AK-47
O AK-47, ou AK como é oficialmente conhecida, também conhecida como Kalashnikov, é um fuzil de assalto de calibre 7,62x39mm criado em 1947 por Mikhail Kalashnikov e produzido na União Soviética pela indústria estatal IZH.
Origens
O fuzil de assalto AK-47 (Avtomat Kalashnikova - 47, fuzil automático Kalashnikov, modelo de 1947) surgiu na União Soviética logo após o fim da Segunda Guerra Mundial inspirado no fuzil de assalto alemão Sturmgewehr 44, sendo o fuzil mais fabricado de todos os tempos. Estima-se que o número de exemplares produzidos tanto na Rússia como sob licença em países como a Bulgária, China, Hungria, Índia, Coreia do Norte, Romênia entre outros, chegue a impressionante cifra de 90 milhões. Países como a Finlândia e Israel também se basearam no projeto deste fuzil para produzirem seus modelos M62 e Galil, respectivamente. É caracterizado por sua grande rusticidade, facilidade de produção em massa, simplicidade de operação e manutenção, além de reconhecida estabilidade em baixas e altas temperaturas. Deixa a desejar nos requisitos precisão, ergonomia e peso.
Desenvolvimento
Mikhail Kalashnikov, um jovem sargento das forças armadas soviéticas que fora ferido em combate em 1942, concebeu um protótipo de pistola-metralhadora enquanto estava de licença médica. Sua primeira arma foi indeferida em razão da complexidade, no entanto ele foi designado ao órgão de investigação e desenvolvimento de armas leves do Exército Vermelho perto de Moscou, para continuar a sua educação e trabalho em outras armas. Aqui Kalashnikov projetou uma carabina semiautomática, fortemente influenciado pelo fuzil M1 Garand. Esta carabina, embora não tenha sido bem sucedida por si só, serviu como ponto de partida para seu primeiro fuzil de assalto, provisoriamente conhecido como AK No.1 ou AK-46.
Da Ak-47 à AKM
Ao longo dos anos seguintes, o projeto do AK incorporou muitas pequenas alterações e atualizações, mas foi o fuzil de assalto experimental Korobov TKB-517 (testado pelo Exército Soviético em meados da década de 1950), que estimularam um maior desenvolvimento do AK. O Korobov TKB-517 era muito mais leve que o AK e com custo de produção de 2/3 deste, e significativamente mais precisa em fogo automático. Esse avanço levou o Exército Soviético a emitir novas exigências para um modelo mais leve e mais eficaz, que foram formuladas em 1955. Estes requisitos foram complementados pela exigência de um modelo complementar de apoio de fogo (fuzil-metralhadora). Ensaios das novas armas foram realizadas em 1957-1958. Kalashnikov e sua equipe de Ijevsk apresentaram uma melhora com um novo tipo de caixa da culatra e outras pequenas melhorias, que concorreu com outras equipes de design a partir do Kovrov e Tula. Em termos técnicos, a proposta de Kalashnikov teve desempenho mediano nestes ensaios, com seus rivais provando ser mais eficazes e menos dispendiosos de fabricar. A comissão de estudos, no entanto, decidiu novamente pelos mesmo critérios, e recomendou o AK para adoção devido ao seu desempenho comprovado e familiaridade com a indústria e as tropas. Foi adotado oficialmente em 1959 como rifle - o AKM (Avtomat Kalashnikova Modernizirovannyj - Automática Kalashnikov Modernizada), juntamente com arma de apoio RPK, versão de cano mais pesado.
Substituição
Em 1974, os soviéticos começaram a substituir seus fuzis AK-47 e AKM por um novo projeto, o AK-74, que usa munição 5,45×39mm. Este novo fuzil e cartucho só começou a ser fabricado em países do Leste Europeu quando a União Soviética entrou em colapso, reduzindo drasticamente a produção do AK-74 e de outras armas do antigo bloco soviético.
O AK-47 foi projetado para ser um fuzil totalmente automático, simples e confiável, que poderia ser fabricado de forma rápida e barata, usando métodos de produção em massa que eram métodos de arte na União Soviética no final da década de 1940. O AK-47 usa um sistema de gás de curso longo que geralmente é associado com grande confiabilidade em condições adversas. O grande pistão de gás, as folgas generosas entre as partes móveis e o projeto cônico da caixa do cartucho permitem que a arma suportar grandes quantidades de corpos estranhos e incrustações sem deixar de funcionar.
Reputação
Tem alta reputação entre especialistas por sua resistência à água, areia e lama, bem como por sua manutenção simples. Tem a fabricação de baixo custo e curto período de tempo, com cadência de 600 tiros/minuto. A velocidade do projétil na boca do cano é de 721 m/s, com munição calibre 7,62x39mm (cartucho curto, padrão russo). Em comparação a seu maior rival, o fuzil de fabricação norte-americana M4A1, o AK-47 tende a ser mais confiável e mais resistente aos elementos supracitados, também exigindo menos cuidados de limpeza e manutenção. Quando comparada a espingardas modernas, a sua fama é folclórica, visto que contem muitas partes móveis, prejudicando a precisão de disparo, é muito ruidosa, é muito pesada, tendo em média, 4,3 kg (sem o carregador de munição, que pode conter 20, 30 ou 90 cartuchos) e tem um raio de ação eficaz de apenas 300 m, bem abaixo dos fuzis modernos.
Vida de serviço
O AK-47 e suas variantes são feitos em dezenas de países, com "qualidade que varia de armas finamente projetadas a peças de trabalhos questionáveis". Como resultado, o AK-47 tem uma vida de serviço/sistema de aproximadamente 6 mil, para 10 mil, para 15 mil disparos. O AK-47 foi projetado para ser um fuzil de assalto barato, simples e fácil de fabricar, perfeitamente compatível com a doutrina militar soviética que trata equipamentos e armas como itens descartáveis. Como as unidades são frequentemente implantadas sem o apoio logístico adequado e dependentes da "canibalização do campo de batalha" para o reabastecimento, é na verdade mais econômico substituir e não consertar armas.
AK-47 é, segundo o Guiness Livro do Recordes, a arma de fogo mais utilizada atualmente no mundo.
Comércio ilícito
Em todo o mundo, a AK e suas variantes são comumente usados por governos, revolucionários, terroristas, criminosos e civis. Em alguns países, como Somália, Ruanda, Moçambique, Congo e Tanzânia, os preços das AKs do mercado negro estão entre US$ 30 e US$ 125 por arma, e os preços caíram nas últimas décadas devido à falsificação em massa. No Quênia, "uma AK-47 paga cinco cabeças de gado (cerca de 10 mil xelins quenianos ou 100 dólares) quando oferecida para troca, mas custa quase metade desse preço quando é pago em dinheiro". Existem lugares ao redor do mundo onde as armas do tipo AK podem ser compradas no mercado negro por apenas US$ 6, ou trocadas por um frango ou um saco de grãos.
O AK-47 foi usado nos seguintes conflitos:
"Basicamente, é o prestígio antiocidental disso ... E você sabe, o terrorista de um homem é o combatente da liberdade de outro homem, então todos nós pensamos, oh garoto, nós temos um pouco de Che Guevara em nós. E isso explica a popularidade da arma AK 47. Além disso, acho que nos Estados Unidos é considerada contracultura, que é sempre algo que os cidadãos deste tipo de país gostam ... É meio que enfiar um dedo nos olhos do homem, se você quiser." — Larry Kahaner, autor de Ak-47: a Arma Que Transformou a Guerra Durante a Guerra Fria, a União Soviética e a República Popular da China, bem como os Estados Unidos e outras nações da OTAN forneceram armas e conhecimento técnico a numerosos países e forças rebeldes em todo o mundo. Durante esse período, os países ocidentais usaram fuzis automáticos relativamente caros, como o FN FAL, o HK G3, o M14 e o M16. Em contraste, os russos e chineses usaram o AK-47; seu baixo custo de produção e facilidade de fabricação permitiram que eles fizessem AKs em grande número.


