Colares DOC
Colares é uma pequena região vinícola portuguesa no concelho de Sintra, em redor da vila de Colares, entre a serra e o Atlântico. A região tem a classificação DOC, Denominação de Origem Controlada e estende-se ao longo da costa, com as vinhas protegidas por paliçadas de canas secas e instaladas em dunas de areia. A região é conhecida pelos vinhos tintos delicados, de cor pouco densa e ricos em taninos.
Imagem: Ulrich prokop · BY-SA · Openverse
O historiador João de Barros, no romance de cavalaria “Crónica do Imperador Clarimundo”, editado em 1532 e oferecido ao Rei D. João III, fez desenvolvida referencia a Colir (Colares) situada ao pé de “uma serra de maravilhosa grandeza e altura, que como uma ponta se mete no mar,e bem a outra entra pelo sertão da terra contra a uma populosa cidade de Lisboa, que jaz da outra onde o rio Tejo se mete no grã mar oceano”. Na maior altura de um monte destes está um castelo que se chama Sintra e por entre a penedia da serra há muitos veados, porcos e outros animais selvagens. Naquele tempo, Clarimundo vendo a danificação feita pelos espanhóis naquela terra e tendo destruído o gigante Morbanfo, libertou os cativos dos moradores de Sintra e de vizinhos de Lisboa. Os de Sintra, vieram logo com muitos presentes de mantimentos, mas Clarimundo não lhe quis tomar qualquer coisa que lhe ofereciam. Passados cerca de oito anos, segundo o mesmo romance, a abastada Condessa de Compa, natural da Alemanha, tendo-lhe sido matado o seu marido, acusado de adultério com a Raínha da Dinamarca, temendo a perseguição e reunindo as suas principais jóias embarcou em duas naus, com os seus três filhos e outros familiares. Não ousando pousar em terras de cristãos e muito cansada do trabalho do mar, vendo a fresquidão do lugar, pediu a el-Rei Zeilão de Lisboa que lhe desse um pouco de terra para nela habitar em sua lei sob as ordenações da terra e que, embora estrangeira, gostaria de ali viver.
Desde 1931, a principal missão desta cooperativa tem sido a produção de vinho a partir das uvas cultivadas pelos seus membros, utilizando métodos e técnicas apropriados ao tipo de solo que temos nesta região. Dessa forma, desempenha um papel significativo no apoio social ao setor agrícola do município de Sintra. A Adega Regional de Colares mantém uma estreita proximidade com os seus membros, oferecendo assistência técnica aos viticultores e apoiando as suas atividades bem como a comercialização das mesmas. Com uma tradição tão antiga e uma tipicidade notável, a vinha e o vinho da região de Colares são um verdadeiro testemunho vivo do passado e um símbolo representativo da mesma. Os desafios enfrentados por esta cooperativa e a sua sobrevivência vão além das considerações económicas, tornando-se uma questão profundamente enraizada na cultura. O seu principal objetivo é proteger, preservar e comercializar a Cultura e o Vinho de Colares. A Adega Regional de Colares atualmente representa mais de metade da produção da região e conta com a participação de mais de 90% dos produtores locais. O seu edifício é notável, destacando-se pelo seu impressionante interior, que impressiona pela sua vastidão e pela quantidade significativa de tonéis que abriga. Este espaço desempenha o papel central na fase de maturação e envelhecimento em barris de madeira, sendo considerado o local por excelência para esse processo nesta Região Demarcada. Ao longo dos anos, esta adega cooperativa tem sido considerada uma embaixadora nacional e um marco histórico na região de Sintra, atraindo destacadas personalidades da política e da cultura tanto a nível nacional quanto internacional. Este é o cenário de inúmeras ocasiões, como refeições, festas e degustações de vinho, que ainda são realizadas na sua nave principal até os dias de hoje
Imagem: Inspirational Food · BY-NC · Openverse
Colares é região demarcada desde 1908, mas a origem dos seus vinhos remonta a 1255, quando D. Afonso III fez a doação do Reguengo de Colares, obrigando a plantar aí videiras vindas de França. As características únicas dos vinhos de Colares devem-se à combinação de castas, solo e clima temperado e húmido no verão, mas principalmente ao facto da vinha ser instalada em "chão de areia". Situadas próximo do mar as vinhas estão sujeitas a ventos marítimos muito fortes, pelo que tradicionalmente são protegidas por paliçadas de canas. As castas são plantadas na camada argilosa subjacente à camada arenosa, sem recurso a porta-enxertos. Os seus solos arenosos conseguiram manter afastada a filoxera, epidemia que assolou a Europa e quase todo o território português, por isso as vinhas de Colares da casta ramisco, não enxertadas, estão entre as mais antigas de Portugal.
Imagem: Inspirational Food · BY-NC · Openverse
A área geográfica da DOC Colares situa-se no concelho de Sintra, entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, compreendendo as freguesias de Colares, São Martinho e São João das Lampas.


