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Mesopotâmia Superior

Mesopotâmia Superior, Alta Mesopotâmia, Jazira ou Jeziré são designações para as terras altas e a grande planície do noroeste do Iraque, nordeste da Síria e sudeste da Turquia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Geografia

O nome Jazira foi usado nas fontes históricas islâmicas para referir a parte norte da Mesopotâmia, que juntamente com Sauade, constituía Alaraque (Iraque). O nome significa "ilha", e a certa altura referia-se à terra entre dois rios. Historicamente, o nome referia-se, em sentido mais estrito à planície de Sinjar, que descia desde as montanhas Sinjar, ou em sentido lato a todo o planalto a oriente das cordilheiras costeiras. Antes dos Abássidas, as fronteiras ocidentais e orientais parecem ter flutuado, por vezes incluindo o que é atualmente o norte da Síria, a oeste, e Adiabena a leste.[nt 1] Por vezes a designação Jazira ou Jeziré é aplicada especificamente à parte norte da Mesopotâmia da Síria, que corresponde praticamente ao atual distrito de Al-Hasakah.[nt 2] A Jazira é caraterizada por uma planície aluvial, muito diferente do Deserto Sírio a a planície baixa da Mesopotâmia central; no entanto a área inclui colinas erodidas e cursos de água incisos. A região tem diversas partes diferentes. A noroeste é um dos maiores desertos de sal do mundo, o Lago Jabul. Mais a sul, desde Moçul até perto de Baçorá, é um deserto de areia não muito diferente do Rub' al-Khali, onde as temperaturas atingem os 58ºC no verão. No final do século XX e início do século XXI a região assistiu a grandes secas.[nt 1]

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História

Pré-história

A região é extremamente importante do ponto de vista arqueológico. Foi ali que foram encontrados os vestígios mais antigos de agricultura e domesticação de animais, ou seja, a Mesopotâmia Superior pode ter sido o ponto de partida para a civilização e o mundo moderno. O Karaca Dağ, um vulcão extinto no sul da Turquia onde o parente mais próximo do trigo moderno ainda cresce de forma selvagem, situa-se na Jazira. Em alguns locais ao longo das margens do Alto Eufrates (por exemplo Mureybet) pode observar-se uma ocupação contínua desde um estilo de vida caçador-coletor, baseado na caça e na recolha e moagem de cereais silvestres, até uma economia baseada sobretudo no cultivo de variedades ainda selvagens de trigo, cevada e legumes desde cerca de 9 000 a.C. A domesticação de cabras e ovelhas surgiu umas gerações mais tarde mas só se generalizou mais de mil anos depois. A tecelagem e cerâmica surgiu dois milénios depois.[nt 1]

Antiguidade

A Alta Mesopotâmia é o coração da antiga Assíria. A partir do século XXIII a.C. fez parte do Império Acádio. Quando este império colapsou, os Acadianos do norte fundaram a Assíria, e a Alta Mesopotâmia fez parte integral, primeiro do estado assírio, desde 2 000 a.C., e depois do Império Neoassírio, até 608 a.C., quando passou para as mãos do ramo meridional dos Assírios, os Babilónios. A partir de 539 a.C. passou a fazer parte do Império Persa Aqueménida, no qual foi conhecido como Atura (nome persa da Assíria). A partir de 330 a.C. a região foi governada pelo Império Selêucida, que sucedeu a Alexandre, o Grande. Os Gregos corromperam o nome para Síria. Pertenceu depois aos Partos e Romanos e foi chamada Assíria por ambos. Durante o Império Sassânida, do qual também fez parte, foi chamada Assuristão (equivalente a Assíria). No século VII d.C. foi conquistada pelo emergente Império Islâmico, passando a ser conhecida como Jazira.[nt 1]

Impérios islâmicos

A conquista da região pelos muçulmanos teve lugar durante o primeiro Califado, que na generalidade manteve a administração local intacta, limitando-se a aplicar a jizia (imposto sobre os cidadãos não muçulmanos) à população. Durante o governo de Moáuia I {{nowrap|(602—680; governador da Síria e depois fundador do Califado Omíada), a administração da Jazira foi incluída na da Síria. Durante o Califado Omíada, a administração foi frequentemente partilhada com a da Arménia e do Azerbaijão.[nt 1] A prosperidade da região e o valor elevado das suas produções agrícola e de manufatura tornou-a objeto da cobiça entre os líderes das primeiras conquistas islâmicas. Vários conquistadores tentaram, em vão, juntar várias cidades das antigas províncias sassânidas e das recém-conquistadas províncias bizantinas da Mesopotâmia numa unidade coerente sob o seu governo. Contudo, o controlo da região foi fundamental para qualquer que fosse o poder centrado em Bagdade. Consequentemente, o estabelecimento do Califado Abássida no século VIII implicou que a Jazira ficasse sob o governo direto do governo central de Bagdade. Nesse tempo, a província era uma das que rendiam mais dinheiro em impostos ao califado.[nt 1]

História moderna

Entre 1920 e 1946, na sequência da ocupação do Império Otomano pelos Aliados da Primeira Guerra Mundial, a parte síria da Jazira, como o resto da Síria, esteve sob a alçada do Mandato Francês da Síria. Nesse período, a população sedentária nessa região era em grande parte constituída por Curdos, Assírio-Caldeus e Arménios, muitos deles refugiados da Turquia e do Iraque, que fugiram aos diversos massacres étnicos que ficaram conhecidos como Genocídio Assírio, levados a cabo entre 1914 e 1920 pelos Otomanos, nomeadamente em Deir Zor.[nt 2] A Jazira é a pátria tradicional dos Assírios, cristãos que falam aramaico, descendentes dos antigos Mesopotâmicos.[nt 1]

Atualidade

Jeziré é uma das quatro dioceses da Igreja Ortodoxa Síria; as outras são Alepo, Homs-Hama e Damasco.[nt 1] A região registou uma elevada taxa de emigração nos últimos 40 anos, para o que contribuiu principalmente a seca e a emigração de cristãos assírios devido à intolerância religiosa e étnica por parte dos muçulmanos.[nt 1]

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Fontes consultadas

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