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Alberto Fujimori

Alberto Kenya Fujimori foi um político de origem nipo-peruana que serviu como Presidente do Peru de 28 de julho de 1990 a 22 de novembro de 2000. Descrito como um ditador, permanece como uma figura controversa na política peruana. Seu governo é creditado com a criação da ideologia conhecida como "Fujimorismo", a derrota da insurgência do grupo Sendero Luminoso e a restauração da estabilidade macroeconômica do Peru, embora sua presidência tenha se encerrado quando fugiu após ter sido descoberto um enorme escândalo de corrupção, no mesmo período que denúncias de abusos de direitos humanos emergiram. Mesmo no meio de um processo judicial, em 2008, por crimes contra a humanidade perpetrados durante seu regime, a maioria dos peruanos aprovava o trabalho que Fujimori tinha feito na presidência.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Início de vida e início de carreira

Imagem: Christian Lambiotte / European Communities, 1991 / EC - Audiovisual Service · BY · Openverse

De acordo com registros do governo, Fujimori nasceu em 28 de julho de 1938, em Miraflores, distrito de Lima. Seus pais, Naoichi Fujimori e Mutsue Inomoto, eram naturais de Kumamoto, Japão, que migraram para o Peru em 1934. Em julho de 1997, a revista de notícias Caretas alegou que Fujimori havia realmente nascido no Japão, na cidade natal de seu pai, Kawachi, província de Kumamoto. Como a Constituição do Peru exige que o presidente tenha nascido no Peru, isso teria tornado Fujimori inelegível para ser presidente. A revista, que havia sido processada por difamação por Vladimiro Montesinos sete anos antes, informou que os certificados de nascimento e batismo de Fujimori poderiam ter sido alterados. Caretas também alegou que a mãe de Fujimori declarou ter dois filhos quando ela entrou no Peru; Fujimori é o segundo de quatro filhos. As disputas de Caretas foram muito contestadas na mídia peruana; a revista Sí, por exemplo, descreveu as alegações como "patéticas" e "uma página escura para o jornalismo [peruano]". Os estudiosos latino-americanos Cynthia McClintock e Fabián Vallas observam que a questão parecia ter morrido entre os peruanos depois que o governo japonês anunciou em 2000 que "os pais de Fujimori haviam registrado seu nascimento no consulado japonês em Lima". O governo japonês determinou que ele também era um cidadão japonês por causa do registro de seus pais.

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Presidência

Imagem: Christian Lambiotte / European Communities, 1991 / EC - Audiovisual Service · BY · Openverse

Primeiro mandato

Fujimori venceu a eleição presidencial de 1990 como um candidato desconhecido sob a bandeira de Cambio 90 ("cambio" significa "mudança") derrotando o escritor de renome mundial Mario Vargas Llosa em uma surpreendente virada. Ele capitalizou um profundo desencanto com o ex-presidente Alan García e o partido da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA). Ele explorou a desconfiança popular da identificação de Vargas Llosa com o estabelecimento político peruano existente, e a incerteza sobre seus planos para reformas económicas neoliberais. Durante a campanha, Fujimori foi apelidado de El Chino, que se traduz aproximadamente para "chinês"; é comum que pessoas de qualquer descendência da Ásia Oriental sejam chamadas de Chino no Peru, como em outros lugares da América Latina espanhola, tanto de forma depreciativa quanto carinhosa. Embora ele seja de origem japonesa, Fujimori sugeriu que ele estava sempre feliz com o termo, que percebeu como um termo de afeto. Com sua vitória eleitoral, tornou-se apenas a quarta pessoa de ascendência da Ásia Oriental a se tornar líder de uma nação latino-americana, depois de Fulgencio Batista (descendência variada) de Cuba, de Arthur Chung da Guiana e Henk Chin A Sen do Suriname,e o terceiro da América do Sul, depois desses 2 últimos.

Segundo mandato

A Constituição de 1993 permitiu que Fujimori concorresse a um segundo mandato, e em abril de 1995, no auge de sua popularidade, Fujimori facilmente ganhou a reeleição com quase dois terços dos votos. Seu principal adversário, o ex-secretário-geral da ONU Javier Pérez de Cuéllar, conquistou apenas 21% dos votos. Os partidários de Fujimori conquistaram uma maioria confortável no congresso recém-unicameral. Um dos primeiros atos do novo congresso foi declarar anistia para todos os membros do exército ou policial peruano acusados ou condenados por abusos de direitos humanos entre 1980 e 1995. Durante seu segundo mandato, Fujimori, juntamente com o presidente equatoriano Sixto Durán Ballén, assinaram um acordo de paz com o Equador sobre uma disputa fronteiriça que se arrastava há mais de meio século. O tratado permitiu que os dois países obtenham fundos internacionais para o desenvolvimento da região fronteiriça. Fujimori também resolveu algumas questões com o Chile, vizinho do sul do Peru, que não havia sido resolvido desde o Tratado de Lima de 1929.

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Após a presidência

Imagem: Pedro Rivas Ugaz · BY · Openverse

Em julho de 2009, Fujimori foi condenado a sete anos e meio de prisão por apropriação indébita depois que ele admitiu ter dado US$ 15 milhões do tesouro peruano para o seu chefe do serviço de inteligência, Vladimiro Montesinos. Dois meses mais tarde, ele se declarou culpado em um quarto julgamento de suborno e recebeu uma pena adicional de seis anos. A organização Transparência Internacional considerou o dinheiro desviado por Fujimori como a sétima maior quantidade ilegalmente apropriada por um chefe de governo ativo entre 1984-2004. De acordo com a lei peruana, todas as sentenças deveriam ser executadas simultaneamente; assim, a duração máxima da prisão permaneceu 25 anos. Em dezembro de 2017, o Presidente Pedro Pablo Kuczynski emitiu um perdão, citando razões humanitárias, a Fujimori (que na época tinha 79 anos). O perdão foi derrubado pela Suprema Corte do país em 3 de outubro de 2018 e foi ordenado que Fujimori voltasse para a cadeia. Em 23 de janeiro de 2019, Fujimori retornou para a prisão para cumprir o resto de sua pena, com seu perdão sendo formalmente anulado três semanas depois, em 13 de fevereiro de 2019.

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Escândalos e renúncia

Imagem: bbcworldservice · BY-NC · Openverse

Durante os últimos meses do ano de 2000, Fujimori foi encurralado por uma série de escândalos em seu governo. Perante estes fatos, saiu do Peru na qualidade de presidente para assistir à convenção da APEC, em Brunei, de onde depois viajou para o Japão, onde renunciou à presidência e pediu asilo político. No dia 12 de dezembro de 2007 foi condenado a seis anos de prisão pela revista ilegal da casa da mulher de seu ex-assessor Vladimiro Montesinos. A sentença, ditada pelo juiz Pedro Urbina, também obrigou o ex-governante a pagar 400 mil novos sóis (133 000 dólares) como reparação civil ao Estado. Além disso, o condenado ficou impedido de exercer cargos públicos por dois anos. Mesmo quando preso, a figura de Fujimori permaneceu na política através de seus filhos Kenji, eleito deputado em 2016, e Keiko, que foi candidata à Presidência da República em 2011, 2016, e 2021. Foi solto no final de 2017, devido ao seu estado de saúde. Em 2019, o indulto foi anulado, porém, em dezembro de 2023, o Tribunal Constitucional do Peru ordenou sua libertação tendo em vista a idade avançada e os problemas de saúde de Fujimori.

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