Numane III ibne Almondir
Numane III ibne Almondir, também transcrito como Naamane (Na'aman), Nuamane (Nu'aman) e Nomane (Noman) e muitas vezes conhecido pela cúnia Abu Cabus, foi o último rei lácmida de Hira (582–602) e um árabe cristão nestoriano. Ele é considerado um dos mais importantes governantes lácmidas.
Infância e irmãos
Numane era filho de Alamúndaro IV (r. 575–580) e Salma, a filha de um ourives judeu, Uail ibne Atia de Fadaque, e foi escrava de Alharite ibne Hisne, da tribo dos calbitas. A origem básica e até servil de sua mãe costumava ser usada para zombar de Numane pelos poetas contemporâneos. Além disso, as fontes árabes retratam por unanimidade Numane como um indivíduo particularmente feio, e comentam sobre seus cabelos ruivos, sua baixa estatura e sua pele manchada. Segundo Atabari, ele foi criado na infância pelo poeta cristão Adi ibne Zaíde, que com seus irmãos serviu como secretário de assuntos árabes para o senhor dos lácmidas, o xainxá sassânida. Ele tinha numerosos irmãos — 11 ou 12, segundo as fontes.
Reinado
A sucessão de Numane em 580 não esteve imune à oposição, pois o clã dos marinaítas apoiou seu irmão Alaçuade. O xainxá Hormisda IV (r. 579–590) nomeou Ias ibne Cabiça Atai como governador interino, enquanto um candidato adequado foi procurado na dinastia lácmida. As fontes árabes informam que a intervenção de Adi ibne Ziade foi decisiva: Adi fez os outros filhos de Almondir se apresentarem primeiro a Hormisda, que perguntou se eles poderiam cumprir os deveres do cargo. A isso, todos responderam, instruídos por Adi: "Podemos controlar os árabes para você, exceto Numane". Quando Numane veio pela última vez, ele prometeu com confiança não apenas controlar os árabes, mas também seus irmãos, dizendo: "Se eu não posso lidar com eles, então não posso lidar com ninguém!". Satisfeito com sua resposta, Hormisda o nomeou rei e lhe deu uma coroa incrustada em ouro e pérola no valor de 60 mil dirrãs para confirmar sua posição.
Queda, morte e consequências
Apesar da assistência prestada a Cosroes, depois que este foi restaurado ao seu trono, os dois querelaram. As fontes não fornecem uma razão clara para isso, atribuindo sua disputa à recusa de Numane em dar seu cavalo a Cosroes ou em casar uma de suas filhas, Hinde, com um dos parentes de Cosroes. É mais provável que isso tenha a ver com a briga anterior entre Numane e seu conselheiro principal, Adi ibne Zaíde, que ficou sob suspeita de conspirar contra Numane e foi executado. O filho de Adi, que tinha o ouvido de Cosroes, conseguiu virar o governante persa contra Numane. A conversão deste último ao cristianismo nestoriano também pode ter sido um fator, pois Cosroes desconfiava da crescente influência dos cristãos em sua própria corte. Por outro lado, o ramo nestoriano do cristianismo era geralmente visto com menos hostilidade pelos governantes sassânidas, e o próprio Cosroes era casado com uma cristã, Sirém.
Segundo Irfan Shahîd, nas histórias posteriores, o reinado de Numane "foi o mais memorável depois do de seu avô, Alamúndaro III". A capital lácmida, Hira, continuou a ser o principal centro cultural árabe de seu tempo, particularmente através do patrocínio de poetas de Anumane, principalmente Adi ibne Zaíde e o panegirista Anabiga Adubiani. Numane também foi o primeiro a se converter abertamente ao cristianismo, provavelmente após a conclusão da paz com Império Bizantino em 591. Isso aumentou a importância de Hira como um centro cristão nestoriano, particularmente para atividades missionárias no Golfo Pérsico e na Arábia Oriental.


