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Revolução dos Flamingos

Revolução dos Flamingos, inicada como protestos em Zvërnec, são uma série de manifestações em curso, que começaram em maio de 2026 nas aldeias de Zvërnec e Nartë, na região de Vlorë, na Albânia, antes de se expandirem para a capital, Tirana. Os protestos foram organizados por moradores locais, ativistas ambientais e organizações da sociedade civil em oposição a um projecto de desenvolvimento turístico de luxo multimilionário proposto para a área de Portonovo e a ilha vizinha de Sazan. O projecto foi associado à Affinity Partners, uma empresa de investimentos liderada pelo investidor americano Jared Kushner, e à sua esposa Ivanka Trump. Os manifestantes referem preocupações ambientais significativas relativas a ecossistemas protegidos, alegações de corrupção, disputas sobre a propriedade da terra e uma alegada falta de transparência nos procedimentos de planeamento e licenciamento.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/11/2026
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Contexto

Os protestos ocorreram após o anúncio de planos para um projeto de desenvolvimento turístico na área de Portonovo pela empresa Zvërnec South Adriatic Development. O projeto tornou-se objecto de debate público. Os opositores, incluindo moradores locais e organizações ambientais, expressaram preocupações quanto ao potencial impacto ambiental do empreendimento e levantaram questões sobre a propriedade da terra dentro da área do projeto. De acordo com relatos publicados pelos meios de comunicação albaneses, o desenvolvimento proposto abrangeria aproximadamente 2,6 milhões de metros quadrados e envolveria infraestruturas relacionadas com o turismo na zona costeira perto de Zvërnec e Nartë, bem como na ilha vizinha de Sazan. A Reuters noticiou que o desenvolvimento mais amplo ligado a Kushner incluía um projeto de ilha e um troço costeiro não desenvolvido perto da paisagem protegida de Vjosa-Nartë, uma área associada a flamingos, focas e locais de nidificação de tartarugas marinhas.

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Protestos em 2026

Maio

A 23 de maio de 2026, moradores locais e ativistas ambientais juntaram-se perto da Lagoa de Narta para protestar contra a cerca de arame farpado da praia de Pishë Poro, parte da paisagem protegida de Vjosa-Narta. De acordo com o Reporter.al, os manifestantes carregavam faixas defendendo o meio ambiente natural e se opondo ao que descreveram como a apropriação de propriedade local por interesses comerciais ligados ao governo. A 30 de maio de 2026, manifestantes juntaram-se perto do local do projeto em Portonovo. Durante o protesto, ocorreram confrontos entre manifestantes e seguranças privados presentes no local. Vídeos e fotografias publicados por ativistas e jornalistas albaneses mostraram altercações físicas e o uso de gás pimenta durante o incidente. De acordo com relatos locais, o gás pimenta também atingiu poícias e a ativista e jornalista Loreta Koleci. Após os eventos, as autoridades albanesas anunciaram investigações sobre a conduta dos indivíduos envolvidos.

Junho–Julho

A 1 de junho de 2026, os protestos expandiram-se para Tirana. A Euronews noticiou que as pessoas saíram às ruas da capital albanesa contra o projecto do resort, enquanto os manifestantes gritavam "A Albânia pertence aos albaneses", levando cartazes com os dizeres "Tirem as mãos de Vjosa-Narta". A 3 de junho, as manifestações continuaram em Tirana. A Associated Press noticiou que o protesto se tornou violento depois de os manifestantes terem rompido um cordão policial e a polícia ter usado canhões de água para dispersar a multidão. Fotografias da Reuters do mesmo dia mostraram manifestantes a entrar em confronto com a polícia durante um protesto contra o resort planeado. Os manifestantes transportavam também recortes de flamingos e flamingos insufláveis, em referência à vida selvagem dos pântanos de Vjosa-Narta.

Outubro

Em outubro de 2026, um movimento liderado por estudantes intensificou rapidamente as manifestações. Em 13 de outubro, as manifestações tornaram-se violentas, com tumultos e confrontos com as forças da lei. O Ministério da Educação foi atacado nesse dia. No dia seguinte, o Ministério do Interior e das Finanças também foram atacados, assim como o gabinete do primeiro-ministro. A unidade policial, Shqiponjat, conseguiu dispersar a multidão, mas outros estabelecimentos comerciais também foram incendiados. Entre 15 e 16 de outubro, os protestos violentos espalharam-se para outras cidades e por toda a Albânia, como em Durrës, Vlorë, Elbasani, Escodra, Kukës, Korçë, Laç, Burrel e Fushë-Krujë. No dia 17 de outubro, os manifestantes invadiram o Boulevard Dëshmorët e Kombit, obrigando as unidades policiais a defender o gabinete do primeiro-ministro com gás lacrimogêneo, canhões de água e outros equipamentos. À noite, a situação agravou-se, com os manifestantes a incendiar edifícios importantes na zona de Myslym Shyri . Para conter os manifestantes, foram enviadas forças do Departamento de Neutralização de Elementos Armados (RENEA).

Alcance internacional

Foram também organizados inúmeros protestos em todo o mundo em solidariedade com os protestos na Albânia, incluindo no Canadá, Alemanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos. Um número considerável de protestos foi também organizado em diversas cidades de Itália. A 7 de Junho, foram realizados protestos da diáspora em várias cidades, incluindo Londres, Bruxelas, Hamburgo, Milão, Nova Iorque e Berna, com os participantes a oporem-se à forma como o governo lidou com os projectos planeados e a exigirem maior transparência e responsabilização. Outras manifestações simultâneas foram planeadas para 14 de junho em 17 cidades da Europa e da América do Norte, incluindo Nova Iorque, Chicago, Boston, Michigan, Toronto, Berlim, Munique, Colónia, Estugarda, Atenas, Génova, Faenza, Haia, Estrasburgo, Viena, Oslo e Odense.

Símbolos

Os flamingos transformaram-se no principal símbolo dos protestos, com alguns a substituir as águias da bandeira da Albânia por flamingos e a trocar o fundo vermelho por azul para simbolizar o mar. Fontes afirmaram que, ao contrário de símbolos como as rosas, os flamingos não estavam relacionados com nenhum partido político activo e, por isso, foram gerados inteiramente pela base popular. O flamingo, uma das espécies que habita o ecossistema pantanoso de Vjosa-Nartë, tornou-se o principal símbolo das manifestações, dando origem ao nome Revolução dos Flamingos. Os manifestantes usaram recortes de flamingos, flamingos insufláveis, bandeiras nacionais e imagens de protesto modificadas para representar tanto a protecção ambiental como a resistência cívica em geral. Rama defendeu o projecto como um grande investimento estrangeiro, rejeitou as alegações de conduta ilegal, desvalorizou a dimensão dos protestos e retratou partes do movimento como influenciadas por desinformação, interesses estrangeiros ou uma "guerra híbrida" mais ampla. A sua resposta, juntamente com o apoio inicial de Berisha ao projecto, tornaram-se parte da crítica mais ampla dos manifestantes à classe política albanesa.

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Reações

Após o incidente de 30 de maio, a Polícia Estatal Albanesa anunciou investigações sobre os eventos no local do protesto. A Direção-Geral da Polícia Estatal suspendeu posteriormente o Diretor de Polícia de Vlorë, afirmando que as informações inicialmente divulgadas sobre o incidente eram imprecisas. O primeiro-ministro Edi Rama afirmou que o terreno incluído no projeto foi adquirido legalmente por proprietários privados e rejeitou as alegações de transferência ilegal de propriedade pública. Ainda, numa publicação na sua página no instagram, Rama disse que o objetivo é “transformar a cidade de Vlora no olho do turismo neste lado do mundo, enquanto a Albânia sobe para a Liga do Mundo de Campeões de Turismo”.

Resposta internacional

A delegação da União Europeia na Albânia solicitou informações às autoridades albanesas sobre os desenvolvimentos na área. Os representantes da delegação enfatizaram a importância da proteção ambiental e das normas de conservação no âmbito do processo de adesão da Albânia à União Europeia. Em Itália, a Aliança Verde-Esquerda, concretamente Angelo Bonelli, condenaram Edi Rama, afirmando que este estava a vender o alegado património natural do seu país a investidores estrangeiros, declarando a sua solidariedade para com os protestos.

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Fontes consultadas

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