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Albert Speer

Berthold Konrad Hermann Albert Speer foi o arquiteto-chefe e ministro do Armamento da Alemanha Nazista. Conhecido como "o bom nazista" — um retrato que posteriormente se revelou falso — ele assumiu todas as responsabilidades por atos que teria cometido durante o regime nazi nos Julgamentos de Nuremberga.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/07/2026
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Anos iniciais

Speer nasceu em Mannheim, na Alemanha, em uma família de classe média. Era o segundo dos três filhos de Albert e Luise Speer. Temendo uma derrota na Primeira Guerra Mundial, em 1918 a família se mudou para Heidelberg. Em sua adolescência, Speer sofreu de problemas neuro-vasculares, o que o fazia se sentir em posição de inferioridade em relação a seus irmãos. Aos 16 anos, Speer queria ser matemático, mas seu pai foi contra a ideia, dizendo que esta carreira o levaria a uma vida sem dinheiro, sem posição e sem futuro. Speer decidiu então seguir os passos de seu pai e de seu avô, estudando arquitetura. Speer começou seus estudos no Universidade de Karlsruhe ao invés de uma instituição com maior reconhecimento, por causa da hiperinflação de 1923, que limitou a renda de seus pais, obrigando a família a vender imóveis e joias para garantir os estudos de Albert e manter seu padrão de vida. Em 1924, quando a crise se apaziguou, ele se transferiu para a aclamada Universidade Técnica de Munique. Em 1925, mudou novamente de universidade, indo para a Universidade de Berlim, onde estudou sob a supervisão de Heinrich Tessenow, professor por quem Speer tinha grande admiração. Após passar nas provas de 1927, Speer se tornou assistente de Tessenow, posição que Speer considerou de grande privilégio. Em Berlim, Speer conheceu Rudolf Wolters, que também havia estudado na classe de Tessenow. Com Wolters, Speer desenvolveu uma amizade que durou por mais de 50 anos.

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Era nazista

Entrada no Partido (1930–1934)

Speer afirmava ser apolítico em sua juventude, até participar de um desfile nazi, seguido de um discurso de Hitler em dezembro de 1930 em Berlim. Ele ficou surpreso ao encontrar Hitler em um traje azul ao invés do tradicional uniforme marrom que era visto em pôsteres de propaganda nazista. Também chamaram a atenção de Speer as propostas de Hitler para a Alemanha e a maneira com que elas eram passadas ao povo. Algumas semanas depois, Speer participou de outro desfile, desta vez liderado por Joseph Goebbels. Speer ficou perturbado com a facilidade que Goebbels tinha para levar a plateia ao estado de frenesi. Apesar disso, Speer decidiu entrar para o Partido Nazista em 1 de março de 1931, tornando-se o membro 474 481.

Primeiro arquiteto do Terceiro Reich (1934–1939)

Quando Troost morreu em 21 de janeiro de 1934, Speer foi efetivado oficialmente como chefe de arquitetura do Partido Nazi. Hitler apontou Speer para trabalhar na equipe de Hess. Um dos primeiros trabalhos de Speer após a morte de Troost foi o Zeppelinfeld, um estádio em Nuremberga que foi usado para desfiles e apresentado no filme de propaganda Triumph des Willens, de Leni Riefenstahl. O estádio foi designado para receber 340 000 pessoas. A tribuna criada por Speer teve influência direta do Altar de Pérgamo em Anatólia, mas em maior escala. Speer insistia em realizar os eventos neste estádio somente à noite, para dar destaque ao renovador efeito de luz criado por ele. Speer cercou o local com 130 luzes de defesa antiaérea, à distância de doze metros uma da outra, criando feixes luminosos no céu. O efeito nunca antes visto, foi chamado de "Catedral de Luzes" ou, como era chamada pelo embaixador britânico Sir Neville Henderson, "catedral de gelo". Speer descreveu este como o seu mais belo trabalho. A ideia foi em primeiro momento rejeitada por Hermann Göring, visto que ele teria que ceder as luzes da Luftwaffe. Hitler argumentou dizendo que "as outras nações vão achar que a Alemanha tem de sobra essas luzes, portanto, ceda elas para o projeto do Speer".

Arquiteto da guerra (1939–1942)

Speer apoiou a invasão da Polônia e a Segunda Guerra Mundial em 1939, e mesmo sabendo que isto poderia atrapalhar seus planos para a Alemanha, deixou seu departamento a disposição do Wehrmacht. O arquiteto desenvolveu inovações como a rápida construção de pontes e estradas, através de uma equipe treinada por ele mesmo. Com o progresso da guerra, inicialmente com grande sucesso da Alemanha, Speer continuava fazendo desenhos para Berlim e Nuremberg, mas só pretendia sua construção ao final do conflito. Neste período, ele construiu os prédios da Wehrmacht e da Luftwaffe. Em 1940, Hitler ordenou a Speer que fossem refeitos projetos para Berlim e Nuremberg, argumentando que a vitória na guerra estava próxima. Em primeiro momento, Speer rejeitou a ordem, declarando que "estando o país em guerra, não há razões para gastar em obras". Após uma conversa com Hitler, Speer se viu obrigado a montar novas estruturas (que jamais sairiam do papel) e reformar Berlim até 1 de janeiro de 1950.

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Ministro do Armamento

Em 8 de fevereiro de 1942, o ministro dos armamentos Fritz Todt morreu em um acidente de avião em Rastenburg. Speer, que tinha chegado na cidade na noite anterior, tinha aceitado voar com Todt para Berlim, mas decidiu não ir horas antes de Todt embarcar. Segundo Speer, ele estava exausto com a viagem que havia enfrentado e com a reunião que teve com Hitler. No mesmo dia, Hitler nomeou Speer para ocupar o cargo de Todt. No livro Por dentro do III Reich, Speer conta que não tinha interesse em assumir um ministério, e apenas o fez pois Hitler havia ordenado. Speer também declara que Hermann Göring foi direto ao gabinete de Hitler após saber da morte de Todt, esperando tomar o cargo. Ao saber que Speer havia sido apontado para o cargo, Göring deixou o gabinete do ditador e não participou do funeral de Todt. Na chegada de Speer ao ministério, a economia da Alemanha, ao contrário da britânica, não era voltada totalmente para a guerra. Bens de consumo ainda eram produzidos, e de maneira igual ao dos tempos de paz. Pelo menos de cinco "autoridades supremas" tinham jurisdição sobre a produção de armamento. Entre elas, estava o Ministério dos Assuntos Econômicos, que havia declarado em novembro de 1941 que não havia condições para aumentar a produção de armas. Poucas mulheres estavam empregadas em fábricas, as quais funcionavam em um turno. Na noite após sua indicação, Speer visitou uma das maiores fábrica de armamentos em Berlim. Para sua surpresa, não encontrou ninguém trabalhando.

Queda do Reich

O nome de Speer estava incluído em uma lista de conspiradores que assumiriam o poder na Alemanha se o plano para matar Hitler tivesse sucesso. Mas ao lado de seu nome, estava escrito a palavra "possivelmente", que segundo Speer, o salvou de ter sido morto com todos os oficiais de alto escalão que planejaram o atentado, como Claus Schenk Graf von Stauffenberg. Em fevereiro de 1945, Speer, que já dava a guerra como perdida, estava trabalhando em abastecer de comidas e materiais as áreas que estavam para ser ocupadas. Em 19 de março de 1945, Hitler publicou seu Decreto Nero, ordenando a política da terra queimada na Alemanha e em territórios ocupados. O decreto de Hitler, tirava de Speer qualquer poder para tentar interferir na ordem, mas o arquiteto argumentou com Hitler que a guerra estava perdida e o decreto era absurdo Hitler deu 24 horas para Speer rever sua posição, e na manhã seguinte, Speer disse: "Eu estou com você incondicionalmente". Speer pediu a Hitler uma força exclusiva para implementar o Decreto Nero. Com o pedido aceito, Speer trabalhou persuadindo os generais e Gauleiters para não destruir os locais, argumentando que eles seriam necessários para a vida após a derrota da Alemanha na guerra, especialmente a indústria. Speer conseguiu convencer os generais, e teve como principal aliado Gotthard Heinrici.

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Julgamento de Nuremberg

Após a morte de Hitler, Speer ofereceu seus serviços ao chamado governo Flensburg, liderado pelo sucessor de Hitler, Karl Dönitz. Speer tomou controle de um significativo papel dentro do curto período do governo. Em 15 de maio, os estadunidenses chegaram e perguntaram para Speer se ele estava disposto a fornecer informações sobre a guerra. Speer concordou, e durante os dias seguintes detalhou ações do governo de Hitler. No dia 23 de maio, após a Alemanha se entregar, os Aliados prenderam todos os membros do governo Flensburg, levando a era nazista ao fim. Speer foi levado a diversas prisões e interrogado. Em setembro de 1945, foi dito ao arquiteto que ele seria julgado por ter cometido crimes de guerra. Alguns dias depois, ele foi levado para Nuremberg, onde ficou aguardando o julgamento. Speer foi indiciado em todas as quatro acusações: conspiração, crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

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Prisão de Spandau

Em 18 de julho de 1947, Speer e seis ex-oficiais do regime nazista saíram de Nuremberg para Berlim, escoltados por guardas britânicos. Os prisioneiros foram para a prisão de Spandau no setor britânico que mais tarde se tornaria a Berlim Ocidental. Inicialmente, os prisioneiros permaneceram em confinamento solitário exceto no banho de sol de trinta minutos. Também não era permitido se comunicar com os guardas. As forças aliadas faziam rodízio mensal para a vigia dos presos e com o passar do tempo, as regras foram se tornando mais flexíveis, especialmente quando as três forças do ocidente estavam no controle. Speer confidenciou em um de seus livros que se considerava excluído dos demais por ter aceitado suas responsabilidades em Nuremberg. Speer tentava fazer seu tempo na prisão ser produtivo. Ele escreveu: "Estou obcecado com a ideia de usar meu tempo aqui para escrever um livro de grande importância". Os prisioneiros eram proibidos de escrever memorandos, e as cartas enviadas eram censuradas. Mas Speer convenceu os líderes aliados e conseguiu uma ordem especial para fazer suas escritas. Em 1954, Speer já tinha a base do livro Por Dentro do III Reich pronta.

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Anos finais

A saída de Speer da prisão foi um evento que chamou a atenção da imprensa do mundo inteiro. Todos estavam a espera de ouvir as primeiras palavras de liberdade de Speer após 20 anos. Mas ao se retirar da prisão, Speer disse pouco, e guardou todas as revelações para uma entrevista publicada em novembro de 1966 no jornal Der Spiegel. Na entrevista, Speer novamente assumia suas responsabilidades por seus atos no regime nazista e contava detalhes das horas finais da Alemanha de Hitler. Sem planos para voltar para a arquitetura (dois de seus parceiros morreram semanas após ele sair da prisão), ele escreveu dois livros onde relatava sua vida e pensamentos durante as décadas de 1930 e 1940. Em um terceiro trabalho, ele escreveu sobre Himmler e a SS. Após a publicação de seus livros, ele fez doações de grande valor para instituições de caridade para judeus. Speer manteve segredo sobre suas doações com medo de ser chamado de hipócrita. Somente após sua morte, ficou relevado que ele era o doador das grandes quantias.

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Legado e controvérsia

Arquitetura

Pouco resta das obras feitas por Speer, a não ser fotos e plantas. Nenhum prédio feito por Speer permanece em Berlim. A única grande obra que permanece é a Strasse des 17. Juni.

Ações contra judeus

Como inspetor de construção, Speer foi responsável pelo Departamento de Reassentamento. De 1939 em diante, o departamento utilizou das Leis de Nuremberg para expulsar os Judeus de terras alemãs. Speer estava ciente das atividades. Cerca de 75 mil judeus foram expulsos por ordens de Speer. Um documento que comprova a participação de Speer ainda existe. Foi dado a ele o nome de Crônicas do departamento de atividades, que era mantido por Wolters.

Roubo de Arte

Mais de 30 anos após sua morte, historiadores descobriram documentos que comprovam que o "bom nazista" não só encobriu o seu conhecimento sobre o Holocausto, mas também participou do roubo de obras de arte de judeus. Quando os russos se aproximavam de Berlim ele pessoalmente supervisionou a remoção de quadros para um esconderijo na casa de um amigo que os guardou até que saísse da prisão de Spandau. Quando através de codinomes e anonimato ele pode vender em leilões essas pinturas. Também é conhecido por ter comercializado desenhos do próprio Hitler por cerca de 4 mil dólares americanos cada. Após a sua saída de Spandau, Speer deu ao Bundesarchiv uma versão editada das Crônicas, aonde foi retirada qualquer citação aos judeus. Quando o negacionista do holocausto David Irving descobriu as diferenças entre a versão editada das "Crônicas" e os outros documentos, Speer declarou que as partes cortadas não precisavam ser citadas.[não consta na fonte citada] Mas Wolters ainda tinha a versão original das Crônicas, e acabou cedendo a um estudante de doutorado da Alemanha. Speer considerou a atitude de Wolters como uma traição. A versão original das Crônicas, entraram em domínio público em 1983, Speer e Wolters já estavam mortos, confirmando que Speer era chefe de um departamento de expulsão de judeus.

Conhecimento do Holocausto

Desde Nuremberg, Speer garantiu que nunca teve conhecimento do Holocausto. Speer escreveu em seu livro que Karl Hanke uma vez disse que o ministro nunca deveria aceitar um convite para ir visitar um campo de concentração próximo da Alta Silésia pois "ele havia visto coisas que não eram permitidas descrever e não tinham descrição". Speer mais tarde concluiu que Hanke estava falando de Auschwitz, e se culpou por não ter buscado nenhum tipo de informação com Himmler ou Hitler. No discurso de Posen, feito por Himmler, ficava claro que todos que estavam na sala ouvindo tinham o conhecimento que os campos de concentração eram na realidade campos de extermínio. Speer disse em Nuremberg que não estava presente no discurso, fato que foi desmentido por Gitta Sereny, que provou que o líder da SS se referiu a Speer em um momento do discurso. Caso tal fato tivesse sido provado em Nuremberg, Speer teria sido condenado à pena capital.

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