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Propaganda Dois

Propaganda Due, Propaganda Dois ou P2, era uma loja maçônica operando sob a jurisdição do Grande Oriente da Itália entre 1945 a 1976, e uma loja maçônica secreta funcionando ilegalmente de 1976 a 1981.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Fundação

Imagem: Rodrigo Soldon Souza · BY-ND · Openverse

A "Propaganda" foi fundada em 1877, em Turim, como "Propaganda Massonica". A loja era frequentada por políticos e funcionários públicos italianos incapazes de comparecer às próprias lojas, e incluía membros importantes da nobreza de Piemonte. A loja mudou de nome para "Propaganda Due" após a Segunda Guerra Mundial, quando o Grande Oriente da Itália passou a enumerar suas lojas. Na década de 1960, a loja entrou em decadência e realizou poucas reuniões. Esta loja original teve pouca relação com a loja estabelecida por Licio Gelli em 1966, dois anos após se tornar maçom. A Maçonaria na Itália tinha sido proibida pelo regime fascista de Benito Mussolini, mas renasceu após a Segunda Guerra Mundial, sob o incentivo dos EUA. No entanto, suas tradições de pensamento livre sob o Risorgimento se transformou em um fervoroso anticomunismo. A crescente influência da esquerda no final da década de 1960 deixou os maçons da Itália profundamente preocupados. Em 1971, Grão-Mestre Lino Salvini do Grande Oriente da Itália e um das maiores lojas maçônicas da Itália, atribuiu a Gelli a tarefa de reorganizar a loja.

Expulsão

Em 1974, foi proposta uma moção para apagar a P2 da lista de lojas do Grande Oriente da Itália, que foi aceita em maioria esmagadora. Porém, o Grão-Mestre Lino Salvini autorizou a formação de uma nova Loja P2 no ano seguinte. O Grande Oriente oficialmente expulsou Gelli e a Loja P2 em 1976, mas Gelli permaneceu ativo nos assuntos nacionais do Grande Oriente, financiando a eleição de um novo Grão-Mestre dois anos depois. Em 1981, um tribunal maçônico decidiu que a P2 havia sido dissolvida de facto pelo voto de 1974, e que a loja de Gelli havia operado ilegalmente desde aquela época.

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Descoberta

Imagem: jonycunha · BY-SA · Openverse

As atividades da loja P2 foram descobertas pelo Ministério Público ao investigar o banqueiro Michele Sindona, o colapso de seu banco e suas ligações com a máfia. Em março de 1981, a polícia encontrou uma lista de supostos membros na casa de Gelli em Arezzo. Continha 962 nomes, entre os quais funcionários públicos importantes, políticos importantes (quatro ministros ou ex-ministros e 44 deputados), e uma série de oficiais militares, incluindo os chefes dos três serviços secretos italianos. O futuro primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi estava na lista, embora ele ainda não tivesse ingressado na política na época. Outro membro famoso era Victor Emanuel, Príncipe de Nápoles, o filho do último rei italiano. O primeiro-ministro Arnaldo Forlani (cujo chefe de gabinete era um membro do P2 também) constituiu uma Comissão Parlamentar de Inquérito, liderada pela democrata-cristã independente Tina Anselmi. No entanto, em maio de 1981, Forlani foi forçado a renunciar devido ao escândalo P2, provocando a queda do governo italiano. Giovanni Spadolini do Partido Republicano (PRI) foi então nomeado, liderando uma coligação centro-esquerda. Spadolini foi o primeiro Primeiro-Ministro Italiano não pertencente à Democracia Cristã. Todos os cabecilhas dos serviços secretos, entre os quais Vito Miceli, tiveram que se demitir.

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Organização criminosa

Imagem: Isidr☼ Cea · BY-NC-ND · Openverse

Comissão Parlamentar dirigida por Tina Anselmi

A Loja foi examinada por uma comissão especial do Parlamento Italiano, dirigida por Tina Anselmi, da Democrazia Cristiana. A conclusão da comissão foi que se tratava de uma organização criminosa secreta, mesmo não sendo encontradas provas específicas sobre os crimes cometidos. Alegações acerca de relações subreptícias internacionais, sobretudo com a Argentina (Gelli sugeriu repetidamente que era um amigo próximo de Juan Peron) e com algumas pessoas suspeitas de pertencerem à CIA foram também parcialmente confirmadas, mas rapidamente um debate político ultrapassou o nível legal da análise.

Nova lei Italiana a proibir “Lojas Secretas”

Apesar de terem sido banidas por Mussolini em 1925, as instituições maçónicas foram toleradas em Itália, mas desde logo uma lei especial foi emanada, proibindo Lojas Secretas. O Grande Oriente d'Italia, depois de ter tomado acções disciplinares contra membros com ligações ao P2, afastou-se da Loja de Gelli e declarou ter respeito apenas pelos Maçons honestos. Outras leis introduziram a proibição ou adesão em tais organizações para algumas categorias da função pública (especialmente oficiais do exército). Essas leis foram recentemente questionadas pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

Escândalo do Banco Ambrosiano

A P2 tornou-se alvo das atenções na questão do colapso do Banco Ambrosiano (um dos principais bancos de Milão cuja maior parte era propriedade do Vaticano), e a morte suspeita em 1982 de seu presidente Roberto Calvi em Londres, de início tida com um suicídio mas mais tarde considerada como assassinato. Levantou-se a suspeição que muitos dos fundos desviados desse banco foram para a P2 e respectivos membros.

Aldo Moro e a estratégia de tensão

Foi alegado por diversas vezes que a P2 esteve envolvida no assassinato do primeiro-ministro Aldo Moro, morto pelas Brigadas Vermelhas, depois dos Serviços Secretos Italianos terem recusado a fazer um acordo com os raptores, contudo nunca se encontraram provas concretas. Também se suspeitou que a P2 esteve envolvida no Massacre de Bolonha, em 1980, como parte da estratégia da tensão seguida pela Operação Gladio e executada nos bastidores da OTAN, o que levou à abertura de investigações, nos anos 1990, pela Câmara dos Deputados da Itália.

Irão-Contras e o assassinato do Primeiro-Ministro Sueco Olof Palme

De acordo com uma entrevista dada pelo ex-agente da CIA, Richard Brenneke e Ibrahim Razin ao jornalista da RAI, Ennio Remondino, a P2 recebeu efectivamente fundos da CIA e esteve envolvida igualmente no caso Irão-Contras tal como na estratégia de tensão; aparentemente a CIA suportou a ideia pela sua determinação em fabricar um golpe de Estado caso o Partido Comunista subisse ao poder. Devido à importância destes assuntos, esta entrevista deu azo a uma carta escrita por o presidente italiano Francesco Cossiga ao primeiro-ministro Giulio Andreotti. Richard Brenneke afirma ter conhecido Licio Gelli em Paris em Outubro de 1980, numa relação com a “Surpresa de Outubro”. De acordo com ele, William Casey, que mais tarde seria o chefe da CIA, mas nesse tempo era um dos responsáveis pela campanha de Reagan-Bush, estava presente, tal como Donald Gregg, que se tornou embaixador da Coreia do Sul mas que nessa altura trabalhava para a CIA e para o Conselho de Segurança Nacional.

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Lista de Licio Gelli de membros do P2 encontrada em 1981

A lista contém 962 nomes (incluindo Gelli). Alegou-se que pelo menos mil nomes ainda são mantidos em segredo, já que os números de adesão começam com o número 1.600, o que sugere que a lista completa ainda não foi encontrada. A lista inclui todos os chefes dos serviços secretos, 195 diferentes oficiais das forças armadas (12 generais da Carabinieri, 5 da polícia financeira Guardia di Finanza, 22 do exército, 4 da força aérea e 8 almirantes), bem como 44 membros do parlamento, 3 ministros e um secretário de um partido político, os principais magistrados, alguns prefeitos e chefes de polícia, banqueiros e empresários, funcionários públicos, jornalistas e radialistas. Também estam incluídos um alto funcionário da Banca di Roma, o terceiro maior banco da Itália na época, e um ex-diretor-geral da Banca Nazionale del Lavoro (BNL), o maior do país.

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