Pesquisa · Mapa mental

Alaiandê Xirê

Alaiandê Xirê — Festival Internacional de Alabês, Xicarangomas e Runtós é um festival reunindo sacerdotes-músicos (ogãs) das diferentes nações do candomblé procedentes de todos os estados brasileiros e de diásporas africanas. Foi criado em 1998 sob a liderança do ogã de Ogum Roberval Marinho e da Agbeni Xangô a escritora e roteirista Cléo Agbeni Martins, membros do Ilê Axé Opô Afonjá, de São Gonçalo do Retiro, em Salvador da Bahia. O festival é um importante evento da cultura afro e afrobrasileira, que além dos interessados nos aspectos religiosos, artísticos e celebratórios, atrai também muitos pesquisadores e acadêmicos. Os encontros e seminários paralelos debatem as questões pertinentes aos povos e comunidades tradicionais afro, enfatizando as relacionadas aos músicos sagrados de todas as nações.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
01

História

"Alaiandê" é um dos atributos de Xangô como o grande mestre dos atabaques, e "xirê" significa festa, o ritual de dança dos orixás em círculo. Ambos os fundadores, Cléo Martins e Roberval Marinho, têm uma longa associação com a religião e com o mundo acadêmico e artístico. Além de sacerdotisa do candomblé, Cléo é bacharel em Direito, escritora e roteirista, e por seis anos foi monja beneditina, e Marinho é sacerdote, doutor em Arte e Educação, pesquisador e professor universitário. Em entrevista ao Correio da Bahia, Cléo lembrou os primeiros tempos: "Há muitos anos o Opô Afonjá promove discussões acadêmicas dentro do terreiro, o Alaiandê nasceu de um seminário chamado Irê Aió, que quer dizer caminho de alegria, um caminho divinatório de alegria. Roberval Marinho, que é um ogã do axé, me disse: 'é preciso fazer alguma coisa diferente daquela coisa fria da academia'. A ideia dele era trazer uma visão acadêmica diferente, sem aquilo de todo mundo sentadinho. Então ele sugeriu um festival de tocadores de candomblé, talvez uma competição. Numa dessa, Mãe Stella entrou na jogada também e a gente entendeu que competição ficava chato, até porque todos são bons, mas festival era legal. Aí eu dei o nome. Na verdade primeiro foi Alaiandê Nilê, que seria o grande tocador na casa. Mas Roberval sugeriu Alaiandê Xirê, a 'brincadeira do grande tocador'. Por isso, digo que ele é o pai e eu sou a mãe desse festival, que nasceu de uma vontade de trazer o acadêmico através do lúdico. Pois não tem coisa melhor que a brincadeira, você vê o mais verdadeiro da pessoa na brincadeira, na festa, quando ela se descontrai".

02

Edições

VII - título e data do evento: Xangô dobra os couros para Oxóssi e Exu: Grande Senhor da Floresta e o Avesso do Avesso. Debate sobre ecumenismo ecológico realizado de 25 a 29 de Agosto de 2004. Local: Pátio de Xangô, do Axé Opô Afonjá. Foi um encontro das nações de candomblé, que aconteceu de 25 a 29 de Agosto de 2004 no Ilê Axé Opô Afonjá este ano, foi dedicado a Oxóssi (Odé) e Exu e homenageia as instituições e personalidades que se voltam à preservação, conservação e ampliação dos recursos naturais, do equilíbrio ecológico e da melhor qualidade de vida de todos os seres, homenageando também, o Teatro - o mensageiro ímpar da Natureza Viva. No Candomblé a preservação da Natureza é fundamental. Na defesa do meio ambiente unem-se representantes de várias religiões no Debate sobre ecumenismo ecológico que aconteceu durante o festival VII Alaiandê Xirê no terreiro de candomblé do Ilê Axé Opô Afonjá. Adriana Jacob - O Correio da Bahia. Representantes do budismo, do Judaísmo, da Igreja Católica, da Igreja Baptista e do candomblé unidos em torno de um mesmo objetivo.

I Alaiandê Xirê

I - título e data do evento: Xangô dobra os couros para a velha guarda dos terreiros: de 17 a 18 de maio de 1998. Local: Axé Opô Afonjá.' O primeiro Alaiandê Xirê homenageou o pintor Carybé, então recentemente falecido em 1997, e Camafeu de Oxóssi, figura lendária da Bahia, falecido em 1994. Participaram deste evento a "velha guarda" dos alabês de Salvador, dando-se destaque para Jorge Alabê, como era conhecido o chefe dos tocadores da Casa Branca do Engenho Velho. Jorge viria a falecer exatos nove dias depois desta primeira edição do Festival, deixando farta produção e saudosa memória.

II Alaiandê Xirê

II - título e data do evento: O que Xangô quer toma e tomba: Xangô dobra os couros para o tombamento do Opô Afonjá, pelo Iphan: de 25 a 28 de novembro de 1999. Local: Axé Opô Afonjá. Esta foi a primeira edição internacional do Alaiandê Xirê, o qual contou com a presença de sacerdotes cubanos, residentes em Miami e Nova Iorque. Nesta edição, o festival prestou homenagem a Jorge Alabê.

III Alaiandê Xirê

III - título e data do evento: O Bambá do terreiro na Roda de bamba: 2,3,4 de dezembro de 2000. Local: Axé Opô Afonjá. Uma homenagem a Mãe Caetana Bamboxê: uma das maiores matriarcas do universo dos terreiros. Ogãs no Alaiandê Xirê.

IV Alaiandê Xirê

IV - título e data do evento: Xangô dobra os couros para as mulheres de mercado: de 9 a 11 de dezembro de 2001. Local: Axé Opô Afonjá. Uma homenagem a Oiá/Iansã, a padroeira das mulheres de mercado.

V Alaiandê Xirê

V - título e data do evento: Xangô dobra os couros para a identidade e soberania: de 8 a 10 de dezembro de 2002. Local: Axé Opô Afonjá.

VI Alaiandê Xirê

VI - título e data do evento: Semana de herança africana: Xangô dobra os couros para as aiabás orixás femininos: de 24 a 28 de agosto de 2003. Local: Pátio de Xangô, do Axé Opô Afonjá. O VI Alaiandê Xirê reuniu em 28 de agosto de 2003 no terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá, músicos-sacerdotes do candomblé de várias nações para discutir a herança africana e realizar o primeiro seminário 'Xangô na África e na diáspora'. O Festival Internacional de Alabês, Xicarangomas e Runtós reúne os melhores músicos sacerdotes do Brasil e do exterior. Teve a participação do Ministro da Cultura Gilberto Gil (iniciado no terreiro), palestra do antrOpôlogo Vivaldo da Costa Lima, apresentação da Oficina de Frevos e Dobrados, do maestro Fred Dantas, e lançamento do livro Ao sabor de Oiá, de Cléo Martins, coordenadora geral do evento. Expressão em iorubá que significa algo como 'a festa do grande tocador', o Alaiandê Xirê é uma espécie de celebração da música sacra das diferentes nações do candomblé, participam terreiros como a Casa Branca, Gantois, Bate Folha, Bogum e Pilão de Prata, entre outras. Os temas são variados, indo da própria mitologia dos orixás a questões mais contundentes como ética e intolerância religiosa. Ou ainda - um ponto sempre polêmico -, o momento do transe.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando