Suíça
Suíça, oficialmente Confederação Suíça, é uma república federal composta por 26 estados, chamados de cantões, com a cidade de Berna como a sede das autoridades federais. O país está situado na Europa Central, fazendo fronteira com a Alemanha a norte, com a França a oeste, com Itália a sul e com a Áustria e o principado de Liechtenstein a leste.
Confœderatio Helvetica (CH) é a designação oficial em latim do país. O termo Helvética vem da palavra latina Helvetier que por sua vez provém do nome da antiga tribo celta dos Helvécios. A Revolução Suíça de 1798 foi a primeira contra a supremacia dos fundadores da Antiga Confederação Suíça: Uri, Schwyz, Unterwalden e as cidades de Lucerna, Zurique e Berna. As diferentes línguas faladas obrigaram a criar um nome único em latim, língua maioritariamente falada na Europa naquela época. Nos tempos atuais, o termo Helvetia não é utilizado para caracterizar oficialmente a Suíça. Contudo, este nome pode ser encontrado em selos e moedas suíços. "C.H." (Confœderatio Helvetica) são as iniciais encontradas nos autocolantes para os carros e no domínio da Internet (.ch) desde 1995. O nome Confederação Suíça tornou-se conhecido apenas durante o século XVIII, quando não era nem oficial nem único, dado que designações como Corpo helvético, Magna Liga, Ligas e Helvetia eram também usadas para denominar a Suíça. Atualmente, e segundo a carta das denominações de países da Suíça, o país é nomeado oficialmente como Confederação Suíça e explicita que deve ser evitado o uso de todas as palavras com prefixo helveto-. Esta designação é utilizada pela primeira vez em alemão num documento datando da guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Porém, em latim a tradução continua sendo Confœderatio Helvetica.
Antiguidade
A história da Suíça começa antes do Império Romano: em 500 a.C. Nessa altura, muitas tribos celtas estavam localizadas nos territórios do Centro-Norte da Europa. A mais importante delas era a dos Helvécios, nome que iria originar a designação actual da Suíça. Ao contrário do que era dito pelos Romanos e pelos Gregos, os Helvécios não eram selvagens mas sim avançados na técnica de joias e outras peças pequenas, corroborando as escavações feitas no Lago Neuchâtel. Em 58 a.C., os Helvécios tinham planeado descer para Sul, mas foram parados na batalha de Bibracte pelo Exército Romano sob o comando do general Júlio César e obrigados a recuar. Os Romanos controlaram o território suíço até cerca do ano 400. Foram criadas fronteiras e fortalezas a norte do Reno para conter as invasões bárbaras provenientes do norte da Europa. Com o imperador Augusto (r. 27 a.C.–14 d.C.), os romanos conquistaram a parte Oeste da Alemanha e a Áustria. Muitas cidades suíças da atualidade foram fundadas durante esta era: Genibra (Genebra), Lausana, Octoduro (Martigny), Saloduro (Soleura), Turico (Zurique), Seduno (Sião), Basília (Basileia), Bilício (Bellinzona), entre outras.
Antiga Confederação
1 de Agosto de 1291 é a data da formação da Confederação Helvética. Esta data foi encontrada num documento que já foi autenticado através de uma análise radionuclear de Carbono-14. Tudo começou com uma estrada chamada São Gotardo e três pequenos vales no centro do território suíço – Waldstätte – que ficaram esquecidos pelos duques e reis. Do século XI ao século XIII, muitas cidades foram fundadas, incluindo Berna, Lucerna e Friburgo. A partir de 1332, a confederação começou a crescer, acolhendo novos membros. Nesse ano, o cantão de Lucerna adere à união, enquanto os cantões de Zurique, Zug e Berna e Glarona entram em 1353, 1352 e 1353, respectivamente criando a confederação de oito Estados-Membros. Mais tarde entrou a cidade, e não o cantão, de Appenzell em 1411 e depois São Galo em 1412.
República Helvética
As revoltas que ocorriam entre o século XVII e o século XVIII mostraram que a revolução de 1798 não correu da mesma maneira que a Revolução Francesa. Enquanto que em França a revolução deveu-se ao abuso do poder da monarquia, na Suíça, a revolução de 1798 deveu-se mais à corrupção das casas ricas. De todas as maneiras, a Revolução Francesa de 1789 provou aos suíços que era possível uma revolução na confederação. Após a Tomada da Bastilha, muitos suíços em todo o país começaram a pôr em causa o sistema político em vigor através de petições como, por exemplo, em Unter-Hallau, Aarau e no cantão de Vaud. Outros acontecimentos são as celebrações da Revolução Francesa em Lausanne (1790), de onde inicia-se a Revolução de 1798. Em 1792, ocorre a Revolução de Genebra. Um ano depois são realizadas eleições que viriam a culminar com a celebração de uma nova Constituição em 1794. Nesse mesmo ano ocorre também a Revolução dos Grisons.
Federação
Após a derrota de Napoleão na Batalha de Waterloo, a Suíça regressou ao sistema federal. Os seis cantões que tinham entrado durante o acto de mediação receberam o estatuto de estados livres (cantão) em vez de membros associados. Valais, Neuchâtel e Genebra voltaram a entrar para a confederação após terem sido anexados pela França. A Suíça passava a ter 22 cantões com as fronteiras iguais às da actualidade. Durante o século XIX, a Confederação Helvética vai progredindo para se tornar numa democracia moderna. Quando em 1815 o Antigo Regime foi restaurado, nem todos os republicanos desistiram. Muitos ainda reivindicavam a liberdade de circulação e direitos iguais entre classes sociais, entre outras exigências. Dadas essas, o cantão de Basileia dividiu-se em dois: Basileia-Cidade e Basileia-Campo. Outros políticos defendiam a criação de uma federação semelhante à dos Estados Unidos, com um parlamento federal. Depois de uma breve guerra civil em 1847, criou-se a Constituição Federal de 1848. À semelhança do sistema norte-americano, a Suíça adoptou a Declaração dos Direitos Humanos, duas câmaras parlamentares — o senado e a câmara federal —, o governo federal e um tribunal de Justiça Suprema. A nova constituição foi aceite por 15 cantões e meio (dado que apenas Basileia-Campo tinha aceite). Berna foi designada a capital federal. Porém, só em 1874 é que a constituição foi totalmente revista. O país também se desenvolve no sector da indústria. A Suíça foi um dos primeiros países a implementar este ramo na sua economia e viria a crescer sobretudo depois da Revolução Industrial de 1850.
Período contemporâneo
Apesar do país ter sido rodeado por várias potências em guerra (a França, a Alemanha, o Império Austro-Húngaro — até 1918 — e a Itália), a Suíça nunca foi invadida em nenhuma das duas Grandes Guerras. A sua neutralidade foi posta em causa com o Escândalo Grimm-Hoffmann, em 1917, ao qual não foi dada muita relevância. O Estado adere à Liga das Nações em 1920 e ao Conselho Europeu, em 1963. A invasão da Suíça foi várias vezes planeada pelos alemães, mas nunca foi atacada. Conseguiu manter a paz com a Alemanha através de concessões económicas e militares. A imprensa suíça e o Governo Federal opuseram-se às políticas do Terceiro Reich que criou, com a Itália Fascista, um plano (nunca executado) de invasão denominado Operação Tannenbaum. O general Henri Guisan foi incumbido de organizar as defesas do país, que possuía um plano defensivo conhecido como Reduto nacional. Dada a sua localização geográfica, a Suíça era um local de espionagem constante por parte das duas facções (os Aliados e o Eixo). Durante a Segunda Guerra Mundial, a Suíça recebeu 300 mil refugiados dos quais 104 mil eram militares estrangeiros. 60 mil eram civis que fugiam das políticas nazis. Daqueles, entre 26 mil a 27 mil eram judeus. No entanto, as políticas imigratórias e de asilo eram restritas o que causou muitas controvérsias.
A Suíça é um país localizado no centro da Europa de coordenadas 47,00 N e 8,00 E. A sua área total é de 41 285 km² em que 1 520 km² são cobertos de água. Faz fronteira com a França a Oeste, a Alemanha a Norte, a Áustria e o Liechtenstein a Leste e com a Itália a Sul. De uma maneira geral, pode-se dividir a Suíça em três regiões geográficas: os Alpes, o planalto e o Jura. O planalto suíço, denominado como plateau, ocupa um terço da área do país e aí mora cerca de dois terços da população naquela área geográfica. A densidade populacional é de cerca de 450 pessoas por quilómetro quadrado. Vai desde o Lago Leman na fronteira francesa, atravessando o centro da Suíça e terminando no Lago de Constança, nas fronteiras com a Alemanha e a Áustria. Tem uma altitude média de 580 metros. O plateau suíço é atravessado por três grandes rios: o Ródano, o Reno e o Aar. O Sul e o centro-Sul da Suíça são dominados pela cadeia montanhosa alpina enquanto que o restante é uma zona plana exceptuando-se um faixa ao longo da região Noroeste que é dominada pelo Jura.
Flora e fauna
Dada a grande diferença de altitudes, que variam dos 195 metros até mais de 4 mil metros, a Suíça apresenta uma grande diversidade de climas e dos respectivos animais e plantas. Na zona Sul, nomeadamente no cantão de Ticino, pode-se verificar um clima mediterrânico, enquanto no topo das montanhas está sempre presente uma camada de neve. A grande discrepância de altitudes também permite constatar uma diversidade nos minerais. Nos cantões mais a Sul (Valais e Ticino) podem-se encontrar eucaliptos e pinheiros. O tempo temperado permite a evolução de muitas plantas e também de zonas vinhateiras, entre outras espécies. À medida que aumenta a altitude, a densidade vegetacional diminui, pois o ar torna-se mais frio, dificultando a evolução de espécies. Os glaciares formam a paisagem a altas altitudes. A Suíça é um dos países com mais glaciares por área. Em relação à fauna, os ursos e os lobos estiveram extintos durante um século. Porém, o lobo reapareceu no território nas últimas décadas provindo da Itália. O íbex, o chamois e a marmota são espécies muito frequentes nos Alpes, bem como uma grande quantidade de espécies voadoras em todo o território, como pombos, corvos e gaivotas.
Clima
O clima na Suíça é temperado apresentando uma grande amplitude entre Verões amenos e Invernos rigorosos. Abaixo da cordilheira dos Alpes, o tempo é mais quente do que no Norte. Em termos climáticos pode-se dividir a Suíça em quatro regiões: extremo Sul, os Alpes, o maciço central e o Jura. As temperaturas variam entre temperaturas negativas nas zonas montanhosas e no Inverno e temperaturas amenas durante o Verão pois na época do Estio, o país é enfrentado por um anticiclone enquanto que no Inverno, existe uma frente fria proveniente da Sibéria causando abruptas quedas na temperatura, sobretudo durante a noite. O tempo na Suíça varia bastante de lugar para lugar. O local com maior precipitação é Rochers de Nave, perto de Montreux com cerca de 260 cm por ano. A precipitação é geralmente mais elevada na parte Oeste do país onde se formam nuvens de origem atlântica. A parte Sul tem também altas precipitações devido aos efeitos de barramento das nuvens nos Alpes: em Lugano a precipitação chega aos 175 cm. Uma das características mais vincadas no clima suíço é o vento forte e quente que se forma no Sul, designado Vento Föhn. A insolação na Suíça é de aproximadamente 1 700 horas por ano, havendo picos em lugares no Valais onde o Sol pode durar cerca de 2 300 horas por ano.
Efeitos do aquecimento global
O aquecimento global é particularmente difícil para a Suíça. Isto é devido ao clima continental e à localização nas latitudes médias. Entre o início dos registros meteorológicos em 1864 e 2019, tornou-se uma média de 1,9 °C mais quente na Suíça. Como resultado, as temperaturas na Suíça subiram duas vezes mais rápido que a média global. O aquecimento acelerou nos últimos 30 anos. Todos os anos entre 1991 e 2019 eram mais quentes que a média dos anos de 1961 a 1990. Das dez temperaturas médias mais quentes de junho desde o início dos registros climáticos, sete foram medidas após 2002. Em 1890, Davos ainda tinha 231 dias de geada (= número de dias abaixo de 0 °C); em 2018, havia apenas 161 dias de geada em Davos. A área das geleiras suíças quase caiu pela metade entre 1850 (1 621 quilômetros quadrados) e 2019 (944 quilômetros quadrados). Estudos científicos concluem que, por volta de 2050, os esportes de inverno não serão mais possíveis na Suíça se a meta de dois graus do Acordo de Paris não for cumprida.
Em 2025, a população da Suíça era estimada em mais de 9 milhões de pessoas, sendo que 26,3% destes são estrangeiros (dos quais, dentro deste percentual, 83% nasceram na Europa). Entre dois terços e três quartos da população vivem em áreas urbanas. A Suíça passou de um país predominantemente rural para um urbano em apenas 70 anos. Desde 1935 o desenvolvimento urbano tem reivindicado grande parte da paisagem suíça, como o fez durante os 2 000 anos anteriores. Esta expansão urbana não afeta apenas o planalto, mas também a região de Jura e o sopé dos Alpes e há preocupações crescentes sobre o uso da terra. No entanto, desde o início do século XXI, o crescimento da população em áreas urbanas é maior do que no campo. Pelo menos 59% da população da Suíça é formada por suíços étnicos. Cerca de 41% de seus habitantes, direta ou indiretamente, tem origem migratória (pelo menos 83% são de origem europeia, especialmente alemães, italianos, portugueses e franceses, e uma considerável população provém da Turquia, África e Sri Lanka).
Idiomas
A Suíça tem oficialmente quatro línguas: o alemão, o francês, o italiano e o romanche falados, respectivamente, em 63,7%, 20,4%, 6,5% e 0,5% do território. Esta diversidade linguística deve-se à vizinhança da Suíça: a Itália, de expressão italiana, a Alemanha, o Liechtenstein e a Áustria, de expressão alemã e, por fim, a França, de expressão francesa. Esta divisão por línguas dá na realidade uma divisão de facto em Suíça alemã, Suíça romanda, Suíça italiana e Romanche. As pessoas nas áreas fronteiriças entre duas línguas vão crescendo a aprender ambas as línguas, tornando-se bilíngues. Este fenómeno pode ser internacional, entre a Suíça e outro país ou interno, entre duas áreas de línguas diferentes que podem ser entre dois cantões ou mesmo dentro de um cantão. No caso do Cantão do Valais, os habitantes de Sierre são bilíngues onde o alemão e o francês se encontram. A fronteira ideológica entre a população de expressão francesa e de expressão alemã é coloquialmente conhecida como Röstigraben. A separação não fica somente pela língua mas também pelas ideologias e culturas, onde os falantes franceses são mais abertos e liberais e os falantes alemãs são mais conservadores. Embora o alemão seja língua oficial de-jure, na realidade o mais falado nesta área é o alemão-suíço (Schweizerdeutsch). Trata-se de uma variação bastante diferente do alemão quer na pronúncia, quer na escrita. O alemão-suíço é um dialeto, portanto falado somente por certas comunidades, há diversos dialetos espalhados em toda a Suíça, havendo por vezes mais de um dialeto por cantão. O romanche é falado por cerca de 50 mil pessoas, das quais 35 mil o utilizam como língua materna. A maior parte de seus falantes vive no leste do país, e o idioma se divide em três variações, cada qual com sua própria gramática, literatura e dicionários; tentativas de se padronizar o romanche não foram bem-sucedidas até o momento.
Religião
A Suíça não tem religião oficial, embora a maioria dos cantões (exceto Genebra e Neuchâtel) reconheça igrejas oficiais, que são a Igreja Católica Romana ou a Igreja Reformada Suíça. Essas igrejas, e em alguns cantões também a Velha Igreja Católica e as congregações judaicas, são financiadas por impostos oficiais dos adeptos. O cristianismo é a religião predominante na Suíça (cerca de 68% da população residente em 2016 e 75% dos cidadãos suíços), dividida entre a Igreja Católica Romana (37,2% da população), a Igreja Reformada Suíça (25,0%), outras igrejas protestantes (2,2%), a Ortodoxia Oriental (cerca de 2%) e outras denominações cristãs (1,3%). A imigração estabeleceu o Islã (5,1%) como uma religião minoritária considerável. 24% dos residentes permanentes suíços não são afiliados a nenhuma igreja (ateísmo, agnosticismo e outros).
A Suíça é um Estado Federal desde 1848. A nova Constituição de 1999 não influenciou nenhuma mudança notória no sistema político helvético. Garante a soberania de cada cantão e a separação entre poderes federais e cantonais. Defende a aplicação total dos Direitos Humanos, da dignidade humana e proíbe a pena de morte. A Suíça, apesar de ser um estado de pouca extensão, possui um sistema político bastante complexo, semelhante ao dos sistemas federais dos restantes países do mundo. A Constituição Federal da Suíça define o país como um Estado Federal composto por 26 cantões em que cada cantão tem a sua autonomia político-económica. A hierarquia política da Suíça é constituída da seguinte maneira: em primeiro lugar está o sistema federal; em segundo, o cantonal; em terceiro, o sistema comunal. O sistema federal (ou Governo Central) vela pelas relações políticas com o exterior, a economia nacional, as Forças Armadas, os estatutos sobre as medidas internacionais como o peso e a altura, os caminhos-de-ferro (conhecidos como "Chemins-de-Fer Fédéraux", CFF), entre outros. Já o poder cantonal tem a sua própria polícia, tem o seu sistema de saúde e educação e até tem estatuto oficial perante a religião. Por exemplo, no cantão de Valais a religião oficial é a Católica enquanto, no cantão de Vaud, a religião é o Protestantismo. O Governo da Suíça é constituído por um Conselho Federal, que representa o poder executivo, eleito indirectamente pelas duas assembleias reunidas: o Conselho Nacional e o Conselho dos Estados, que reunidas formam o Parlamento suíço, a Assembleia Federal (Die Bundesversammlung, L' Assemblée fédérale, Assemblea federale). As duas casas do parlamento discutem as leis formadas, mas separadamente. Quando não se entendem, as leis têm que ser alteradas.
Democracia direta
Para que toda a população possa participar na vida política, a Suíça tem um sistema único no Mundo de democracia direta. É muito frequente a realização de referendos, quer a nível federal, quer a nível cantonal. Além do mais, os resultados de um referendo federal não implicam a obediência de uma lei referendada por um cantão que tenha votado contra. Por exemplo se um cantão votar contra uma lei e em todos os outros cantões fora aceite, essa lei não entra no cantão que tenha votado efectivamente contra. Já em relação aos assuntos externos, é necessário haver a aprovação de todos os cantões como no caso da adesão da Suíça à União Europeia. Para a realização de um referendo nacional com o objectivo de alterar uma lei na Constituição Federal, é necessário que haja cem mil assinaturas a pedir salvo se for um referendo pedido pelo Governo Federal ou por cada um dos cantões.
Relações internacionais
As relações externas da Suíça são diversas e são da responsabilidade direta do Departamento Federal dos Assuntos Externos. São objectivos da Constituição e do Departamento, a paz entre as nações, o respeito pelos direitos humanos, a democracia e a Lei; promover a economia suíça no mundo, bem como a preservação dos recursos naturais. O país foi dos últimos a integrar totalmente as Nações Unidas, a 10 de setembro de 2002, após um referendo, realizado seis meses após outro, onde na altura a integração da Suíça na ONU fora rejeitada numa proporção de 3 votos contra 1 voto a favor. Em 1996, a Suíça integra a OTAN. Existem várias situações de conflitos diplomáticos entre a Suíça e o exterior. Ultimamente, a Suíça tem vindo a ter vários conflitos diplomáticos com a Líbia que começaram em julho de 2008 quando da detenção do filho do presidente líbio. Hannibal Kadhafi e a sua esposa eram acusados de maltratar uma empregada e foram detidos pelas autoridades suíças. A Líbia ameaçou várias vezes a Suíça de corte de fornecimento de petróleo se o país não libertasse Hanninal Kadhafi e pedisse desculpa pelo sucedido. Após várias resistências, as autoridades libertaram-no e o Presidente do Conselho pediu desculpas em público à frente do Presidente Kadhafi em Tripoli. A imprensa suíça viu isso como uma humilhação por parte da Confederação.
Forças Armadas
As forças armadas helvéticas têm estatuto de milícia, com formação militar obrigatória, além da sua formação académica. Em 2024, o orçamento para a defesa do país rondou os 6,25 bilhões de francos (5,5 bilhões de franco suíços), cerca de 0,68% do PIB suíço, no mesmo ano. Possui aproximadamente 147 mil militares em suas fileiras. Equipadas de material sofisticado e moderno, as forças armadas da Suíça têm como funções a defesa do território e da soberania helvética e a contribuição para a paz mundial através de missões ao estrangeiro, quer através da OTAN, quer através da ONU. Durante os tempos de paz, as forças armadas são comandadas pelo chefe da armada que depende do conselheiro federal da Defesa, Protecção da população e Desporto (DDPS) e do conselho federal por inteiro. Em tempos de guerra, a assembleia federal elege o general da armada perante os comandantes. Desde 1848, apenas quatro homens ocuparam esse lugar.
A Suíça, à semelhança de outros países federais, é constituída por 26 estados autónomos em que cada um deles tem autonomia própria. Segundo a constituição federal, estes estados são designados cantões e são independentes e soberanos. Os cantões (oficialmente designados como membros da Federação Helvética) podem criar as suas leis de modo a que essas leis não interfiram nos outros cantões. Tal como a nível nacional, cada cantão tem a sua constituição, as suas regras, os seus estatutos, etc. Todos os cantões têm o seu parlamento o que reforça as suas autonomias. Como cada cantão é diferente a nível – e não só – territorial, populacional e económico, é normal que as regras divirjam de um para outro. Num referendo realizado em 1919, o estado austríaco de Vorarlberg aprovou a sua junção à confederação helvética, com 80% de afirmações positivas. No entanto, o governo austríaco não acatou com os resultados. Os suíços italianos e francófonos, bem como os suíços librais rejeitaram também essa junção. Os cantões estão divididos em 2 636 municípios (ou comunas).
Cerca de dois terços do território suíço é coberto de florestas, montanhas e lagos. Dado que o país não possui recursos minerais, tem de importar, processar e colocar à venda as necessidades da população. Dos três sectores que compõem a actividade económica suíça, o terciário é o mais importante no qual se incluem a banca, as seguradoras e o turismo. No século XIX, vários cantões adotavam um sistema bancário livre, que permitia livre entrada, circulação e emissão de moeda privada e, que perdurou até a adoção de uma nova regulação bancária em 1881. A agricultura também é importante, porém, não satisfaz às necessidades totais da população, sendo obrigado a importar. Atualmente, é a 23ª economia do mundo, com um PIB estimado de 492,6 bilhões de dólares americanos para o ano de 2008 (pela taxa de câmbio oficial) ou 309,9 bilhões de dólares (pela paridade de poder de compra). O PIB per capita (estimado em 40 900 dólares americanos para 2008) é um dos maiores do mundo, enquanto a taxa de desemprego é uma das mais baixas. Dado que está rodeada de países-membro da União Europeia, a economia tem vindo gradualmente a adaptar-se às políticas do bloco económico, de modo a aumentar a sua competitividade internacional, apesar de haver ainda algum proteccionismo, sobretudo na agricultura.
Turismo
A Suíça é dividida em treze regiões turísticas. A principal atração da Suíça são as paisagens dos Alpes suíços. Até ao século XVIII, o país não era um destino, mas uma passagem obrigatória no centro da Europa. Na altura, as cidades que atraiam turistas eram apenas Basileia e Genebra devido às suas universidades, movimentos religiosos, as fontes de água e as curas que as termas proporcionavam. O início do turismo no país é provocado pelos trabalhos de escritores e pintores naturalistas do fim do século XVIII e do início do século XIX que suscitam interesse aos viajantes pelas descrições das paisagens e das montanhas. As regiões mais expostas foram as Oberland e sobretudo Zermatt, no cantão do Valais desde 1850.
Energia
Cerca de 40% da eletricidade é obtida através de centrais nucleares e de grandes barragens localizadas nos Alpes enquanto o restante é importado de outros países durante os períodos de alto consumo (Inverno e noite). No verão, a Suíça exporta energia para os seus vizinhos evitando desperdícios. Em 18 de maio de 2003, duas iniciativas antinucleares foram rejeitadas: Moratorium Plus, que objetivava a proibição de construção de novas usinas nucleares (41,6% apoiaram e 58,4% se opuseram), e Eletricidade Não Nuclear (33,7% apoiaram e 66,3% se opuseram). A primeira moratória de dez anos na construção de novas usinas / centrais nucleares foi o resultado de uma iniciativa popular votada em 1990, a qual foi aprovada com votos de 54,5% Sim contra 45,5% Não. Atualmente, uma nova usina / central nuclear no Cantão de Berna está planejada / planeada. A Secretaria Federal de Energia Suíça (SFES) é o órgão responsável por todas as questões relacionadas ao abastecimento e uso de energia dentro do Departamento Federal de Meio-ambiente, Transporte, Energia e Comunicações (DMTEC). A agência apoia a iniciativa da sociedade dos 2 000 watts para cortar o uso de energia da nação em mais da metade até 2050.
Transportes
A rede ferroviária suíça é a mais densa da Europa, tem 5 250 quilômetros e transporta mais de 596 milhões de passageiros anualmente (dados de 2015). Cada cidadão viaja de trem em média 2 550 quilômetros. Praticamente 100% da rede é eletrificada. A grande maioria (60%) da rede é operada pela SBB-CFF-FFS. Além da segunda maior companhia ferroviária de bitola padrão, a BLS AG, duas empresas ferroviárias que operam em redes de bitola estreita são a Ferrovia Rética (RhB) no cantão sudeste de Graubünden, que inclui algumas linhas consideradas Patrimônio Mundial, e a Linha Matterhorn-Gotthard (MGB), que coopera com a RhB no Glacier Express, entre Zermatt e St. Moritz/Davos. Em 31 de maio de 2016, o túnel ferroviário mais longo e profundo do mundo e a primeira rota plana através dos Alpes, o túnel de base de São Gotardo que, com 57,1 quilômetros de extensão, foi inaugurado como parte da Nova Ferrovia Transalpina (NRLA) após 17 anos de obras. A empresa iniciou suas atividades diárias de transporte de passageiros em 11 de dezembro de 2016, substituindo a antiga rota montanhosa e panorâmica sobre o Maciço de São Gotardo.
Educação
A educação tem vindo a ser uma fonte importante de recurso para o seu desenvolvimento económico. Por isso, o país clama em ter um dos melhores sistemas do mundo nessa área. No entanto, não existe um sistema educativo mas sim 26, o mesmo número de cantões, variando entre eles. Por exemplo, em alguns cantões o ensino da primeira língua estrangeira é iniciado no quarto ano enquanto em outros inicia-se no sétimo. O facto de cada cantão possuir o seu sistema educativo, transferir os estudantes de uma escola para outra fora do seu cantão de residência pode se tornar problemático, podendo resultar na rejeição de vários deles nas suas escolas de destino.
Ciência e tecnologia
A ciência e a tecnologia são fontes importantes para o desenvolvimento económico suíço. A Fundação Nacional para a Ciência é a organização do Governo que apoia através de fundos a investigação científica no país. A estrutura política e educacional permitem que a Ciência na Suíça esteja entre as mais avançadas do Mundo. O país tem a sua Agência Espacial e participa directamente com a Agência Espacial Europeia, sendo um dos dez fundadores. O astrónomo suíço Michael Mayor descobriu 51 Pegasi b, o primeiro exoplaneta a girar a volta de uma estrela como o Sol do Sistema Solar. Nas áreas da Matemática Leonhard Euler é considerado como o mais proeminente do século XVIII. Fez descobertas importantes nas áreas das funções matemáticas. Na Física, o naturalizado Albert Einstein (em 1901) foi um dos maiores génios científicos de todos os tempos através das suas teorias da relatividade e da sua equação E=mc². A cidade de Genebra acolhe o maior laboratório do mundo, o CERN, que se dedica à investigação na área da Física.
Saúde
O sistema de saúde na Suíça baseia-se através de um sistema de seguros no qual todos os cidadãos são obrigados por lei a adquirir um, previsto pelo Acto Federal da Saúde. Enquanto o seguro é subsidiado pelo governo, sobretudo para os mais pobres, os suíços pagam uma larga percentagem dos prémios do seu seguro de saúde. O governo paga 25% dos prémios enquanto os cidadãos pagam o resto. No entanto, o Estado é muito severo no que aplica a cobertura dos seguros sendo proibida a rejeição de uma cobertura a nenhum cidadão; exige que todos os preços dos mesmos sejam publicados. Em 2005, a esperança média de vida era de 79 anos para os homens e 84 para as mulheres, colocando o país em terceira posição no grupo dos países europeus em termos de esperança de vida. A qualidade de vida reflecte-se na esperança de vida em boa saúde de 71 anos para os homens e 74 para as mulheres. A taxa de natalidade, estimado para o ano de 2008, está registada nos 9,62 nascimentos por cada 1 000 habitantes, enquanto a taxa de mortalidade fica-se pelos 8,54 falecimentos por 1 000 habitantes.
Três das principais línguas da Europa são oficiais na Suíça. A cultura suíça é caracterizada pela diversidade, que se reflete em uma ampla gama de costumes tradicionais. Uma região pode, de certa forma, estar fortemente ligada culturalmente ao país vizinho que compartilha sua língua, estando o próprio país enraizado na cultura da Europa Ocidental. A cultura romanche isolada linguisticamente em Graubünden, no leste da Suíça, constitui uma exceção, sobrevive apenas nos vales superiores do Reno e na Pousada e se esforça para manter sua rara tradição linguística. A Suíça é o lar de muitos nomes notáveis em literatura, arte, arquitetura, música e ciências. Além disso, o país atraiu várias pessoas criativas durante períodos de agitação ou guerra na Europa. Cerca de 1 000 museus são distribuídos pelo país; o número mais que triplicou desde 1950. Entre as apresentações culturais mais importantes realizadas anualmente, estão o Festival Paléo, Festival de Lucerna, o Festival de Jazz de Montreux, o Festival Internacional de Cinema de Locarno e a Art Basel.
Literatura
Como a Confederação, desde sua fundação em 1291, era quase exclusivamente composta por regiões de língua alemã, as primeiras formas de literatura são em alemão. No século XVIII, o francês tornou-se a língua da moda em Berna e em outros lugares, enquanto a influência dos aliados de língua francesa e áreas sujeitas era mais acentuada do que antes. Entre os autores clássicos da literatura alemã suíça estão Jeremias Gotthelf (1797-1854) e Gottfried Keller (1819-1890). Os gigantes indiscutíveis da literatura suíça do século XX são Max Frisch (1911–91) e Friedrich Dürrenmatt (1921–90), cujo repertório inclui Die Physiker e Das Versprechen, lançado em 2001 como filme de Hollywood.
Mídia
A liberdade de imprensa e o direito à liberdade de expressão são garantidos na constituição federal da Suíça. A Agência de Notícias Suíça (SNA) transmite informações 24 horas por dia em três dos quatro idiomas nacional. A SNA fornece informação para quase todas as mídias suíças e algumas dezenas de serviços de mídia estrangeira. Historicamente, a Suíça possui o maior número de títulos de jornais publicados na proporção de sua população e tamanho. Os jornais mais influentes são o Tages-Anzeiger e o Neue Zürcher Zeitung, em alemão, e o Le Temps, em francês, mas quase todas as cidades têm pelo menos um jornal local. A diversidade cultural é responsável por um grande número de jornais.
Esportes
Esqui, snowboard e montanhismo estão entre os esportes mais populares na Suíça, sendo a natureza do país particularmente adequada para essas atividades. Os esportes de inverno são praticados pelos nativos e turistas desde a segunda metade do século XIX, com a invenção do bobsleigh em St. Moritz. Os primeiros campeonatos mundiais de esqui foram realizados em Mürren (1931) e St. Moritz (1934). A última cidade sediou os segundos Jogos Olímpicos de Inverno em 1928 e a quinta edição em 1948. Entre os esquiadores e campeões mundiais mais bem-sucedidos estão Pirmin Zurbriggen e Didier Cuche. Os esportes mais assistidos com destaque na Suíça são futebol, hóquei no gelo, esqui alpino, schwingen e tênis.
Culinária
A culinária da Suíça é multifacetada. Embora alguns pratos como fondue, raclette ou rösti sejam onipresentes em todo o país, cada região desenvolveu sua própria gastronomia de acordo com as diferenças de clima e idiomas. A cozinha tradicional suíça utiliza ingredientes semelhantes aos de outros países europeus, além de laticínios e queijos exclusivos, como Gruyère ou Emmentaler, produzidos nos vales de Gruyères e Emmental. O número de estabelecimentos gastronômicos é alto, principalmente no oeste da Suíça. O chocolate é fabricado na Suíça desde o século XVIII, mas ganhou reputação no final do século XIX com a invenção de técnicas modernas, como a conchagem e a temperagem, que permitiram sua produção em um nível de alta qualidade. Também um avanço foi a invenção do chocolate de leite sólido, em 1875, por Daniel Peter. Os suíços são os maiores consumidores mundiais de chocolate.


