Sintra
Sintra é uma vila portuguesa no distrito e área metropolitana de Lisboa, integrando a sua parte norte, tendo pertencido à província histórica da Estremadura.
A mais antiga forma do nome, Suntria, aponta para o indo-europeu astro luminoso ou sol. Foi designada por Varrão e Columela como Monte Sagrado. Ptolomeu registou-a como a Serra da Lua. Mais tarde o geógrafo árabe Abu Ubaide Abedalá Albacri, no século X, descreveu Sintra como "permanentemente mergulhada numa bruma que não se dissipa".
Podemos encontrar na vila de Sintra testemunhos de praticamente todas as épocas da história portuguesa e, não raro, com uma dimensão que chegou a ultrapassar, pela sua importância, os limites deste território. Na candidatura de Sintra a Património Mundial/Paisagem Cultural junto da UNESCO, tratou-se de classificar toda uma área que se assumiu como um contexto cultural e ambiental de características específicas: uma unidade cultural que tem permanecido intacta numa plêiade de palácios e parques; de casas senhoriais e respectivos hortos e bosques; de palacetes e chalets inseridos no meio de uma exuberante vegetação; de extensos troços amuralhados que coroam os mais altos cumes da Serra. Também de uma plêiade de conventos de meditação entre penhascos, bosques e fontes: de igrejas, capelas e ermidas, pólos seculares de fé e de arte; enfim, uma unidade cultural intacta numa plêiade de vestígios arqueológicos que apontam para ocupações várias vezes milenárias.
Do Neolítico à Idade do Bronze
Os mais antigos testemunhos de ocupação humana localizam-se num cume da vertente Norte da Serra de Sintra. Trata-se da ocupação epipaleolítica da Penha Verde, comprovada por abundantes utensílios de tipo microlaminar. Testemunho de uma ocupação do Neolítico é o sítio de ar livre de São Pedro de Penaferrim, junto à Capela do Castelo dos Mouros. Ocupação testemunhada pela presença de cerâmicas decoradas — incisas, impressas e com aplicações — associadas a uma indústria lítica talhada em sílex, datada pelo método do radiocarbono de inícios do V milénio a.C. A originalidade deste sítio, enquadrado em termos cronológico-culturais na corrente circum-mediterrânica, consiste na sua implantação na paisagem, em plena montanha. Vestígios vários da Idade do Bronze Atlântico (segunda metade do II milénio a.C. – inícios do I), surgem em diversos locais da Serra de Sintra, quer a nível de habitats (Parque das Merendas, junto à Vila), quer em contextos votivos (Monte do Sereno). Do Bronze Final ou período Orientalizante, séculos IX-VI a.C, de novo e intensamente virado para a Bacia Mediterrânica, existe um importante e vasto povoado localizado sob o Castelo dos Mouros.
Durante o Império Romano
Ao tempo do Império Romano toda a região de Sintra se inscreveu no vasto territorium da civitas olisiponense, à qual César cerca de 49 a.C. ou, mais provavelmente, Otaviano cerca de 30 a.C., concedeu o invejável estatuto de Municipium Civium Romanorum. Os vários habitantes da região inscrevem-se na tribo Galeria, adoptando nomes romanos — com especial destaque para o imperial "Lulius" — e apresentam-se plenamente imbuídos de romanidade, nos mais diversos aspectos culturais, políticos e económicos. Mesmo aqueles que, porventura oriundos de outras regiões da Lusitânia, ostentam nomes indígenas aparecem quase sempre integrados nesta sociedade profundamente romanizada. Sob a actual Vila de Sintra detectaram-se vestígios romanos avulsos, que sugerem a presença de um habitat ocupado desde os séculos II/I a.C.-V d.C.. Uma via ligaria este aglomerado à zona rural a sudeste da Serra onde entroncaria na estrada para Olisipo. O troço seguiria grosso modo a Rua da Ferraria, a Calçada dos Clérigos e a Calçada da Trindade. Conforme o habitual uso que os Romanos tinham em colocar os seus túmulos ao longo das vias e à saída dos habitats, também aqui se detectaram vestígios de lápides pertencentes a monumentos funerários do século II.
Domínio muçulmano
Durante o domínio muçulmano surgem os primeiros textos que referem explicitamente a Vila de Sintra (Xintara ou Shantara em árabe). Sintra é apresentada no século X pelo geógrafo Al-Bacr, fixada por Al-Munim Al-Himiari, como «uma das vilas que dependem de Lisboa no Andaluz, nas proximidades do mar». Outros textos assinalam-na como o centro urbano mais importante logo a seguir a Lisboa, neste território. Sintra «uma das regiões onde as maçãs são mais abundantes (...) [e] atingem uma tal espessura que algumas chegam a ter quatro palmos de circunferência» (Al-Bacr), Lisboa a Al-Usbuna que foi durante o período de ocupação muçulmana um importante centro económico de tal dimensão que o cruzado Osberno, à data da reconquista, se lhe referiu como «o mais opulento centro comercial de toda a África e de uma grande parte da Europa».
A Reconquista
Principal núcleo urbano e económico logo a seguir a Lisboa, a Vila de Sintra e o seu Castelo foram durante a Reconquista, no século XI, várias vezes assolados pelos exércitos cristãos. O rei Afonso VI de Leão na sequência da queda do califado de Córdova numa conjuntura de instabilidade entre as diversas Taifas muçulmanas da Península e da decisão do rei Almotauaquil de Badajoz, de se colocar sob sua proteção face à ameaça almorávida, após um período de hesitação entre 1090 e 1091, recebeu deste na Primavera de 1093 as cidades de Santarém, de Lisboa e o Castelo de Sintra. Afonso VI tomou posse das ditas cidades e do castelo de Sintra entre 30 de Abril e 8 de Maio de 1093.
Do século XII ao século XIV
Ao longo dos séculos XII e XIII, fazendo jus à fertilidade das terras de Sintra, vários conventos e mosteiros, assim como ordens militares, aqui possuem casais, herdades, azenhas, vinhas. Existe no Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Sintra registo de um grande número de doações. Assim, logo em 1157 ou 1158, D. Afonso Henriques doa ao mestre da Ordem do Templo, D. Gualdim Pais várias casas e herdades no termo de Sintra e «casas de morada» nas proximidades do Paço. Em 1210, o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra afora quatro casais que detinha em Pocilgais, tornando a aforá-los mais tarde, em 1230. Possuía também, em 1264, vinhas e casais em Almargem. O Mosteiro de São Vicente de Lisboa detinha, em 1216, uma vinha na várzea de Colares e, em 1218, herdades em Queluz e Barota. Em data situada entre 1223 e 1245, o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça possuía vários privilégios nesta área. A Ordem Militar de Santiago possuía, em 1260, uma herdade na Arrifana, a qual afora nesse ano.
Finais do século XIV
Durante a crise dinástica de 1383-1385, Sintra tomou o partido de D. Leonor Teles, que pelo reino ordenou a proclamação da filha D. Beatriz, casada com D. João I de Castela, como rainha de Portugal e de Castela. Depois da derrota do exército castelhano em Aljubarrota (Agosto de 1385) pelos portugueses e ingleses comandados pelo condestável D. Nuno Álvares Pereira, Sintra foi dos lugares que logo se entregaram sem luta a D. João I, regente desde 1383 e, a partir de Abril de 1385, rei de Portugal. D. João I (1385-1433), primeiro rei da Segunda Dinastia quebra a tradição de doar Sintra à Casa das Rainhas. Talvez em 1383, D. João I tenha doado o Paço ao conde D. Henrique Manuel de Vilhena, a quem o retirou depois por este ter tomado o partido de D. Beatriz, conservando-o para si e empreendendo então uma vasta campanha de obras que substituiu e ampliou a anterior construção. Até finais do século XVII, este imponente Paço Régio constituiu uma das principais moradas e lugar de veraneio da Corte — aqui D. João I se encontrava quando decidiu a conquista de Ceuta em 1415; aqui nasceu e morreu D. Afonso V (1433-1481) e foi aclamado rei D. João II (1481–1495).
Sintra e o seu município localizam-se no Centro Litoral Português, integrando o distrito de Lisboa, bem como as regiões de Lisboa, da sua área metropolitana e de Lisboa e Vale do Tejo. Está também inserida na região da Estremadura Cistagana, dentro da região natural da Terra Saloia. Possui um perímetro de 115 km, que limita uma área total de 319,23 km² (cerca de 32 000 ha), dentro da qual o seu comprimento máximo este–oeste é de 24 km, e norte–sul de 22 km. Esta delimitação não obedece a razões geológicas ou geográficas com exceção da zona de costa, que perfaz um total de cerca de 25 km. É o terceiro maior município da área metropolitana de Lisboa, superado apenas por Palmela e Montijo. O município de Sintra limita a norte com Mafra, a leste com Loures, Odivelas e Amadora, a sul com Oeiras e Cascais, e a oeste com o Oceano Atlântico. No âmbito contextual de natureza, arquitectura e ocupação humana, Sintra evidencia uma unidade única, resultado de diferentes motivos conjugados, entre os quais o peculiar clima proporcionado pelo maciço orográfico que constitui a Serra de Sintra e a fertilidade das terras depositadas nas várzeas circundantes. A relativa proximidade do estuário do Tejo, e — a partir de dada época — a vizinhança de Lisboa, cidade cosmopolita e empório de variadas trocas comerciais, fizeram com que desde cedo a região de Sintra fosse alvo de intensa ocupação humana. Na atualidade, o município de Sintra apresenta 39 lugares com mais de 1000 residentes.
Geomorfologia
O município de Sintra é composto por uma superfície muito irregular, resultado dos movimentos tectónicos que foi sofrendo. O maciço eruptivo de Sintra, onde se inclui a sua serra, engloba o ponto mais alto do município, a 528 metros de altura, é rodeado por uma área aplanada no litoral que se estende de norte para sul, até à aba da serra de Sintra, e daí para o interior até aos relevos mais ondulados da serra da Carregueira, constituída por terrenos meso-cenozóicos e rochas eruptivas do Complexo Vulcânico de Lisboa. A serra de Sintra, também designada por Maciço Eruptivo de Sintra, é o principal acidente morfológico do município, dominando a sua paisagem. Possui uma forma de gume afiado, alongado e elíptico, orientado de este a oeste e inicia-se a nascente de Ranholas (a 190 metros de altitude), para acabar abruptamente na falésia do Cabo da Roca, a 13 quilómetros de distância e 130 metros de altitude. Possui origem eruptiva, predominantemente granítica, com formações originárias do Jurássico à atualidade. Compõe-se de um corpo intrusivo de rochas ígneas que foi sofrendo, ao longo de milhões de anos, ações de alteração e erosão que o deixaram exposto pela retirada da sua cobertura sedimentar inicial. Estende-se ainda sob o mar, a 100 metros de profundidade. A sua linha de cumeada, perpendicular ao mar, divide-a em duas vertentes de diferentes características: a vertente norte, mais húmida, fresca e com mais vegetação, limtada pela várzea de Colares e pela plataforma de São João das Lampas. Na vertente sul, onde inicia a sua transição para a plataforma de Cascais e limita com a baixa da Abrunheira, encontra-se um ambiente mais quente, seco e exposto aos ventos oceânicos.
Hidrografia
O município de Sintra possui várias linhas de escoamento torrencial, a maioria delas agrupadas na Bacia Hidrográfica das Ribeiras do Oeste e as restantes pertencentes à Bacia Hidrográfica do Tejo. Das onze principais bacias hidrográficas presentes no território concelhio, apenas três se desenvolvem integralmente nele, sendo as restantes partilhadas com os concelhos de Mafra, Loures, Oeiras e Cascais. Estas duas regiões hidrográficas são separadas pela linha de altitudes Sintra–Carregueira, com as ribeiras localizadas a norte desta linha a desaguar no Oceano Atlântico (a norte e poente do concelho), e a sul no mesmo oceano e no Estuário do Tejo.
Clima
Sintra possui, em traços gerais, um clima temperado mediterrânico que pode tender nalgumas zonas para oceânico, também delimitado pela linha de cumeadas Sintra–Carregueira. Os fatores que contribuem para o clima característico da região são determinados pelas relações com o Atlântico e o Estuário do Tejo, e pela serra de Sintra, que atua como uma barreira orográfica, forçando as massas de ar a subir e ocasionando a condensação das passas de ar húmido marítimo vindas de norte e oeste. Assim, em traços gerais, o município não possui amplitudes térmicas muito pronunciadas, com verões de chuvas muito escassas caracterizada pela abundante humidade no ar, elevado grau de nebulosidade e frequência de nevoeiros. As temperaturas mais baixas dão-se no mês de janeiro, nas regiões serranas e no extremo nordeste do município, sendo que a temperatura média anual do ar ronda os 15ºC. Por seu lado, as mais altas registam-se geralmente em agosto. A pluviosidade é fortemente influenciada pela presença da serra de Sintra, coberta pela isoieta dos 1 000 mm, e estende a sua influência às áreas circundantes (em direção ao mar, variam entre 700 e 500 mm, esta última já junto ao Cabo da Roca) e em direção à serra da Carregueira (por onde se estende a isoieta dos 800 mm). As zonas com menor precipitação encontram-se na faixa litoral, enquanto que a situação se inverte no que concerne à humidade relativa do ar (entre 80 e 85%), que é menor nas zonas do interior (70 a 75%). A época de maior precipitação ocorre no outono e inverno.
Uso e ordenamento do território
Sintra configura um espaço complexo no contexto metropolitano, pela multiplicidade de unidades territoriais com características diferenciadas que se desenvolveram e vocacionam de maneiras distintas. É uma periferia de franja urbana fragmentada, na qual predominam (segundo a Carta de Uso e Ocupação do Solo) as áreas florestais (38,53%) e agrícolas (32,79%), com um grande peso das áreas edificadas (19,70%). A ocupação urbana tem o seu expoente máximo no eixo Sintra–Amadora, adjacente à capital (Centro Metropolitano), com a qual forma um contínuo urbano suportado pelos dois grandes eixos de transportes rodo e ferroviários (seguindo a Linha de Sintra e o IC19). Este eixo conforma um espaço urbano consolidado, de grande densidade, que se originou de modo a responder à procura e necessidades de habitação da população com menor poder de compra. Predominam os edifícios multifamiliares, com presença de zonas nas quais o edificado, de muito má qualidade de construção, se encontra em elevado estado de degradação.
Património natural e espaços verdes
O município sofreu, desde meados do século XX, um elevado crescimento demográfico, o que se traduziu numa construção desordenada e dispersa, ocupando áreas de importância em termos ecológicos, e negligenciando (com as únicas exceções nas zonas privativas ou controladas da Penha Longa e Belas Clube de Campo) o papel dos espaços verdes na melhoria da qualidade do ar, no conforto bioclimático, na qualidade visual e paisagística dos elementos que compõem o tecido urbano, no fomento à presença de ecossistemas e na garantia da permeabilidade do solo dos sistemas urbanos. Assim, por todo o município, os espaços verdes públicos são raros ou pouco significativos, sendo isso notável nos principais aglomerados do princípio da 2.ª metade do séc. XX, e com as AUGI, onde a existência de qualquer espaço público que não fosse destinado à circulação era considerada um desperdício de espaço (não comercializável).
Freguesias
O Município de Sintra encontra-se composto por onze freguesias. Anteriormente à reorganização administrativa de 2013 eram vinte.
O Município de Sintra possuía, segundo os dados do censo de 2021, um total de 385606 habitantes, o que o torna no segundo mais habitado do país. Em comparação com os dados de 2011, o município cresceu em 2,1% o número de residentes. (Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.) A faixa dos 15–64 anos (população em idade ativa) concentrava em 2011 o maior número de indivíduos. No período 2001–2011, esta população sofre um decréscimo em toda a AML, especialmente na faixa jovem (15-24 anos), que em Sintra se traduziu numa variação de -11%. Em 2011, a faixa etária dos 35–39 anos representava 9,1% população residente total em Sintra (8,6% em 2001), seguida da faixa etária dos 40–44 anos, com 8,6% (7,2% em 2001) e a dos 45–49 anos com 7,6% (6,5% em 2001). A faixa etária dos 25–29 anos foi a que mais recuou no período intercensitário, representando 6% da população sintrense (2,9% homens e 3,1% mulheres). Em 2001, representavam 10% (5% homens e 5% mulheres), um recuo de quatro pontos percentuais numa década. As crianças e jovens (0–14 anos) representavam 17,6% da população em 2011 (-0,5% em relação a 2001), e os idosos (+ 65 anos) 13,7% (aumento de 3,4%). Desta maneira, o índice de envelhecimento subiu em Sintra para 82,7%.
A região de Sintra é, em termos fitogeográficos, de transição entre o norte e o sul do país, onde existem três grandes manchas contínuas florestais. A primeira consiste na serra de Sintra, povoada com abundante diversidade de espécies e de elevada importância estratégica para o município, possuindo valores patrimoniais, históricos e culturais de grande importância. A segunda centra-se na serra da Carregueira, composta sobretudo de eucaliptais e matos, e a terceira consiste nos pinhais de Nazaré, Janas e Banzão. Cerca de 17,9% das zonas florestais do município são dominadas pelo pinheiro-bravo, ao que se segue o eucalipto (14,4%) e o pinheiro-manso (9,4%).
Flora
O Município de Sintra inclui-se no Reino Holártico e na região biogeográfica mediterrânica. A zona da serra de Sintra, de natureza granítica, é dominada pelo pinheiro-bravo e, anteriormente aos trabalhos paisagísticos levados a cabo, era povoada por matos espontâneos de urzais (Erica arborea e Erica lusitanica), tojeiras (Paeonia broteri), carrascos acompanhados de algumas espécies arbustivas e arbóreas como o medronheiro, a carvalhiça, o sobreiro, a aveleira e alguns pinheiros-mansos. Atualmente, as comunidades aí existentes são arbóreas, geralmente higrófilas mas também tropófilas, e de porte altivo, encontrando-se variadas espécies: ciprestes, abeto, pinheiros-mansos e bravos, pinheiro-da-califórnia, faias, carvalhiças, castanheiros, mimosas, plátanos, vinháticos, espinhosas, teixos, azereiros, zangarinhos, salgueiros, carvalhos-negros, hakeas, freixos, ulmeiros, pinheiro-de-Lorol Weymouth, cedros-do-buçaco, cedros-do-himalaia, eucaliptos, medronheiros, choupos, louro-cerejo, austrálias, buxos, sequoias, píceas, licopódios, magnólias, fúcsias trepadoras e fetos, entre outros. No Parque de Monserrate estão também presentes espécies raras como são Datura sanguinea, Eugenia australis, Cycas Circinalls, Cycas Revoluta, Phyllocladus Trichomanoides, Metrosideros floribunda, Liquidambar, Araucaria bidwillii, Corypha australis, Latoria borbonica, Liriodendron tulipifera, Phaenix rupicola ou Acacia longifolia.
O município de Sintra abrange terrenos do flanco norte do sinclinal do Baixo Tejo, integrado na Orla Mesocenozoica Ocidental do Maciço Hespérico. A litologia sintrense é composta sobretudo por rochas sedimentares (com idades desde o Oxfordiano superior até à atualidade) e ígneas de diversos tipos (intrusivas e extrusivas), bem como uma pequena parte de rochas metamórficas que resultam de um processo de metamorfismo de contato. As rochas com maior antiguidade correspondem à era mesozóica, correspondendo a afloramentos do Jurássico Superior e Cretácico Inferior que são constituídos, na sua maioria, por calcários mais ou menos cristalinos e compactos, intercalados com calcários margosos e calcários de fácies pelágica, ricos em matérias orgânicas. A sua espessura máxima é de 200 metros, em São Pedro de Penaferrim. Seguem-se as formações do sistema Kimmeridgiano, espessas e compostas de calcoxistos com intercalações margosas e níveis conglomeráticos, designada por «Xistos do Ramalhão», e podendo atingir uma espessura máxima de 1200 metros. Na zona de Mem Martins dão-se calcários margosos, margas e calcários com corais e oncólitos, em espessura superior aos 600 metros. Do Portlandiano resultaram os «Calcários nodulares de Farta-Pão», com cerca de 600 metros, que como o nome indica são formados por calcários nodulares e compactos com algumas intercalações margosas.
Administração municipal
O município de Sintra é administrado por uma câmara municipal composta por um presidente e 10 vereadores. Existe uma Assembleia Municipal, que é o órgão deliberativo do município, constituída por 44 membros (dos quais 33 eleitos diretamente). O cargo de Presidente da Câmara Municipal é atualmente ocupado por Basílio Horta, reeleito nas eleições autárquicas de 2021 pelo PS, o qual logrou a eleição de mais quatro vereadores na Câmara (num total de 5 eleitos, maioria relativa). Foram ainda eleitos quatro vereadores pela coligação Vamos Curar Sintra (PPD/PSD.CDS-PP.A.MPT.PDR.PPM.RIR), um pelo CH e um pela CDU (PCP-PEV). Na Assembleia Municipal, o partido mais representado é novamente o PS, com treze deputados eleitos e 8 presidentes de Juntas de Freguesia (maioria relativa), seguindo-se a coligação Vamos Curar Sintra (9; 3), o CH (3; 0), a CDU (3; 0), o BE (2; 0), o PAN (1; 0), a IL (1; 0) e o NC (1; 0). O Presidente da Assembleia Municipal é Sérgio Sousa Pinto, do PS.
O município de Sintra é parte integrante da região de Lisboa, que representa cerca de 37% do PIB nacional e concentra um significativo número de empresas tecnológicas e de investigação, de habitantes e os principais centros de decisão económica do país. Esta região, e por extensão, os seus municípios, encontram-se num processo de reestruturação e adaptação em virtude da crise económica de 2008, com variações negativas dos indicadores económicos. Em Sintra, estas variações foram maiores que a média da área metropolitana, o que evidencia um panorama social e económico mais complexo. A força de trabalho no município é de cerca de 102 000 indivíduos, o que corresponde a 9,5% da população do norte da Área Metropolitana de Lisboa. Em 2012, 34 316 empresas estavam sediadas no município, cerca de 11,1% do total da AML e 14,2% do total da Grande Lisboa, 96,4% delas de pequena dimensão e empregando uma média de 3,1 trabalhadores por empresa.
População e emprego
Em 2014, existiam cerca 170 202 indivíduos economicamente ativos, concentrados maioritariamente no corredor urbano do município. Estas áreas são aquelas que concentram a maior parte das populações empregadas e em idade ativa, sendo que nas restantes se observa uma grande percentagem de população reformada. Na década de 2001–2011, a taxa de atividade no município sofreu uma quebra acentuada, de 4,2 pontos percentuais, situando-a em 52,1%. Este valor coloca o município por cima do município de Lisboa e do país (ambos com 47,5%), e por detrás de Vila Franca de Xira (54%) e Odivelas (52,5%) a nível metropolitano. Entre os fatores apontados para este decréscimo encontram-se a diminuição dos fluxos migratórios, o envelhecimento da população e o desemprego. A mesma tendência verifica-se na população residente empregada (-10,7% no mesmo período), também reflexo da conjuntura económica adversa. A população desempregada contava-se em 26 650 indivíduos segundo os censos de 2011, um aumento de 6,4% em relação a 2001 e totalizando um valor para o município de Sintra de 13,5%, superior ao valor verificado tanto a nível nacional (13,1%) como regional (apenas superado pela Amadora, com uma taxa de desemprego de 14,96%). O eixo urbano concentrava, à época, o maior número de desempregados, sobretudo nas freguesias de Algueirão-Mem Martins (19%) e Rio de Mouro (14%).
O município de Sintra é servido por diversos modos de transporte coletivo, com especial relevância do transporte ferroviário (é no município que o transporte ferroviário detém maior peso relativo nas deslocações efetuadas). Em 2011, 240 191 indivíduos realizavam deslocações pendulares em Sintra, tornando-o no segundo concelho da AML Norte em termos da importância dos fluxos absolutos de pessoas. Destes, a maioria (135 350) faziam-no em direção a outros concelhos, maioritariamente para Lisboa (57 835 indivíduos), seguida por Oeiras (13 974 indivíduos). De acordo com o INE, os utilizadores de transportes públicos no município são aqueles que mais tempo despendem nos seus movimentos pendulares na Área Metropolitana de Lisboa, sendo apenas superados por Cascais. Nas deslocações intraconcelhias, o modo de transporte mais utilizado é o automóvel (54,6%), seguido das deslocações pedonais (26,5%), por autocarro (10,2%) e por comboio (5,9%). Quanto às deslocações interconcelhias, domina novamente o automóvel (47,5%), seguido do comboio (39%) e das deslocações pedonais (9,4%). Apesar disto, o concelho de Sintra era aquele que apresentava a menor taxa de motorização da população em 2013.
A exploração e gestão do sistema municipal de captação, adução, tratamento e distribuição de água para consumo público, bem como de drenagem de águas residuais do município cabe aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Sintra (SMAS). Este sistema assenta numa rede adutora de abastecimento de água composta por 64 reservatórios, 33 estações elevatórias e 1700 km de condutas adutoras e distribuidoras. O município possui poucas captações de água, com disponibilidade muito baixa, pelo que a maioria da água para consumo público é adquirida à EPAL, proveniente da barragem de Castelo de Bode. O concelho de Sintra é abastecido em alta a partir do reservatório do Alto de Carenque, constituindo a espinha dorsal da rede de abastecimento a conduta adutora |Alto de Carenque – Mercês. Esta é depois encaminhada para os reservatórios do concelho, com capacidade total de armazenamento de 200.000 m3, sendo os mais relevantes os de Ranholas, Rinchoa, Mercês, Casal do Cotão e Massamá Norte.
Educação
O município de Sintra era, em 2013/2014, composto por vários equipamentos que cobrem as etapas do Jardim de Infância ao Ensino Secundário. A maior concentração de equipamentos educativos e alunos dá-se na freguesia de Rio de Mouro (19 equipamentos e 7393 alunos), seguida da União das Freguesias de Almargem do Bispo, Pero Pinheiro e Montelavar (em número de equipamentos, 16) e de Massamá e Monte Abraão (com 7513 alunos). A nível municipal, a maioria dos alunos encontram-se no 1.º ciclo do ensino básico (29%), tendo vindo a reduzir-se por efeito das baixas taxas de natalidade e de imigração. Seguem-se os 3.º e 2.º ciclos (25% e 16% respetivamente), enquanto que os Cursos de Educação e Formação no Ensino Básico foram os menos frequentados por terem vindo a ser gradualmente substituído pelos Cursos Vocacionais. É também no 2.º ciclo do ensino básico que se encontra o maior número de alunos carenciados (45,7%), com os restantes ciclos com valores entre os 40% e 50%, e o ensino secundário com 25,6%.
Saúde
Ao nível dos cuidados de saúde primários do Serviço Nacional de Saúde, o município de Sintra é abrangido pelo Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Sintra, composto por 11 Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados e 12 Unidades de Saúde Familiar onde estavam inscritos, em 2013, 358.610 utentes, dos quais 95.689 (27%) não tinham médico de família atribuído. A taxa de cobertura do médico de família face à população residente em Sintra situa-se nos 70%. O município não possui nenhum hospital, sendo a sua população atendida no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, situado na Amadora. Na área materno-infantil, as populações das freguesias de Algueirão-Mem Martins, Almargem do Bispo, Pero Pinheiro e Montelavar, Colares, São João das Lampas e Terrugem e Sintra são atendidas no Hospital Dr. José de Almeida, em Cascais. A freguesia de Algueirão-Mem Martins dispõe de um Serviço de Urgência Básica que se encontra em serviço durante todo o dia.
Forças de segurança
A Guarda Nacional Republicana possui a maior área de intervenção no município, ocupando-se das freguesias mais rurais (Sintra, Colares, São João das Lampas e Terrugem e Almargem do Bispo, Pero Pinheiro e Montelavar). Para além dos postos territoriais nestas freguesias, possui o Destacamento Territorial de Sintra, o Subdestacamento Territorial de Sintra, o Destacamento de Intervenção de Lisboa, a Unidade Nacional de Trânsito, o 1.º Destacamento de Ação Conjunta, o Pelotão de Deteção Cinotécnica e a Escola da Guarda. A Polícia de Segurança Pública ocupa-se das áreas urbanas do município (freguesias de Algueirão-Mem Martins, Rio de Mouro, Casal de Cambra, Cacém e São Marcos, Agualva e Mira Sintra, Massamá e Monte Abraão e Queluz e Belas) e da Divisão Policial de Sintra, a Unidade Especial de Polícia, que integra o Corpo e Intervenção, o Grupo de Operações Especiais, o Corpo de Segurança Pessoal, o Centro de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo e o Grupo Operacional Cinotécnico.
Bombeiros
Ao todo, existem nove Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários espalhadas pelo município (Queluz, Sintra, Algueirão-Mem Martins, Belas, São Pedro de Sintra, Agualva-Cacém, Montelavar, Colares e Almoçageme), cada uma delas detentora de um Corpo de Bombeiros próprio. Cada uma das associações possui áreas de atuação fixadas que não se correspondem aos limites administrativos mas que resultam de acordos levados a cabo para assegurar a rapidez e prontidão do socorro. Em regra, estas áreas abrangem uma ou mais freguesias contíguas. As associações são apoiadas financeiramente pelo município através do Programa de Apoio às Associações de Bombeiros Voluntários, destinado à formação dos recursos humanos, à aquisição de equipamento, no apoio às infraestruturas e na gestão corrente.
Proteção civil
O Serviço de Municipal de Proteção Civil em Sintra é desenvolvido pela autarquia, pelos cidadãos e por todas as entidades públicas e privadas existentes no município com a finalidade de prevenir riscos coletivos inerentes a situações de acidente grave ou catástrofe, de atenuar os seus efeitos e proteger e socorrer as pessoas e bens em perigo quando aquelas situações ocorram. A atividade de proteção civil municipal tem caráter permanente, multidisciplinar e plurissectorial, cabendo ao Serviço Municipal de Proteção Civil promover as condições indispensáveis à sua execução, de forma descentrada, sem prejuízo do apoio mútuo entre organismos e entidades responsáveis pela prossecução da mesma atividade ao nível municipal ou níveis territoriais de maior dimensão. O Serviço Municipal de Proteção Civil apoia o Presidente da Câmara nas suas funções em matéria de proteção civil municipal e desempenha as tarefas que este lhe cometa no âmbito do planeamento e da coordenação operacional. Também apoia a Comissão Municipal de Segurança em articulação com o Serviço de Policia Municipal e Fiscalização.
Administração, prevenção e segurança pública
No município de Sintra existem 5 equipamentos administrativos sob a tutela da administração central: o Tribunal de Sintra, a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, os Estabelecimentos Prisionais de Sintra e da Carregueira e os Julgados de Paz e Mediação Familiar, em Sintra.


