Rebelde (telenovela)
Rebelde é uma telenovela mexicana de drama adolescente e musical, sendo vagamente baseada na obra argentina Rebelde Way (2002–03), de Cris Morena. Escrita por Pedro Armando Rodríguez e María Balmori, teve produção de Pedro Damián em associação com Luis Luisillo Miguel. Ademais, contou com a direção de Juan Carlos Muñoz e Luis Pardo. Durante sua exibição original, o folhetim foi transmitido pela rede de televisão Las Estrellas. O elenco principal de Rebelde é integrado por Anahí, Dulce María, Alfonso Herrera, Christopher Uckermann, Christian Chávez e Maite Perroni, além das atuações antagônicas de Enrique Rocha, Juan Ferrara, Ninel Conde, Patricio Borghetti e Leticia Perdigón.
Primeira temporada (2004–2005)
O Elite Way School é uma instituição de renome internacional, destinada à formação de jovens da alta sociedade por meio de uma educação de excelência. Embora ofereça bolsas a estudantes de origem humilde e desempenho acadêmico exemplar, poucos conseguem concluir os estudos devido à perseguição da sociedade secreta conhecida como "A Seita", que busca preservar a "pureza" da elite. A trama acompanha Mía Colucci, Miguel Arango, Roberta Pardo, Diego Bustamante, Lupita Fernández e Giovanni Méndez, alunos do quarto ano que, apesar das diferenças sociais, familiares e de personalidade, descobrem em comum o amor pela música e se unem para formar uma banda. Outros alunos ligados ao núcleo principal incluem José Luján, Téo Ruiz-Palacios, Nico Huber, Pilar Gandía, Tomás Goycoléa, Vico Paz, Celina Ferrer, Joaquín Mascaró e Raquel Byron. Mía, filha do magnata da moda Franco Colucci, é popular, alegre e vaidosa, mas vê sua vida se complicar ao se apaixonar por Miguel, rapaz que inicialmente despreza. Miguel veio de Monterrey e ingressa no Elite Way School como bolsista, mas sua verdadeira intenção é vingar a morte do pai, que acredita ter sido causada por Franco Colucci.
Segunda temporada (2005–2006)
Pascoal Gandía inicia o quinto ano escolar no Elite Way School com novas medidas disciplinares, como a instalação de câmeras nas salas de aula e a intensificação das atividades físicas, tentando conter a rebeldia dos estudantes por meio da vigilância e dos esportes. Essa nova dinâmica coloca à prova a convivência dos alunos que, no ano anterior, haviam conseguido permanecer unidos apesar das diferenças sociais, individuais e afetivas. A chegada de novos estudantes também altera o equilíbrio do colégio, entre eles Leonardo, Sol, Mauricio, Rocco, Lola, Bianca, Dante, Augustina, Iñaki e Santos. Mía e Miguel retornam ao colégio depois de viverem uma intensa paixão durante as férias, mas a volta à rotina escolar transforma o romance em uma sucessão de conflitos, separações e reconciliações. Roberta e Diego também voltam a se enfrentar, buscando consolo em outras pessoas sem conseguirem se afastar definitivamente um do outro. Diego, abalado por acreditar que foi abandonado pela mãe, aproxima-se ainda mais de León e passa a agir de modo arrogante e autoritário, reproduzindo comportamentos do pai.
Terceira temporada (2006)
Os alunos do Elite Way School aguardam a viagem ao Vacance Club, onde esperam descansar da rotina escolar, embora antigos conflitos e novos interesses amorosos voltem a interferir na convivência do grupo. Diego se envolve com Lola para provocar Roberta, criando novas discórdias entre os dois. Miguel aproxima-se intimamente de Sabrina, o que compromete de forma decisiva sua relação com Mía. Roberta, tentando esquecer Diego, envolve-se com Iñaki, mas a relação também se desgasta diante dos conflitos e segredos que cercam o rapaz. A temporada também é marcada pela chegada dos jogos intercolegiais, que ampliam as disputas entre os estudantes e movimentam a vida escolar. Paralelamente, Roberta descobre que Martín Reverte é seu verdadeiro pai e se revolta com Alma por ter escondido a verdade durante tantos anos.
Mía Colucci (Anahí) é uma aluna do prestigiado Elite Way School e filha única do magnata da moda Franco Colucci (Juan Ferrara), com quem mantém uma relação marcada pela distância emocional em razão da atribulada agenda profissional do pai. Miguel Arango (Alfonso Herrera) é um estudante bolsista que ingressa na instituição vindo de Monterrey. Roberta Pardo (Dulce María), filha da cantora Alma Rey (Ninel Conde), caracteriza-se por sua personalidade impulsiva e rebelde, tornando-se inicialmente antagonista de Mía. Diego Bustamante (Christopher Uckermann), filho do político León Bustamante (Enrique Rocha), é pressionado pelo pai em relação ao futuro profissional. O núcleo principal também inclui Lupita Fernández (Maite Perroni), estudante bolsista e uma das amigas mais próximas de Roberta e José Luján (Zoraida Gómez); Giovanni Méndez (Christian Chávez), que esconde a origem humilde da família; Victoria "Vico" Paz (Angelique Boyer), amiga de Mía; Celina Ferrer (Estefanía Villarreal), marcada por inseguranças relacionadas à aparência; Téo Ruiz-Palacios (Eddy Vilard), aluno reservado com passado traumático; Pilar Gandía (Karla Cossío), filha do diretor; Tomás Goycoléa Cantún (Jack Duarte), amigo próximo de Diego; e Nico Huber (Rodrigo Nehme), bolsista ligado ao núcleo de Lupita.
Antecedentes e contexto
Em 2002, Cris Morena lançou Rebelde Way, telenovela juvenil concebida no âmbito do Cris Morena Group após o êxito de Chiquititas (1995–2001). Apresentada oficialmente em 17 de maio daquele ano, em Buenos Aires, a produção foi estruturada como uma narrativa centrada em jovens que buscam afirmar sua identidade e confrontar a indiferença e a hipocrisia social. Ambientada no fictício Elite Way School, um semi-internato frequentado majoritariamente por filhos da elite argentina, mas que também admitia bolsistas de menor condição econômica, a trama explorava tensões sociais e conflitos internos, inclusive por meio da atuação da sociedade secreta La Logia. Escrita por Patricia Maldonado, a obra mesclava humor e drama e acompanhava a trajetória de Mía Colucci, Marizza Spirito, Manuel Aguirre e Pablo Bustamante, interpretados por Luisana Lopilato, Camila Bordonaba, Felipe Colombo e Benjamín Rojas, cuja afinidade musical culmina na formação da banda Erreway.
Desenvolvimento
Rebelde oferecerá entretenimento porque será muito divertida [...] e conterá situações nas quais eles vão se identificar. Mais que tudo, tratará das situações que os afetam, porque há jovens muito confusos diante das dificuldades da vida e tentando encontrar um caminho. — Pedro Damián, ao apresentar a proposta da telenovela. Em 2004, após a negociação dos direitos com o Cris Morena Group, Pedro Damián iniciou a adaptação de Rebelde Way para a televisão mexicana. A reformulação dos roteiros ficou a cargo de Pedro Armando Rodríguez e María Balmori, enquanto Juan Carlos Muñoz e Luis Pardo assumiram a direção da telenovela, estruturando uma proposta criativa que buscava manter elementos centrais da obra original, mas reinterpretá-los segundo as convenções narrativas e culturais do México. Nos primeiros meses de desenvolvimento, o projeto ainda circulava sob o título provisório Ricos y malcriados, antes de ser definido como Rebelde. Na primeira semana de julho, a produção foi apresentada oficialmente em uma coletiva de imprensa realizada em Valle de Bravo. Descrito, então, como uma narrativa sobre jovens de distintas classes sociais que convivem em uma escola de alto nível acadêmico e social, em meio a conflitos típicos da juventude e ao processo de amadurecimento dos personagens. Na ocasião, Damián associou a proposta dramática à representação de uma juventude marcada por tensões familiares, diferenças sociais e dilemas de identidade, sem caracterizar o folhetim como uma obra de viés político ou propagandístico, ainda que um dos personagens tivesse ligação com a vida pública mexicana.
Escolha do elenco
Em maio de 2004, Ninel Conde figurava entre os nomes cogitados para duas telenovelas: Rebelde e Mujer de Madera, esta produzida por Emilio Larrosa. Conde, que também é cantora, decidiu por interpretar Alma Rey, citando como motivo a viabilidade de apresentações musicais relacionadas à personagem. Segundo Damián, Patricia Navidad, inicialmente considerada para o papel, desistiu ao descobrir que interpretaria a mãe de uma adolescente. No mês seguinte, Anahí foi confirmada no elenco, embora a Televisa tivesse indicado Belinda para o papel de Mía Colucci. Mesmo após a aprovação da atriz, executivos da empresa não aceitaram a escolha, e novos testes foram realizados com outras candidatas. Apesar disso, a escalação inicialmente prevista foi mantida. Outros integrantes do núcleo principal, como Alfonso Herrera, Dulce María e Christian Chávez, já haviam trabalhado com Damián em sua produção anterior, Clase 406. Houve também recusas de convite durante a fase de escalação; Sherlyn optou por não integrar a trama, alegando que daria prioridade a seus estudos de direção cinematográfica.
Filmagens, cenários e caracterização
As gravações de Rebelde tiveram início em 22 de junho de 2004, em Monterrey, Nuevo León, com registros do Cerro de la Silla e de outros cenários naturais da cidade. Em seguida, a produção passou a se concentrar principalmente na Cidade do México, nos estúdios da Televisa San Ángel, além de contar com locações previstas em Valle de Bravo. As filmagens externas também se estenderam a Guadalajara, onde as atrizes Perdigón e Perroni gravaram cenas na Basílica de Zapopan. Em 2005, parte do elenco juvenil viajou ao Canadá para uma série de gravações que durou cerca de dez dias. A viagem, realizada com apoio da Canadian Tourism Commission, teve como locações Calgary, as Montanhas Rochosas Canadenses, o lago Louise e o Hotel Banff Springs. Também na segunda temporada, a novela realizou gravações no Caribe mexicano, deslocando mais de quarenta integrantes da produção para cenas em Cancún, Riviera Maya e Ilha das Mulheres.
Sucedendo Corazones al límite no horário, Rebelde estrearia originalmente em 6 de setembro de 2004 pelo Las Estrellas, mas a data foi adiada para 4 de outubro. Dois dias antes da exibição oficial da telenovela foi apresentado o especial Rebelde, Capítulo Cero, uma introdução aos principais personagens da trama. Exibida de segunda a sexta-feira às 19 horas, a Dirección General de Radio, Televisión y Cinematografía (RTC) classificou a trama como indicada para "adolescentes de 12 anos em diante", e o último capítulo da temporada foi exibido em 29 de julho de 2005, totalizando 215 capítulos. A segunda temporada foi iniciada em 1.º de agosto de 2005 e, após variações no horário, tornou-se a primeira telenovela mexicana a alcançar uma hora e meia de duração. Sendo finalizada após 120 capítulos, em 13 de janeiro de 2006. A transmissão da terceira e última temporada ocorreu entre 16 de janeiro e 2 de junho do mesmo ano, totalizando 440 capítulos transmitidos e tornando-se uma das maiores produções mexicanas de todos os tempos em número de capítulos. No horário foi sucedida pela produção Código postal, produzida por José Alberto Castro.
Lançamento em DVD
As três temporadas de Rebelde foram disponibilizadas em DVD tanto de forma avulsa quanto em box sets. Cada lançamento reunia cerca de 10 horas de conteúdo, incluindo episódios, videoclipes do grupo RBD e materiais extras como galerias de fotos e biografias dos atores. A Televisa Home Entertainment, em parceria com a Xenon Pictures, lançou a coleção completa da novela em DVD na Região 1 no dia 13 de novembro de 2007, em um conjunto com nove discos, áudio original em espanhol e legendas em inglês, totalizando mais de 39 horas de conteúdo. Na Região 1, os lançamentos individuais ocorreram ao longo de 2007: a primeira temporada chegou em 9 de janeiro, a segunda em 10 de abril e a terceira em 10 de julho. Já na Região 2, os DVDs foram disponibilizados entre novembro de 2006 e maio de 2007. Na Região 4, os lançamentos ocorreram entre novembro de 2006 e julho de 2007. Cada temporada foi distribuída em três discos de dupla camada, com proporção de tela 1.33:1 e áudio em Dolby Digital 2.0, com faixas em espanhol e dublagem em português, esta última exclusiva da versão brasileira, além de legendas em inglês apenas no lançamento estadunidense. Os conteúdos extras variavam entre temporadas, incluindo videoclipes de faixas como "Rebelde", "Sálvame", "Nuestro amor" e "Aún hay algo", além de seções com os melhores beijos, biografias dos atores, galerias de fotos e menus interativos.
Assim como outras telenovelas juvenis produzidas pela Televisa, Rebelde incorporou uma série de temáticas centrais na construção da identidade juvenil, abordadas por meio de diferentes personagens e situações no ambiente escolar do Elite Way School, internato fictício onde se passam os principais eventos da trama. O cotidiano no internato inclui regras, hierarquias e rotinas próprias, compondo um cenário em que se articulam vivências típicas da adolescência, como relações familiares, amizades e sexualidade, e disputas de pertencimento entre os estudantes. A rebeldia foi o eixo condutor da narrativa, expressa nos constantes conflitos entre alunos e autoridades, como diretores, professores e pais. Nesse contexto, aparece associado ao ato de recusar normas institucionais e familiares, sendo frequentemente interpretado como expressão de uma "crise adolescente" tanto no cotidiano doméstico quanto nas dinâmicas escolares. A postura transgressora dos protagonistas também se manifestou nas formas de vestir, falar e se relacionar, sendo apropriada por muitos jovens como linguagem estética e comportamental. A questão da desigualdade social surgiu por meio da convivência entre alunos bolsistas e integrantes da elite econômica, marcada por episódios de discriminação, especialmente no caso do personagem Miguel, estudante de origem humilde que tenta esconder sua condição para se integrar ao grupo dominante. A trajetória de Lupita, também bolsista, evidenciou as dificuldades de adaptação diante das regras e expectativas impostas por um colégio voltado para elite.
A música foi concebida como um dos eixos estruturais de Rebelde, não apenas como acompanhamento incidental da narrativa. Antes mesmo da estreia, Damián indicou que a produção buscava composições contemporâneas, com potencial de identificação junto ao público jovem, pois a história incluiria personagens interessados em cantar. Na mesma ocasião, foi anunciada a formação de um grupo pop integrado pelos protagonistas juvenis, apresentado como desdobramento musical da telenovela. Ainda segundo o produtor, o disco de estreia já estava finalizado, com o mesmo nome do folhetim e do single principal, enquanto apresentações, turnês e três álbuns estavam entre os planos do projeto. Em novembro de 2004, o RBD lançou seu álbum de estreia, composto por dez faixas que integraram a trilha sonora da produção. Ao longo da primeira temporada, a abertura de Rebelde não se fixou em uma única canção, alternando temas do repertório do RBD e faixas de outros intérpretes, como "Rebelde", "Sólo quédate en silencio" e "Sálvame", interpretadas pelo grupo, além de "Malas intenciones", por Erik Rubín, e "Plastico", por JD Natasha. Na segunda temporada, a vinheta passou a utilizar temas do álbum Nuestro amor, a exemplo da faixa-título e "Aún hay algo". Já na etapa final, a seleção musical permaneceu associada ao repertório do RBD, com "Este corazón", "Tras de mí" e "No pares", esta última extraída do álbum ao vivo Live in Hollywood. A trilha sonora também incluiu canções de outros artistas, como "Déjame" (Erik Rubín), "Por besarte" (Lu), "La rebelde" (Ninel Conde), "Responde" (Diego Boneta), "Nada es para siempre" (Luis Fonsi), "Experience" (Mauricio Ponce) e "Tu carita" (Los Rabanes).
RBD
Paralelamente à ficção, criou-se um grupo musical, denominado RBD, com os seis protagonistas da telenovela: Anahí (Mía), Dulce María (Roberta), Alfonso Herrera (Miguel), Christopher Uckermann (Diego), Maite Perroni (Lupita) e Christian Chávez (Giovanni). A banda conseguiu múltiplos discos de platina, ouro e diamante, realizou turnês pela grande maioria dos lugares no mundo, visitou 23 países e 116 cidades, incluindo em cenários de importância mundial como o Estádio do Maracanã no Rio de Janeiro, o Estádio Memorial Coliseum em Los Angeles e o Madison Square Garden de Nova Iorque. Também ganhou e foi indicado a vários prêmios como ao Grammy Latino, Prêmios Juventud, Billboard Latin Music Awards, Prêmio TVyNovelas, Prêmios Oye!, Prêmios Lo Nuestro, Orgullosamente Latino, entre outros.
Audiência
A exibição de Rebelde teve início em outubro de 2004, sucedendo duas produções que, até então, figuravam entre os menores índices registrados pela faixa das 19 horas do Las Estrellas: Clap... el lugar de tus sueños, com 15,7 pontos de acordo com o IBOPE/AGB México, e Corazones al límite, com 16,7. Durante seus três primeiros meses no ar, Rebelde manteve resultados próximos dos 19 pontos. A partir de janeiro de 2005, entretanto, a audiência passou a crescer de forma mais acentuada, superando a marca de 22 e alcançando patamares próximos de 23 a 24. Entretanto, apresentou uma queda moderada entre março e maio, oscilando entre 19 e 21. Na reta final, voltou a registrar crescimento e encerrou sua primeira temporada com média geral de 20,8, índice superior ao de Clase 406, que havia obtido 20. Em contrapartida, a segunda temporada, exibida entre agosto e janeiro de 2006, iniciou-se acima dos 22, mas apresentou queda acentuada nas semanas seguintes, passando a oscilar majoritariamente entre 16 e 18. Com média final de 18,8, encerrou-se dois pontos abaixo da temporada anterior. A terceira temporada, transmitida no decorrer de 2006, apresentou desempenho intermediário, com média geral de 19,5, ficando abaixo da primeira temporada, mas acima da segunda. Ao encerrar seus 440 capítulos, Rebelde registrou índice geral de 19,7 pontos de audiência, três acima do resultado obtido por sua antecessora, Corazones al límite. De acordo com reportagem da revista Expansión, cerca de 15,2 milhões de pessoas acompanhavam diariamente a novela em todo o território mexicano. Em outros mercados latino-americanos, a produção também apresentou desempenho expressivo: na Colômbia e em Porto Rico, Rebelde registrou média de participação na audiência de 34% e 32%, respectivamente, ao longo de 2005.
Avaliação em retrospecto
A imprensa avaliou Rebelde entre o apelo juvenil bem-sucedido e as limitações de seu melodrama e de seus arquétipos; David Agren, do Fast Forward Weekly, descreveu o folhetim como uma produção de amplo alcance entre jovens mexicanos, embora marcada por acentuada artificialidade, conflitos sentimentais, disputas de classe, romances forçados e forte apelo visual. Ao compará-la a séries juvenis como Beverly Hills, 90210, Dawson's Creek e The O.C., o jornalista sustentava que a novela as superava em mau gosto, especialmente pela estética dos uniformes e pela caracterização dos personagens, ainda que reconhecesse sua influência sobre a moda adolescente. A Folha de S.Paulo, em abordagem igualmente irônica, destacou a mobilização dos fãs brasileiros, mas se referiu a Rebelde como "novelinha" e "enlatado do SBT". A referência à "trupe de mexicanos vestidos de colegiais", que superava produções brasileiras em enquetes, reforçava seu apelo junto ao público, mais do que um reconhecimento de mérito dramatúrgico. Daniel Castro, em coluna publicada no mesmo veículo, resumiu a produção como uma "Malhação mexicana", definição que aproximava Rebelde do seriado juvenil brasileiro e a enquadrava como um produto adolescente de fórmula conhecida, linguagem acessível e origem importada. No Correio Braziliense, Mariana Ceratti combinou distanciamento irônico e análise de recepção ao afirmar que os intérpretes "cantam, dançam, representam" no "melhor estilo chicano de atuação em novelas", ao mesmo tempo em que explicava o sucesso da obra entre crianças e adolescentes. Desse modo, Rebelde era apresentada tanto como fenômeno de adesão juvenil quanto como narrativa marcada por uma interpretação enfática e por códigos do melodrama televisivo latino.
Reconhecimentos
Em avaliações retrospectivas, Rebelde continuou a ser reconhecida por diferentes publicações como uma das produções mais marcantes da teledramaturgia latino-americana; a revista Cosmopolitan a posicionou em quarto lugar entre as "20 melhores telenovelas de todos os tempos", enquanto a espanhola Diez Minutos a classificou na 17.ª posição em seleção semelhante. A produção também foi incluída pelo El Comercio entre as dez tramas mexicanas inesquecíveis, pelo El Debate entre as nove melhores obras mexicanas do gênero e pelo El Tiempo Latino na décima posição de uma lista dedicada às melhores novelas da televisão mexicana. Outras publicações mantiveram seu reconhecimento em seleções mais amplas: o portal Luz Media a citou entre os nove melhores folhetins de todos os tempos, a People en Español a colocou em nono lugar entre os títulos mais populares dos anos 2000, e veículos como Telemundo, Terra e Thought Catalog também a incluíram em listas dedicadas às produções mais lembradas, icônicas ou representativas da televisão mexicana e latino-americana.
Impacto comercial e cultural
Após sua repercussão televisiva, Rebelde consolidou-se como uma franquia juvenil de grande alcance comercial, articulando a telenovela, o grupo RBD, a imagem de seus personagens e produtos licenciados voltados sobretudo ao público infantojuvenil. Essa expansão ocorreu em um contexto no qual a Televisa já buscava explorar de forma mais sistemática o potencial comercial de suas produções, especialmente por meio da Televisa Licencias, criada em julho de 2003. Dentro dessa estratégia, a revista oficial da novela chegou ao mercado em maio de 2005 e, nos três meses seguintes, ampliou sua circulação de 71 mil para 142 mil exemplares, com aumento paralelo do espaço publicitário, que passou de 16 para 26 páginas. Ligada também ao RBD, a revista reunia reportagens, fotos de bastidores, testes e conteúdos voltados aos fãs, além de seções de conselhos, maquiagem, curiosidades e datas de apresentações do sexteto. Seguidamente, o folhetim foi adaptado para os quadrinhos, em uma publicação de estilo mangá criada por Oscar González e sua equipe do estúdio Ka-Boom, com histórias de Guillermo Rosado. Com tiragem inicial de 30 mil exemplares mensais, a publicação abordava temas de interesse juvenil, como anorexia, sexualidade e vícios, e buscava aproximar o público dos personagens por meio de conteúdos interativos. Os bons resultados inclusive se refletiram no desempenho publicitário, com aproximadamente 20 minutos de publicidade vendidos a cada capítulo.
Obras derivadas
Em 18 de janeiro de 2005, ocorreu a estreia do programa Fan Club Rebelde pela estação mexicana de rádio Los 40 Principales, transmitido às terças-feiras, dedicado ao folhetim e apresentado por Hugo Martínez. No mês de junho, foi anunciado o programa semanal Adicción R com temas e conselhos para adolescentes apresentado pelos atores de Rebelde, também girando em torno do folhetim. Foi exibido aos sábados às 19h pelo Las Estrellas, contando com a direção de Alfonso Herrera e Rodrigo Nehmer. A primeira temporada foi finalizada em julho do mesmo ano após seis episódios, embora houvesse planos para uma nova temporada. Após o término da telenovela, a franquia continuou sendo explorada em outras produções televisivas. Em 14 de março de 2007, estreou no Sky México a comédia de situação RBD, la familia. Idealizada por Damián, a série apresentava uma versão ficcionalizada da vida dos integrantes do grupo RBD. A produção teve apenas uma temporada, composta por treze episódios, exibidos até 13 de junho de 2007. Como parte da parceria entre a Televisa e a Record, foi produzida entre 2011 e 2012 a versão brasileira de Rebelde, escrita por Margareth Boury, com colaboração de outros roteiristas e direção geral de Ivan Zettel. Baseada na versão mexicana e, indiretamente, em Rebelde Way, o folhetim foi exibido em duas temporadas, totalizando 410 capítulos. A trama acompanhava estudantes de um colégio em regime de semi-internato e abordava conflitos adolescentes, romances, rivalidades familiares e a formação de uma banda dentro do ambiente escolar. Contou com Sophia Abrahão, Lua Blanco, Micael Borges, Arthur Aguiar, Chay Suede e Mel Fronckowiak nos papéis principais, que também integraram o grupo musical Rebeldes. Posteriormente, a Netflix produziu uma nova série homônima, lançada em 5 de janeiro de 2022, que retomava o universo do Elite Way School com uma nova geração de personagens, incorporando temas contemporâneos, como redes sociais e diversidade, além de disputas musicais. Seu elenco principal incluiu Azul Guaita, Franco Masini, Sérgio Mayer Mori, Andrea Chaparro, Jerónimo Cantillo, Lizeth Selene, Alejandro Puente e Giovanna Grigio, além das participações de Estefanía Villarreal e Karla Cossío, que reprisaram personagens da versão de 2004. A série teve duas temporadas, totalizando dezesseis episódios, e foi encerrada em 2023.


