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Algazali

Abul Amide Maomé ibne Maomé Algazali, melhor conhecido somente como Algazali, foi um teólogo islâmico, jurista, filósofo, cosmólogo, psicólogo e místico de origem persa, e continua a ser um dos estudiosos mais célebres da história do pensamento islâmico sunita. É considerado um pioneiro da dúvida metódica e do ceticismo, e em uma de suas principais obras, A Incoerência dos Filósofos, mudou o curso da filosofia islâmica clássica, afastando-a de uma metafísica islâmica influenciada pelas filosofias grega e helenística, rumando para um filosofia islâmica baseada em causa e efeito que foram determinados por Deus ou anjos intermediários, uma teoria hoje conhecida como ocasionalismo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Biografia

Algazali contribuiu significativamente para o desenvolvimento de uma visão sistemática do Sufismo e sua integração e aceitação no Islã tradicional. Ele era um estudioso do Islã sunita, pertencendo à escola xafeísta de jurisprudência islâmica e à escola Axarita de teologia. Algazali recebeu muitos títulos como Sharaful A'emma (em árabe: شرف الأئمّة), Zainuddin (árabe: زين الدين), Hujjatul Islã, que significa "Prova do Islã" (árabe: حجّة الاسلام). É visto como o membro-chave da influente escola axarita da antiga filosofia muçulmana e o contestador mais importante dos Mutazilites. No entanto, escolheu uma posição ligeiramente diferente em comparação com os axaritas; suas crenças e pensamentos diferem, em alguns aspectos, da escola axarita.

Vida

Algazali nasceu em 1058 em Tus, uma cidade na província de Coração, na Pérsia. Seu pai, um tradicional sufi, morreu quando ele e seu irmão, Amade Algazali, ainda eram jovens. Um dos amigos de seu pai educou-os nos anos seguintes. Em 1070, Algazali e seu irmão foram para Gurgã para se inscreverem em uma madraça (seminário islâmico). Lá, ele estudou fiqh (jurisprudência islâmica) ao lado de Amade ibne Maomé Radecani e Abu Alcácime Jurjani. Depois de estudar por aproximadamente 7 anos retornou a Tus. Sua primeira viagem importante a Nixapur ocorreu por volta de 1080 quando ele tinha quase 23 anos. Tornou-se aluno do famoso estudioso muçulmano Abu Almali Aljuaini, conhecido como imame Alharamaim. Após a morte de Juaini em 1085, Algazali foi convidado para ir para a corte de Nizã Almulque, o poderoso vizir dos sultões seljúcidas. O vizir ficou tão impressionado com os conhecimentos de Algazali que, em 1091, nomeou-o como professor-chefe do Nizamia de Bagdá. Ele costumava palestrar para mais de 300 alunos e sua participação nos debates e discussões islâmicas fê-lo popular em todo o território islâmico.

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Principais obras

Algazali escreveu mais de 70 livros sobre as ciências, antiga filosofia islâmica, psicologia islâmica, calam e sufismo. Seu livro do século XI intitulado A Incoerência dos Filósofos marca uma virada importante na epistemologia islâmica, quando Algazali efetivamente descobriu o ceticismo filosófico que não seria comumente visto no Ocidente até René Descartes, George Berkeley e David Hume. O encontro com o ceticismo levou Algazali a abraçar uma forma de ocasionalismo teológico e fanatismo religioso, ou a crença de que todos os eventos causais e as interações não são o produto de conjunções materiais, mas sim a vontade imediata e presente de Deus.

A Incoerência dos Filósofos

A Incoerência dos Filósofos marcou um ponto de virada na filosofia islâmica, em sua veemente rejeição de Aristóteles e Platão. O livro tinha como alvo o falsafa, um grupo vagamente definido de filósofos islâmicos dos séculos VIII ao XI (os mais notáveis dentre eles eram Avicena e Al-Farabi) que se baseava intelectualmente nos gregos antigos. Algazali amargamente denunciou Aristóteles, Sócrates e outros escritores gregos como não-crentes e rotulou aqueles que empregavam os seus métodos e ideias como corruptores da fé islâmica. A Incoerência dos Filósofos é famoso por propor e defender a teoria axarita do ocasionalismo. Como um exemplo da ilusão das leis independentes de causa, Algazali cita o fato de que o algodão queima quando entra em contato com o fogo. Embora pareça que isso ocorre devido a uma lei natural, ele argumenta que, cada vez que isso acontece, é porque Deus desejou que acontecesse – o evento foi “um produto direto da intervenção divina, da mesma forma que qualquer milagre que chame a atenção”. Ele defendeu esse argumento usando a lógica: como Deus é geralmente visto como racional, ao invés de arbitrário, o seu comportamento em geral causando eventos na mesma sequência - isto é, o que nos parece ser a causa eficiente -, o fato pode ser entendido melhor como um trabalho natural de Deus do que o princípio da razão, descrito pelos antigos filósofos como as leis da natureza. Propriamente falando, essas não são leis da natureza, mas as leis que Deus escolhe para reger o seu comportamento - sua autonomia, em sentido estrito. Em outras palavras, a sua vontade racional.

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Influência

Imagem: Algazali Forum · BY-SA · Openverse

Algazali teve uma influência importante tanto nos filósofos muçulmanos como nos cristãos medievais. Margaret Smith escreve em seu livro hagiográfico Al-Ghazali: The Mystic: "Não pode haver dúvida de que as obras de Algazali seriam as primeiras a atrair a atenção desses estudiosos europeus". Ela enfatiza: "O maior desses escritores cristãos influenciados por Algazali foi São Tomás de Aquino (1225-1274), que fez um estudo sobre escritores árabes e admitiu sua dívida para com eles. Ele estudou na Universidade de Nápoles, onde a influência da literatura e cultura árabe era predominante na época." Além disso, o interesse de Tomás de Aquino por estudos islâmicos pode ser atribuída à infiltração do 'Averroísmo Latino' no século XIII, especialmente na Universidade de Paris. A influência de Algazali foi comparada à obra de São Tomás de Aquino na teologia cristã, mas os dois diferiram muito em métodos e crenças. Algazali rejeitou os filósofos não-islâmicos como Aristóteles e se considerou apto a descartar seus ensinamentos com base na sua "incredulidade", mas Aquino os abraçou e incorporou o pensamento grego antigo e latino em seus escritos filosóficos.

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Visão Psicológica de Algazali

Imagem: nuansacendekia · BY-NC · Openverse

Algazali foi um dos primeiros grandes pensadores islâmicos a tratar a psicologia com método sistemático e quase clínico, muito antes de termos uma “psicologia” moderna. No Ihya Ulum al-Din (especialmente nos livros da Esperança e da Tristeza) e no Kimiya-yi Sa’adat, ele analisa as emoções humanas como estados mentais complexos que afetam diretamente o coração e o destino espiritual. Um fato que ainda não aparece na página e é pouco conhecido até hoje: Ele afirma que a tristeza (huzn) não é um vício, mas uma virtude purificadora. “Não há tristeza mais pura do que aquela do coração que busca a Deus”, escreveu ele. A tristeza genuína nos purifica dos desejos mundanos, nos torna mais humildes e nos aproxima de Deus. Ele via a tristeza como uma “dor terapêutica”, o coração em sofrimento busca a verdade, enquanto a alegria superficial envaidece o ego. Essa visão psicológica é revolucionária na Idade Média: ele descreve o coração (qalb) como um jardim espiritual onde emoções como amor, medo, raiva e desejo são sementes que podem crescer como flores (virtudes) ou espinhos (vícios). O sufismo, para ele, é exatamente o “cortejo” que transforma esse jardim em paraíso, uma descrição quase idêntica à que hoje chamamos de “inteligência emocional” aplicada à vida espiritual.

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Visão da educação

O desenvolvimento da primeira infância foi um ponto central de Algazali. Ele trabalhou para influenciar e desenvolver um programa para moldar as mentes jovens das crianças desde a mais tenra idade, para desenvolver sua mente e caráter, ressaltando que a socialização, a família e as escolas eram centrais na conquista da linguagem, da moralidade e do comportamento. Ele enfatizou a incorporação de atividades físicas, como jogos, para atrai-los a frequentar as escolas e manter sua educação, assim como a importância de entender e compartilhar diversas culturas nas salas de aula, de forma a alcançar a bondade mútua e uma harmonia cívica que seria expressa fora da sala de aula. Em seus escritos, colocou essa responsabilidade sobre os professores. Seu tratado sobre educação infantil centrava-se nas leis islâmicas, em Deus e na memorização do Alcorão para obter habilidades literárias. Algazali enfatizou a importância de que haja mútuo respeito entre o professor e o aluno. Enquanto o professor orienta, assume o papel de figura paterna e oferece conselhos ao aluno, este respeita o professor como patriarca, e que o professor precisava prestar atenção aos ritmos de aprendizado de seus alunos, para que pudesse ajudá-los a ter sucesso nas realizações acadêmicas.

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