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Compras de Sursock

As Compras de Sursock foram transações realizadas por organizações judaicas para aquisição das terras pertencentes à família cristã ortodoxa grega libanesa Sursock na Síria otomana entre os anos de 1901 a 1925. As transações incluíram o Vale de Jizreel e a Baía de Haifa, entre outras terras que hoje fazem parte do Estado de Israel. Tomadas em conjunto, representam a maior aquisição de terras por judeus na Palestina durante as ondas de imigração modernas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
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Contexto

Durante grande parte do período de domínio otomano, as terras baixas da Palestina sofreram com o despovoamento devido às condições insalubres das planícies e à insegurança da vida no local. Segundo Henry Laurens, tal situação não era peculiar àquela região, mas refletia um traço geral comum a todas as regiões litorais ao norte e ao sul do Mediterrâneo. A malária era comum na área, especialmente nas planícies, dificultando a colonização e permitindo que os beduínos se estabelecessem ali. Durante os anos de seca, os beduínos do ghor invadiam terras cultivadas pelos felain locais, cobrindo toda a área com suas tendas. Nômades “permanentes”, os beduínos de ascendência turcomana viviam no Vale de Jizreel durante o verão e o outono, e depois atravessavam as Colinas de Manassés para passar o inverno entre o Vale e a região de Sharon.

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Compras pelos Sursock

Em 1872, o governo otomano vendeu o Vale de Jizreel (em árabe, Marj ibn Amir) à família Sursock por aproximadamente £20.000. A família adquiriu 230.000 a 400.000 dunams (90.000 acres ou 364 km2). Estas compras foram realizadas ao longo de vários anos. O negócio, juntamente com outras transações de terras na área, desalojou os beduínos locais. Os Sursocks começaram rapidamente a repovoar aldeias há muito abandonadas por meio de arrendatários. A maioria dessas aldeias ficava nos arredores do vale. De acordo com o depoimento de Frances E. Newton na Comissão Shaw, observou-se a gênese da compra de Sursock: "... essas terras passaram à posse dos Sursock por meio de um empréstimo que ele havia feito ao governo turco. O governo turco nunca teve qualquer intenção de afastar os árabes da terra. Era mais uma espécie de hipoteca, e os Sursock estavam recebendo os juros sobre seu dinheiro... Os Sursock não tinham a posse dos terrenos no negócio original. Posteriormente, entretanto, eles solicitaram ao governo que lhes desse os títulos de propriedade."

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Compras pelos judeus

Discussões iniciais

Em 1891, Yehoshua Hankin, que havia imigrado da Rússia para a Palestina alguns anos antes, iniciou negociações para adquirir o Vale de Jizreel; mas as negociações foram encerradas quando o governo otomano promulgou uma proibição à imigração judaica. Em 10 de março de 1897, Theodor Herzl escreveu sobre a família Sursock em seu diário, observando o início das negociações com a Associação de Colonização Judaica para a compra de 97 aldeias na Palestina: A Associação de Colonização Judaica está atualmente negociando com uma família grega (Soursouk é o nome, eu acho) para a compra de 97 aldeias na Palestina. Esses gregos vivem em Paris, perderam seu dinheiro no jogo e desejam vender seus imóveis (3 % de toda a área da Palestina, de acordo com Bambus) por 7 milhões de francos.

Compras da Associação de Colonização Judaica (1901)

Em 1901, a Associação de Colonização Judaica (JCA), tendo sido impedida de comprar terras no Mutassarrifado de Jerusalém, fez sua primeira grande compra no norte da Palestina, adquirindo 31.500 dunums de terra perto de Tiberíades da família Sursock e de seus sócios.

Caso Fula de 1910–1911

Entre 1910 e 1911, Elias Sursock vendeu para o Fundo Nacional Judaico uma área de 10.000 dunums ao redor da vila de al-Fula, localizada junto às montanhas de Nazaré em Marje ibne Amir. Os camponeses palestinos se recusaram a deixar a terra e Shukri al-Asali, que era o caimacão (governador do distrito) de Nazaré, recusou-se a finalizar a transação e tentou anular a venda. Os próprios moradores enviaram uma petição ao grão-vizir reclamando do uso opressivo do poder arbitrário (tahakkum). Em particular, eles alegavam que Ilyas Sursock e um intermediário venderam terras para pessoas a quem chamavam de "sionistas" e "filhos da religião de Moisés" (siyonist musevi) que não eram súditos otomanos. Segundo eles, a venda privaria 1.000 moradores de seus meios de subsistência. Em petições anteriores relativas a disputas de terras, os judeus eram habitualmente referidos como "israelitas" (Isra'iliyyun). Esse episódio, que ocorreu durante as primeiras compras sionistas dos Sursocks, ficou conhecido como o "Caso Fula" (às vezes erroneamente chamado de "caso Afula" e também chamado às vezes de "incidente al-Fula").

Compra de 1918

Os otomanos recusaram-se a autorizar inúmeras vendas, de modo que os Sursocks não conseguiram vender terras significativas a compradores judeus antes da Primeira Guerra Mundial. Em 1912, a Companhia de Desenvolvimento de Terras da Palestina (PLDC) organizou a compra de uma grande área no Vale de Jizreel de Nagib e Albert Sursock, mas a transação não foi concluída devido à Primeira Guerra Mundial. Após a guerra, em 18 de dezembro de 1918, finalmente o acordo foi concluído; cobriu 71.356 dunams no Vale de Jizreel, incluindo Tel Adashim.

1921–1925, e despovoamento

Após o início do Mandato Britânico, a Portaria de Transferência de Terras de 1920 removeu todas essas restrições. Entre 1921 e 1925, a família Sursock vendeu seus 80.000 acres (320 km2) de terra no Vale de Jezreel para a Comunidade Americana de Sião (AZC) por quase 750.000 libras. A terra foi comprada pela organização judaica como parte de um esforço para reassentar os judeus que habitavam na terra, bem como outros que vieram de terras distantes. Em 1924, a Associação de Colonização Judaica da Palestina (PJCA) foi criada para assumir o papel da Associação de Colonização Judaica (JCA); a PJCA se tornou a maior proprietária de terras judaica na Palestina. Paralelamente, a PLDC atuou como organização de compras do Fundo Nacional Judaico (JNF). A alta prioridade dada a essas terras deve muito à estratégia seguida por Menachem Ussishkin, que se viu confrontado por outros membros do conselho do JNF. O resultado da aquisição dispendiosa foi que grande parte do capital da organização ficou imobilizado durante a década seguinte.

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Assentamentos judaicos

Após a compra da terra, os fazendeiros judeus criaram seus primeiros assentamentos modernos, fundaram a atual cidade de Afula e drenaram os pântanos para permitir o desenvolvimento de áreas que há séculos eram inabitáveis. Em 11 de setembro de 1921, fundaram Nahalal, o primeiro moshav do país, no local da antiga vila de Mahalul. Em 1969, Moshe Dayan, que cresceu em Nahalal, mencionou o moshav – juntamente com três outros locais que fizeram parte da Compra de Sursock – como exemplos de que àquela época não havia “nenhum lugar construído neste país que não tenha tido uma antiga população árabe”.

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