Alcídamas
Alcídamas de Eleia (século V a.C. — c. 375 a.C.) foi um proeminente sofista e retórico grego antigo. Atuou em Atenas como contemporâneo e rival de Isócrates, além de ser aluno e sucessor do renomado sofista Górgias.
Pontos-chave
- Alcídamas foi um sofista e retórico grego do século V a.C., aluno e sucessor de Górgias.
- Ele defendeu o discurso espontâneo e improvisado, criticando a escrita excessiva de discursos e a negligência da 'pesquisa dos fenômenos naturais'.
- Alcídamas argumentou pela igualdade de todos os homens, posicionando-se a favor da natureza (phýsis) e contra a lei (nómos) em alguns contextos.
- Dois discursos sobreviveram em seu nome, 'Sobre os Sofistas' (considerado genuíno) e 'Odisseu contra Palamedes' (possivelmente espúrio).
- Aristóteles criticou o estilo de Alcídamas, descrevendo-o como pomposo, 'frio' e com metáforas poéticas excessivas.
Poucas informações detalhadas sobre a vida de Alcídamas são conhecidas. Originário de Eleia, na Ásia Menor, era filho de Diocles. A Suda, uma enciclopédia bizantina, indica que Alcídamas assumiu a liderança da escola de Górgias, e presume-se que Ésquines tenha sido um de seus alunos.
A produção literária de Alcídamas inclui discursos que sobreviveram e obras que, infelizmente, foram perdidas ao longo do tempo, mas cujos fragmentos revelam suas ideias e posicionamentos.
Discursos Sobreviventes
Dois discursos são atribuídos a Alcídamas. 'Sobre as pessoas que escrevem discursos ou Sobre os sofistas' (Perì tṓn toùs gramtoùs lógous graphóntōn ḕ Perì sophistṓn) é geralmente considerado autêntico. Nele, Alcídamas critica um grupo de indivíduos que se autodenominavam sofistas, incluindo Isócrates, não apenas pela falta de arte em seus discursos, mas também pela negligência em relação à 'pesquisa dos fenômenos naturais' (istoría), à cultura e à filosofia. Ele defende que o orador deve preparar a estrutura e os argumentos principais, mas adaptar-se à plateia no momento da fala, valorizando o discurso espontâneo e improvisado. A escolha das palavras e da expressão, seguindo o método de Górgias, deveria ocorrer durante o ato de fala. O outro discurso, 'Odisseu contra Palamedes' (Odysseùs katà Palamḗdous), no qual Odisseu acusa Palamedes de traição durante o cerco de Troia, tem sua autenticidade contestada e pode ser espúrio.
Obras Perdidas
Apenas fragmentos de outros escritos de Alcídamas sobreviveram. O 'Logos messeniano' (Messēniakòs lógos) era um discurso em defesa da liberdade dos messênios, direcionado aos hilotas espartanos. Este discurso continha a ideia de que Deus libertou todos os homens e que a natureza não fez de ninguém um escravo, defendendo assim a tese da igualdade humana, já proposta pelo sofista Licofrão. O fragmento também sugere que, no debate de sua época, Alcídamas se posicionava contra a lei (nómos) e a favor da natureza (phýsis). Outras obras perdidas incluem as 'Enkomien' (Egkṓmia), uma coleção de elogios que abrangia um panegírico sobre a morte, considerando a vasta extensão do sofrimento humano. Também foram perdidos um livro didático de retórica (Téchnē) e o 'Museion' (Mouseíon), que pode ser traduzido como 'Jardim das Musas' e provavelmente narrava uma disputa entre Homero e Hesíodo (hipótese levantada por Nietzsche). Por fim, um 'Logos sobre coisas da natureza' (Physikòs lógos), possivelmente escrito em forma de diálogo, também se perdeu.
A obra de Alcídamas não passou despercebida pelos seus contemporâneos e pensadores posteriores. Aristóteles, em particular, ofereceu uma crítica notável ao seu estilo.


