Macabro (arte)
Em obras de arte, o adjetivo macabro significa "ter a qualidade de possuir uma atmosfera sombria ou assustadora". O macabro enfatiza os detalhes e símbolos da morte, sendo frequentemente associado a representações artísticas de caráter grotesco ou horripilante.
Os primeiros vestígios do macabro podem ser encontrados em escritores da literatura grega antiga e da literatura latina, como o romano Petrônio, autor do Satíricon (final do século I d.C.), e o númida Apuleio, autor de O Asno de Ouro (final do século II d.C.). Na literatura inglesa, destacam-se temas macabros em autores como John Webster, Robert Louis Stevenson, Mervyn Peake, Charles Dickens, Roald Dahl, Thomas Hardy e Cyril Tourneur. Já na literatura americana, o macabro é marcante em escritores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Stephen King. O termo ganhou força a partir do francês la danse macabre, usado para designar a representação alegórica do poder universal da morte, conhecido em alemão como Totentanz e em inglês como Dance of Death. A forma típica dessa alegoria é uma série de imagens em que a personificação da morte aparece — seja como esqueleto dançante ou cadáver envolto em mortalha — conduzindo pessoas de todas as idades e condições sociais em uma dança rumo ao túmulo.
A etimologia da palavra "macabro" é incerta. Segundo Gaston Paris, estudioso francês de estudos românicos, ela aparece pela primeira vez na forma "macabree" em um poema, Respit de la mort (1376), escrito pelo cronista borgonhês medieval Jean Le Fèvre de Saint-Remy: Je fis de Macabree la dance, Qui toute gent maine a sa trace Et a la fosse les adresse. A explicação mais comum baseia-se no nome latino, Machabaeorum chorea ("Dança dos Macabeus"). Os sete irmãos martirizados, junto com sua mãe e Eleazar (II Macabeus 6 e 7), são figuras proeminentes nos diálogos dramáticos. Outras conexões foram sugeridas, como por exemplo com Macário do Egito, monge e eremita copta egípcio, que teria sido identificado com a figura que aponta para os cadáveres em decomposição no afresco Trionfo della Morte ("Triunfo da Morte"), pintado pelo artista renascentista italiano Buonamico Buffalmacco, segundo o historiador de arte Giorgio Vasari; ou ainda com a palavra em língua árabe maqābir (مقابر, plural de maqbara), que significa "cemitérios". Também já foi sugerido que a origem da palavra estaria no hebraico mqbr significando "do túmulo".


