Níger
Níger, oficialmente República do Níger, é um país da África Ocidental. Faz fronteira com a Argélia e Líbia ao norte, a leste com o Chade, a sul com a Nigéria e Benim e a oeste com Burquina Fasso e Mali. O país abrange uma área de quase 1 270 000 km², fazendo desta a maior nação da África Ocidental, com mais de 75% de sua área de terra coberta pelo Deserto do Saara. A população é predominantemente islâmica, sendo estimada em 17 138 707 habitantes, conforme dados de 2013. A capital é Niamei, localizado no sudoeste do país, que é a sua cidade mais populosa.
Parte do antigo Império Songai, o Níger foi incorporado à África Ocidental Francesa em 1896. Em 1922, o território foi transformado em uma colônia. Em 1958, passa a ser uma república autônoma da comunidade francesa e, em 1960, abandona a comunidade proclamando sua independência. Desde então, os militares são a força política dominante, entrando frequentemente em conflito com os tuaregues. A descoberta de urânio na década de 1970 provoca um surto de desenvolvimento, que declina com a queda dos preços do produto nos últimos anos. A democratização, a partir de 1993, é frágil. O presidente Mahamane Ousmane enfrenta descontentamento dos militares pelo atraso no pagamento dos soldos, além do agravamento dos conflitos étnicos. Em 1993 há combates entre forças do governo e rebeldes tuaregues no nordeste do país. Fracassa uma tentativa de golpe militar. Em janeiro de 1994, a nação concorda com o programa de ajuste econômico do FMI, apesar da resistência popular e da oposição. Em março, o Clube de Paris reduz pela metade a dívida do Níger, cujo pagamento consumia 47% das exportações.
O Níger é uma nação do interior da África Ocidental, localizada ao sul da Argélia e Líbia e ao norte da Nigéria. A sua área é de 1 267 000 quilómetros quadrados, dos quais 1 266 700 km² são terra e 300 km² são água. Portanto o país tem uma área pouco menor do que a do estado do Pará. Faz fronteira com sete países e tem um total de 5697 km de fronteiras. A fronteira mais longa é com o Chade, a leste, com 1 175 km. A esta segue-se a fronteira com a Nigéria, a sul (1 497 km), com a Argélia, a norte-noroeste (956 km) e com o Mali, com 821 km. O Níger também possui pequenas fronteiras a sudoeste (com Burquina Fasso com 628 km e com o Benim com 266 km) e a norte-nordeste (com a Líbia com 354 km). O país tem dois terços de seu território no Deserto do Saara; o vale do rio Níger com falésias; montanhas de Aïr; o clima subtropical é geralmente quente e seco, mas no extremo sul existe uma zona de clima tropical nos limites da bacia do rio Congo.
Flora e fauna
O norte do Níger é coberto por grandes desertos e semidesertos. A fauna típica de mamíferos é constituída por antílopes como adaxs, órixs, gazelas e ovelhas nas montanhas de Barbary. Uma das maiores reservas do mundo, a Reserva Natural Nacional de Aïr e Ténéré, foi fundada no norte do Níger para proteger essas espécies raras. As partes do sul do Níger são savanas naturalmente dominadas. O Parque Nacional W, situado na área limítrofe de Burquina Fasso e Benim, pertence a uma das áreas mais importantes para a vida selvagem na África Ocidental, que é chamada de complexo WAP (W-Arly-Pendjari). Tem a população mais importante do raro leão da África Ocidental e uma das últimas populações de guepardo-do-noroeste-africano do noroeste da África.
A atual Constituição do Níger foi aprovada em referendo a 18 de julho de 1999 e entrou em vigor a 1 de agosto. A forma política de governo é de República Semipresidencialista. O Poder Legislativo corresponde à Assembleia Nacional eleita a cada cinco anos. Esta propõe três candidatos para primeiro-ministro entre os quais o Presidente da República, que é eleito por sufrágio universal em dois turnos, nomeia um. O Presidente, chefe de estado, tem poder para dissolver a Assembleia e para convocá-la de forma extraordinária, e é também eleito para um período de cinco anos. O poder executivo está dividido entre o primeiro-ministro e o Presidente. O Tribunal Constitucional é escolhido pela Assembleia e pelo Presidente da República, e garante o cumprimento das normas constitucionais e vigia os processos eleitorais.
Imagem: Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE · BY-SA · Openverse
As principais subdivisões do Níger chamam-se departamentos (départements em francês) e são classificadas por Regiões do Níger:
A população do Níger era de 11 360 538 (2004), sendo o país de África com maior número de tuaregues. Em 2010, Níger foi classificado como um dos países com a mais baixa classificação no IDH (0,261), ocupando a antepenúltima posição (167º). No Níger, 98,7% professa o Islamismo (sunitas), 0,4% o cristianismo, 0,7% as crenças tradicionais, e 0,2% outras, segundo dados de 1988.
Etnias
O Níger tem uma grande variedade de grupos étnicos, como na maioria dos países da África Ocidental. A composição étnica do Níger em 2001 é a seguinte: Hauçás (55,4%), zarma (21%), tuaregues (9,3%), fulas (8,5%), canúris (4,7%), tubus (0,4%), árabes (0,4%), gurmas (0,4%), outros (0,1%). Os zarmas dominam as regiões Dosso, Tillabéri e Niamei, os hauçás dominam as regiões Zinder, Maradi e Tahoua, os canúris dominam a região Diffa e os tuaregues dominam a região Agadez, no norte do Níger.
Línguas
O idioma oficial do Niger é a língua hauçá. O francês, herdado do período colonial, foi a língua oficial até 2025 e ainda é falado principalmente como segunda língua por pessoas que receberam uma educação ocidental formal e serve como língua de trabalho. O Níger era membro da Organização Internacional da Francofonia desde 1970, porém se retirou em março de 2025. O Níger possui dez idiomas nacionais reconhecidos, como o árabe, buduma, fula, gurma, canúri, zarma e songai, tuaregues, tasawaq e tebu. Cada uma dessas línguas é falada como primeira língua principalmente pelo grupo étnico ao qual está associado. Hauçá e zarma-songai, as duas línguas mais faladas, são amplamente faladas em todo o país como primeira ou segunda língua.
Emigração
Em 2015, a União Europeia decidiu agir de forma mais significativa para deter os migrantes do Sul. Reunidos na capital maltesa, os representantes dos países membros imaginaram como externalizar a sua luta contra a imigração, com a ajuda de certos Estados africanos. Em troca de algumas centenas de milhões de euros de ajuda económica, as autoridades nigerianas concordaram em torná-la ilegal para os migrantes atravessarem. Desde então, qualquer pessoa que permita a um migrante entrar ou sair ilegalmente do país em troca de um benefício financeiro ou material está sujeito a uma pena de prisão de cinco a dez anos e a uma multa de até 5 milhões de francos CFA ('7.630). Qualquer pessoa que os ajude durante a sua estadia sem beneficiar dela - que lhes forneça alojamento, comida ou vestuário - é passível de dois a cinco anos na prisão. Uma simples suspeita pode ser suficiente para enviar uma pessoa de volta para o sul do país, por vezes após uma curta estadia na prisão. Segundo o Relator Especial da ONU sobre os direitos humanos dos migrantes: "A falta de clareza no texto e a sua implementação repressiva - em vez de procurar a protecção dos indivíduos - resultou na criminalização de todas as migrações e levou os migrantes a esconderem-se, tornando-os mais vulneráveis a abusos e violações dos direitos humanos.
O Níger é uma das mais pobres nações do planeta, cuja economia é centrada na agricultura de subsistência, na criação de animais e na reexportação de produtos, e cada vez menos baseada na produção de urânio, seu principal produto de exportação desde a década de 1970. O país, porém, continua a ser um grande extrator do metal: foi o 6º maior produtor mundial em 2018. A agricultura e os produtos agrícolas constituem no maior setor da economia do Níger em termos de número de pessoas empregadas e a porcentagem do produto interno bruto (PIB). O milho e o sorgo são cultivados no sul, assim como a mandioca e a cana-de-açúcar. O arroz é cultivado nas margens do rio Níger. Em 2019 o país era o 2º maior produtor do mundo de milhete e feijão-fradinho, o 9º maior produtor de sorgo, além de ter como outras das principais produções em termos de volume: cebola, amendoim, mandioca, repolho, frutas, cana de açúcar, tomate e pimentão. A produção leiteira do país se destaca: em 2019 o país produziu 1,4 bilhões de litros de leite de animais variados (vaca, cabra, ovelha e camela). Já a produção de carne do país é pequena. As maiores exportações de produtos agropecuários processados do país em termos de valor, em 2019, foram: arroz (U$ 271 milhões), gergelim (U$ 205 milhões), açúcar (U$ 82 milhões) e óleo de palma (U$ 63 milhões), entre outros.
Arqueologia
O Níger é rico em vestígios paleontológicos e arqueológicos, alguns deles notáveis. Há vários cemitérios de dinossauros espalhados pelo deserto, incluindo um local perto do penhasco Tiguidit, ao sul de Agadez. Vários esqueletos e fósseis de animais foram descobertos. O Museu Nacional Boubou-Hama em Niamey tem um pavilhão dedicado a este assunto. O maciço de Aïr (norte do país) e o deserto de Teneré abrigam inúmeras gravuras rupestres, como as girafas de Dabous. No deserto, não é incomum encontrar locais cobertos com pontas de flechas de sílex. Populações nômades locais (principalmente tuaregues) podem tentar vendê-los aos turistas. A legislação é clara. Para evitar o tráfico, é estritamente proibido levar esses objetos para fora do país.


