Martin Bormann
Martin Ludwig Bormann foi um destacado oficial durante a Alemanha Nazi, chefe da Parteikanzlei. Acumulou um poder muito significativo no Terceiro Reich ao usar a sua posição de secretário privado de Adolf Hitler para controlar o fluxo de informação e acesso ao Führer.
Martin Bormann nasceu em Wegeleben (atualmente na região de Saxônia-Anhalt), Reino da Prússia. Bormann era filho de Theodor Bormann (1862–1903), funcionário dos correios, e da sua segunda esposa, Antonie Bernhardine Mennong. A família seguia o luteranismo. Tinha dois meio-irmãos (Else e Walter Bormann) do anterior casamento do seu pai com Louise Grobler, que morreu em 1898. Antonie Bormann deu à luz três filhos: Theodor morreu quando Martin tinha três anos; Martin (nascido em 1900) e Albert (nascido em 1902). Bormann estudou numa escola superior de agricultura e interrompeu os seus estudos quando entrou para o 55.º Regimento de Artilharia Terrestre, como artilheiro, em junho de 1918, nos últimos dias da Primeira Guerra Mundial. Bormann nunca chegou a entrar em ação, mas prestou serviço militar num quartel até Fevereiro de 1919. Depois de trabalhar por pouco tempo num moinho de alimentação de gado, Bormann tornou-se administrador de uma quinta de grande dimensão em Mecklenburg. Pouco depois de ter começado a trabalhar na propriedade, Bormann juntou-se a uma associação de proprietários anti-semita. Ao mesmo tempo que a hiperinflação na República de Weimar significava que o dinheiro estava desprovido de valor, a comida armazenada nas quintas e propriedades via aumentado o seu valor. Muitas propriedades, incluindo a de Bormann, tinha unidades de Freikorps a guardar o local e os armazéns de pilhagens. Em 1922, Bormann entrou para o Freikorps liderado por Gerhard Roßbach, como líder de secção e tesoureiro.
Em 1927, Bormann entrou para o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP). O seu número de membro era o 60 508. No dia 1 de janeiro de 1937, juntou-se às Schutzstaffel (SS), sendo o número 278 267. Por ordem especial de Heinrich Himmler em 1938, foi atribuído o número 555 das SS a Bormann para espelhar o seu estatuto de Alter Kämpfer (Antigo Combatente).
Início de Carreira
Bormann começou a trabalhar no jornal semanal Der Nationalsozialist, editado pelo membro do NSDAP Hans Severus Ziegler, Gauleiter (líder de partido) pela Turíngia. Depois de entrar para o NSDAP em 1927, Bormann começou a trabalhar como oficial regional de imprensa, mas a sua falta de capacidade de falar em público dificultou-lhe a sua vida profissional. Em vez disso, decidiu aplicar as suas capacidades para gerir os negócios da Gau (região). Em outubro de 1938, foi para Munique onde trabalhou no escritório de seguros das SA. De início, o NSDAP fornecia seguros, através de companhias seguradoras, aos membros que eram feridos ou mortos nas escaramuças com outros membros de outros partidos políticos. À medida que as companhias de seguros começaram a ter dificuldades em pagar os incidentes, em 1930 Bormann criou o Hilfskasse der NSDAP (Fundo Auxiliar do NSDAP), um fundo de benefícios directamente gerido pelo partido. Cada membro tinha de pagar uma quota e poderia receber uma compensação por ferimentos sofridos enquanto prestava serviços para o partido. Os pagamentos fora do fundo tinham de ser aprovados por Bormann. Ele começou a ganhar a reputação de ser um especialista em finanças, e muitos membros do partido passaram em ficar em dívida para com Bormann por este lhes ter pago do fundo. A acrescentar à função principal do fundo, este era por vezes usado para financiamento do NSDAP que, habitualmente, tinha poucos meios financeiros naquela altura. Depois do sucesso do NSDAP nas eleições geris de 1930, onde alcançou 107 lugares, os membros do partido aumentaram exponencialmente. Por volta de 1932, o fundo recebia três milhões de Reichsmark por ano.
Reichsleiter e chefe da chancelaria do partido
Depois do Machtergreifung (tomada do poder pelo NSDAP) em Janeiro de 1933, o fundo de apoio passou a cobrir seguros sobre acidentes, de uma forma genérica, e de propriedade, o que levou Bormann a demitir-se da sua administração. Candidatou-se a uma transferência e foi aceite como chefe de pessoal no escritório de Rudolf Hess, o Delegado do Führer, em 1 de julho de 1933. Bormann também foi secretário pessoal de Hess entre 4 de julho de 1933 e 11 de maio de 1941. O departamento de Hess era responsável por resolver disputas dentro do partido e agir como intermediário entre o partido e o Estado no que respeitava a decisões políticas e legislação.[nota 2] Bormann serviu-se da sua posição para criar muita burocracia e envolver-se o mais possível nos processo de tomada de decisões. Em 10 de outubro, Hitler nomeou Bormann para Reichsleiter (líder nacional – o topo da hierarquia) do NSDAP, e, em Novembro, foi escolhido para Delegado do Reichstag. Por volta de junho de 1934, a reputação de Bormann chegou até Hitler que o aceitou no seu círculo privado, e passou a acompanhá-lo para todo o lado, fornecendo-lhe relatórios e memorandos de eventos e solicitações.
Campanha contra igreja
Apesar de o Artigo 24 do programa do NSDAP defendesse a tolerância condicional dos conceitos cristãos, e de se ter assinado um tratado -Reichskonkordat (Concordata do Reich)- com o Vaticano em 1933, pretendendo garantir a liberdade religiosa aos católicos, Hitler acreditava que a religião era incompatível com o Nacional-Socialismo. Bormann, que era um acérrimo anti-cristão, concordava; em 1941 afirmou publicamente que o "Nacional-Socialismo e a Cristandade são irreconciliáveis." Fora da esfera política, Hitler pretendia adiar a eliminação das igrejas cristãs para depois da guerra. No entanto, as suas repetidas afirmações hostis contra a igreja indicavam aos seus subordinados que a continuação da Kirchenkampf (luta da igreja) seria tolerada e até encorajada.
Secretário pessoal de Hitler
Preocupado com assuntos militares e a passar a maior parte do seu tempo no seu quartel-general na frente leste, Hitler passou a apoiar-se cada vez mais em Bormann para que este tratasse dos assuntos internos do país. A 12 de abril de 1943, Hitler nomeou oficialmente Bormann como Secretário Pessoal do Führer. Por esta altura Bormann tinha, de facto, o controlo sobre todas questões internas, e esta nova nomeação deu-lhe o poder para agir, de forma oficial, sobre qualquer assunto. Bormann defendeu sempre a utilização de medidas extremamente duras e radicais quando se tratava dos judeus, dos povos dos países conquistados a leste e prisioneiros de guerra. Em 31 de maio de 1941, assinou um decreto a a alargar o âmbito das Leis de Nuremberga de 1935 aos territórios anexados no Leste. Depois disso, assinou o decreto de 9 de outubro de 1942 estabelecendo que a Solução final na Grande Alemanha já não podia ser resolvida recorrendo à emigração, mas apenas através do uso de "força implacável nos campos especiais do Leste", ou seja, exterminação nos campos de morte nazis. Outro decreto, assinado por Bormann em 1 de julho de 1943, atribuiu a Adolf Eichmann poderes absolutos sobre os judeus, que agora passavam para a exclusiva jurisdição da Gestapo. O historiador Richard J. Evans estima que terão sido exterminados entre 5,5 e 6 milhões de judeus (cerca de dois terços da população judaica na Europa) pelo regime nazi.
Últimos dias em Berlim
Hitler transferiu o seu quartel-general para o Führerbunker em Berlim em 16 de janeiro de 1945, onde ele (juntamente com Bormann, a sua secretária Else Krüger e outros) ficaram até ao fim de abril. O Führerbunker ficava situado debaixo do jardim da Chancelaria do Reich, no centro da cidade. A Batalha de Berlim, a última grande ofensiva soviética na guerra, começou a 16 de abril de 1945. A 19 de abril, o Exército Vermelho começou a cercar a cidade e, no dia seguinte, 20 de abril, no seu 56.º aniversário, Hitler fez a última aparição à superfície. No jardim arruinado da Chancelaria do Reich, entregou a Cruz de Ferro a vários jovens soldados da Juventude Hitleriana. Nessa tarde, Berlim foi bombardeada pela artilharia soviética pela primeira vez. Em 23 de abril, Albert Bormann deixou o bunker e viajou para Obersalzberg. Ele e outros membros tinham recebido ordens de Hitler para deixarem Berlim.
Morte de Bormann segundo Axmann
Por volta das onze horas do dia 1 de maio, Bormann saiu do Führerbunker com o médico das SS, Ludwig Stumpfegger, o líder da Juventude Hitleriana, Artur Axmann, e o piloto de Hitler, Hans Baur, para tentarem fugir ao cerco soviético. Bormann levou consigo uma cópia do testamento de Hitler. O grupo deixou o Führerbunker e foi a pé pelo túnel do U-Bahn para a estação de Friedrichstraße . Alguns membros do partido tentaram atravessar o rio Spree na Ponte de Weidendammer, enquanto se escondiam atrás de um tanque Tiger. O tanque foi atingido pela artilharia soviética e destruído, deitando Bormann e Stumpfegger ao chão. Bormann, Stumpfegger, e outros nazis, acabaram por atravessar o rio na sua terceira tentativa. Bormann, Stumpfegger e Axmann foram pelos carris dos comboios até à estação de Lehrter, onde Axmann decidiu deixar o grupo e seguir na direcção oposta. Quando encontrou uma patrulha do Exército Vermelho, Axmann voltou para trás. Viu dois corpos que, mais tarde, identificou como sendo os de Bormann e Stumpfegger, numa ponte perto do entroncamento ferroviário. Axmann afirmou não ter tido tempo para os examinar com cuidado, não sabendo, assim como tinham morrido. Como os soviéticos nunca admitiram ter encontrado o corpo de Bormann, o seu destino permaneceu um mistério durante muitos anos.
Julgado em Nuremberg in absentia
Durante os dias caóticos que se seguiram à guerra, começaram a chegar relatos contraditórios sobre o paradeiro de Bormann. Teria sido visto na Argentina, Espanha e em outros locais. A esposa de Bormann foi colocada sob vigilância no caso de o tentar contactar. Jakob Glas, o motorista de Bormann, insistiu em ter visto Bormann em Munique em julho de 1946. Caso Bormann estivesse vivo, foram emitidas várias notícias sobre os julgamentos que teriam lugar em Nuremberg, via rádio e imprensa, em outubro e novembro de 1945, para o notificar das acusações contra ele. O julgamento teve início a 20 de novembro de 1945. À falta de evidências sobre a morte de Bormann, o Tribunal Militar Internacional julgou-o in absentia, tal como permitido pelo artigo 12 dos seus regulamentos. Foi acusado de três crimes: conspiração para desencadear uma guerra de agressão, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A acusação esteve a cargo do tenente Thomas F. Lambert Jr., e a sua defesa ao Dr. Friedrich Bergold. A acusação afirmou que Bormann participou no planeamento e na elaboração de legislação anti-semita estabelecida pelo regime nazi. Bergold não conseguiu convencer o júri de que Bormann não podia ser condenado pois já se encontrava morto. Devido à natureza sombria das atividades de Bormann, Bergold não foi capaz de refutar os argumentos da acusação em relação à extensão do seu envolvimento nas decisões do regime. Bormann foi condenado por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e absolvido de conspiração para travar uma guerra de agressão. Em 15 de outubro de 1946, foi condenado à morte por enforcamento, com a condição de, se no futuro fosse encontrado com vida, e se surgissem novos factos, estes podiam ser tomados em consideração para reduzir a pena ou mesmo anulá-la.
Descoberta de restos mortais
Nos anos seguintes, várias organizações, incluindo a CIA e o governo da Alemanha Ocidental, tentaram localizar Bormann sem sucesso. Em 1964, o governo da Alemanha Ocidental ofereceu uma recompensa de 100 000 marcos por qualquer informação que levasse à captura de Bormann. Por todo o mundo começaram a aparecer relatos da presença de Bormann, incluindo a Austrália, Dinamarca, Itália e América do Sul. Na sua auto-biografia, o oficial de informações nazi Reinhard Gehlen afirmava que Bormann tinha sido um espião soviético, e que tinha escapado para Moscou. O caçador de nazis Simon Wiesenthal acreditava que Bormann vivia na América do Sul. Em 1971, o governo da Alemanha Ocidental declarou que a busca por Bormann tinha cessado.
Imagem: Friedrich Franz Bauer · BY-SA · Openverse
Em 2 de setembro de 1929, Bormann casou com Gerda Buch de 19 anos de idade, cujo pai, o major Walter Buch, teve o cargo de presidente da Untersuchung und Schlichtungs-Ausschuss (USCHLA; Comissão de Investigação e Intermediação), responsável pela intermediação de disputas dentro do partido. Hitler visitava frequentemente a casa dos Buch, e foi ali que Bormann o conheceu. Hess e Hitler foram testemunhas do seu casamento. Bormann também teve várias amantes, incluindo Manja Behrens, uma actriz. Os filhos de Martin e Gerda Bormann eram: Gerda Bormann e as crianças fugiram de Obersalzberg para Itália no dia 25 de abril de 1945 depois de um ataque aéreo dos Aliados, e ela faleceu de cancro em 26 de abril de 1946, em Merano, Itália. Os filhos de Bormann sobreviveram à guerra e foram viver com uma família de acolhimento. O filho mais velho, Martin, foi ordenado padre católico e trabalhou em África como missionário. Depois, deixou o clero e casou.
Imagem: UnknownUnknown · BY-SA · Openverse
Foi Martin Bormann quem deu a cadela Blondi, da raça pastor alemão a Adolf Hitler, como um presente, e que ficou com ele até o dia de sua morte, sendo morta minutos antes, provavelmente por envenenamento.


