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Pombo-azul-de-maurício

Pombo-azul-de-maurício ou pombo-azul-da-maurícia é uma espécie extinta de pombo que era endêmica de Maurício, uma ilha no Oceano Índico a leste de Madagascar. Descoberta por navegadores holandeses por volta de 1601, a ave era abundante e amplamente distribuída pela ilha. A espécie conviveu com os seres humanos por cerca de 200 anos até ter sido completamente exterminada. As principais causas da extinção foram a perda de habitat devido ao desmatamento, a caça pela sua carne, e a predação por animais introduzidos, principalmente macacos. O último indivíduo morreu na década de 1830. Restam em museus apenas três exemplares taxidermizados.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/11/2026
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Taxonomia

O primeiro registro do pombo-azul-de-maurício, também conhecido como pombo-azul-das-maurícias ou pombo-azul-da-maurícia, são dois esboços no diário de bordo do navio holandês Gelderland (1601–1603). As aves parecem ter sido desenhadas quando estavam atordoadas ou logo após serem abatidas. As ilustrações foram feitas em Maurício e são de autoria do artista holandês Joris Joostensz Laerle, mas só foram publicadas em 1969. François Cauche, em 1651, citou brevemente "pombas brancas, pretas e vermelhas" encontradas em 1638. Acredita-se que este seja o primeiro relato inequívoco da espécie. A menção seguinte, de Jean-François Charpentier de Cossigny, viria a ser feita cerca de 100 anos depois, em meados do século XVIII. Foi o naturalista francês Pierre Sonnerat quem, em 1782, despertou a atenção dos ornitólogos para a espécie, batizando-a de Pigeon Hollandais ("pombo-holandês" em tradução literal), um nome popular em língua francesa que faz referência às cores branca, azul escuro e vermelha da plumagem, as mesmas da bandeira holandesa. Ele coletou dois exemplares durante uma viagem em 1774. Estes espécimes síntipos foram guardados no Museu de História Natural de Paris. Em 1893, apenas um deles, o espécime MNHN n°C.G. 2000-727, ainda existia, embora houvesse sido danificado pelo ácido sulfúrico numa tentativa de fumigação. Uma vez que Sonnerat descreveu e nomeou a espécie em francês, o crédito para o nome científico da ave ficou com Giovanni Antonio Scopoli, que sequer viu o espécime, mas latinizou a descrição de Sonnerat. Ele batizou o animal de Columba nitidissima, que significa "o pombo mais brilhante". Quando Johann Friedrich Gmelin descreveu a ave com o epíteto específico franciae ("da França") em 1789, ele quis homenagear a hoje famosa bandeira francesa tricolor, hasteada pela primeira vez naquele ano. Pierre Joseph Bonnaterre usou o nome batavica ("o holandês") em sua descrição em 1790.

Evolução

Os pombos azuis do gênero Alectroenas estão intimamente relacionados entre si e ocorrem amplamente em todas as ilhas no Oceano Índico ocidental. Eles são alopátricos e podem, portanto, ser considerados como uma superespécie. Existem três espécies vivas: o pombo-azul-de-madagascar (Alectroenas madagascariensis), o pombo azul-de-comoro (A. sganzini), e o pombo-azul-de-seychelles (A. pulcherrima). Cada uma das três ilhas Mascarenhas (Maurício, Rodrigues e Reunião) foi o lar de uma espécie, todas já extintas: o pombo-azul-de-maurício, o pombo-azul-de-rodrigues (Alectroenas payandeei) e o pombo-azul-de-reunião (Alectroenas sp). Em comparação com outros pombos, os pombos azuis são de médio a grande porte, corpulentos e com asas e caudas mais longas. Todas as espécies têm penas móveis distintas na cabeça e no pescoço. O tibiotarso é relativamente longo e o tarsometatarso é curto. Os pombos azuis podem ter colonizado as Mascarenhas, as Seychelles ou uma ilha de ponto quente já submersa, dispersando-se ilha a ilha. Eles podem também ter evoluído para um gênero distinto antes de chegarem a Madagascar. Geneticamente, seu "primo" mais próximo é a pomba Drepanoptila holosericea, endêmica da Nova Caledônia, da qual se separaram 8 a 9 milhões de anos atrás. Seu grupo ancestral parece ser as pombas-das-frutas (gênero Ptilinopus), que habitam o Sudeste Asiático e Oceania.

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Descrição

As penas da cabeça, pescoço e peito eram de cor branca prateada, longas, retesadas e pontudas, especialmente em volta do pescoço. Ao redor dos olhos havia uma área vermelho-brilhante e sem penas que se estendia em direção às bochechas e ao bico, que era esverdeado com a ponta escura. A plumagem do corpo era azul índigo, e as penas do dorso, escápulas e asas tinham um tom azul metálico. A base das retrizes externas era parcialmente azul-escura e as penas da cauda castanho-avermelhadas. As pernas tinham uma tonalidade cinza-ardósia escura. A íris era laranjo-avermelhada e possuía um anel amarelo interior. A ave tinha 30 cm de comprimento, as asas mediam 20,8 cm, a cauda 13,2 cm, o cúlmen (comprimento dorsal do bico, da base até a ponta) 2,5 cm, e os tarsos atingiam 2,8 cm. Foi o maior e mais robusto membro do seu gênero, e as penas móveis da cabeça e do pescoço eram mais longas e cobriam uma área maior do que em outros pombos azuis.

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Comportamento e ecologia

Poucas descrições do comportamento do pombo-azul-de-maurício são conhecidas; anotações não publicadas por Desjardins foram perdidas. Um indivíduo foi levado aos Países Baixos por volta de 1790, onde sobreviveu na menagerie de Guilherme V, Príncipe de Orange, por três meses antes de morrer de edema. Os dois únicos desenhos da espécie utilizando modelos vivos (feitos por G. Haasbroek) retratam este exemplar. As ilustrações mostram um macho em pose de exibição, levantando as penas do pescoço como um colar. Este é um comportamento característico de outros pombos azuis, e inclusive eles são capazes de vibrar suas penugens. A descrição a seguir sobre o comportamento de exibição e vocalização deste indivíduo é de autoria de Arnout Vosmaer, diretor da menagerie, e foi escrito no verso do desenho colorido: Estes [pombos são] azul-marinho com as penas da cabeça cor de chumbo, as quais podem virá-las para cima como se fosse um colar, foram enviados para mim a partir do Cabo, mas são originários da ilha Maurício. Foram apresentados à corte pelo barão I. N. E. van Lynden em 1790, e chamados Pavillons Hollandais. Só recebi um vivo, mas ele morreu de edema alguns meses depois. Das 11 às 12 horas da noite, e muitas vezes durante a madrugada, ele emitia sons agradáveis 10 a 12 vezes rapidamente após outro do tipo Baf Baf [pronunciado Barf Barf], e durante o dia fazia um semelhante a um arrulho.[nota 1]

Dieta

Frutas e nozes foram, provavelmente, eram a base da dieta do pombo-azul-de-maurício. Como os outros pombos do gênero, a espécie pode ter vivido no dossel florestal e migrado sazonalmente para locais onde havia alimento disponível. Jean-François Cossigny dissecou um exemplar em meados da década de 1700 e mais tarde o enviou, junto com o conteúdo do estômago, para o naturalista René-Antoine Ferchault de Réaumur com uma carta anexa descrevendo suas descobertas. A moela e o papo continham quatro "nozes"; Cossigny afirmou que as sementes eram de Calophyllum tacamahaca ou de Labourdonnaisia calophylloides. Os pombos-azuis de Comores e Seicheles também se alimentam de C. tacamahaca e a forte moela do primeiro o ajuda na digestão das sementes. Em 1812, Jacques Milbert Gérard forneceu a única descrição do comportamento da ave na natureza:

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Extinção

O pombo-azul-de-maurício coexistiu com os humanos por 200 anos. Seu declínio pode ser correlacionado com o desmatamento, que também é a principal ameaça para as espécies de pombos azuis ainda existentes. Pouca área de floresta na ilha ainda não havia sido desmatada em 1859. Aves frugívoras geralmente precisam de uma grande área para forrageamento e para deslocar-se entre a vegetação a fim de se alimentar com diferentes tipos de alimentos, que ocorrem de forma irregular no espaço e no tempo. Os pombos azuis empoleiram-se em galhos nus, tornando-os vulneráveis ​​aos caçadores. Cossigny observou que a ave tinha se tornado rara em 1755, mas que era comum 23 anos antes e atribuiu a queda na população ao desmatamento e à caça por escravos fugidos. Por outro lado, Pierre Joseph Bonnaterre afirmou que os pombos ainda eram comuns em 1790. O pombo-azul-de-maurício não era sazonalmente venenoso como o Columba mayeri, que ainda sobrevive em Maurício até hoje e tinha esta reputação. Apesar disso foi caçado para servir de alimento e alguns relatos antigos elogiaram o sabor de sua carne. Os pombos azuis atuais também são considerados bons para comer e por isso são alvos de caça e parece que outra população deles foi caçada até a extinção nos atóis Farquhar e Providence. O pombo-azul-de-maurício era fácil de ser capturado devido ao destemor insular, característica exibida por espécies que evoluíram em locais sem a presença de seres humanos.

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Fontes consultadas

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