Alcatrazes
Alcatrazes é um arquipélago brasileiro, localizado aproximadamente 35 km ao sul de São Sebastião, no litoral norte do Estado de São Paulo, a uma hora de barco, aproximadamente. Em 2023, ganhou o prêmio internacional Blue Park nível ouro pela "excepcional conservação da vida marinha" durante o 5º Congresso Internacional de Áreas Marinhas Protegidas.
O nome do arquipélago vem do pássaro que corresponde à segunda maior população de aves no local, com cerca de 3 mil indivíduos: o atobá-pardo, que também é conhecido como "alcatraz", termo que em árabe (الغطاس) significa "o mergulhador" - devido à sua habilidade para mergulhar no mar e capturar peixes ou lulas.
Geologia
A geomorfologia de Alcatrazes é caracterizada por sendimentos arenosos com menos silte e argila. O arquipélago consiste em um biotita granito porfirítico. Acredita-se que as ilhas apresentam o formato dos dias de hoje há pelo menos 2,5 milhões de anos. Contudo, durante o último período glacial (entre 85 mil e 15 mil anos atrás), o mar estava recuado de tal forma que o arquipélago era, na verdade, uma montanha ainda conectada ao continente. Alcatrazes é formado por cinco ilhas maiores, sendo a principal denominada Ilha de Alcatrazes (2,5km de extensão e 170 hectares de área) e as demais conhecidas como da Sapata, do Paredão, do Porto (ou do Farol) e do Sul. Há também quatro ilhas menores (ilhotas não nominadas); cinco lajes (Dupla, Singela, do Paredão, do Farol e Negra); e dois parcéis (Nordeste e Sudeste). Sua profundidade pode chegar aos 50 m. Sua cobertura oceânica total é de 67 mil hectares.
Biodiversidade
Possui rica fauna e flora; em dezembro de 2019, 1,3 mil espécies haviam sido registradas no local, sendo 93 consideradas ameaçadas de extinção e 20 possuindo status de espécies endêmicas, incluindo a jararaca-de-alcatrazes, a perereca-de-alcatrazes e a rã Cycloramphus faustoi. Dentre as plantas endêmicas, há o Anthurium alcatrazensis, a Begonia venosa e a Sinningia insularis (endêmica também do Morro do Recife, em São Sebastião), além da Begonia larorum, coletada somente uma vez e nunca mais encontrada no local, sendo considerada extinta. Acredita-se que haja outras espécies endêmicas no local que ainda não foram catalogadas, incluindo uma espécie de cobra-coral cujos dois únicos exemplares conhecidos foram destruídos durante o incêndio de 2010 no Instituto Butantan.
Clima
Sob influência do Anticiclone do Atlântico Sul, o arquipélago passa por verões quentes e úmidos e invernos mais secos e amenos.
Oceanografia
As águas em torno do arquipélago apresentam composição química que favorece o ecossistema local na zona eufótica.
Há 2,5 milhões de anos, Alcatrazes era uma montanha coberta de Mata Atlântica no meio de uma floresta, e não uma ilha. Segundo o geólogo Paulo César Giannini, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, durante aproximadamente 65 mil anos foi possível caminhar em terra firme de onde hoje é São Sebastião até Alcatrazes. Por conta disso, vestígios arqueológicos mostram que Alcatrazes era visitada por povos pré-colombianos. Seus primeiros frequentadores conhecidos, os índios tupinambás, batizaram o local de "Uraritã" (terra de aves, numa tradução livre, segundo o idioma da tribo). Há cinco sítios arqueológicos na ilha, contemplando desde vestígios pré-coloniais até ruínas do início do século XX, que restaram de edificações de apoio a faroleiros do local. Estas tentativas de ocupação da ilha produziram os primeiros impactos significativos na flora local, que lentamente se recupera nos espaços outrora roçados para construção de casas e plantio de subsistência.
Exercícios da Marinha
Até os anos 1980, a Marinha do Brasil tinha de se deslocar até Porto Rico para realizar treinamentos de tiro com seus navios. Os custos elevados das viagens motivaram os militares a buscarem um local propício para a prática no próprio litoral brasileiro. O levantamento apontou três lugares potenciais: Alcatrazes, Fernando de Noronha e Abrolhos. Alcatrazes acabou escolhido por ser desabitado e por combinar o menor impacto ambiental resultante dos disparos com a menor distância para o Rio de Janeiro, onde a esquadra fica sediada. A prática, contudo, acarretava danos ambientais consideráveis, tornando-se objeto de várias demandas judiciais, inclusive de ações civis públicas que visavam impedi-la, embora pesquisadores admitam que a presença dos militares também ajudava na preservação do local, pois evitava a aproximação de pescadores.
Status e preservação
Com a adoção do local pela Marinha nos anos 1980, a visitação à ilha passou a ser fechada pela entidade. O mergulho, mesmo recreativo, também era proibido até 2016. Somente era autorizada a atividade de mergulho em casos especiais, como para pesquisa. As infrações podiam ser penalizadas com multas aplicadas tanto pela Marinha do Brasil, que variam de R$ 40,00 (quarenta reais) a R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais), como pelo ICMBio, que podem variar de R$ 700,00 (setecentos reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). Desde 1987, uma pequena parte da ilha era, em teoria, protegida pelo governo federal na forma da Estação Ecológica Tupinambás (que abarcava também parte do Parque Estadual da Ilha Anchieta), embora não houvesse pessoal nem estrutura no local para garantir sua preservação de fato e o ponto em questão não fosse atingido pelos disparos militares.


