Ajuricaba (indígena)
Ajuricaba foi líder da nação indígena dos manaus, no início do século XVIII. Revoltou-se contra os colonizadores portugueses, negando-se a servir como escravo. Deste modo, se tornou um símbolo de resistência e liberdade, além de ser considerado uma figura heroica para os cidadãos de Manaus, cidade cujo nome provém da etnia.
Na língua nheengatu, ayurikawa designa um certo tipo de abelha, "que vive em grandes colmeias, muito irritável e brava, de onde o nome de caba." Caba, aqui, vem de kawa, vespa em nheengatu.
Ajuricaba nasceu no território do atual estado do Amazonas. Passou muitos anos afastado de sua aldeia, mas foi obrigado a retornar ao convívio dos demais após o assassinato do seu pai, cacique dos manaus, pelas mãos dos invasores portugueses. Os manaus tinham um acordo com as lideranças portuguesas, onde eles permitiriam o comércio de membros de outras tribos como escravos para os portugueses. Ajuricaba seria contra tal acordo de comércio de escravos. Desentendimentos posteriores levaram à morte do cacique, seu pai. Assumindo o posto que foi de seu pai, Ajuricaba, observando a "traição" portuguesa, procurou os holandeses, que viviam mais ao norte, onde hoje é o atual Suriname. Os holandeses eram inimigos de Portugal, e logo se associaram ao plano manau. Bem armados, os manaus enfrentavam os portugueses, atacando as missões do Rio Negro, resistindo e impedindo a ação das "tropas de resgate". Essas tropas portuguesas agiam em busca de escravizados indígenas dentro de sua área de influência, pois estavam em gradativa perda de mão de obra, devido à epidemia de varíola. Portanto, os portugueses temiam que outros povos indígenas da região seguissem o exemplo dos manaus, abrindo o caminho para uma invasão no vale do Rio Negro. Ajuricaba, sendo um forte líder dessa rebelião, fez com que mais tropas de resgate fossem enviadas pelo Governador Manuel Braga, que recorreu à Lisboa e ao rei de Portugal. Só pelo missionário José de Souza que foi possível fazer uma aliança com Ajuricaba, garantindo cinquenta escravizados resgatados. No entanto, as negociações de paz não duraram, e os portugueses começaram uma "guerra justa" contra os manaus em 1723. Usaram de justificativa, além da aliança com holandeses, práticas de canibalismo e incesto, mas que nunca foi comprovado por fontes.
A morte
Maia da Gama, após organizar uma força de ataque contra os manáos, assim descreve a morte de Ajuricaba:.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Legado
Apesar de não haver registro nas fontes históricas, diz-se que Ajuricaba rebelou com os portugueses após as filhas dos Tucanos e Barés, que o desejavam, serem desonradas e mortas pelos colonos. Essa interpretação contrapõe a aliança dos manaus com os holandeses, dita principalmente por fontes portuguesas, mantendo uma visão colonial que pode ser parcial ou tendenciosa. Além disso, é possível que Ajuricaba tivesse um filho, Cacunaca, que foi morto com ele nas águas do Rio Negro. O suicídio de Ajuricaba foi considerado heroico tanto por seu próprio povo quanto pelos portugueses e sua figura ficou na memória popular repercutindo em diversas rebeliões e enfrentamentos de líderes indígenas contra os colonizadores. Há uma lenda sobre a sua morte, em que diz que as águas do Rio Negro, Solimões e Branco não se misturam como um marco do mito, em tributo ao cacique. Segundo a narrativa, esse fenômeno natural existe para demarcar o lugar exato em que o guerreiro, em um último ato de resistência contra os colonizadores, se atirou acorrentado às águas, preferindo a morte à escravização. Essa narrativa integra a tradição oral amazonense na qual se defende a liberdade de seu povo e fim do domínio colonial.


