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José de Alencar

José Martiniano de Alencar foi um jornalista, advogado, político, ensaísta e escritor brasileiro. É considerado o principal e o mais importante escritor do romantismo no Brasil, sendo identificado com a primeira geração do movimento e popularmente alcunhado como "pai da literatura brasileira".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Biografia

José de Alencar nasceu em maio de 1829 em Messejana, na província do Ceará. Sua avó paterna Bárbara de Alencar consagrou-se heroína da revolução de 1817 em Pernambuco. Em 1817, aos vinte e três anos, seu pai, José Martiniano Pereira de Alencar, estudou no Seminário de Olinda, onde presenciou a Revolução; sendo preso e injuriado, aportou à Bahia, para ser julgado. Passados três anos, tendo, pois, sido destruídos os documentos relativos à rebelião do Crato impossibilitando o julgamento, José Martiniano Pereira de Alencar, anistiado, retornou para o Ceará. Teve recepção gloriosa. E, procedido o pleito para as Cortes de Lisboa, José Martiniano Pereira de Alencar foi eleito suplente na representação do Ceará. Tomou posse em 10 de maio de 1822, devido à ausência de um dos eleitos. Após breve passagem por Lisboa, José Martiniano Pereira de Alencar retornou ao Brasil eleito deputado pelo Ceará à Constituinte. Dissolvida a Constituinte em 12 de novembro, regressou ao Norte para concluir os estudos no Seminário de Olinda. Novamente preso acusado de participação no movimento da Confederação do Equador, contou com a absolvição em sentença confirmada por Dom Pedro I. Em plena liberdade, inocente e livre de culpa, José Martiniano Pereira de Alencar vestiu a batina de sacerdote. No Sítio do Alagadiço Novo, Freguesia de Messejana, que fundara para sobreviver, recebeu a família dispersa após a derrota da Confederação. Figura mais importante de seu clã, José Martiniano Pereira de Alencar acolheu permissão do governador episcopal de Pernambuco, Dom Tomás de Noronha, para exercer o sacerdócio, ressalvando, porém, que não poderia confessar “mulher alguma, que não for enferma ou menor de dez anos, sem ser em confessionário, e com grade interposta entre si e a Penitente”. Entretanto, por esse tempo, contraiu amizade ilícita e particular com Dona Ana Josefina de Alencar, sua prima em primeiro grau, a quem se uniria pelo resto da vida; mulher amável a quem José de Alencar se refere por autobiografia; D. Ana compensava com carinho e bondade qualquer severidade de seu companheiro e primo-Senador.[carece de fontes?]

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A polêmica com Joaquim Nabuco

Como literato não se apartou do tema da escravidão. Representou, de maneiras diversas e em diferentes classificações, o escravo no Brasil, com suas especificidades. Neste sentido, sua produção marcante é a peça Mãe, supostamente inspirada em seu contato com Caetano Soares, que, reiteradas vezes, teria indicado a necessidade de uma proteção legal para a mãe escrava que tivesse filho com o senhor, de maneira que ficasse livre quando isso acontecesse. Na obra, José de Alencar dramaticamente explora o protagonismo da escrava em seu sofrimento condicional e sua veia materna, também explorando o suicídio em um sentido metafórico, que abrangia a esperança de liberdade. A repercussão da peça foi considerável à época, gerando elogios e estupefação, como publicou o Diário do Rio de Janeiro: “A protagonista deste drama é uma escrava. Respeitaram-se todas as conveniências da sociedade brasileira, para se tirar partido somente do sentimento da maternidade”, na mesma proporção em que gerou polêmicas como a travada com Joaquim Nabuco, incansável defensor da Abolição no Brasil.

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Morte

Pouco tempo depois do fim da polêmica, em 1875 apareceram os primeiros sinais da doença que o levaria à morte — sintomas de tuberculose pulmonar. Em 1877, sentindo a necessidade de um tratamento médico partiu para Europa, passando por Lisboa, Londres e Paris, mas o tratamento não foi exitoso. Regressou ao Brasil e recolheu-se à casa do sogro, no bairro da Tijuca, onde morreu no dia 12 de dezembro do mesmo ano. No velório, Machado de Assis esteve presente e descreveu a morte de seu companheiro das letras em sua coluna “História de Quinze dias”, da revista Illustração Brasileira: “Toda a história destes quinze dias está resumida em um só instante, e num acontecimento único: a morte de José de Alencar. Ao pé desse fúnebre sucesso, tudo o mais empalidece”. A Gazeta de Notícias, no dia seguinte da morte de José de Alencar, escrevia, mesclando a dor do luto e a grandeza do legado: “O falecimento de José de Alencar, [é] a viuvez em que se acha a literatura da pátria. [..] Quem não apreciava a iluminada inteligência, que, criando ou pesquisando, era sempre uma individualidade poderosa, um crítico consensioso e de fino tato? Salve, José de Alencar! astro que hoje cintila na celestial esfera!”.

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Homenagens

Imagem: Breno Peck · BY-NC-SA · Openverse

Na cidade do Rio de Janeiro, no bairro do Flamengo, em sua homenagem, foi erguida, em 1897, uma estátua no largo do Catete, largo este que foi rebatizado como praça José de Alencar. Em Fortaleza, em 1910, foi erguido o Theatro José de Alencar. A Praça José de Alencar e a estação José de Alencar da Linha Sul do metrô de Fortaleza são, também, homenagens da sua cidade natal. José de Alencar também tornou-se o nome de um distrito do município de Iguatu, no Ceará.[carece de fontes?]

Academia Brasileira de Letras

Grande expoente da literatura brasileira do século XIX, não alcançou a fundação do Silogeu Brasileiro. Coube-lhe, entretanto, a homenagem de ser patrono da cadeira 23 da academia. Nas discussões que antecederam a fundação da academia, seu nome foi defendido por Machado de Assis para ser o primeiro patrono, ou seja, nominar a cadeira 1. Mas não poderia haver hierarquia nessa escolha, e resultou que Adelino Fontoura, um autor quase desconhecido, veio a ser o patrono efetivo. Sobre esta escolha, registrou Afrânio Peixoto:

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Literatura

Pouco mais de um ano depois do início de sua carreira, José de Alencar recebeu um convite de Francisco Octaviano, e, uma vez aceito, fez sua estreia no Correio Mercantil. Neste jornal fez-se folhetinista, publicando “Ao Correr da Pena”, uma série de crônicas, dentre outros textos. Nesta mesma ocasião passou a colaborar e escrever no Jornal do Comércio. De 1855 a 1858 foi diretor do Diário do Rio de Janeiro, onde atestou seu crédito de jornalista emérito, consagrando-se também como biógrafo, elaborando um trabalho sobre “O Marquês de Paraná”. Em 1856, com pseudônimo de “IG”, publica no Diário do Rio de Janeiro as Cartas sobre a Confederação dos Tamoios, nas quais critica veementemente o poema épico de Domingos Gonçalves de Magalhães, favorito do Imperador e considerado então o chefe da literatura brasileira. Estabeleceu-se, entre ele e os amigos do poeta, apaixonada polêmica de que participou, sob pseudônimo, o próprio D. Pedro II. A crítica por ele feita ao poema denota o grau de seus estudos de teoria literária e suas concepções do que devia caracterizar a literatura brasileira. Ainda quando sua vida agitava-se entre o ofício de advogado e o ofício de jornalista, no final dos anos 50 do século XIX, José de Alencar publicou seus primeiros romances. Em 1857, através de folhetins no Diário do Rio, no qual era diretor, começou a publicação de O Guarani. No mesmo periódico foram publicados Cinco Minutos e A Viuvinha, e peças teatrais como o libreto da ópera A Noite de São João, as comédias O Crédito, o Demônio Familiar, Verso e Reverso e os dramas As asas de um Anjo e Mãe. [carece de fontes?]

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Política e Escravidão

Imagem: Tom Junior · BY-SA · Openverse

Em 1860 elegeu-se deputado através do Partido Conservador do Império, pela província do Ceará. Estreou no parlamento na sessão do dia 03 de maio de 1861. A partir de sua eleição em 1860, José de Alencar atuou incessantemente no campo político, não obstante manteve considerável profusão literária; — entre 1860 e 1870 (seu decênio de presença parlamentar) Alencar publicou Lucíola (1862), Diva (1864), As Minas de Prata (1865), Iracema (1865), O Gaúcho (1870) e A Pata da Gazela (1870) — e assim como muitos parlamentares do Império Brasileiro (deputado ou senador) posicionou-se em relação à emancipação dos escravos. José de Alencar não se colocava como um isolado em seu posicionamento. Inseria-se numa tradição política que duraria pelo menos até a década de 80 do século XIX: a emancipação gradual dos escravos. Edison Carneiro, ao desenvolver as perspectivas teóricos do “velho abolicionista” Evaristo de Morais, demonstrou a diferença entre duas colocações, diversas vezes confundidas: emancipação e abolição, através da seguinte colocação: “Emancipar seria preparar o escravo paulatinamente para a liberdade; abolir seria cortar de vez, e de um só golpe, os laços ultrajantes da escravidão”. O caso brasileiro, desde a Independência adequou-se ao método emancipatório, para extinguir a escravidão de modo gradual e paulatino, considerando nesta metodologia política a importância de preparar o escravizado para a liberdade e o país para o trabalho livre. Nesta “tradição” José de Alencar figurou. Neste ínterim, no meado dos anos 60, casou-se com Georgiana (às vezes citada apenas como Ana) Augusta de Cochrane, com quem teve seis filhos.

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Fontes consultadas

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