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Ibne Abede Albarre

Ibne Abede Albarre, nome completo Abu Omar Jamaladim Iúçufe ibne Abedalá ibne Maomé ibne Abede Albarre Anamari, foi um estudioso andalusino de hádice, jurisprudência, história e sira, considerado um dos mais importantes tradicionalistas de seu tempo. Pertencente à escola maliquita, destacou-se pela independência de suas posições jurídicas e foi também caracterizado como atari.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/10/2026
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Vida

Ibne Abede Albarre nasceu em 5 de Rabi Alarrir de 368 A.H. (10 de novembro de 978), em Córdova, no Alandalus. Era conhecido pela nisba Anamari, derivada de seu ancestral Anamir ibne Cácite. Seus antepassados haviam chegado ao Alandalus juntamente com outras tribos árabes e grupos berberes muçulmanos e se estabelecido em Raia. Pertencia a uma família ligada aos estudos religiosos: seu avô Maomé foi um conhecido sufi, enquanto seu pai, Abedalá, esteve entre os estudiosos de recitação corânica, exegese, jurisprudência e hádice de Córdova. Durante sua formação inicial, estudou com Abas ibne Asbague Alhamadani e Abderramão ibne Abane, dedicando-se posteriormente à exegese, jurisprudência, hádice, dialética e sira. Embora não tenha deixado o Alandalus para estudar, recebeu ijazas de 107 estudiosos, cerca de cem deles andalusinos. Entre seus principais mestres estiveram Abu Alcácime ibne Adabague, Ibne Batal Albataliauci, Abede Aluairite ibne Sufiane, Amade ibne Cácime Albazar, Abu Omar Amade ibne Abedalá Albaji, Ibne Almacui e Ibne Alfaradi. Entre seus discípulos destacaram-se Abu Ali Algaçani, Ibne Hasme, Maomé ibne Futu Alhumaidi e Abderramão ibne Atabe. Embora Ibne Hasme fosse seu contemporâneo e ambos tivessem estudado com alguns dos mesmos mestres, aprendeu com Ibne Abede Albarre a ciência do hádice e transmitiu tradições recebidas dele.

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Pensamento e reputação

A reputação de Ibne Abede Albarre entre os estudiosos de seu tempo e das gerações posteriores foi elevada. Ibne Hasme, conhecido por suas críticas severas a estudiosos célebres e particularmente a seus contemporâneos, qualificou-o como um imame na ciência do hádice. Ibne Aiade, em sua obra Ṭabaqāt al-fuqahāʾ fī ʿaṣr Ibn ʿAbd al-Barr, dedicada aos juristas da época de Ibne Abede Albarre, chegou a denominar o século XI de "século de Ibne Abede Albarre". Adaabi descreveu-o como um "mar de conhecimento", enquanto Açuiuti o considerou o principal tradicionalista de seu tempo quanto à capacidade de memorização e precisão. Por sua adesão ao hádice e à suna, foi caracterizado como atari. Ibne Taimia apresentou-o como simpatizante do xiismo por supostamente defender a superioridade de Ali sobre os demais companheiros de Maomé, interpretação que não obteve aceitação. Na introdução do al-Istīʿāb, Ibne Abede Albarre afirma que não havia recebido de Maomé nenhuma tradição que estabelecesse a superioridade de determinado companheiro sobre os demais, o que contradiz a ideia de que tivesse colocado Ali acima dos três primeiros califas e dos outros companheiros. Embora pertencente à escola maliquita, não se limitava às posições de Maleque ibne Anas. Em algumas questões abandonou a opinião de Maleque em favor da de Axafii e, em suas obras, empregou repetidamente expressões pelas quais indicava qual posição considerava correta, qual tradição julgava mais autêntica ou qual entendimento lhe parecia mais próximo da verdade. Essa independência de julgamento é apresentada como indício de que alcançou o grau de mujtahid.

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Obras

A produção de Ibne Abede Albarre abrangeu sobretudo o hádice, a jurisprudência, a história, a biografia, a genealogia, a literatura e a ética. Parte considerável de sua obra relaciona-se ao Al-Muwaṭṭaʾ de Maleque, enquanto seus escritos históricos se tornaram importantes fontes para a biografia dos primeiros muçulmanos e para a história tribal árabe.

Hádice e jurisprudência

Sua principal obra nesse campo é o al-Tamhīd li-mā fī al-Muwaṭṭaʾ min al-maʿānī wa-l-asānīd, comentário ao Al-Muwaṭṭaʾ baseado na recensão de Iáia ibne Iáia Alaiti. Ibne Abede Albarre tomou como ponto de partida os hádices atribuídos diretamente a Maomé nessa recensão, acrescentando tradições paralelas ou corroborativas presentes em outras coletâneas. Organizou os hádices segundo fossem contínuos, interrompidos ou murçais e indicou outras cadeias pelas quais tradições interrompidas ou murçais chegavam com isnades contínuos. Ao comentar as tradições, forneceu biografias dos transmissores, reproduziu opiniões de estudiosos e poetas e expôs as consequências jurídicas que delas extraía. Organizou os mestres de Maleque segundo a ordem do alfabeto magrebino, produzindo uma obra de caráter enciclopédico que refletia sua formação em diferentes campos. O al-Tamhīd alcançou grande aceitação, particularmente no Alandalus, e foi objeto de comentários, resumos e reorganizações jurídicas, além de ter sido versificado em quinhentos versos por Cácime ibne Firru Axatibi.

História e biografia

O al-Durar fī ikhtiṣār al-maghāzī wa-l-siyar, uma das primeiras obras de sira produzidas no Alandalus, foi organizado em seis capítulos. Baseou-se sobretudo no al-Maghāzī de Ibne Isaque, embora o autor declare ter recorrido também a Muça ibne Uqueba e Aluaquidi. A obra que algumas fontes atribuem separadamente a Ibne Abede Albarre sob o título al-Maghāzī provavelmente corresponde ao próprio al-Durar. Ibne Abede Albarre transmitiu as informações do al-Durar juntamente com suas cadeias de transmissão e avaliou a solidez destas. Em algumas ocasiões extraiu consequências jurídicas dos episódios da sira, procurou resolver divergências em questões controversas e indicou suas próprias preferências. Na exposição dos acontecimentos, levou ainda em consideração os versículos do Alcorão e as circunstâncias de sua revelação. A obra alcançou notoriedade tanto no Alandalus como no Oriente islâmico e foi utilizada, entre outros, por Ibne Hasme, Assuaili, Alcalai, Ibne Saíde Anás, Alcazine e Xameçadim Axami.

Literatura e ética

O Bahjat al-majālis wa-uns al-mujālis wa-shaḥdh al-dhāhin wa-l-hājis, obra que evidencia a formação literária de Ibne Abede Albarre, alcançou ampla difusão e foi objeto de transmissões e abreviações. Algumas obras que Carl Brockelmann lhe atribuiu separadamente, entre elas al-Amthāl al-sāʾira wa-l-abyāt al-nādira e Adab al-mujālasa, são na realidade seções do Bahjat al-majālis, equívoco posteriormente repetido por estudiosos que editaram o segundo texto como obra independente. No al-Iḥtibāl bi-mā fī shiʿr Abī al-ʿAtāhiya min al-ḥikam wa-l-amthāl, reuniu poemas de Abu Alataia, dispondo-os segundo as letras das rimas conforme a ordem do alfabeto magrebino. A obra sobreviveu em manuscrito e seu conteúdo também foi incorporado a edições da poesia de Abu Alataia. São-lhe ainda atribuídos o Mukhtārāt min al-shiʿr wa-l-nathr, coletânea de seleções de poesia e prosa, e o Nuzhat al-mustamtiʿīn wa-rawḍ al-khāʾifīn. As fontes atribuem a Ibne Abede Albarre outras obras além dessas.

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