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Abuceus

Os abuceus, abedalcaicitas ou Banu Abede Alcaice foram uma antiga tribo árabe do ramo dos rebiaítas das tribos do norte da Arábia (adenanitas). Segundo a tradição genealógica árabe, descendiam de Adenane e compartilhavam ascendência comum com o profeta Maomé. Seus membros eram conhecidos pelos gentílicos Abedi, Caici, Abecaici e Abecaci. Originalmente estabelecidos na Tiama, migraram posteriormente para a Arábia Oriental, onde ocuparam as regiões costeiras e interiores de Barém, Alhaça e Omã, vivendo tanto em comunidades sedentárias nos oásis quanto em grupos nômades. Durante esse processo passaram a conviver com persas, judeus, cristãos e outras tribos árabes, além de realizarem frequentes incursões contra a Pérsia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/10/2026
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Genealogia

Segundo a tradição genealógica árabe, os abuceus integravam um conjunto de tribos originalmente estabelecidas na região correspondente à moderna província de Alaride. Em época posterior, esse conjunto passou a ser identificado pelos genealogistas como pertencente ao ramo dos rebiaítas. No esquema genealógico apresentado por Kindermann, os abuceus, por meio de seu ancestral epônimo Abede Alcaice, faziam remontar sua descendência a Jadila, filho de Açade ibne Rebia. Rebia, por conseguinte, descendia de Nizar ibne Maade ibne Adenane. De Jadila descendiam, em linha direta, Dumi, Afexa, Himbe e Cácite. Cácite foi pai de Anamir, epônimo dos anamiritas, e Uail, pai de Becre, epônimo dos becritas, e Taglibe, epônimo dos taglibitas.

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História

Já no século V, parte dessas tribos iniciou um processo de nomadização, deslocando-se tanto para o interior quanto para além do arco do Jabal Tuaique. Os abuceus integraram esse movimento e, durante o século VI, estabeleceram-se nos dois principais distritos de oásis da Arábia Oriental: o interior de Barém — posteriormente conhecido como Alhaça — e a região costeira de Catife. O principal núcleo de ocupação da tribo situava-se no grande oásis de Barém, região irrigada por numerosas nascentes, poços e canais naturais e artificiais. Seu centro político era Hajar, onde se erguia a fortaleza de Almuxacar, enquanto outras localidades fortificadas incluíam Jauata. Na faixa costeira, cuja capital era Zara, próxima de Catife, conviviam árabes, persas, indianos, judeus e mandeus, refletindo o caráter cosmopolita da região sob influência do comércio do Golfo Pérsico. A tribo dividia-se em dois grandes ramos, os xanitas (Xane) e lucaizitas (Lucaiz). Este último compreendia as tribos dos nucraítas (Nucra), dilitas (Dil), ijeítas (Ije) e moaribitas (Moaribe ibne Anre). Os três últimos grupos eram conhecidos coletivamente como Alumur para distingui-los dos anemaritas, compostos pelos ramos amirita (Amir ibne Alharite) e jadimaíta (Jadima ibne Aufe). Entre estes destacavam-se diversos subclãs, incluindo os murraítas e os malequitas, pertencentes ao ramo amirita. A distribuição dos diferentes ramos acompanhava a ocupação dos oásis. Os moaribitas habitavam principalmente as aldeias do interior de Barém, enquanto os jadimitas concentravam-se em Catife e os nucritas em Zara. Durante o verão, os grupos do norte da tribo reuniam seus rebanhos nas proximidades de Uádi Faruque, ao passo que os nucritas utilizavam as pastagens entre Zara e a região de Bainuna. Desde época antiga, o crescimento populacional favoreceu a emigração de diferentes segmentos da tribo tanto para Omã quanto para a costa persa do golfo.

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Organização tribal

Os abuceus constituíam um dos principais ramos dos rebiaítas e apresentavam uma organização interna complexa, composta por numerosos clãs e subclãs. Segundo a tradição genealógica, a tribo dividia-se em dois grandes agrupamentos, xanitas e lucaizitas. O ramo lucaizita compreendia os nucraítas, dilitas, ijeítas e moaribitas. Os três últimos eram conhecidos coletivamente como Alumur, denominação empregada para distingui-los dos anemaritas. Estes, por sua vez, reuniam os descendentes dos amiritas e dos jadimaítas. Entre os descendentes de Amir ibne Alharite encontravam-se os murraítas e os malequitas, enquanto o ramo dos jadimaítas compreendia os clãs Abede Xemece, Hiai e Anre, que em determinado momento formaram uma aliança conhecida como Baradim para contrabalançar o poder exercido pelos amiritas. Além desses agrupamentos, as fontes mencionam os hafecitas, que desempenharam papel político relevante na Arábia Oriental durante o século IX, estabelecendo um pequeno principado em Safuá. A distribuição dos diferentes ramos refletia a ocupação dos principais oásis da Arábia Oriental. Os moaribitas concentravam-se nas aldeias do interior de Barém, os jadimitas ocupavam Catife, enquanto os nucritas habitavam Zara. Hajar distinguia-se por possuir uma população heterogênea, composta por habitantes sem vínculos tribais definidos, situação que provavelmente também ocorria em outras cidades da região. Durante os meses de verão, diversos ramos conduziam conjuntamente seus rebanhos para as áreas de pastagem situadas ao redor do Uádi Faruque, ao passo que os nucritas utilizavam as terras compreendidas entre Zara e Bainuna. Desde período relativamente antigo, a elevada densidade populacional dos oásis favoreceu a migração de diversos segmentos da tribo. Alguns estabeleceram-se em Omã, enquanto outros atravessaram o Golfo Pérsico e fixaram residência na costa persa. Esse processo intensificou-se após as conquistas islâmicas, quando numerosos abuceus passaram a integrar os contingentes militares que se instalaram em Baçorá, Cufa, Tavaz, Ispaã, Merve e outras cidades do recém-formado califado. Apesar das migrações e das transformações políticas ocorridas ao longo dos séculos, alguns ramos conservaram sua identidade até a Baixa Idade Média. Os murraítas deram origem à dinastia uiúnida, que restaurou o domínio de uma linhagem dos abuceus sobre Alhaça no século XI, enquanto outros clãs continuaram exercendo autoridade local em diferentes centros da Arábia Oriental durante o período imediatamente anterior à conquista uiúnida.

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Religião

Antes da adoção do islã, os abuceus professavam diferentes crenças religiosas. A maior parte da tribo parece ter sido cristã durante o período imediatamente anterior ao surgimento do islã, embora também persistissem práticas religiosas árabes tradicionais. Em Almuxacar, um dos principais centros urbanos de Barém, era cultuado o ídolo Du Alaba, enquanto a convivência prolongada com persas, judeus, cristãos e outros povos da Arábia Oriental conferia à região um ambiente religioso diversificado. A antiga religião da tribo é conhecida apenas de forma fragmentária. Alguns antropônimos preservados pelas fontes, como Abede Xemece e Abede Anre, constituem vestígios de antigos cultos politeístas. Também é atestado entre os abuceus o cargo de afecal (afkal), termo derivado do babilônico apkallu ("sacerdote"), que parece ter sido herdado da antiga civilização urbana da Arábia Oriental. A tradição islâmica posterior, já sem compreender a origem dessa função religiosa, transformou Anre Alafecal em exemplo de arrogância e soberba. As tradições sobre a conversão dos abuceus ao islã são variadas. Segundo uma das versões consideradas mais confiáveis, alguns integrantes da tribo encontraram Maomé pela primeira vez durante a Batalha de Uude, quando chegaram a Medina acompanhando uma caravana. Outros converteram-se durante a campanha contra os mustaliquitas. A adoção oficial do islã ocorreu em 629, quando uma delegação de vinte representantes da tribo, chefiada por Abedalá ibne Aufe Alaxaje, visitou Medina em resposta à carta enviada por Maomé convidando os abuceus à nova religião.

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Cultura

Os abuceus gozavam de reputação entre os árabes por sua eloquência e bravura, qualidades frequentemente mencionadas pelas fontes medievais. Sua importância histórica motivou a composição de obras dedicadas especificamente à tribo, entre elas o Kitāb Khabar ʿAbd al-Qays, de Abu Ubaida Mamar ibne Almutana, citado por Ibne Anadim como uma das principais referências sobre sua história e tradições. A produção poética dos abuceus é conhecida principalmente por intermédio de alguns de seus representantes mais antigos. Entre eles figuram Almutacabe Alabedi e Almumazaque Alabedi, ambos pertencentes ao ramo dos nucritas, além de Iázide e Suaide ibne Alcadade, oriundos do ramo xanita. As fontes atribuem a Iázide — ou, segundo outra tradição, a Almumazaque — um episódio singular da poesia árabe antiga, no qual o poeta descreve o próprio sepultamento como se o observasse em vida. Já Açalatane Alabedi, contemporâneo de Jarir ibne Atia, destacou-se em Baçorá, enquanto Ziade Alajame, ativo na Pérsia, era cliente (maula) do ramo amirita.

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