais bem-sucedidos da história.
Linhagem e infância
Alexandre nasceu na cidade de Pela, capital do Reino da Macedônia, no sexto dia do mês hecatombeu do antigo calendário grego, o que provavelmente corresponde a 20 de julho de 356 a.C., apesar da data exata ainda não ser sabida com certeza. Era filho do rei Filipe II e de sua quarta esposa, Olímpia, filha do rei Neoptólemo I do Epiro. Apesar de Filipe ter sete ou oito esposas, Olímpia foi sua esposa principal por muito tempo, provavelmente devido ao fato dela ter sido aquela que lhe deu um filho homem. Muitas lendas envolvem o nascimento e infância de Alexandre. De acordo com o biógrafo grego Plutarco, Olímpia, na noite da consumação do seu casamento com Filipe, sonhou que seu útero fora atingido por um raio. É dito que Filipe, em um sonho um tempo após o casamento, viu-se segurando o útero de sua esposa marcando-o com um selo gravado com uma imagem de leão. Plutarco deu várias interpretações a este sonho: talvez que Olímpia estivesse grávida antes do casamento, indicado pelo selo gravado em seu útero; ou que Alexandre fosse filho do deus Zeus. Analistas antigos dizem que uma ambiciosa Olímpia pode ter propagado a história da origem divina de Alexandre ou talvez ela dispensasse essa sugestão como ímpia.
Adolescência e educação
Quando Alexandre tinha treze anos, Filipe começou a buscar um tutor para seu filho e considerou acadêmicos como Isócrates e Espeusipo, sendo que este último queria o cargo. No final, Filipe escolheu Aristóteles e lhe ofereceu o Templo das Ninfas em Mieza para ser usado como sala de aula. Em retorno por educar seu filho, Filipe concordou em reconstruir a cidade natal de Aristóteles, Estagira, que o próprio Filipe havia destruído. Ele a repovoaria, libertaria seus cidadãos que haviam sido escravizados e perdoaria os que estavam no exílio. Mieza era como um colégio interno para Alexandre e os filhos de outros nobres macedônios que o acompanharam, como Ptolemeu, Heféstio e Cassandro. Muitos destes outros estudantes acabaram se tornando amigos de Alexandre e mais tarde se tornariam generais em seu exército. Aristóteles ensinou a Alexandre e seus companheiros sobre medicina, filosofia, moral, religião, lógica e arte. Sob sua tutela, Alexandre desenvolveu muito interesse pelo autor Homero, em particular com a obra Ilíada; Aristóteles lhe deu uma cópia deste livro, que Alexandre levava em suas campanhas.
Regência e ascensão da Macedônia
Aos 16 anos de idade a educação de Alexandre sob Aristóteles acabou. Filipe então foi para a guerra contra Bizâncio, deixando Alexandre como regente do seu reino e herdeiro aparente. Na ausência de Filipe, os medos trácios se revoltaram contra a Macedônia. Alexandre respondeu rápido, expulsando-os dos seus territórios. Ele recolonizou a região com gregos e fundou uma cidade chamada Alexandrópolis. Quando Filipe retornou, enviou Alexandre e uma pequena força de combate para subjugar uma revolta no sul da Trácia. Logo depois, durante uma campanha contra outros gregos na cidade de Perinto (atual Marmara Ereğlisi), Alexandre teria salvado a vida do seu pai. Enquanto isso, a cidade de Anfissa começou a trabalhar em terras que eram consagradas a Apolo, próximo de Delfos, um sacrilégio que deu a Filipe a oportunidade de mais uma vez interferir em assuntos gregos. Ainda ocupado na Trácia, ordenou a Alexandre que reunisse um exército para uma campanha no sul da Grécia. Preocupado que os estados gregos percebessem e interviessem, Alexandre fez parecer que se estava preparando para atacar a Ilíria. Nesse meio tempo, de fato, os ilírios invadiram a Macedônia, mas foram facilmente repelidos por Alexandre.
Exílio e retorno
Filipe se casou novamente quando retornou para Pela, desta vez com uma mulher chamada Cleópatra Eurídice, sobrinha do general Átalo. O casamento fez da posição de Alexandre como herdeiro menos segura já que qualquer filho homem que Eurídice e Filipe tivessem seria um macedônio puro, enquanto Alexandre era apenas meio macedônio (sua mãe, Olímpia, era de Epiro). Durante o banquete de casamento, Átalo ficou bêbado e começou a gritar pedindo aos deuses que aquela união produzisse um herdeiro legítimo. No casamento de Cleópatra, com quem Filipe havia se apaixonado e casado, ela sendo jovem demais para ele, seu tio Átalo, bêbado, desejou que os macedônios rezassem aos deuses para lhes dar um sucessor legítimo para o seu reino através de Eurídice. Isso irritou muito Alexandre, que jogou sua caneca na cabeça de Átalo e berrou: "Seu vilão, o que eu sou então? Um bastardo?" Então Filipe, tomando partido de Átalo, se ergueu e correu na direção do filho, mas cheio demais de ira ou muito bêbado, acabou tropeçando, e caiu no chão. Alexandre então o insultou: "Vejam! Este é o homem que faz as preparações de passar da Europa para a Ásia, não passa de um assento para o outro."
Ascensão
No verão de 336 a.C., enquanto estava em Egas num casamento da sua filha Cleópatra com o irmão de Olímpia, Alexandre I de Epiro, Filipe foi morto por Pausânias, o próprio capitão de sua guarda. Enquanto Pausânias tentava fugir, ele tropeçou e foi morto por seus perseguidores, incluindo dois companheiros de Alexandre, Pérdicas e Leonato. Alexandre foi então proclamado rei pelos nobres macedônios e pelo exército. Tinha ele apenas vinte anos de idade.
Consolidação do poder
Agora Alexandre III, o novo rei começou seu governo eliminando potenciais rivais ao trono. Ele mandou executar seu primo, Amintas IV. Também ordenou a morte de dois príncipes macedônios de Lincéstida, mas poupou um terceiro, Alexandre de Lincéstida. Olímpia mandou queimar vivas Cleópatra Eurídice e sua filha com Filipe, a criança Europa. Quando Alexandre descobriu o que sua mãe fez, ficou furioso. Contudo, ele teve que mandar executar Átalo, tio de Eurídice, que comandava a vanguarda do exército na Ásia Menor. Átalo, naquela altura, estava negociando com Demóstenes sobre a possibilidade de desertar para Atenas. Ele constantemente insultava Alexandre e depois da morte de Cleópatra, Alexandre deve ter considerado-o perigoso demais para viver. O rei poupou Arrideu, que afirmavam ser mentalmente incapaz na época, possivelmente como resultado do envenenamento feito por Olímpia.
Campanha na península Balcânica
Antes de partir para a Ásia para enfrentar os persas, Alexandre queria garantir a segurança de suas fronteiras no norte. Na primavera de 335 a.C., foi reprimir várias revoltas. Começando em Anfípolis, viajou para o leste para enfrentar os trácios e, no monte Hemo, o exército macedônio atacou e derrotou as forças trácias na região. As tropas de Alexandre então se lançaram sobre Tribálios, derrotando os exércitos locais as margens do rio Ligino. Alexandre então marchou por três dias sobre o Danúbio, encontrando tribos trácias de Getas. Ele não teve muita dificuldade em sobrepujá-las. Notícias então chegaram a Alexandre que Clito, então rei da Ilíria, e Gláucias, líder da Confederação dos Taulâncios, também estavam em revolta. Marchou então até a Ilíria, derrotando todas as forças inimigas no caminho e botando os rebeldes em retirada. Assim a fronteira norte estava segura.
"A juventude de Pela, da Macedônia e os povos da Grécia [...] juntem-se aos seus soldados e confiai-vos a mim, para que nos movamos contra os bárbaros e nos libertemos da submissão persa, já que como gregos nós não devemos ser escravos de bárbaros." Durante a conquista final do Império Persa, Alexandre acabou adotando alguns elementos da cultura persa, como vestimentas e costumes na corte, mais notavelmente o prosquínese, que incluía o beijar de mãos ou a reverência, prostrando-se diante de alguém que é hierárquica e socialmente superior. Os gregos aceitavam tais bajulações apenas a deidades e acreditavam que Alexandre queria se declarar ele mesmo um deus. Muitos dos seus compatriotas acabaram por criticá-lo e então ele acabou abandonando estas práticas. Por volta de 330 a.C., foi descoberto um complô contra Alexandre. Um dos seus oficiais, Filotas, foi executado por não avisar Alexandre de uma possível tentativa de assassinato. Filotas era filho do general Parménio, que estava em Ecbátana. Alexandre acabou por ordenar sua morte também. Em seguida ele ordenou a execução de Clito, um outro general, que era seu amigo e que havia salvado sua vida em Grânico. Os dois teriam brigado bêbados durante uma recepção em Maracanda (atual Samarcanda, no Uzbequistão). Clito teria acusado Alexandre de cometer diversos erros de julgamento e, especialmente, de ter esquecido o jeito macedônio em favor de um estilo de vida oriental corrupto.
Ásia Menor
A 334 a.C., o exército de Alexandre cruzou o Helesponto com aproximadamente 48 100 soldados de infantaria, 6 100 na cavalaria e uma frota de 120 navios com tripulação de 38 000 homens. Estes combatentes eram, em sua maioria, macedônios, mas também tinham milhares de gregos de diversas cidades-estado, mercenários e tropas conseguidas da Trácia, Peônia e Ilíria. Ele mostrou aos seus homens sua determinação de conquistar a Pérsia ao fincar sua lança em solo asiático e afirmar que aceitaria a Ásia como um presente dos deuses. Isso também mostrava sua vontade de lutar, ao contraste da preferência por diplomacia de seu pai. O primeiro grande confronto com os persas aconteceu na batalha do Grânico, a 24 de Daisios (8 de abril de 334 a.C.). Alexandre derrotou seus adversários e aceitou a rendição de Sárdis, a capital da província local. Ele então prosseguiu pela costa de Jônia, garantindo a autonomia das cidades da região. A cidade de Mileto, principal foco de resistência persa, foi cercada e conquistada. Indo mais a sul, estava Halicarnasso, em Cária, onde um prolongado cerco foi feito. Alexandre forçou a rendição das tropas persas, capturando o líder mercenário local, forçando assim a fuga do sátrapa de Cária, Orontobates. Alexandre deixou no poder na região uma membra da dinastia hecatômnia, Ada, que o adotou.
A região do Levante e a Síria
Na primavera de 333 a.C., Alexandre cruzou de Tauro até à Cilícia. Após uma pausa devido a uma doença, marchou até a Síria. Dario III trouxe um novo exército, bem maior, e flanqueou os macedônios, forçando Alexandre a recuar de volta a Cilícia. Os dois se enfrentaram na Batalha de Isso, que resultou em uma importante vitória para Alexandre. Dario fugiu às pressas, levando ao colapso de suas forças, deixando para trás uma enorme quantidade de tesouros, sua esposa, suas duas filhas e sua mãe Sisigambis. O rei persa então propôs um tratado de paz que incluía a entrega aos macedônios de todos os territórios que eles já haviam conquistado e um resgate de 10 000 talentos por sua família. Alexandre respondeu que agora era o rei da Ásia e que apenas ele decidiria as divisões territoriais.
Egito
Após esmagar a resistência persa em Tiro, a maioria das cidades na linha costeira até o Egito rendeu-se rapidamente. Uma história notória foi reportada quando os macedônios entraram em Jerusalém: de acordo com Josefo, foi mostrado a Alexandre uma profecia do Livro de Daniel, presumidamente no capítulo 8, que descrevia um poderoso rei grego que conquistaria o Império Persa. Ele poupou Jerusalém da destruição e avançou rumo ao Egito. O avanço na região não foi calmo, com Alexandre enfrentando resistência por parte da cidade de Gaza. O local era fortificado e construído perto de montanhas. Os macedônios cercaram a cidade. Os defensores resistiram mas tiveram de ceder após sofrerem pesadas baixas. Durante a batalha, Alexandre foi ferido. Assim como em Tiro, as forças de Alexandre massacraram incontáveis civis e venderam milhares de outros como escravos.
Assíria e a Babilônia
Com o Egito sob seu controle, Alexandre partiu, em 331 a.C., em direção à Mesopotâmia (atual Iraque), o coração do Império Persa. Lá uma vez mais confrontou Dario na crucial batalha de Gaugamela. Novamente, mesmo em menor número, se saiu vitorioso e destruiu o exército inimigo. Dario, assim como fez após outras derrotas sofridas diante de Alexandre, fugiu em desespero. A cidade da Babilônia, capital do império, abriu seus portões para os macedônios (para evitar ser destruída). Alexandre e seus homens adentraram nos seus muros e ocuparam os palácios de Dario. O rei persa havia fugido e Alexandre o perseguiu, indo até Arbela. Gaugamela acabou se tornando a batalha decisiva da campanha na Pérsia. O governo de Dario entrou em colapso e ele não conseguiu levantar um exército novamente. O antigo rei persa fugiu para Ecbátana (atual Hamadã).
A Pérsia
Após conquistar a Babilônia, Alexandre foi para a cidade de Susa, uma das capitais do Império Aquemênida (Pérsia), e capturou seus lendários tesouros. Ele então enviou o grosso do seu exército até Persépolis, usando a Estrada Real Persa. O próprio Alexandre ficou na vanguarda, levando um grupo de soldados e atravessou os Portões Persas (nas cordilheira de Zagros), que eram defendidos por uma tropa comandada pelo sátrapa Ariobarzanes. Alexandre rapidamente superou estas defesas e avançou cidade adentro em Persépolis, saqueando os seus tesouros. Em Persépolis, Alexandre deu permissão para que seus soldados saqueassem a cidade e tomassem espólios pessoais. Alexandre ficou na cidade por cinco meses. Durante sua estadia, um incêndio começou no palácio leste de Xerxes I que se espalhou pela cidade. Não se sabe se foi deliberado ou um acidente de um bêbado. Para alguns foi um ato de vingança pela queima da Acrópole de Atenas durante a Segunda Guerra Greco-Persa.
Queda do Império Persa e o leste
Alexandre continuou sua perseguição implacável a Dario, indo até Medo e a Pártia. Contudo, o rei persa já não controlava mais o seu destino, sendo feito prisioneiro pelo general Besso, que era o sátrapa de Báctria e um dos seus comandantes mais confiáveis. Quando Alexandre se aproximou, Besso matou Dario e se proclamou seu sucessor, com o nome de Artaxerxes V, antes de recuar até a Ásia Central com o intuito de começar uma campanha de guerrilha contra Alexandre. Alexandre enterrou o corpo de Dario e lhe deu um funeral digno. Ele afirmou que Dario, no seu leito de morte, o nomeou seu sucessor para o trono persa. A morte de Dario é considerada o evento final do Império Aquemênida.
Incursões no subcontinente indiano
Após a morte de Espitamenes e o seu casamento com Roxana, que teve o objetivo de sedimentar sua relação com as novas satrapias, Alexandre focou seu olhar no subcontinente indiano. Ele convidou vários chefes tribais da antiga satrapia de Gandara, no agora norte do Paquistão, para vir até ele e se submeter a sua autoridade. Onfis, o governador de Taxila, cujo reino ia do rio Indo até ao rio Jelum, concordou, mas alguns chefes das tribos das montanhas, incluindo os dos aspásios e assacenos, na região norte da Índia, se recusaram. Onfis colocou o seu reino e suas tropas a disposição de Alexandre e também entregou vários presentes. Alexandre devolveu o título de rei a Onfis e lhe presenteou com roupas da Pérsia, ouro, ornamentos de prata, 30 cavalos e 1 000 talentos de ouro. Alexandre dividiu suas forças, enviando Onfis para ajudar Heféstio e Pérdicas para reconstruir as pontes sobre o rio Indo, a fim de manter suas tropas na vanguarda supridas. Onfis então recebeu o rei macedônio em sua casa em Taxila.
Revolta no exército
Ao leste do reino do rei Poro, próximo ao rio Ganges, estavam o Império Nanda de Mágada e mais a leste ainda estava os gangáridas (onde fica atualmente Bangladexe). Com medo do prospecto de invasões de exércitos do leste e exaustivas campanhas, várias unidades do exército de Alexandre se amotinaram nas proximidades do rio Beás, recusando-se a marchar mais para o leste. De fato este rio marcou a extensão máxima do Império de Alexandre Magno. Para os macedônios, contudo, a sua luta contra Poro atenuou sua coragem e deteve seus avanços na Índia. Para ter dado tudo que tinham para dar para repelir o inimigo que tinham reunido apenas 20 000 soldados e 2 000 cavalos, eles violentamente se opuseram a Alexandre quando ele propôs continuar avançando para além do rio Ganges, a largura dos quais, como eles aprenderam, tinha 32 furlongs, suas profundidades eram de cem braças, enquanto suas margens eram defendidas por centenas de milhares de soldados e vários elefantes de guerra. Foi contado aos soldados macedônios que os reis dos ganderitas e présios estavam esperando com 8 000 de cavalaria, 200 000 combatentes de infantaria, 8 000 charretes e 6 000 elefantes.
Ao retornar do extremo oriente para a Pérsia, Alexandre ficou irritado ao saber que seus sátrapas e governadores militares haviam se comportado mal durante sua ausência. Ele então ordenou a execução de vários deles, para servirem de exemplo, enquanto ia até a cidade de Susa. Como um gesto de gratidão, o rei pagou as dívidas dos seus soldados e anunciou que ele mandaria de volta à Macedônia os veteranos mais velhos ou deficientes, liderados por Crátero. Suas tropas duvidaram de suas intenções e se amotinaram na cidade de Ópis. Eles se recusaram a partir e criticaram sua adoção de costumes e vestimentas persas, e ainda a adição de soldados e oficiais persas no seu exército e em unidades macedônias. Após três dias, não capaz de persuadir seus homens a desistirem, Alexandre deu aos persas postos de comando no exército e conferiu a macedônios títulos militares nas unidades persas. Os soldados macedônios então pediram por perdão, que Alexandre aceitou, e então fez um grande banquete para milhares de seus homens, onde comeu junto com eles. Em uma tentativa de criar mais harmonia entre seus súditos persas e macedônios, Alexandre fez casamentos em massa dos seus oficiais graduados e outros nobres em Susa, mas muitos destes casamentos não duraram muito. Nesse meio tempo, Alexandre também descobriu que os guardas da tumba de Ciro II a haviam profanado e ordenou a execução deles.
A 10 ou 11 de junho de 323 a.C., Alexandre morreu no antigo palácio do rei Nabucodonosor II, na Babilônia, aos 32 anos. Existem duas versões a respeito de sua morte. De acordo com Plutarco, cerca de quatorze dias antes de falecer, Alexandre deu uma festa ao almirante Nearco e passou aquela noite e a próxima bebendo. Ele teve então uma febre, que foi piorando até o ponto de não poder falar. Aos soldados comuns, ansiosos por causa da saúde do seu rei, foi permitido passar por ele silenciosamente e acenar. A segunda versão, de Diodoro, afirma que Alexandre passou a sofrer de fortes dores após tomar uma enorme porção de vinho, em uma festa a Héracles. Permaneceu fraco por onze dias; não teve febre e morreu depois de dias de agonia. Plutarco afirmou que esta última versão não seria verdade. Dada a propensão da aristocracia macedônia ao assassinato, conspirações circulam sobre as histórias de sua morte. Diodoro, Plutarco, Arriano e Justino, todos mencionam a possibilidade de Alexandre ter sido envenenado. Justino afirma que houve uma grande conspiração para envenená-lo, mas Plutarco nega isso, enquanto Diodoro e Arriano apenas mencionam essa possibilidade. Relatos afirmam que Antípatro poderia ser o líder do complô, pois havia sido dispensado da posição de vice-rei da Macedônia e estava de briga com Olímpia, mãe de Alexandre. Talvez tenha assumido que o fato dele ter sido convocado para a Babilônia poderia ser uma sentença de morte e resolveu agir. Antípatro teria então arquitetado o envenenamento com seu filho Iolas, que era o homem que servia os vinhos para Alexandre. Há quem sugira que até Aristóteles tenha participado.
Após seu falecimento
O corpo de Alexandre foi posto em um sarcófago antropoide de ouro que foi enchido com mel, o qual foi colocado em um caixão de ouro. De acordo com Eliano, um vidente chamado Aristandro teve uma visão da terra onde os restos de Alexandre deveriam descansar onde seria "feliz e invencível para sempre". Talvez, mais provavelmente, os sucessores podem ter visto que o local de enterro de Alexandre serviria como um símbolo de legitimidade, já que enterrar o rei que o antecedeu era uma prerrogativa real. Enquanto o cortejo fúnebre de Alexandre ia até a Macedônia, Ptolomeu o pegou e levou o corpo temporariamente até Mênfis. Seu sucessor, Ptolemeu II, transferiu o sarcófago para Alexandria, onde permaneceu até o fim do período conhecido como Antiguidade Tardia. Ptolemeu IX, um dos últimos sucessores de Ptolomeu Sóter, substituiu o sarcófago de Alexandre com um de vidro para que ele pudesse converter o antigo em dinheiro. A recente descoberta de uma grande tumba no norte da Grécia, em Anfípolis, que data do tempo de Alexandre, pode significar que os macedônios tinham intenções de enterrá-lo mesmo em solo grego. Isso é plausível devido ao eventual destino da caravana do cortejo fúnebre de Alexandre.
Divisão do Império
A morte de Alexandre foi tão repentina que quando a notícia chegou na Grécia, muitos não acreditaram. Alexandre não tinha um herdeiro legítimo imediato, já que sua esposa, Roxana, estava apenas grávida no período da sua morte. A criança, Alexandre IV, nasceu após o seu falecimento e veio também a falecer oito anos depois. De acordo com Diodoro, os companheiros de Alexandre perguntaram, no seu leito de morte, para quem ele deixaria o seu império gigantesco; sua resposta lacônica foi tôi kratistôi ("para o mais forte"). Arriano e Plutarco dizem que Alexandre não tinha condições de falar, implicando que a história do "para o mais forte" é apócrifa. Diodoro, Cúrcio e Justino oferecem um fim mais plausível, com Alexandre passando seu anel de sinete para Pérdicas, seu guarda-costas e líder de sua cavalaria pessoal, em frente a testemunhas, o que teoricamente o teria feito seu sucessor. Pérdicas não clamou pelo poder inicialmente, sugerindo que o filho de Alexandre com Roxana deveria ser o rei, com ele próprio, Crátero, Leonato e Antípatro como guardiões. Contudo, a infantaria macedônia, sob comando do general Meleagro, rejeitou esta ideia pois eles não teriam um papel a cumprir neste cenário. Em vez disso, eles apoiaram o meio-irmão de Alexandre, Filipe Arrideu. Eventualmente, os dois lados se reconciliaram e depois do nascimento de Alexandre IV, ele e Filipe III foram nomeados como reis conjuntos, ainda que apenas no nome.
Testamento
Diodoro afirmou que Alexandre deixou instruções em escrito para Crátero algum tempo antes da sua morte. Crátero começou a executar alguns de seus comandos, mas os sucessores do seu império decidiram parar, afirmando que alguns dos pedidos eram impraticáveis e extravagantes. Ainda assim, Pérdicas leu o testamento de Alexandre para as suas tropas. O texto do testamento dele pedia mais expansão territorial do império, indo para o sul e oeste do mediterrâneo, construção de monumentos e a união das populações do ocidente e do oriente. Também tinha:
Comando
Alexandre passou a ser chamado de "o Grande" (Mégas Aléxandros) devido ao seu sucesso sem paralelo como comandante militar. Ele nunca perdeu uma batalha, apesar de quase sempre estar em menor número. Conhecido por usar muito bem o terreno, sua infantaria pesada (as falanges) e táticas de cavalaria, contava com a obediência de suas tropas em suas táticas ousadas. A falange macedônica, armada com longas sarissas (de até seis metros), havia sido aperfeiçoada por seu pai, Filipe II, através de rigoroso treinamento, e Alexandre usou sua força, velocidade e manobrabilidade com grande efeito contra forças inimigas maiores, como a dos persas. Alexandre também conhecia o potencial de desunidade de exércitos diversificados, que continham diferentes línguas e armas. Ele era conhecido por participar pessoalmente das batalhas na linha de frente, à maneira dos reis macedônios.
Aparência física
Segundo o biografo grego Plutarco (c. 46–120) descreveu a aparência de Alexandre como: A aparência exterior de Alexandre é melhor representada pelas estátuas de Lísipo, e foi por apenas este artista que o próprio Alexandre achou que poderia modelar ele. Para estas particularidades que muitos dos seus sucessores e amigos iriam imitar, principalmente, o porte do pescoço, que era curvado ligeiramente para a esquerda, e o jeito nos olhos, o artista tinha observado muito bem. Apeles, contudo, quando o pintava, não reproduzia esta complexidade, mas o tornou mais escuro e moreno. Considerando que ele tinha pele clara, como dizem, essa clareza passou para vermelho no seu peito e face. Além disso, um odor muito agradável exalado de sua pele e que havia uma fragrância a respeito da sua boca e sua carne, de modo que suas vestes estavam cheios disso, isto estava escrito nas Memórias de Aristoxeno.
Personalidade
Alexandre herdou uma personalidade forte dos seus pais. Sua mãe tinha grandes ambições e encorajava o filho a acreditar que o destino dele era conquistar o Império Persa. A influência de Olímpia incutiu o senso de destino nele, e Plutarco afirmou que "manteve seu espírito sério e sublime com o passar dos anos". Contudo, seu pai, Filipe II, era a principal influência e modelo para Alexandre, enquanto ele observava o pai ir em campanha atrás de campanha em sua infância, conquistando várias vitórias, ignorando ferimentos. A relação pai e filho era competitiva no lado da personalidade; ele precisava sempre superar o pai, as vezes mostrando um comportamento impulsivo demais em batalha.
Relações pessoais
Alexandre foi casado três vezes: com Roxana, filha do nobre Oxiartes de Báctria (um casamento realizado por relações amorosas); e com as princesas Estatira II, filha de Dario III, e Parisátide (casamentos por razões políticas). Acredita-se que tenha tido dois filhos, Alexandre IV (nascido de Roxana) e, possivelmente, Héracles (que teria nascido de sua amante, Barsina). Ele teria tido outro filho com Roxana, porém ela sofreu de um aborto espontâneo na Babilônia. Alexandre tinha um relacionamento muito próximo com seu amigo, general e guarda-costas Heféstio, que era filho de um nobre macedônio. A morte de Heféstio foi devastadora para Alexandre. Este evento pode ter impulsionado o declínio da saúde física e emocional de Alexandre nos últimos meses da sua vida.
O legado de Alexandre vai além de suas habilidades como comandante militar. Suas campanhas aumentaram os contatos e o comércio entre o Ocidente e o Oriente, e vastas áreas orientais foram expostas à civilização grega e sua influência. Algumas cidades que ele fundou se tornariam grandes centros culturais, com muitas sobrevivendo até o século XXI. Seus cronistas registraram valiosas informações durante suas marchas, enquanto os gregos passaram a ter a noção de que eles pertenciam a um mundo maior que o Mediterrâneo.
Reinos helênicos
Talvez o maior legado imediato de Alexandre foi a introdução de um governo macedônio para grandes faixas da Ásia. No período da sua morte, seu império se estendia da península Balcânica até ao subcontinente indiano, somando mais de 5,2 milhões de km², e era o maior império de sua época. Muitas destas áreas permaneceram sob poder ou influência macedônia ou grega pelos próximos 200–300 anos. Os estados sucessores que emergiram após a sua morte, pelo menos inicialmente, permaneceram a força dominante da região e nos 300 anos seguintes ofereceram ao mundo o chamado "período helenístico". As fronteiras orientais do império de Alexandre começaram a entrar em colapso ainda durante a sua vida. Contudo, o vácuo de poder deixado no noroeste do subcontinente indiano com sua morte deu a oportunidade de ascensão de uma das mais poderosas dinastias indianas da antiguidade. O governante Chandragupta Máuria (referido em fontes gregas como Sandrócoto), de origem relativamente humilde, tomou controle da região de Panjabe, e se tornou a base de poder do subsequente Império Máuria.
Fundação de cidades
Durante o curso de suas conquistas, Alexandre fundou mais de vinte cidades com seu nome, a maioria a leste do rio Tigre. A primeira (e a maior), na verdade, foi a própria Alexandria do Egito, que se tornou uma das grandes cidades do Mediterrâneo. Estas cidades normalmente ficavam em importantes rotas comerciais ou boas posições defensivas. No início, elas devem ter sido bem inóspitas, um pouco mais do que grandes quartéis. Após a morte de Alexandre, muitos dos gregos que foram assentados lá resolveram voltar para suas regiões de origem. Contudo, nos séculos seguintes, muitas das Alexandrias prosperaram, com elaborados prédios públicos e populações crescentes, que incluía gregos e habitantes de povos nativos da região.
Helenização
O termo helenização foi cunhado pelo historiador alemão Johann Gustav Droysen para denotar a expansão pelo mundo da língua, cultura e população grega para além das regiões do Império Aquemênida após as conquistas de Alexandre. Que essa exportação de cultura aconteceu é inquestionável e pode ser visto nas grandes cidades helênicas como, por exemplo, Alexandria, Antioquia e Selêucia (ao sul da atual Bagdá). Alexandre queria inserir elementos gregos na cultura persa e tentou hibridizá-la com a cultura grega. Isso fazia parte dos seus esforços de homogenizar a Ásia e a Europa. Contudo, seus sucessores rejeitaram estas ideias. Ainda assim, a helenização se espalhou pela região, acompanhada por uma distinta e oposta orientalização dos Estados sucessores.
Influência sobre Roma
Alexandre e suas façanhas eram admirados por muitos romanos, especialmente generais, que queriam se associar com seus feitos. Políbio começou sua obra Histórias relembrando aos romanos os feitos de Alexandre. Muitos líderes políticos e militares romanos se comparavam com Alexandre Magno, usando-o como modelo. O general e cônsul Pompeu também adotou o epíteto "Magno" ("Grande") e até tentou copiar o estilo de cabelo de Alexandre. Ele ainda costumava usar uma capa vermelha, assim como Alexandre, como um sinal de grandeza. Júlio César chegou a construir uma estátua equestre de bronze em honra a Alexandre mas depois substituiu sua cabeça pela dele próprio, enquanto o imperador Augusto chegou a visitar a tumba dele em Alexandria. Trajano também admirava muito Alexandre, assim como Nero e Caracala. Os Macrianos, uma família romana que sob a liderança de Macrino rapidamente ascendeu ao trono imperial romano, usava roupas que lembravam Alexandre e também tinha várias peças dele.
Lenda
Relatos lendários cercaram a vida de Alexandre, provavelmente encorajados por ele mesmo. Seu historiador cortesão Calístenes retratou o mar na Cilícia como desenhado de volta para ele em prosquínese. Escrevendo logo depois da morte de Alexandre, outro participante, Onesícrito de Astipaleia, inventou um cortejo entre Alexandre e Taléstris, a mítica rainha das Amazonas. Quando Onesícrito leu esta passagem para seu patrão, o general de Alexandre e depois rei Lisímaco relatadamente brincou, "Eu me pergunto onde estava naquele momento". Nos primeiros séculos da morte de Alexandre, provavelmente em Alexandria, certa quantidade de material lendário foi agrupado em um texto conhecido como o Romance de Alexandre, depois falsamente atribuído a Calístenes e portanto conhecido como "Pseudo-Calístenes". Este texto sofreu numerosas expansões e revisões através da Antiguidade e Idade Média, contendo muitas histórias dúbias, e foi traduzido em numerosas línguas.
Legado na Antiguidade e na cultura moderna
Os feitos de Alexandre, o Grande e o seu legado são retratados em diversas culturas. Alexandre está na cultura popular desde sua era até os dias atuais. O Romance de Alexandre, em particular, teve um impacto profundo sobre a forma como o rei macedônio é retratado nas culturas, da Pérsia até a da Europa medieval até a Grécia Moderna. Alexandre já considerava a si mesmo como o "Rei da Ásia" logo após sua vitória em Isso, um conceito fortalecido após seus sucessos posteriores. Nos documentos babilônios, ele era referido como o "Rei do Mundo" (já que "Rei da Ásia" não tinha significado na geografia pelos habitantes da Babilônia). Alexandre também é chamado de Cosmocrátor (kosmokrator, "governador do mundo") na obra Romance de Alexandre.
Além de poucas inscrições e fragmentos, textos escritos por contemporâneos de Alexandre, que o conheceram pessoalmente, ou pelos que tomaram como base relatos diretos de seus subordinados estão todos perdidos. Entre os contemporâneos que escreveram os feitos de sua vida estão o historiador das campanhas de Alexandre, Calístenes; os generais Ptolomeu e Nearco; Aristóbulo, um jovem oficial; e ainda Onesícrito, um timoneiro de Alexandre. A maioria do trabalho deles foi perdido com o tempo, mas pesquisas feitas na antiguidade em cima destas fontes sobreviveram. Um dos primeiros historiadores não contemporâneos a escrever sobre Alexandre, citando como fonte trabalhos de pessoas que conheceram ele, foi Diodoro Sículo (século I a.C.), seguido por Quinto Cúrcio Rufo (no século I), Arriano (século I e II), o biografo Plutarco (século I e II), e finalmente Marco Juniano Justino, cujo trabalho foi feito no século IV. Destes, os relatos de Arriano são geralmente considerados os mais confiáveis, já que ele usou textos de Ptolomeu e Aristóbulo como fonte. Diodoro também é citado como uma ótima fonte dos fatos.


