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Hayao Miyazaki

Hayao Miyazaki é um animador, cineasta, roteirista, escritor e artista de mangá japonês. É co-fundador do Studio Ghibli, uma companhia de cinema e animação, tendo conquistado reconhecimento e aclamação internacional pela qualidade de seus vários longas-metragens de animação, os quais ele normalmente escreve e dirige, sendo amplamente considerado como um dos principais nomes da indústria de animação japonesa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 31/07/2026
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Primeiros anos

Hayao Miyazaki nasceu em 5 de janeiro de 1941 na cidade de Akebono-cho na região especial de Bunkyo, Tóquio, Império do Japão. Era o segundo de quatro filhos de Katsuji Miyazaki,[nota 1] diretor da Miyazaki Airplane, que fabricava os lemes dos caças de combate japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Os negócios familiares permitiram que a família mantivesse um padrão de vida durante os primeiros anos da vida de Miyazaki.[nota 2] A família foi evacuada para Utsunomiya em 1944. Eles de novo foram evacuados em julho de 1945, depois do bombardeiro de Utsunomiya, desta vez para Kanuma. O bombardeio deixou uma impressão duradoura em Miyazaki, que tinha apenas quatro anos na época. Sua mãe, Yoshiko, sofreu de tuberculose vertebral de 1947 a 1955; ela passou os primeiros anos no hospital, depois recebeu cuidados em casa. Yoshiko era uma mulher severa e intelectual que questionava regularmente as "normas socialmente aceitas".[nota 3] Ela morreu em julho de 1983 aos 71 anos de idade.

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Carreira

Início

Miyazaki foi contratado em 1963 pela Toei Animation. Ele trabalhou como artista intermediário no longa-metragem animado Wanwan Chūshingura e na série de televisão Ōkami Shōnen Ken, ambos ainda em 1963. No ano seguinte trabalhou no filme Garibā no Uchū Ryokō. Ele foi um líder em uma disputa trabalhista logo depois de entrar na empresa, tornando-se secretário chefe do sindicato trabalhista da Toei em 1964. Se casou em outubro de 1965 com Akemi Ota, com quem teve dois filhos: Goro em janeiro de 1967 e Keisuke em abril de 1969. Sua dedicação ao trabalho prejudicou sua relação com os filhos, ficando ausente por longos períodos, o que fez com que Goro começasse a assistir os filmes de seu pai para melhor "entendê-lo".[nota 5] Miyazaki depois trabalhou como animador chefe, artista conceitual e projetista de cena em Taiyō no Ōji Horusu no Daibōken de 1968. Ele trabalhou durante toda a produção bem próximo de Yasuo Ōtsuka, seu mentor, cuja abordagem para animação muito influenciou o trabalho de Miyazaki. O longa foi dirigido por Isao Takahata, com quem Miyazaki continuaria a colaborar pelo restante de sua carreira. O filme foi muito elogiado e foi considerado um marco na evolução da animação.

Proeminência

Miyazaki saiu da Nippon Animation em 1979, durante a produção de Akage no An, em que havia contribuído com o projeto de cenas e organização dos primeiros quinze episódios. Foi trabalhar na Telecom Animation Film, subsidiária da Tokyo Movie Shinsha, para dirigir seu primeiro longa-metragem, Rupan Sansei: Kariosutoro no Shiro. Ele ajudou a treinar a segunda leve de funcionários na Telecom. Miyazaki dirigiu em 1981 seis episódios de Meitantei Hōmuzu, até disputas com o espólio de sir Arthur Conan Doyle levarem a suspensão da produção; Miyazaki estava ocupado com outros projetos na época que as questões foram resolvidas, com o restante dos episódios tendo sido dirigidos por Koysuke Mikuriya. Foram transmitidos entre novembro de 1984 e maio de 1985. Ele também escreveu o romance gráfico Shuna no Tabi, inspirado pelo conto folclórico tibetano "O príncipe que tornou-se um cachorro". Este foi publicado pela Tokuma Shoten em junho de 1983, sendo dramatizado no rádio em 1987. Miyazaki Hayao no Zassō nōto também foi publicado irregularmente na Model Graphix entre novembro de 1984 e outubro de 1994; seleções foram transmitidas no rádio em 1995.

Studio Ghibli

Miyazaki, Takahata, Tokuma e Suzuki fundaram a companhia de animação Studio Ghibli em junho de 1985, com o financiamento vindo da Tokuma Shoten. O primeiro longa do estúdio foi Tenkū no Shiro Rapyuta em 1986, produzido pela mesma equipe que havia feito Kaze no Tani no Naushika. Os desenhos de Miyazaki para o longa foram inspirados pela arquitetura da Grécia Antiga e "padrões urbanistas europeus". Algumas das arquiteturas também foram inspiradas por uma cidade mineradora galesa; ele tinha testemunhado uma greve de mineiros ao visitar o País de Gales em 1984 e ficou admirado pela dedicação dos grevistas ao seu trabalho e comunidade. Tenkū no Shiro Rapyuta estreou em 2 de agosto de 1986 e foi o filme animado de maior arrecadação do ano no Japão. O filme seguinte de Miyazaki foi Tonari no Totoro, lançado em abril de 1988 junto com Hotaru no Haka de Takahata a fim de garantir a situação financeira do Studio Ghibli. A produção simultânea foi caótica, pois os artistas necessitavam ficar trocando entre projetos.[nota 9] Tonari no Totoro possui o tema da relação entre ambiente e humanidade, diferente de Kaze no Tani no Naushika que enfatizava o efeito negativo da tecnologia no ambiente. O longa foi elogiado, porém não teve tanto sucesso na bilheteria. Mesmo assim, seus produtos associados venderam bem e o filme foi considerado um clássico.

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Opiniões

"Você não consegue fazer isto se você não passar um tempo assistindo pessoas reais, porque você nunca viu de verdade. Algumas pessoas passam suas vidas interessadas apenas em si mesmas. Quase todas as animações japonesas são produzidas com quase nenhuma base tirada da observação de pessoas reais ... É produzida por humanos que não aguentam olhar para outros humanos. E é por isso que a indústria está cheia de otakus! Miyazaki já criticou o estado atual da indústria japonesa de animação, afirmando que animadores não são realistas ao criarem pessoas. Ele já chegou a afirmar que animações são "produzida[s] por humanos que não aguentam olhar para outros humanos. E é por isso que a indústria está cheia de otakus!". Miyazaki já criticou otakus em outras ocasiões, incluindo "otakus de armas" e "fanáticos pelo Zero", declarando que era um fetiche e recusando-se a se identificar como tal. Vários funcionários do Studio Ghibli, incluindo Miyazaki, criticaram as políticas do primeiro-ministro japonês Shinzō Abe em 2013, além da proposta de emenda constitucional que permitiria que Abe revisasse a cláusulas da Constituição do Japão.[nota 21] Miyazaki achou que Abe queria "deixar seu nome na história como um grande homem que revisou a constituição e sua interpretação", descrevendo isto como "desprezível".[nota 22] Também expressou desaprovação da negação do primeiro-ministro sobre a agressão do Japão, afirmando que o país "deveria claramente dizer que infligiu danos enormes na China e expressar grande remorso a respeito". Miyazaki disse que o governo deveria dar as "desculpas apropriadas" para mulheres de conforto coreanas que serviram no exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial, sugerindo que as Ilhas Senkaku deveriam ser "divididas ao meio" ou controladas por Japão e China. Alguns críticos, depois do lançamento de Kaze Tachinu em 2013, acusaram Miyazaki de ser um "traidor" e "anti-japonês", descrevendo o longa como muito "de esquerda".

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Análises

Temas

Os trabalhos de Miyazaki são caracterizados pela recorrência de temas, como por exemplo ecologismo, pacifismo, feminismo, amor e família. Suas narrativas são notáveis por não colocar o protagonista contra um antagonista que carece de características redentoras.[nota 24] Os filmes de Miyazaki frequentemente enfatizam o ecologismo e a fragilidade da Terra. Margaret Talbot afirmou que Miyazaki não gosta de tecnologia moderna e acredita que boa parte da cultura moderna é "rala, vazia e falsa", antecipando um tempo em que "não há mais arranha-céus".[nota 25] Ele se sentiu frustrado por crescer no período Shōwa de 1955 a 1965, pois a "natureza, as montanhas e rios, estava sendo destruída em nome do progresso econômico". Peter Schellhase identificou que vários antagonistas das obras de Miyazaki "tentam dominar a natureza à procura de dominação política, sendo no final destrutivos tanto para a natureza quanto para a civilização humana".[nota 26] Miyazaki também é crítico do capitalismo, globalização e seus efeitos na vida moderna. Ele acredita que "uma empresa é a propriedade comum das pessoas que trabalham lá".

Processo e influências

Miyazaki não utiliza roteiros tradicionais em suas produções. Ele em vez disso desenvolve a narrativa do filme a medida que cria os storyboards; ele disse: "Nunca sabemos onde a história irá, mas nós continuamos trabalhando no filme enquanto é desenvolvido". Miyazaki empregou métodos tradicionais de animação em cada um de seus longas, desenhando cada quadro a mão; imagens geradas por computador foram empregadas em seus filmes posteriores, a partir de Mononoke Hime, com o objetivo de "enriquecer o visual", porém procura garantir que cada produção possa "manter a taxa correta entre trabalhar a mão e no computador ... e ainda poder chamar meus filmes de 2D".

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Filmografia e prêmios

Imagem: Thomas Schulz detengase @ Flickr · BY-SA · Openverse

Segundo o site agregador de resenhas Rotten Tomatoes, os filmes dirigidos por Miyazaki mais bem recebidos pela crítica são Rupan Sansei: Kariosutoro no Shiro, Tenkū no Shiro Rapyuta, Tonari no Totoro, Majo no Takkyūbin, Kurenai no Buta, Mononoke Hime, Sen to Chihiro no Kamikakushi e Gake no Ue no Ponyo. Dentre seus outros trabalhos, destacam-se as séries de televisão Mirai Shōnen Conan e Meitantei Hōmuzu, e os curtas-metragem Panda Kopanda e On Your Mark. Miyazaki foi premiado com o Prêmio Noburō Ōfuji nos Prêmios de Cinema Mainichi por Rupan Sensei: Kariosutoro no Shiro, Kaze no Tani no Naushika, Tenkū no Shiro Rapyuta, Tonari no Totoro e o curta-metragem Kujiratori, e também o Prêmio de Cinema Mainichi de Melhor Filme de Animação por Majo no Takkyūbin, Kurenai no Buta, Mononoke Hime e Sen to Chihiro no Kamikakushi. Sen to Chihiro no Kamikakushi e Kimitachi wa Dō Ikiru ka venceram o Oscar de Melhor Filme de Animação, enquanto Hauru no Ugoku Shiro e Kaze Tachinu foram indicados. Miyazaki foi nomeado em outubro de 2012 pelo governo japonês como uma Pessoa de Mérito Cultural devido suas contribuições para a cultura. Outros prêmios incluem oito Prêmios de Animação de Tóquio, oito Prêmios da Kinema Junpo, seis Prêmios da Academia do Japão, cinco Prêmios Annie, três Anime Grand Prix e o Prêmio Osela de Excelência Técnica no Festival de Veneza.

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Fontes consultadas

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